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Postagens

Esmola para S. Benedito (conto do vigarista)

Este caso passou-se na Bahia de todos os santos. O Pichaco de balandrau e sacola na mão batia às portas das casas. Trazia a feição desfigurada, como se pagasse alguma penitência: - Uma esmola para S. Benedito, dizia ele. E agradecia o sonoro “não” com votos de felicidade que doía n’alma do cristão. Pedro sabia muito bem do seu ofício. Há muito aprendera a arte da malandragem, já que não era dado ao trabalho como seus irmãos. Quando muito, comparecia na fábrica de sordas de Zé Luiz, mas nunca pôs a mão no balaio de entregas. Ladeira acima, ladeira abaixo e o saco foi ficando cheio: feijão, arroz, pão... faltava-lhe a carne. - Uma esmola para S. Benedito, que não lhe falte carne – sugestionou. - Tome seu moço essas laranjas. - Obrigado senhora, que não falte carne na sua mesa. - Ora, o que tu quer dizer com isso?! - Nada, senhora. É só uma penitência. - E essa promessa é pra mode comer carne? E santo come carne? - Olha, estou bem desconfiado... Eu peço em nome dele, ajunto tudo e vou naquela igre…
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Sol: Nação Brasileira

A revista “Nação Brasileira” era uma publicação do Sr. Alfredo Martins Horcades com direção de Théo-Filho. A sua redação funcionava na Praça Tiradentes, nº 87, no Rio de Janeiro, então Capital federal. A ilustração circulou por mais de vinte anos, contando com colaboradores de peso, a exemplo de Clóvis Bevilacqua, Conde de Afonso Celso, Afrânio Peixoto, Humberto de Campos, Gustavo Barroso, Adelmar Tavares, Pereira da Silva e Caio de Freitas. Em suas páginas abordava temas variados, tais como música, teatro, esporte, cinema e moda, e matérias ligadas a ciência, letras, política, atualidades, indústria, comércio, finanças e economia social. Custava 2$000 mensal, e 20$000 a assinatura anual. Era à época, uma das maiores revistas de “penetração em todo o território nacional”. Para nós, interessa a contribuição de Silvino Olavo, que compõe aquele corpo literário, surgindo naquele folhetim em 1925. O poeta escreve artigos e poemas para aquela revista, no melhor de seu estilo. É o próprio Silvi…

Sob o foco do fogo no céu, por Evaldo Brasil

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Na noite escura de 30 de setembro de 1979, uma menina recém-nascida era carregada pela mãe, a caminho de casa no sítio Lagoa de Pedra, vindos a pé depois dos dias de resguardo na casa dos avós maternos, em Esperança/PB.
Ana Cristina, a menina de apenas 30 dias, no colo da mãe, Maria José, pelos caminhos estreitos da Zona Rural, jamais imaginaria o susto pelo que passariam seus pais, muito menos que consequência teria para ela e para os pais.
Faustino, o pai, conduzia um baldinho de querosene e o candeeiro, à frente, para clarear o caminho, sem sequer olhar para trás, pois o cheiro de leite materno o incomodava. A mãe seguia seus passos com medo de aparecer alguma coisa. Àquela época, animais, lobisomem, a Porca, o Homem-nu, o Paga-figo e os flagelados da Seca preocupavam mais que os assaltos dos anos mais recentes.
De repente, a noite começa a clarear, mas não era a lua que saíra por trás das nuvens, era um ponto luminoso que crescia e, à medida que se aproximava, tomava os céus, ofusc…

Testemunhos do Sagrado - Exposição Sacra 2018

A exposição sacra "Testemunhos do Sagrado" tem Curadoria do confrade André Oliveira. É um espetáculo, desde a disposição das peças, o ambiente, etc. tudo possui uma áurea de paz. Os objetos nos conduzem a uma viagem no tempo. São peças únicas de grande valor histórico para a nossa paróquia; imagens em madeira antipatiquíssimas, paramentos utilizados pelos antigos padres. A exposição tem Curadoria de André Oliveira, que além de responsável pela cultura em nosso Município de Esperança, também é ator e confrade do IHGE. Ele nos conduz pelo túnel do tempo, explicando a importância de cada um dos objetos. Fiquei maravilhado com tudo o que foi apresentado, e recomento a todos visitarem a exposição que está sendo exibida na AALE - Amigas do Lar de Esperança, na rua Manoel Rodrigues, Centro. 










Achados históricos da Igreja Matriz

A Matriz de N. S. do Bom Conselho tem origem na Capela de igual nome construída no mesmo lugar onde este templo se encontra assentado. A principal reforma que modernizou a sua arquitetura teve início em 08 de novembro de 1939, por iniciativa do Monsenhor João Honório de Melo, que retirou as antigas torres, deixando apenas uma central com aproximadamente 14 metros. Concluído os trabalhos, foi reinaugurada em 14 de abril de 1940. Na oportunidade, foram concedidas as bênçãos e entronização do salão superior da efigie da Sagrada Família. No livro de tombo, há o seguinte registro: “A referida parte nova é um complemento a nossa Igreja Matriz que se compõe de um pavimento térreo, onde funcionam sacristia, secretaria e sala de alfaias, e um andar superior de um só salão, destinado as reuniões das associações religiosas e a sede da ação Católica” (Livro Tombo I: 14/04/40).
Ao longo desses anos, passou por reformas, contudo as mais recentes têm mostrado algumas peculiaridades. Os retoques no rebo…

Silvino Olavo e José Gaudêncio: Parceria jornalística

O Jornal era um periódico que se publicava na Paraíba nos anos 20 do Século passado, sob a direção de Joaquim Pessoa C. de Albuquerque e gerenciado por Francisco Coutinho de Lima e Moura. Iniciado em 1923, possuía circulação diária, trazendo já na primeira página o lema de Joaquim Murtinho: "É necessário republicanizar a República". Com a ascensão de João Suassuna ao governo do Estado (1924/1928) houve uma mudança no seu quadro, passando aquele folhetim a ser dirigido por José Gaudêncio Correia de Queiroz. Gaudêncio assumiu a condução do jornal no final de 1925, dando-lhe nova roupagem segundo as diretrizes da política paraibana. Em matéria de 17 de janeiro de 1926, publicava "A União" a nova fase deste noticiário, que seria inaugurada em fevereiro daquele ano “de modo a satisfazer os interesses do público”. Na época, o folhetim havia adquirido um novo prelo, do tipo “Marinoni”, com dupla expulsão automática. A aquisição desta máquina assegurava “em condições eficient…

José Firmino dos Santos

José Firmino dos Santos nasceu em 05 de setembro de 1904, na rua Quintino Bocaiúva, final da rua do Sertão, em Esperança. Filho de João José de Maria e Firmina Maria da Conceição. Comerciante de nosso município, casou-se com a pernambucana Maria José da Conceição, com quem teve três filhos: José Firmino Filho, Sebastião Firmino (Basto da Pamonha) e Maria Coeli. Iniciou no comércio com um banco de feira, trabalhando nas praças de Esperança e Areal. Muito trabalhador, não demorou para que ele alugasse um prédio no centro, abrindo assim a sua loja de aviamentos, adquirindo depois aquele ponto comercial. Na política era aliado de Joaquim Virgolino da Silva e Júlio Ribeiro, ambos da UDN – União Democrática Nacional. Candidatou-se por esse partido e foi vereador por duas legislaturas. Foi eleito em 1947 com 249 votos e 1955 com 252 votos; ficando na suplência nos anos de 1951, 1959 e 1963. A sua loja era o ponto de encontro dos políticos, onde muitas vezes se discutiam os destinos do Município…