Enedina Araújo de Brito, Doninha Araújo como era mais conhecida, nasceu em Esperança no dia 17 de novembro de 1914. Era filha do casal João Rufino de Araújo e da Sra. Maria da Conceição. O seu pai era proprietário de uma casa de jogo e sua mãe de prendas domésticas. Eram ao todo oito filhos: Sebastião, José, Geraldo, Severina, Maria, Severino e Joséfa. Doninha, no entanto, se destacou por ser alfabetizada. Iniciou seus estudos aos 14 anos. Através do Prefeito Joaquim Virgolino, conseguiu fazer um curso de treinamento primário na cidade de Sapé. Essa formação durou seis meses, tempo suficiente para ela aprender as lições básicas da educação. Casou-se aos 19 anos com o Sr. Manoel Patrício de Brito, recebendo as bênçãos matrimoniais do Padre João Honório. Dessa união não houve prole. Manoel – segundo dizem – era estéril. Ele foi acometido de “papera” na infância. O casal não se deu por vencido. Eles criaram dois filhos e tiveram cinco netos. Manoel faleceu de enfarto na idade de 52 an...
Por Epaminondas Câmara * Epaminondas Câmara – o grande escritor esperancense – reúne em seu livro “Os Alicerces de Campina Grande” (Ed. Caravela: 1999) três contos de sua autoria, que desmistificam muitos mistérios. Segundo o autor, na maioria das vezes, vultos e assombrações não passam situações cuja verdade fora encoberta por algum outro fato. Nas suas palavras: “é a história real de muitos fantasmas”. Dividi o texto numa série de dois contos para não cansar o leitor e também porque a linguagem para blogs assim o exige. Assim, iniciemos essa trilogia “epaminodiana” com o texto... Malassombro O diabo naquele tempo era muito trabalhador e muito atrevido. Conta-se que, em certa casa grande, ele passou mais de dois meses em constante atividade. Os moradores recorreram a todos os meios para expulsá-lo, sem resultado. Ouviam a sua rouquenha voz na camarinha, na sala da frente, no copiar, no terreiro de café, no telhado, na casa de farinha. E, na sua fú...