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Mostrando postagens com o rótulo Editorial

Está escrito

Não me custou nada escrever. Estava escrito. Nenhum esforço além do que a rotina me impôs. Publicar foi um pouco mais difícil; vende-los se tornou a tarefa mais árdua que encontrei. A minha geração não compreende a grandiosidade deste resgate histórico-cultural. Não há qualquer mérito agora em mantê-los. Deixo às traças do tempo. Mas não é o fim, senão uma reanálise de tudo o que já foi feito. Daqueles que iniciaram comigo, como blogueiros, quer jornalistas, quer aventureiros, apenas este velho aqui continua, não sei até quando (até quando puder manter o site). Enfim, eles seguiram – um a um – o seu caminho de sucesso, enquanto fiquei aqui na “terrinha” contando histórias. Vale a pena. Não se a alma não é pequena. A minha, não sei o seu tamanho (Deus o sabe). Queria que fosse diferente, mas as coisas são assim mesmo: sem mérito ou demérito, um vazio qualquer no cenário cultural. Pode ou não ser, o que será o amanhã (já dizia o poeta).   Rau Ferreira  

Velhas tradições: banho de açude

  Thomas Bruno publicou n’A União no último dia 19 de maio do andante um conto sobre o mito da cobra-preta muito conhecido na Parahyba. Quem nos dá conta é Câmara Cascudo. Segundo a lenda, a cobra procura as mães que estão a amamentar. Coloca a ponta da causa na boca da criança para acalentá-la enquanto suga o leite materno. Assim como outras, que eram narradas por nossas mães, sobre "o homem do saco", sobre o "papa-figo"... todas eram para nos advertir dos perigos do mundo e, de certa forma, nos manter nas "barras da saia" delas. Isso nos era contado, antigamente, para entre outras coisas, se evitar banho de açude. Fico a imaginar qual a relação do conto com as profundezas dos mananciais... Imagine só como eram as proibições naquele tempo, elas se davam por estórias! O garoto quer conhecer a vida lá fora e nessa ânsia vai "testando" as suas forças. Nisso consiste a necessidade humana de desbravar novos horizontes. Nisso está o desejo de qu...

Banho de açude

  Thomas Bruno publicou n’A União um conto sobre o mito da cobra-preta muito conhecido na Parahyba. Quem nos dá conta é Câmara Cascudo. Segundo a lenda, a cobra procura as mães que estão a amamentar. Coloca a ponta da causa na boca da criança para acalentá-la, enquanto suga o leite materno. Isso nos era contado, antigamente, para entre outras coisas, se evitar banho de açude. Imagine só como eram as proibições naquele tempo, elas se davam por estórias! Mamãe também não nos deixava tomar banho de açude. Mas nem por isso, deixava de me aventurar na época das cheias, com os colegas de escola. Certa feita a professora de ciência/biologia nos mandou coletar folhas de todo o tipo. Foi a desculpa para irmos aos sítios. Na Timbaúba no inverno nas cercanias de Cícero Romana descia uma cachoeira. Fomos à nascente... a água corria fina, translúcida. A renovo da natureza é para nós um encanto. Que maravilha! No caminho jogamos pedras ao léu. No mato os passarinhos revoavam. Tudo era na...

Terça, segunda e primeira; o João Benedito bateria no Limeira?

  Evaldo Brasil, ativista cultural do nosso município, em um comentário sobre a publicação “Zé Limeira em Esperança”, imaginou o confronto entre o “poeta do absurdo” e o “poeta do tempo” (João Benedito). Disse o adido cultural: “Terça, segunda e primeira; o João bateria no Limeira?”. Passemos a conjecturar este encontro. Zé Limeira ficou muito famoso com a publicação de Orlando Tejo, livro esse já na sua 11ª edição; a quem conhecera nos anos 40 do Século passado, registrando-lhe os versos. João Benedito – por mim biografado – não é menos conhecido; dele já dei conta uma centena de vezes, também de sua capacidade de versejar, poeta que era, considerado “o professor dos cantadores”. Se até as pedras se cruzam, imaginem dois peregrinos como estes! Enfim, Nêumanne Pinto, escrevendo para o Jornal do Brasil, sobre o conterrâneo poeta, nos informa: “Zé Limeira houve um, o que deu origem ao mito todo, e Zé Alves o conheceu, teve até oportunidade de duelar com ele. Da mesma forma,...

