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João Benedito: trajetória e legado

A trajetória de João Viana dos Santos (1860 - 1943) constitui um dos capítulos mais expressivos da poesia popular nordestina. Conhecido pelo pseudônimo de João Benedito , este cantador era respeitado pela sua habilidade de criar versos e seu jeito irreverente. Nasceu escravo, na antiga vila de Banabuyé (atual Município de Esperança), porém foi alforriado por seu senhor que lhe ensinou a ler. Dizia-se ter boa memória e “peito fino” e glosava abertamente. O historiador e folclorista Luiz da Câmara Cascudo cita-o em seu livro (CASCUDO: 1939, p. 153) e reproduz um desafio que o poeta popular manteve com Antônio Correia Bastos. José Alves Sobrinho reforça sua importância regional, colocando-o entre os grandes cantadores do brejo paraibano, ao lado de Antônio Ferreira da Cruz e Romano Elias da Paz. O Dicionário Literário da Paraíba (SANTOS: 1994) registra que ele cantou com figuras como Zé Duda, Antônio Lamparina Cabeceira, Claudino Pimenteiro, João Melchíades e Josué da Cruz . Su...
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Hermínia Fernandes Bonavides

Herminia Bonavides (1884–1974) Hermínia Fernandes Bonavides nasceu em Esperança, no dia 25 de outubro de 1884. Filha de Mathias Francisco Fernandes, um próspero comerciante, dono de loja de tecidos, e Maria Joaquina Gomes Pereira. Foi aluna da conceituada professora Ana Carolina de Paiva Lima, em Alagoa Nova-PB. Com muita vivacidade, despertou para o mundo das letras, tendo adquirido bons conhecimentos com aquela preceptora. Casou-se com Fenelon Fernandes Bonavides (1872-1933) em 17 de abril de 1906. Ele natural de Areia, filho de Gervázio Fernandes Bonavides e Maria Sidalina de Medeiros. O casal teve cinco filhos, entre eles, destaca-se Paulo Bonavides (1925–2020), nascido em Patos (PB), que se tornou um dos maiores nomes do Direito Constitucional no Brasil e professor catedrático da Universidade Federal do Ceará. E Aníbal Fernandes Bonavides (1918-1993), jornalista e advogado, que se tornou deputado (1963-64) naquele estado. Nomeada para o quadro de extranumerários do Telégra...

A questão dos impostos parahybanos: a guerra tributária de 1929

A Parahyba foi fortemente impactada com a Grande Depressão de 1929. Houve uma queda na arrecadação dos tributos que ameaçara as ações do governo local. O presidente João Pessoa, recém-eleito para o cargo nesse Estado, buscou reorganizar as finanças, combater a sonegação e o desvio de divisas. Os primeiros atos do governo, na tentativa de normalizar a situação econômica, foram: recolher os automóveis oficiais, exceto os do palácio e da chefatura de polícia; suprimir os telefones das residências dos auxiliares da administração; cortas as gratificações extraordinárias de vários departamentos; e dispensar os extranumerários. Os adidos tiveram ordem de voltar às suas repartições. Naquela época, grande parte da produção do interior atravessava, de forma clandestina, as fronteiras estaduais para as praças de Recife, Rio Grande do Norte e Ceará. Com a edição da Lei nº 673, de 17 de novembro de 1928, o governo criava barreira e passava a cobrar taxas de pedágio pelo trânsito das mercadorias...

Homenagem a Mergulhão em Campina

O Cantador negro José Virgulino de Souza (1908-1939), ficou mais conhecido com o nome de José Mergulhão. Dizia ter nascido em “Boa Esperança”, na Paraíba, no ano de 1908; e faleceu no Ceará vítima de tuberculose, nos idos de 1939. Assim consta da Revista do Instituto Histórico de Alagoas: “ José Mergulhão de Sousa, o desventurado cantador negro que morreu tuberculoso em 1939, com trinta e dois anos de idade. Ele era de Paraíba, da localidade Boa Esperança e morreu em longínquo município do Ceará” (R.IHGA: 1947 e 1949).   Este era o antigo nome do Município de Esperança, citado na Carta de Ferino de Góis à Romano: “Cheguei em Boa Esperança Encontrei o Campo Alegre, Esse me disse: - Seu mal, Estou com medo que me pegue, Se você já vem mordido, Por caridade não negue...”   Átila Almeida (ALMEIDA, p. 56) é quem comenta: “Deve ter sido equívoco de Ferino – a cidade é Esperança/Pb, e não Boa Esperança”. O certo é que esta cidade foi assim conhecida (Boa Esper...

Instituto Elízio Sobreira

Entre as poucas escolas particulares, existentes em nosso município, em meados dos anos 50 do Século passado, destaca-se o Instituto Comercial “Elízio Sobreira”, do professor Milton de Souza Leão. Este educandário muito colaborou para atender a demanda crescente do alunado local, em idade de escolarização, ensinando-lhe as primeiras letras. O recifente, dirigente desta escola, também se esforçava para preencher o “vazio” edudacional, formando técnicos para o mercado de trabalho, além de estimular a prática da música, da oratória e dos desportos. O instituto contava ainda com um Centro Cultural denominado de “Samuel Duarte”, fundado no dia 7 de setembro de 1943. Nele, os estudantes realizavam reuniões lítero-recreativas. Em suas atividades, incluía-se a publicação do jornal de festa “O Clarão”. O periódico contava com a direção do Sr. Theotônio Rocha, e secretário o próprio Professor Milton Leão. A edição de 24 de julho de 1943 foi inteiramente dedicada ao seu patrono “Samuel Duar...

1894 - Casamento na residência de Joviniano Sobreira

O casamento em zonas rurais e residências nas vilas era muito comum, já que as famílias moravam longe da igreja matriz e o padre nem sempre estava disponível para realizar a cerimônia. Por outro lado, a casa do patriarca era vista como espaço de autoridade, sendo mais prático reunir parentes e vizinhos. Além disso, algumas pessoas de destaque gozavam do privilégio junto ao clero que lhes concedia essa deferência quando solicitado. O documento em questão é um casamento celebrado em 1894 na residência de Joviniano Augusto de Araújo Sobreira na povoação de Banabuyé com rogo de Mathias Fernandes. “Aos vinte e dois dias do mês de junho do ano de mil novecentos e oitenta e quatro nesta povoação de Banabuyé, termo da vila de Alagoa Nova Comarca da cidade d’ Areia, Estado da Parahyba do Norte, às onze horas da manhã, em casa da residência do cidadão Capitão Joviniano Joviniano Augusto d’Araújo Sobreira, ai presente o Juiz de paz em exercício o cidadão capitão, digo cidadão major Salvador C...