O pesquisador e genealogista Ismaell Bento descobriu dois interessantes registros de casamento entre pessoas escravizadas realizados em 1760, sob a responsabilidade do vigário Antônio Rodrigues Pires. Os nubentes eram residentes nas Fazendas Horyá (Arial) e Bona-boyê (Banabuyé). As cerimônias seguiram os ritos da Igreja Católica com a presença de testemunhas e do vigário que presidiu o ato religioso. A seguir a transcrição destes dois documentos: “Aos 22/10/1760 às 11 horas do dia, feitas as denunciações na forma do SCT, onde são os nubentes moradores, sem se descobrir impedimento, em minha presença, estando presentes por testemunhas Sebastião Gomes Correia, casado e morador na Fazenda do Aoryá, e Bartolomeu Gomes, solteiro e morador na Fazenda de Bonabuyé, e outras pessoas muito conhecidas, na Fazenda das Lages, se casaram de palavras de presente, Manuel Angola com Quitéria crioula, escravos do Capitão Aires Gomes Correia, e logo lhe dei as bençãos, conforma os ritos e cer...
João Benedito (1860-1943) foi um dos maiorais do repente. O poeta esperancense era temido pelo seus adversários, muitos dos quais deitaram a viola, dando-se por vencido na peleja, em sinal de respeito ao velho cantor esperancense. Josué Alves da Cruz – um dos grandes artistas paraibanos – dizia que ele tinha “boa memória e peito fino”. Egídio de Oliveira Lima menciona (Os Folhetos de Cordel: 1978, p. 217) que João possuía uma memória prodigiosa e que costumava declamar alguns cordéis nas feiras livres, sítios e fazendas que frequentava. Ele que de escravo chegou a ser professor de cantoria, tendo José Alves Sobrinho como célebre aluno. Do velho cantor não se tem muita coisa escrita de sua produção, mesmo porque a maioria dos estudiosos afirmam que ele era cantador, de onde se supõe que os versos eram feitos de improviso ou de “repente”, como se diz no Nordeste. Porém, dos poucos registros de que dispomos, observamos a grandiosidade da sua rima. Eis uma sextilha reproduzida por F. C...