Irineu Ceciliano Pereira Jóffily A região da Borborema onde Esperança se localiza começou a ser repartida a partir do século XVII e XVIII para colonos portugueses e luso-brasileiros que subiam a serra. Os registros detalhados por Jóffily em seu livro “Synopsis das Sesmarias da Capitania da Parahyba” (1894) apontam que as concessões naquelas imediações visavam, prioritariamente, a criação de gadum vacum , alargando as fronteiras de pastagem do interior. Ele descendia dos Oliveira Lêdo, uma das famílias responsáveis pela ocupação dos sertões paraibanos — incluindo áreas próximas ao atual município de Esperança. Joffily é considerado um dos primeiros historiadores a escrever sobre a Paraíba, rompendo com a dependência de historiadores pernambucanos. O que se tinha antes, em nosso Estado, eram relatos orais e crônicas influenciados pelos escritos do Século XIX. Ao resgatar as fontes primárias de terras coloniais, transformou a pesquisa no alicerce da historiografia. O “cronis...
Vizinho a casa que Tutu construiu, na praça Dom Adauto, à direita de quem vai para a maternidade, existia uma cocheira e uma casinha de taipa. Nela morava uma senhora com o filho, que todos chamavam de “Toinho da Cocheira”. O nome da mãe dele era dona Lambú, uma velha rezadeira. Certa feita, ela rezou por mais de mês o meu pé inchado de uma queda que sofri da cisterna da Escola Irineu Jóffily, brincando com “Cem de Tutu”. Um correndo atrás do outro. Me arrebentei todo dessa queda. Lembro-me como se fosse hoje. Com um pedaço de pano sobre o meu pé e uma agulha cosendo o pano, ela dizia: - Que cozo? Eu respondia: Carne triada! Isso, por muitas vezes, todo o dia, por mais de mês. Toinho da Cocheira era um molecão de 17 pra 18 anos que guardava os jumentos dos outros sitiantes nos tocos de paus por ali existentes, na cachoeira, enquanto eles iam fazer a feira, para ganhar alguns mil réis! Pedro Dias do Nascimento Poeta e escritor