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O Lobisomem, Epaminondas Câmara

Por Epaminondas Câmara *   Dando continuidade à série de contos de Epaminondas Câmara, extraída do seu livro “Os Alicerces de Campina Grande” (Ed. Caravela: 1999) com o seguinte texto...   O Lobisomem   A mentalidade popular absorve-se de imaginações confusas e de fantasmagorias horripilantes. A mula de padre era a consequência, segundo diziam, de amores ilícitos. Toda concubina de pai se transformava numa burra, para correr durante certas horas da madrugada. A pobre Rameira, depois da meia noite, metamorfoseava-se no animal e carregando argolas, chocalhos, guizos» peças de couro, noiva e ginete, desembestava pelas estradas afora até percorrer sete províncias (localidades) Houve quem as visse pelas ruas de Campina, vindo, talvez, dalguma povoação vizinha. Diziam que o lobisomem tinha pés de quenga, roupa escura talar, forma símio-humana, capacidade de percurso meia légua em cinco minutos, corpo intangível etc. Quando se faiava no seu aparecimento em cert...
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Doninha Araújo

Enedina Araújo de Brito, Doninha Araújo como era mais conhecida, nasceu em Esperança no dia 17 de novembro de 1914. Era filha do casal João Rufino de Araújo e da Sra. Maria da Conceição. O seu pai era proprietário de uma casa de jogo e sua mãe de prendas domésticas. Eram ao todo oito filhos: Sebastião, José, Geraldo, Severina, Maria, Severino e Joséfa. Doninha, no entanto, se destacou por ser alfabetizada. Iniciou seus estudos aos 14 anos. Através do Prefeito Joaquim Virgolino, conseguiu fazer um curso de treinamento primário na cidade de Sapé. Essa formação durou seis meses, tempo suficiente para ela aprender as lições básicas da educação. Casou-se aos 19 anos com o Sr. Manoel Patrício de Brito, recebendo as bênçãos matrimoniais do Padre João Honório. Dessa união não houve prole. Manoel – segundo dizem – era estéril. Ele foi acometido de “papera” na infância. O casal não se deu por vencido. Eles criaram dois filhos e tiveram cinco netos. Manoel faleceu de enfarto na idade de 52 an...

Malassombro, por Epaminondas Câmara

Por Epaminondas Câmara *   Epaminondas Câmara – o grande escritor esperancense – reúne em seu livro “Os Alicerces de Campina Grande” (Ed. Caravela: 1999) três contos de sua autoria, que desmistificam muitos mistérios. Segundo o autor, na maioria das vezes, vultos e assombrações não passam situações cuja verdade fora encoberta por algum outro fato. Nas suas palavras: “é a história real de muitos fantasmas”. Dividi o texto numa série de dois contos para não cansar o leitor e também porque a linguagem para blogs assim o exige. Assim, iniciemos essa trilogia “epaminodiana” com o texto...   Malassombro   O diabo naquele tempo era muito trabalhador e muito atrevido. Conta-se que, em certa casa grande, ele passou mais de dois meses em constante atividade. Os moradores recorreram a todos os meios para expulsá-lo, sem resultado. Ouviam a sua rouquenha voz na camarinha, na sala da frente, no copiar, no terreiro de café, no telhado, na casa de farinha. E, na sua fú...

Está escrito

Não me custou nada escrever. Estava escrito. Nenhum esforço além do que a rotina me impôs. Publicar foi um pouco mais difícil; vende-los se tornou a tarefa mais árdua que encontrei. A minha geração não compreende a grandiosidade deste resgate histórico-cultural. Não há qualquer mérito agora em mantê-los. Deixo às traças do tempo. Mas não é o fim, senão uma reanálise de tudo o que já foi feito. Daqueles que iniciaram comigo, como blogueiros, quer jornalistas, quer aventureiros, apenas este velho aqui continua, não sei até quando (até quando puder manter o site). Enfim, eles seguiram – um a um – o seu caminho de sucesso, enquanto fiquei aqui na “terrinha” contando histórias. Vale a pena. Não se a alma não é pequena. A minha, não sei o seu tamanho (Deus o sabe). Queria que fosse diferente, mas as coisas são assim mesmo: sem mérito ou demérito, um vazio qualquer no cenário cultural. Pode ou não ser, o que será o amanhã (já dizia o poeta).   Rau Ferreira  

O Zorro em Esperança

Por Eliomar Rodrigues de Farias*   No final dos anos 50, o Grupo Escolar Irineu Joffily, situado à rua Joviniano Sobreira, em Esperança, Paraíba, era todo murado com altura de aproximadamente 2 (dois) metros e possuía apenas uma entrada, na rua Joviniano Sobreira, através de um portão de ferro largo com 2 (dois) metros de altura. No prédio haviam corredores que dava acesso às salas de aulas. Ao lado balaustrada, que era uma fileira de pequenas colunas que sustentavam um corrimão ou peitoril, formando um parapeito ou grade decorativa, comum em escadarias, varandas e terraços para dar suporte e segurança. Pois bem, nesse espaço, quando não havia aulas, Eu (Cem de Tutu), Beinha do Sr. Dorgival, Elifas, Tida Tavera, Marcos de Tutu, João de Sr. Anisio, os filhos de D. Aderita: Jadailton, Gilson, Jaime, Janilton e outros colegas que não lembro no momento, todos moravam próximo ao Grupo Escolar, aproveitávamos esse horário sem aulas para jogar. Usávamos bolas de meias, por nós p...

