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Sol I Centenário, por Evaldo Brasil

  Comemorando o 1º Centenário de Silvino Olavo da Costa Matéria publicada no “Caderno Terceiro” do Jornal da Paraíba em 15 de outubro de 1997, por ocasião das comemorações alusivas aos 100 anos de nascimento do poeta.   A partir desta sexta, na Câmara Municipal de Esperança, será comemorado oficialmente o centenário de nascimento do poeta e advogado Silvino Olavo da Costa. Às 20 horas haverá final do concurso-recital interescolar, cuja premiação será entregue no sábado, também à noite, na sessão solene da Academia de Letras de Campina Grande, que comemora a data com o lançamento de Badiva – uma coletânea de poesias inéditas do autor de Cisnes (1924) e Sombra Iluminada (1927). A solenidade será presidida por Amaury Vasconcelos, presidente da academia, que prefaciou Badiva, obra resgatada pelos pesquisadores Roberto Cardoso e Marinaldo Francisco Delgado. O evento é promovido pela Prefeitura Municipal em conjunto com a academia – cuja cadeira 35 tem Silvino como patrono – e faz
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Velhos costumes

  Muita gente ao se referir ao modo grosso de algumas pessoas, dizem que “fulano é como papel de embrulhar prego”, não olvidando conhecer que tempos atrás o papel de embrulho era “pau pra toda obra”. Na verdade, ainda alcancei esse tempo em que ele era embalagem para tudo que se comprava nas vendas e bodegas de nossa cidade, sem qualquer escrúpulo ou ojeriza de hoje, quando as sacolas biodegradáveis dominam o mercado. Pois bem. Lendo o jornal “Correio de Esperança”, periódico que circulou em nossa cidade nos anos ’30 do Século passado, deparei-me com uma matéria que me chamou a atenção nesse aspecto, cujo título era “Velhos Costumes”. De interesse histórico, resolvi então reproduzi-lo nesse semanário: “ Dos velhos costumes de nossa terra, um dos que merecem a nossa reprovação é o de embrulhar em papel de jornal o pão, como a bolacha ou qualquer outro alimento dos quais nos servimos sem lavá-los previamente, ou sofre decocção. Referimo-nos ao pão, porque é o que mais comumente vem

Rua Epaminondas Câmara

  A homenagem partiu do Prefeito campinense Elpídio Josué de Almeida em seu segundo mandato (1955/1959), através de mensagem ao legislativo mirim de 22 de julho de 1959. Epaminondas nasceu em Esperança-PB, no dia 04 de junho de 1900, onde viveu até os dez anos de idade, até que sua família se mudou para Taperoá-PB. Veio residir em Campina Grande-PB após o falecimento de seu pai, ocorrido em 14 de fevereiro de 1921. Em Campina, com algumas noções de contabilidade, passou a trabalhar no Banco Auxiliar, fazendo carreira por 21 anos. Casou-se com sua prima Isaura, mas não teve filhos. Era católico fervoroso e ajudou a fundar algumas paróquias e associação de moços. Na mensagem Elpídio acentuou o caráter e formação do esperancense: “ Fez por merecer esta modesta homenagem à sua memória. Não disputou cargos eletivos, não exerceu nenhum lugar na pública administração, não pertenceu a facções partidárias, mas prestou a Campina grande um relevante serviço, que exigiu anos seguidos de pers

Esperança em 1985

  Em nossa “máquina do tempo” seguiremos viagem ao longínquo ano de 1985, trazendo o aspecto da nossa cidade, o “lyrio verde da Borborema”. O município era administrado pela terceira vez pelo Sr. Luiz Martins de Oliveira, coletor público estadual, que enveredou pela política desde os idos de 1963. Para uma melhor compreensão, vamos categorizar os dados, de acordo com as fontes escritas daquele ano (1985), já que algumas classificações geográficas mudaram ao longo do tempo: 1. Aspectos históricos Os primeiros habitantes foram os índios Bultrins, da tribo Banabuyé. Não se sabe ao certo em que ano ou época os silvícolas ali levantaram aldeamento. A aproximação de colonos para servirem-se de água potável então existente em um reservatório no local, obrigou os indígenas a abandonarem o seu habitat rumando para o interior. O depósito de água recebeu o nome de Tanque do Araçá. Próximo a ele, o português Marinheiro Barbosa construiu uma casa que foi a primeira que se tem notícia. O mu

