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O Zorro em Esperança

Por Eliomar Rodrigues de Farias*   No final dos anos 50, o Grupo Escolar Irineu Joffily, situado à rua Joviniano Sobreira, em Esperança, Paraíba, era todo murado com altura de aproximadamente 2 (dois) metros e possuía apenas uma entrada, na rua Joviniano Sobreira, através de um portão de ferro largo com 2 (dois) metros de altura. No prédio haviam corredores que dava acesso às salas de aulas. Ao lado balaustrada, que era uma fileira de pequenas colunas que sustentavam um corrimão ou peitoril, formando um parapeito ou grade decorativa, comum em escadarias, varandas e terraços para dar suporte e segurança. Pois bem, nesse espaço, quando não havia aulas, Eu (Cem de Tutu), Beinha do Sr. Dorgival, Elifas, Tida Tavera, Marcos de Tutu, João de Sr. Anisio, os filhos de D. Aderita: Jadailton, Gilson, Jaime, Janilton e outros colegas que não lembro no momento, todos moravam próximo ao Grupo Escolar, aproveitávamos esse horário sem aulas para jogar. Usávamos bolas de meias, por nós p...
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Antônio Nogueira

Por Davi Lucas   “VENI; VIDI; VICI". Acredito que toda guerra tenha seu fim, mas apenas um vencedor. A vida é assim - devemos ser agressivos com os nossos desafios até que possamos dizer; 'eu vim; eu vi; eu conquistei'. E, acho que um dos homens de honradez que poderia proferir as palavras de Júlio César seria: ANTÔNIO NOGUEIRA DOS SANTOS. Homem de vida larga, mas infelizmente curta - foi nesse axioma que Nogueira fez a sua vida desenvolvimentista. Aos 12 anos, sentiu na flor da pele as dores de sair de casa para conquistar um novo mundo e desenhar uma mais que abrilhantada história. De fato, no seu cerne, já havia um grande progressista em formação - em dado momento; foi para o estado do Acre, onde participou do Ciclo da Borracha e conheceu a filha de um Boticário: Iracema, mãe de seus filhos. Assim, em constante dinamismo, tornou à Esperança e fundou a Nogueira & Cia, transformando-se em: produtor agropecuário, comprador e exportador de Agave - sendo ...

Eleusio Freire e o algodão colorido

O algodão é de fibras brancas e somente 0,5% se constitui de fibras coloridas, o que nos resta uma questão: os algodões coloridos são transgênicos? A resposta é “não”, e quem nos informa é o agrônomo Dr. Eleusio Curvelo Freire, formado pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Fitotecnia pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade do Ceará. Possui o título de Doutorado em melhoramento de plantas pela Universidade de São Paulo – USP. No Brasil desde o seu descobrimento houve relato da existência de algodões cultivados pelos indígenas. Posteriormente estes algodões foram chamados de “rim de boi” (porque tinham sementes coladas) quebradinho (sementes descoladas) todos conhecidos genericamente como tipos arbóreos. No início do século XX surgiu um tipo de algodão arbóreo conhecido como algodão mocó porque tinha sementes semelhantes as fezes do roedor de mesmo nome. Este algodão foi selecionado por produtores do Seridó do Rio Grande do Norte e foi uma grande fonte de ren...

Chico Pintor

O poeta Francisco Eleutério, e grande escultor da cidade de Areial, me chamou a atenção para a escrita sobre Francisco Nicolau da Costa, o “Chico Pintor”. Dizia-me que “foi ele quem fez o Cristo de Areial e na parte de baixo do Cristo tem a inscrição dele; e sei que ele fez algumas estátuas para o Cemitério de Lagoa de Roça... o Senhor Morto da igreja também foi ele quem fez”. Comprometi-me em escrever algumas coisas. Eis o que sei. O artista morava na rua de baixo (rua Dr. Silvino Olavo), destacava-se pela sua criatividade, pois além de exímio desenhista, era também “santeiro” e responsável pela ornamentação dos altares e painéis artísticos da Igreja Matriz. Dele, nos dá conta Gemy Cândido em seu livro: “Seus painéis, inscritos no interior do templo, realçavam, em geral, uma majestade mística e arquitetural impressionante, em que o vermelho, o branco e o dourado, intercambiados, davam uma configuração multicolorida a paisagem sobrenaturais, quer quando estruturava cenas da via s...

João Benedito: professor de cantoria

Jocelino Tomaz de Lima me surpreendeu esses dias com um texto sobre João Benedito (1860-1943), o cantador de Esperança referenciado por Câmara Cascudo (1898-1986) em sua obra [1] , e por Átila Almeida em seu Dicionário [2] , colocando-o entre os “grandes repentistas e preparadores [3] ”. Trouxe-me o material informações que confirmavam as que já conhecíamos, e acrescenta outros fatos que complementam a história do grande cantador. Disse-me que recorreu a um cidadão guarabirense, pesquisador da cultura popular, que lhe repassou o verbete em cópia. Jocelino Tomaz é memorialista e ativista cultural da cidade de Caiçara nesse Estado. Autor do livreto “100 Fatos dos 100 Anos de Jackson do Pandeiro”. Foi ele quem descobriu, no ano de 2019, uma música inédita do “Rei do Ritmo”. Coordenador da ONG Grupo Atitude, também profere palestras e possui um importante acervo pessoal. Segundo aquela narrativa, João Viana dos Santos – João Benedito – nasceu escravo, porém foi alforriado por seu se...