Antônio Nogueira

Por Davi Lucas   “VENI; VIDI; VICI". Acredito que toda guerra tenha seu fim, mas apenas um vencedor. A vida é assim - devemos ser agressivos com os nossos desafios até que possamos dizer; 'eu vim; eu vi; eu conquistei'. E, acho que um dos homens de honradez que poderia proferir as palavras de Júlio César seria: ANTÔNIO NOGUEIRA DOS SANTOS. Homem de vida larga, mas infelizmente curta - foi nesse axioma que Nogueira fez a sua vida desenvolvimentista. Aos 12 anos, sentiu na flor da pele as dores de sair de casa para conquistar um novo mundo e desenhar uma mais que abrilhantada história. De fato, no seu cerne, já havia um grande progressista em formação - em dado momento; foi para o estado do Acre, onde participou do Ciclo da Borracha e conheceu a filha de um Boticário: Iracema, mãe de seus filhos. Assim, em constante dinamismo, tornou à Esperança e fundou a Nogueira & Cia, transformando-se em: produtor agropecuário, comprador e exportador de Agave - sendo ...

Eleusio Freire e o algodão colorido

O algodão é de fibras brancas e somente 0,5% se constitui de fibras coloridas, o que nos resta uma questão: os algodões coloridos são transgênicos? A resposta é “não”, e quem nos informa é o agrônomo Dr. Eleusio Curvelo Freire, formado pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Fitotecnia pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade do Ceará. Possui o título de Doutorado em melhoramento de plantas pela Universidade de São Paulo – USP. No Brasil desde o seu descobrimento houve relato da existência de algodões cultivados pelos indígenas. Posteriormente estes algodões foram chamados de “rim de boi” (porque tinham sementes coladas) quebradinho (sementes descoladas) todos conhecidos genericamente como tipos arbóreos. No início do século XX surgiu um tipo de algodão arbóreo conhecido como algodão mocó porque tinha sementes semelhantes as fezes do roedor de mesmo nome. Este algodão foi selecionado por produtores do Seridó do Rio Grande do Norte e foi uma grande fonte de ren...

Chico Pintor

O poeta Francisco Eleutério, e grande escultor da cidade de Areial, me chamou a atenção para a escrita sobre Francisco Nicolau da Costa, o “Chico Pintor”. Dizia-me que “foi ele quem fez o Cristo de Areial e na parte de baixo do Cristo tem a inscrição dele; e sei que ele fez algumas estátuas para o Cemitério de Lagoa de Roça... o Senhor Morto da igreja também foi ele quem fez”. Comprometi-me em escrever algumas coisas. Eis o que sei. O artista morava na rua de baixo (rua Dr. Silvino Olavo), destacava-se pela sua criatividade, pois além de exímio desenhista, era também “santeiro” e responsável pela ornamentação dos altares e painéis artísticos da Igreja Matriz. Dele, nos dá conta Gemy Cândido em seu livro: “Seus painéis, inscritos no interior do templo, realçavam, em geral, uma majestade mística e arquitetural impressionante, em que o vermelho, o branco e o dourado, intercambiados, davam uma configuração multicolorida a paisagem sobrenaturais, quer quando estruturava cenas da via s...

João Benedito: professor de cantoria

Jocelino Tomaz de Lima me surpreendeu esses dias com um texto sobre João Benedito (1860-1943), o cantador de Esperança referenciado por Câmara Cascudo (1898-1986) em sua obra [1] , e por Átila Almeida em seu Dicionário [2] , colocando-o entre os “grandes repentistas e preparadores [3] ”. Trouxe-me o material informações que confirmavam as que já conhecíamos, e acrescenta outros fatos que complementam a história do grande cantador. Disse-me que recorreu a um cidadão guarabirense, pesquisador da cultura popular, que lhe repassou o verbete em cópia. Jocelino Tomaz é memorialista e ativista cultural da cidade de Caiçara nesse Estado. Autor do livreto “100 Fatos dos 100 Anos de Jackson do Pandeiro”. Foi ele quem descobriu, no ano de 2019, uma música inédita do “Rei do Ritmo”. Coordenador da ONG Grupo Atitude, também profere palestras e possui um importante acervo pessoal. Segundo aquela narrativa, João Viana dos Santos – João Benedito – nasceu escravo, porém foi alforriado por seu se...

Casa antiga no Sítio Lagedão

Adiilson Cordeiro em seu canal no Youtube nos apresenta uma casa antiga no Sítio Lagedão, no município de Esperança. Ela seria uma das mais antigas da zona rural. A morada teria sido usada pelo Capitão Antônio Silvino em suas andanças pela região, na época em que os cangaceiros visitavam a nossa Banabuyé. O pé direito da casa tem quase quatro metros. A madeira usada na construção foi o cedro, talvez cortada do próprio matagal que existia na propriedade. Também possui um “caritó” onde se colocavam a luz de gás. No canto superior havia uma janela no alto com uma mureta, que servia para vigília. Diz-se que os “cabras” do “Rifle de Ouro” faziam guarda da polícia naquele recanto. Eles pernoitavam na residência e saiam ao raiar do dia. Existem ainda alguns potes centenários que serviam como reservatório de água. Estes eram muito comuns no tempo em que não existia filtro de barro. A água permanecia fria e evitava o contato com a poeira e insetos. O consumo se dava por uma jarra ou que...