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Silvino Olavo e José Gaudêncio: Parceria jornalística

O Jornal era um periódico que se publicava na Paraíba nos anos 20 do Século passado, sob a direção de Joaquim Pessoa C. de Albuquerque e gerenciado por Francisco Coutinho de Lima e Moura. Iniciado em 1923, possuía circulação diária, trazendo já na primeira página o lema de Joaquim Murtinho: "É necessário republicanizar a República". Com a ascensão de João Suassuna ao governo do Estado (1924/1928) houve uma mudança no seu quadro, passando aquele folhetim a ser dirigido por José Gaudêncio Correia de Queiroz. Gaudêncio assumiu a condução do jornal no final de 1925, dando-lhe nova roupagem segundo as diretrizes da política paraibana. Em matéria de 17 de janeiro de 1926, publicava "A União" a nova fase deste noticiário, que seria inaugurada em fevereiro daquele ano “de modo a satisfazer os interesses do público”. Na época, o folhetim havia adquirido um novo prelo, do tipo “Marinoni”, com dupla expulsão automática. A aquisição desta máquina assegurava “em condições eficient…
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José Firmino dos Santos

José Firmino dos Santos nasceu em 05 de setembro de 1904, na rua Quintino Bocaiúva, final da rua do Sertão, em Esperança. Filho de João José de Maria e Firmina Maria da Conceição. Comerciante de nosso município, casou-se com a pernambucana Maria José da Conceição, com quem teve três filhos: José Firmino Filho, Sebastião Firmino (Basto da Pamonha) e Maria Coeli. Iniciou no comércio com um banco de feira, trabalhando nas praças de Esperança e Areal. Muito trabalhador, não demorou para que ele alugasse um prédio no centro, abrindo assim a sua loja de aviamentos, adquirindo depois aquele ponto comercial. Na política era aliado de Joaquim Virgolino da Silva e Júlio Ribeiro, ambos da UDN – União Democrática Nacional. Candidatou-se por esse partido e foi vereador por duas legislaturas. Foi eleito em 1947 com 249 votos e 1955 com 252 votos; ficando na suplência nos anos de 1951, 1959 e 1963. A sua loja era o ponto de encontro dos políticos, onde muitas vezes se discutiam os destinos do Município…

Uma ilustre esperancense

*psdedória


Nestes últimos dias, passando para rever parentes e alguns amigos contemporâneos da boa terra os quais não via há algum tempo, caminhei a passos lentos por entre ruas e calçadas, e até pela feira e mercado público; ali, apreciando a desenvoltura do bucólico palavreado dos feirantes existentes, dirigida aos seus clientes. Dali, seguindo em direção à antiga rua do Sertão, mais precisamente rumo à calçada da balaustrada depois de mais alguns preguiçosos passos, deparei-me com uma ilustre figura esperancense a quem não via há longos anos e a quem todos conhecemos. Êpa! de súbito, me aparece na parte interna da sua área residencial o rosto inconfundível dessa alma impoluta idealizadora de inúmeros eventos sociais esperancense, arquiteta e executora do mais tradicional e maior presépio natalino mais bem elaborado de todos os tempos da boa terra; uma das fundadoras das “AMIGAS DO LAR”, a nossa estimada e benfazeja INACINHA CELESTINO. Ali se encontrava ela, na parte interna da sua área…

