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A Batatinha de Esperança

Esperança alcançou os maiores índices de produtividade de Batatinha, destacando-se no cenário nacional. O produto era muito requisitado no Sul do país, sua aceitação era tal que praticamente toda a produção era exportada. A partir das primeiras sementes (1910) buscou-se uma seleção natural para o plantio. Os agricultores locais adaptavam às condições do solo e ao clima, melhorando assim a qualidade do tubérculo. Com o fomento da cultura em nosso Estado, houve a necessidade de se implantar um campo experimental de batata, cebola e trigo, o que foi registrado pela Sociedade Nacional de Agricultura, presidida pelo Dr. Miguel Calmon:   “ [...] tendo o sr. Lima Mindello comunicado haver sido inaugurado em Esperança, na Parahyba, o campo modelo de culturas do Estado, em regiões cujas condições mesológicas são mafnívias ” (O Imparcial/RJ: 10/04/1918).   A inauguração em nossa cidade contou com a participação de Orris Soares, comissário do delegado executivo da Produção N...
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Reservatório 16 de Agosto (Tanque do Governo)

O Reservatório “16 de Agosto” (Tanque do Governo), inaugurado em 16 de agosto de 1944, foi uma das principais obras do governo Ruy Carneiro, realizadas em nosso Município. Construída para enfrentar a escassez de água, devido ao crescimento da cidade e a existência de pequenas fontes (Açude Banabuyé e o Tanque do Araçá) que se tornaram insuficientes para o abastecimento local. Os estudos preliminares foram feitos pelo engenheiro Luciano Vareda – Diretor de Saneamento de João Pessoa. E sua inauguração deu-se em em 16 de agosto de 1944. Várias camadas de terra e lajedo foram retiradas daquele tanque natural de pedra para que pudesse acumular as águas pluviais. Em uma antiga publicação, encontramos as seguintes anotações:   “Trata-se de um tanque que, pelas suas condições naturais, pode armazenar um volume d’água, calculado em cerca de 50 mil metros cúbicos. Considerável quantidade de terra e cascalho foi removida das profundas depressões do lajedo que reveste o subsolo da área a...

Esperança: referências para o ensino

Na referência história educacional do nosso Município, destacam-se o Ginásio Diocesano, a Escola Irineu Jóffily e o Colégio Estadual, como sendo os principais centros de estudos e que se mantém estabelecidos por décadas. Não podemos esquecer de instituições privadas, a exemplo do externato do Prof. Juviniano Sobreira e sua esposa; a Escola Dom Vital da Prof. Hosana, Educandário S. José, de Maria José Leão e O Pequeno Príncipe. Colégios como o Monteiro Lobado e o Menino Jesus ainda funcionam na cidade, além do Objetivo que é o mais recente no gênero. A Prof. Doninha Araújo destaca-se como alfabetizadora e uma das pioneiras no ensino primário. Para fins de estudo, apresento algumas anotações referenciais ao ensino do município de Esperança, em tempos idos: 1.                         Lei Provincial nº 339, de 27 de novembro de 1869 – Criou uma cadeira de instrução prim...

Casamentos de escravos (1760)

O pesquisador e genealogista Ismaell Bento descobriu dois interessantes registros de casamento entre pessoas escravizadas realizados em 1760, sob a responsabilidade do vigário Antônio Rodrigues Pires. Os nubentes eram residentes nas Fazendas Horyá (Arial) e Bona-boyê (Banabuyé). As cerimônias seguiram os ritos da Igreja Católica com a presença de testemunhas e do vigário que presidiu o ato religioso. A seguir a transcrição destes dois documentos:   “Aos 22/10/1760 às 11 horas do dia, feitas as denunciações na forma do SCT, onde são os nubentes moradores, sem se descobrir impedimento, em minha presença, estando presentes por testemunhas Sebastião Gomes Correia, casado e morador na Fazenda do Aoryá, e Bartolomeu Gomes, solteiro e morador na Fazenda de Bonabuyé, e outras pessoas muito conhecidas, na Fazenda das Lages, se casaram de palavras de presente, Manuel Angola com Quitéria crioula, escravos do Capitão Aires Gomes Correia, e logo lhe dei as bençãos, conforma os ritos e cer...

João Benedito e a literatura de cordel

João Benedito (1860-1943) foi um dos maiorais do repente. O poeta esperancense era temido pelo seus adversários, muitos dos quais deitaram a viola, dando-se por vencido na peleja, em sinal de respeito ao velho cantor esperancense. Josué Alves da Cruz – um dos grandes artistas paraibanos – dizia que ele tinha “boa memória e peito fino”. Egídio de Oliveira Lima menciona (Os Folhetos de Cordel: 1978, p. 217) que João possuía uma memória prodigiosa e que costumava declamar alguns cordéis nas feiras livres, sítios e fazendas que frequentava. Ele que de escravo chegou a ser professor de cantoria, tendo José Alves Sobrinho como célebre aluno. Do velho cantor não se tem muita coisa escrita de sua produção, mesmo porque a maioria dos estudiosos afirmam que ele era cantador, de onde se supõe que os versos eram feitos de improviso ou de “repente”, como se diz no Nordeste. Porém, dos poucos registros de que dispomos, observamos a grandiosidade da sua rima. Eis uma sextilha reproduzida por F. C...