A morte e a ressurreição de Padre Antônio

  O romance é um gênero literário narrativo atemporal com ambientes e personagens que contam uma estória; em geral tratam de fatos grandiosos de um herói ou de seu povo e a sua origem remota às epopeias. Nós não temos muitos romancistas em nossa terra, por isso a notícia do livro dos irmãos Thomas Clementino Sales de Lima e Lucas Clementino Sales de Lima nos chama a atenção pelo seu ineditismo. Lançado pela Editora Arribaçã, a obra possui 369 páginas no formato 14 x 21 cm. Diz Evaldo Brasil que a obra é “ envolta em situações de muito humor, mistério, suspense e drama, a narrativa consegue prender nossa atenção a cada página, a cada capítulo, no que poderia retratar a realidade de qualquer pequena e pacata cidade entre os anos 70 e 80 do século passado ”. Thomas, um de seus autores, é filho de Esperança, graduado em direito pela Unesc (2018), especialista em Direito Penal e Segurança Pública com Pós-Graduação pela FIP. Atua em todo o território paraibano e é sócio do escritór...

Nos caminhos da arqueologia

Há alguns dias, caminhando para o canteiro onde lentamente se está construindo a Vila Olímpica de Esperança, dois amigos, Rau Ferreira e Evaldo Brasil, se depararam com uma gravura numa das pedras do caminho. Na ocasião, o primeiro, cuidou de registrar o achado, postando fotografia em uma rede social. A postagem gerou comentário de Vanderley de Brito, pesquisador e membro da Sociedade Parahybana de Arqueologia/SPA, de que poderia ser um antropomorfo, resultado de uma produção centenária naquele granito. A inscrição supostamente rupestre lhes tomou de assalto, provocando a curiosidade. Com efeito, o município de Esperança, em priscas eras, foi habitado por aborígenes da Nação Cariry. Os Índios Banabuyés, assim batizados pelo etnólogo José Elias Barbosa, se concentraram no antigo lajedo do Araçá, não obstante se tenha notícias de sua presença em Lagoa de Pedra, Lagoinha das Pedras, na Serra do Urubu (imediações do Britador) e nos Caldeirões, divisa com Alagoa Nova. Em pelo menos d...

Uma outra Esperança

Ontem me encontrei com um colega, o fisioterapeuta Jean. Falávamos de como Esperança mudou e que há poucas referências para a nossa geração. Alguns prédios antigos por nós conhecidos foram substituídos por lojas comerciais e até mesmo a Praça da Cultura tão frequentada em nossa época, com o seu desenho mais recente, não nos parece atrativa. Também os amigos se foram, cada qual procurando a sua estabilidade financeira fugindo da "seca" de ideias que nos rodeava. Alçaram outros horizontes e conquistaram um espaço profissional. Dizíamos da feira - que à época funcionava na rua do Sertão -, dos vendedores de frutas, dos mangalhos e do Parque Maia. Lamentamos que não  havia registro fotográfico. Falávamos da Loja de Seu Patrício, de Joca Aciole, Duda do Bar, Vicentão... assim nos localizávamos. A roda da vida girava mais devagar, fazia um friozinho no início e no final de cada dia (o calor atual é novidade para todos nós). Eram outros tempos, dificuldades não vivenciadas hoje...

Lautriv Mitelob - Nova fase

O Lautriv Mitelob - Magazine Cultural de Esperança - adotou uma nova linha editorial. Estamos no ar desde o dia 15/12, até o fechamento em 15/01. A ideia é ir atualizando as páginas com inserção das matérias que sempre fizeram deste boletim um grande sucesso: arte, cultura e história de nossa gente, na opinião precisa de Evaldo Brasil ​ . Ao final deste período, a edição estará completa e um novo ciclo se inicia. Contamos com a participação dos nossos parceiros, a exemplo de P.S. de Dória, Joao Batista Bastos Bastos ​ , Ana Débora Mascarenhas, Arthur Richardson e tantos outros quantos queira. Com uma leitura agradável e temas recorrentes, ilustrações e uma linguagem direta, o Boletim Virtual tem ganho novos leitores, conquistado o seu espaço e se firmado entre as publicações congêneres. Quer fazer parte deste time de vencedores? É fácil, mande seu texto ou arte para kaquim@gmail.com e aguarde o nosso retorno. Caso o seu trabalho esteja em sintonias com os objetivos desta rev...