João Lourenço da Silva

João Lourenço da Silva nasceu em 02 de junho de 1935. Era filho de Severino Lourenço da Silva e Rita Maria da Conceição, de uma prole de oito irmãos: Luiz, Irene, Francisco, Manoel, José, Antônio, Maria Rita e Sebastião. Começou ainda menino como entregador de jornais em sua terra natal, para ajudar nas despesas do lar. Gostava de viajar e João Pessoa era uma das cidades mais visitadas, pois costumava tratar de assuntos do jornal que revendia em Esperança e que eram publicados naquela capital. Foi por volta dos anos 40, que conheceu João Gordo (João Batista de Almeida) em Esperança e este convenceu a família de Lourenço a trabalhar no Rio. Eles e mais dois companheiros (seu Dorge e Índio) fundaram a famosa feira de São Cristóvão, na Rua Senador Alencar. Os quatro amigos eram muito unidos e cada um dividia as tarefas, estando a frente João Gordo que foi o primeiro a colocar um tabuleiro onde seria o marco zero da feira. Na divisão de tarefas do grupo fundador, Macaco (como ficou conhecid…

João Lourenço: fundador da feira de São Cristóvão

A Feira de São Cristovão, no Rio de Janeiro, reúne o que há de melhor no Nordeste. Desde a culinária a arte popular com o repente e o cordel. Todos os dias centenas de pessoas visitam aquele espaço em busca de suas raízes ou pelo prazer de (re)descobrir uma parte do Brasil. Tudo começou por acaso. Era o ano de 1945, ano de seca no Nordeste e de retirantes que acorriam a cidade grande (Rio) em busca de uma oportunidade de emprego. A maioria se destinava a construção civil, já que “tinham pouco estudo”. O desembarque acontecia no campo do São Cristovão, de onde os Nordestinos tomavam rumo na vida. A Paraíba era presença garantida na metrópole carioca. O vai-vem era intenso. Pessoas que fugiram das agruras do sertão, famílias inteiras que viajavam de “pau de arara” na ilusão de conseguir melhor destino daquele que lhes reservava às áridas terras do Norte. Muitos viajavam apenas para acompanhar os parentes, garantir o alojamento e lhes conseguir um trabalho. Levavam os “produtos da terra”, …

Luar consolador: um quase-inédito de Sol

Luar Consolador é mais um desses poemas de Silvino Olavo que publicados na imprensa foram revistos pelo autor sob outro título. O exemplo mais recente foi a sua escrita “Dó”, que inicialmente titulava o livro “Sombra Iluminada” (1927) e, passou a ser os versos de abertura desta obra. Dedicada à memória de seus treze irmãos, dele já demos notícia em nosso blog, onde Antonio Fasanaro foi o primeiro a ler e comentar os seus manuscritos, inclusive com alguns versos inéditos que foram omitidos na edição carioca. A despeito do luar muito já se tem decantado, este véu que cobre a noite e protege os amantes. Sob a luz da lua já se eternizaram sentimentos, o que se constitui num tema bem recorrente em nossa literatura. Também Silvino se coloca este estes que cultuam a noite e suas nuances. Para ele o luar é macio e acariciador; é a música que ronda nossas almas e é a própria essência que atenua a dor (Nem tudo é silêncio na alameda/Oração do amor e da morte). Nestes versos, o vate enfatiza o seu…

Lyrio Verde da Borborema

O movimento emancipador, trouxe para essas paragens a presença do Dr. João Suassuna, à época governador da Paraíba, a pretexto de inaugurar o serviço de luz. Naquela oportunidade, o poeta declamou o seu intenso discurso, cuja paráfrase - “Esperança -Lírio verde da Borborema” – foi inserida no hino municipal, de autoria de Vitóriarégia Coelho. Esta afirmativa também se encontra na Lei Municipal nº 457/85, através do lírio e das cores verde e branco que, longe de ser uma simples afirmação, esconde um grande simbolismo. Esperança se encontra nos píncaros da Borborema, a cerca de 640 metros de altura do nível do mar, com posição estratégica e fluxo privilegiado, ligando sertão, brejo e litoral. As suas cores – verde e branco - elevam os mais altos sentimentos: paz e prosperidade. Irineu Jóffily nos lembra que a povoação era bem arborizada (1892), situação que perdurou até 1933, segundo José de Cerqueira Rocha. De fato, pelas fotos mais antigas do centro da cidade se pode observar fileiras d…