Theotonio Costa se defende

O jornal “A União”, na sua edição de 27 de janeiro de 1932, trouxe uma defesa escrita pelo Sr. Theotônio Tertuliano da Costa, Prefeito Municipal de Esperança, na Parahyba do Norte, no período de 1929 à 1937. Trata-se de uma resposta às acusações feitas a sua administração, e que foram publicadas no “Jornal do Commércio” em 23 do corrente mês e ano. Segundo consta, houve um equívoco nas constas municipais em razão da administração passada, que repetiu alguns números, sendo o erro atribuído ao então secretário da prefeitura. Embora a resposta tenha sido editada pelo jornal “O Brasil Novo” em 20 do andante, as explicações foram novamente acolhidas n' “A União”. Em duas páginas, o Sr. Prefeito demonstra o saldo recebido quando assumiu a gestão municipal e as novas cifras do orçamento no tocante a sua administração, relacionando o aumento da receita. Eis a síntese da sua defesa: 1) O travessão “em duplicata e a crédito”, atribui-se a responsabilidade ao secretário da prefeitura,...

João Nunes nunca existiu

A produção de um livro é um trabalho que muitas vezes vai além das mãos do escritor. O editor está diretamente envolvido na obra desde a leitura inicial a tomada de certas decisões. O ilustrador conversa com a obra e com o seu autor. Produz-se então a “boneca” do livro, o protótipo para impressão final, que simula o resultado gráfico. Neste percurso, muitas imperfeições são trabalhadas, porém algumas delas escapam e são objeto de “erratas” pelo publicador. É o que suponho ter acontecido na escrita de Egídio de Oliveira Lima (1904/1965), em seu livro “Os Folhetos de Cordel”. João Nunes nunca existiu, deve ter sido erro no trabalho de digitação. Quando o autor narra “ Os Sofrimentos de Alsira ” (leia-se: Alzira) – folheto de 48 páginas e 228 sextilhas, de autoria de Leandro Gomes de Barros, publicado em primeira linha pela Impressa Industrial (1907), menciona que “ os cantadores tem-no decorado. O violeiro João Nunes cantava-o de avante a ré ” (pág.141). E mais adiante, faz a seguint...

A arquitetura do Irineu Jóffily

Lateral da Escola Irineu Jóffiliy (1932) Nos anos 30, do Século passado, houve muitas reformas estruturais administrativas, que se refletiram na própria arquitetura escolar, impulsionadas por figuras como Anísio Teixeira. O aspecto físico deveria expressar ordem, higiene, disciplina e eficiência. Estas ideias estavam associadas à modernização do Estado e à democratização do ensino. A planta se insere em um momento de reorganização do “Estado Novo”, marcado pela Revolução de 1930. Getúlio Vargas, em sua ascensão ao poder, deu novos contornos à educação, que passou a ser vista como instrumento de modernização nacional. Seguindo esta tendência, os governos estaduais passaram a adotar “projetos-tipos” que podiam ser replicados em várias cidades. O estilo predominante era o funcionalismo com sua simplicidade volumétrica e racionalidade espacial. Valorizava-se a iluminação e ventilação natural, com o uso de materiais convencionais. O edifício da Escola “Irineu Jóffily” foi concebido ...

Banabuyé, Capítulo de Romance (Silvino Olavo)

Dentre os materiais que Carlos Bezerra recebeu do cunhado de Silvino – Waldemar Cavalcante – pouco tempo após a morte do poeta, encontra-se um capítulo do romance “Banabuyé”. A documentação foi doada pelo engenheiro ao Grupo de Estudos e Pesquisas do HISTEBR-GT/PB, capitaneado pelo Prof. Charlinton Machado. Escrito na segunda metade do Século XX no período de reclusão, quando esta padecia de crises esquizofrênicas, “ em pleno contexto do ostracismo vivido por Silvino Olavo da Costa, após o retorno definitivo para cidade de Esperança, interior da Paraíba ”, como bem pontuou a equipe de pesquisadores, no trabalho “Silvino Olavo da Costa: Escritos de Solidão e Silêncio”. Irineu Jóffily – em suas “Notas sobre a Parahyba” (1892) – nos diz que Banabuyé foi sempre o nome deste lugar, e assim deveria ter permanecido, por mais auspicioso que fosse “Esperança”. O romance, de certo, A seguir, a reprodução do mencionado capítulo deste romance: “É este governo do povo, constituído pela habi...