O ano que o papai Noel não veio

Todos os anos o “bom” velhinho vem para me trazer algo que nem preciso tanto. É uma caixinha com nada dentro ou uma futilidade qualquer. Acho engraçado receber e não sei nem qual a razão. Melhor que o “amigo” oculto, que de oculto nada tem, pois no final todos ficam sabendo (alguns até antes). Nos confraternizamos, trocamos sorrisos, esquecemos as diferenças e é isso o que realmente importa. Apesar de não estarmos no mesmo barco, e ainda qu’eu seja um pequeno aprendiz, tenha na conta a minha origem. Sei de onde vim e permaneço muito ligado fazendo brotar das pedras um lírio qualquer. Assim a jornada se torna menos pesada e o conselho vale a pena: Não digas nunca mal do teu destino... Mas voltemos ao decrépito Noel. Esse velho sempre faz das suas, e nesse clima que rodeia dezembro, consegue nos verter alguma lágrima à medida que saldamos dívidas com os nossos pares. Pois bem. Já desde o ano passado o ancião dava sinais que não estava bem da cuca. Não atendeu os meus pedidos, nem ...

Misantropia tresloucada

Cheguei a acreditar que a vida era um carrossel onde se alternavam momentos de altos e baixos. Ledo engano. A vida é um clow em cena, uma hora rindo da nossa contingência e outras tantas dando piruetadas para nos ensinar que nada é para sempre e tudo gira nesse tablado de volta para o começo. Esses dias tem sido assim... de uma misantropia tresloucada, com inversão de valores e aparências amenas a nos agradar. Porém, me vingo do meu próprio siso ao mesmo paradoxo, seja na tribuna ou fora dela. Certa vez foi o Riachão - gemi de dores ao saber - agora a história se repete e o ciclo vital autofágico (meu caro Evaldo Brasil) deve esperar mais uns nós da venta (meia bas, né). Grupos em debates discutem as nossas decisões, mas não seria melhor recorrer? "O apelo das massas talvez fale mais alto, Rau Ferreira". Pois bem. As coisas são mesmo assim, e não há nada que se possa fazer. Quanto aos amigos, restam-me bem poucos, nessa sanha de cães e de aventureiros que não se co...

Esperança na história, resumo do dia 06/11/2015

No último dia 06/11, em nosso quadro “Esperança na história”, tratamos do "ofício de sapateiro", profissão essa que, durante quase três décadas, aqueceu o comércio local. Na época, como foi dito, essa era a principal atividade local. Eles eram muito organizados, chegaram a fundar um clube social e muitos deles estavam engajados no futebol. Citamos os antigos sapateiros, alguns produtos por eles fabricados, as principais oficinas da cidade e os últimos remanescentes. Alguns ouvintes interagiram conosco, lembrando os sapateiros João Marcolino, cuja oficina era na rua Santo Antônio; Pedro Targino, que trabalhou com Michelo; Jaime de Pedrão; Futrica, na rua 04 de outubro e, Zuza sapateiro, que foi homenageado do Tribuna do Povo e que ainda hoje conserta calçados na feirinha de frutas, em Campina Grande. Antes, porém, foi mencionado pelo amigo Sandro (Boca de flor), o sapateiro “Breu com cola”, que trabalhava na rua de Baixo, em frente ao comércio de Pedro Gaziano, em uma cas...

Esperança na História, resumo de 30/10/2015

Com satisfação apresentamos o nosso quadro “Esperança na história”, veiculado pela BanFM através do Programa Café com Notícias no último dia 30 de outubro do corrente ano. Tratamos dos nomes populares de ruas que por tradição chegam a se sobrepor ao nome oficial, cuja razão de ser precede a fatos extraordinários, a exemplo da rua do Boi, onde havia, antigamente, um antigo curral, e rua do Sertão por ser pouso dos sertanejos. Pois bem. A participação popular foi intensa, fazendo menção àquelas artérias de nossa cidade menos conhecidas. Foi citado que a rua General Osório também era conhecida como “Rua da Tapa”, talvez por uma briga que ocorrera ali. A Travessa São Vicente, antes fora “Rua do Lajedo”. Lembrei então do Calçadão, cujo nome de registro é Praça Joaquim Pereira da Silva, em homenagem ao genitor de seu Zé Pereira, proprietário da Empresa S. José. Ainda nas interações, nos foi informado que seu Ulisses Barbeiro, mencionado no último programa, ainda era vivo, no auge de seu...