João Benedito, por Orlando Tejo

  O texto a seguir foi transcrito de dois trabalhos do escritor Orlando Tejo, uma reportagem publicada no Correio Braziliense e uma passagem do seu antológico livro “Zé Limeira – poeta do absurdo”, que retrata o cantador esperancense João Viana dos Santos, ou João Benedito Viana. Eis o registro: “João Benedito Viana, outro iluminado, nasceu em Esperança, ali nos arredores de Campina Grande. Mulato franzino, retraído e grandioso. O coronel Eufrásio Câmara, numa venda de Alagoa Nova, entrega-lhe um copo de cachaça e ordena, de rebenque em riste: “É pra glosar de quinze a um”. E o poeta: É quinze, é quatorze, é treze, Doze, onde, dez e nove, Só faz lama quando chove, Corre água no Gramum, Pássaro preto é anum Que no bico traz um vinco, Oito, sete, seis e cinco, Quatro três e dois e um”.   O próprio Orlando Tejo registra o ressentimento de Zé Limeira porquanto já “botaro João Benedito” nos livros, enquanto que o “poeta do absurdo” era praticamente desconhecido: “ Ap

Um poeta esquizofrênico

  Não nos consta que até meados de 1929 tivesse Silvino Olavo qualquer inclinação à loucura. Essa também foi a conclusão da pesquisadora Helmara Gicceli em sua tese de Doutorado em História apresentada à Universidade Federal de Pernambuco: “ Não consta na documentação compulsada que, naquele momento, Silvino sofresse de qualquer tipo de doença mental ” (UFPE: 2016, p. 385). Em julho daquele mesmo ano convalescera, permanecendo uma semana no Pilar onde residia sua noiva Carmélia Veloso Borges (A Vida Dramática. Unigraf: 1992, p. 125), conforme notícias publicadas na imprensa nacional: “ DR. SILVINO OLAVO - Acha-se enfermo o conhecido homem de letras dr. Silvino Olavo, oficial de gabinete do sr. Presidente do Estado ” (Diário de Pernambuco: 07/07/1929). “ Atacado de ligeiro incômodo esteve acamado, na cidade do Pilar, o Sr. Silvino Olavo, oficial de gabinete da Presidência do Estado ” (O Jornal-RJ: 14/07/1929). João Pessoa em carta à Epitacinho datada de 1º de julho de 1929, co

A Educação popular na Parahyba

  Preocupado com a educação de jovens e adultos, o Professor José Gomes Coelho (1898/1954) ajudou a fundar a Escola “D. Ulrico” para adultos que oferecia ensino gratuito noturno à população pobres da Capital. Para ressaltar a importância deste educandário, publicou o lente extenso texto no jornal “O Norte”, tratando de fazer um paralelo entre o progresso de sua época e o analfabetismo que parecia ser o grande mal, pois de todo impedia o cidadão de participar da política e das decisões importantes para o país. “ O analfabetismo não pode ser rapidamente extirpado da sociedade ”, escrevia o professor Gomes Coelho, acrescendo que não de tomavam medidas sérias para combate-lo, “ antes a incúria dos poderes públicos depois da consolidação da República, tem grandemente concorrido para mais fundas raízes lance ele no nosso Estado ”, e ainda completa: “ É, infelizmente, o analfabetismo um desses males que somente a pouco e pouco podem ser expelidos do organismo social, mediante ação contí