Casa antiga no Sítio Lagedão

Adiilson Cordeiro em seu canal no Youtube nos apresenta uma casa antiga no Sítio Lagedão, no município de Esperança. Ela seria uma das mais antigas da zona rural. A morada teria sido usada pelo Capitão Antônio Silvino em suas andanças pela região, na época em que os cangaceiros visitavam a nossa Banabuyé. O pé direito da casa tem quase quatro metros. A madeira usada na construção foi o cedro, talvez cortada do próprio matagal que existia na propriedade. Também possui um “caritó” onde se colocavam a luz de gás. No canto superior havia uma janela no alto com uma mureta, que servia para vigília. Diz-se que os “cabras” do “Rifle de Ouro” faziam guarda da polícia naquele recanto. Eles pernoitavam na residência e saiam ao raiar do dia. Existem ainda alguns potes centenários que serviam como reservatório de água. Estes eram muito comuns no tempo em que não existia filtro de barro. A água permanecia fria e evitava o contato com a poeira e insetos. O consumo se dava por uma jarra ou que...

Esperança e Sapé: as últimas vilas emancipadas completam 100 Anos de emancipação

Por Jocelino Tomaz *   Em 1º de dezembro de 1925 Sapé e Esperança foram elevadas à categoria de vilas. A primeira se separando de Espírito Santo e a segunda de Alagoa Nova. Até o fim do século dezessete a capitania da Paraíba tinha apenas um município, a cidade de Paraíba (cujo nome só mudou para João Pessoa em 1930). Ela já foi fundada como cidade em 1585 e tinha jurisdição sobre toda a capitania. Por volta de 1760 surgiram as primeiras vilas: Monte-Mor (Mamanguape), Baia da Traição, Pilar, Alhandra, Jococa (Conde) e Pombal. Podemos dizer que todas as atuais cidades da Paraíba já pertenceram a algum desses municípios. Desde o século dezoito até 1938 as vilas, assim como as cidades, tinham status de município. Tinham um território definido, autonomia administrativa e política. Durante a maior parte desse tempo tanto as vilas como as cidades eram governadas por vereadores ou conselheiros, o presidente da câmara ou do conselho exercia função semelhante ao prefeito, cargo que ...

Arte Déco no Município de Esperança

O Art Déco é um estilo arquitetônico surgido na Europa nos anos 20 do Século passado caracterizado pelo uso de formas geométricas, ornamento e design abstrato. Ele possui linhas retas e poucas curvas, com exclusão de entalhes e motivos orgânicos. As cidades de Campina Grande (PB) e Goiânia (GO) possui um rico acervo destas construções. No município de Esperança, poucos quilômetros da “Rainha da Borborema”, não poderia ser diferente, devido a uma forte influência exercida por aquela cidade, a exemplo da imagem coletada por Evaldo Brasil (Blog Reeditadas) de um imóvel situado na rua Barão do Rio Branco, como ele mesmo dispôs na legenda: “traço arquitetônico típico dos pontos comerciais do centro da cidade, nos anos 70 do Século passado”.   Rau Ferreira   Fonte: - BRASIL, Evaldo. Reeditadas . Post: Arquitetura – Art Déco Poular – BBC. Blog disponível em: https://www.xn--esperanareeditada-gsb.com/ , acesso em 17/09/2025. - ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna . Editora ...

Maria Emília de Christo

Maria Emília de Christo nasceu em 25 de agosto de 1896, em Alagoa Nova (PB). Era filha de José de Christo Pereira da Costa e Emiliana Maria Collaço. Era irmã do Cônego Emiliano de Christo. Casou-se com Joaquim Virgolino da Silva em 9 de julho de 1928. Eles tiveram pelo menos 2 filhos e 1 filha (Herênio, Herder Paulo e Maria Violeta). Esta senhora, conforme pesquisas do Prof. Radamés Rocha, foi uma das primeiras a lecionarem na Escola “Irineu Jòffily”, nomeada juntamente com o decreto de criação daquele grupo (Decreto nº 288/1932). O quadro deste educandário, para o ano de 1941, estava assim constituído: Professores Esdras Urbano da Silva, Severina Souto, Cecília Sobreira Cavalcanti, Severina Sobreira Cavalcanti, Adiles Urbano da Silva, Hosana Lopes Martins, Maria Emília de Cristo, Lídia Fernandes da Rocha e Celina Coelho de Carvalho (Escola Noturna Feminina). Em seu dinamismo, dona Emília organizava os alunos para encenarem peças dramáticas juntamente com as professoras Maria H...

Irineu Jóffily, por Hortênsio de Souza Ribeiro

NO HISTORIADOR IRINEU JÓFFILY SE RESUMEM  AS QUALIDADES CULMINANTES DA NOSSA APTIDÃO Hortênsio de Souza Ribeiro (Discurso pronunciado na Academia Paraibana de Letras, por ocasião da posse do Acadêmico Epaminondas Câmara no dia 21 de julho de 1945).   “[...]. falar de I. Jóffily é falar da inteligência paraibana. Nele se resumem, como num brilhante compêndio, as qualidades culminantes da nossa aptidão intelectual. Jóffily está para o domínio da nossa antro-geografia como Arruda Câmara está ara a nossa ciência botânica. Mais do que qualquer outro, ele nos revelou ao Brasil, sob o ponto de vista cultural. Historiógrafo, jornalista, e advogado, quer como homem político, quer como cidadão, Jóffily exercitou a sua inteligência em domínios dir-se-ia que inacessíveis à preparação de um advogado provinciano. À extensão do que era capaz o seu cérebro privilegiado, a profundeza do seu gênio, permitam-nos a expressão, poderão ser atestados, como o recipiendário já salientou, pelas...