Água: renasce a Esperança

Choveu! Renasce a esperança em todos nós. Ela, a esperança, é prima-irmã da caridade e um poeta não pode dispor – nunca! – desse gesto gratuito de amor! Esperança terra boa e de boa gente, árvore nova cujos frutos hoje em dia alegram toda a Paraíba. No teu passado não tão distante  – lyrio verde da Borborema  – homens cultos elevaram-na aos cimos do parnaso e fizeram-te encantadora e próspera. A água abundante que cativou os índios banabuyés e nossos primeiros colonizadores ainda refresca essas paragens. Por aqui afluências o  Riachão , o  Araçagy  e outros tantos rios e riachos perenes que banham nossas terras; não é à toa, que muitas das propriedades denominam-se por lagoas:  Lagoa Comprida, Lagoa da Marcela, Lagoa de Cinza, Lagoa de Pedra, Lagoa do Sapo, Lagoa dos Cavalos, Lagoa Verde, Lagoinha das Pedras ... apenas para citar algumas delas. A revista do IHPG denunciava, em 1911, a problemática da escassez deste liquido tão precioso neste municí...

Feliz 2015, Cilício de Silvino Olavo

Que bom que está acabando 2014. Para mim foi um ano muito difícil, como deve ter sido para todos aqueles que decidem enfrentar uma vida honesta com os rigores da Lei. Incomodei bastante, e por isso fui muito perseguido. Mas não mudarei o meu jeito de ser, contando apenas com a minha oração - num esforço tremendo por acreditar -, na fé que me transporta para um céu de oportunidades, e na poesia que ora transcrevo para o deleite daqueles que apreciam. Feliz ano novo! O nosso querido Evaldo Brasil publicou em seu blog a poesia CILÍCIO [http://evaldobrasil.blogspot.com.br/2013/01/cilicio.html], de Silvino Olavo: Cilício Quando minh'alma era mais imperfeita e eu não sabia renunciar ainda a essa ânsia insatisfeita de cada dia meu claustro era mais triste e mais estreita a cela em que eu vivia! Minha angústia era um ai! mais estridente... Minha dor não vestia a indumentária leve e transparente dessa melancolia com que, a meia voz, discretamente, ela hoje s...

Balanço 2013

Hoje me dei conta que perdi a conta. Foram tantas publicações, tantos textos, artigos poemas que já nem sei mais por onde andam, nem contabilizo. Agora a pouco tentei juntar todo o material numa pasta para arquivo pessoal. Não foi possível. Digo ao meu futuro biógrafo, terás tanto trabalho quanto tive para produzi-los. Que fique para a posteridade, enquanto a lucidez em mim brilha. Sinto a necessidade premente de me afastar, dedicando-me mais ao trabalho e às lides jurídicas. Confio em Deus que terei forças ainda por mais um tempo para manter esta vida dupla de escritor e operador do direito, e no final prestarei contas como um bom servo do Senhor. Disse o poeta, que o olhar no mar da vida não nos ensina a chorar. Esperança, era o que SOL queria dizer, amigos Rau Ferreira

Esperança: um sonho possível (?)

Com a instituição da Fazenda Banaboé Cariá pelos herdeiros dos Oliveira Ledo - fundadores de Campina Grande -, com o objetivo de constituir um entreposto de gado, na antiga propriedade Bela Vista que depois passaria às mãos de José Luiz, genitor de Irineu Jóffily,; o povoamento ascendeu a nossa Banabuié, notadamente com a construção de uma capela sob a invocação da Virgem do Bom Conselho, pelos “elementos plasmadores” desta Vila, consoante descrito por Padre João Honório, e formação de uma feira semanal, no caminho que dava acesso aos sertões e brejo. Esta terra de pastagem verde atraíra a atenção de muitos. Decerto, por tal razão, lhe valera o nome indígena de Banabuié ou Banabuyu , que na língua tupi significa pantanal ou brejo das borboletas. Atual Esperança. Berço de grandes intelectuais e de uma reserva moral coragem e empreendedorismo, verdadeiros desbravadores, pessoas não só de idéias mas de ação e que fazem o amanhã se tornar hoje, e o sonho realidade, Esperança tem contr...