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Mostrando postagens com o rótulo Parceiros

A Capelinha, por Nino Pereira

Por Nino Pereira *   Em torno da cidade, encontramos um lindo penhasco onde em seu sopé existe o tanque do araçá. Local de fixação das antigas tribos de índios Cariris que iniciaram a colonização de Esperança. Da acrópole, temos uma linda visão panorâmica da cidade e encontramos o monumento cognominado de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Atualmente se encontra em bom estado de conservação, existindo no seu interior, uma imagem num altar e ao lado uma inscrição com as seguintes expressões na lápide: “01/01/1925 – MANUEL R. DE OLIVEIRA E SUA ESPOSA ESTHER F. DE OLIVEIRA MANDARAM CONSTRUIR ESTE MONUMENTO, COMO UM ACTO DE AGRADECIMENTO A VIRG. SS. DO PERPÉTUO SOCORRO POR MERCÊS POR ELLES ALCANÇADOS. MERECEU APROVAÇÃO E BÊNÇÃO DE SUA EXCIA. REVMA. D. ADAUCTO, ARCEBISPO DA PARAHYBA, E CONCURSO DO POVO E DO PE. JOSÉ BORGES QUE O INAUGUROU SOLENIMENTE”. Realizando-se pesquisas em arquivos da municipalidade e no livro do “tombo” da paróquia, nada encontramos sobre a data do iníc...

O Lobisomem, Epaminondas Câmara

Por Epaminondas Câmara *   Dando continuidade à série de contos de Epaminondas Câmara, extraída do seu livro “Os Alicerces de Campina Grande” (Ed. Caravela: 1999) com o seguinte texto...   O Lobisomem   A mentalidade popular absorve-se de imaginações confusas e de fantasmagorias horripilantes. A mula de padre era a consequência, segundo diziam, de amores ilícitos. Toda concubina de pai se transformava numa burra, para correr durante certas horas da madrugada. A pobre Rameira, depois da meia noite, metamorfoseava-se no animal e carregando argolas, chocalhos, guizos» peças de couro, brida e ginete, desembestava pelas estradas afora até percorrer sete províncias (localidades) Houve quem as visse pelas ruas de Campina, vindo, talvez, dalguma povoação vizinha. Diziam que o lobisomem tinha pés de quenga, roupa escura talar, forma símio-humana, capacidade de percurso meia légua em cinco minutos, corpo intangível etc. Quando se faiava no seu aparecimento em cert...

Malassombro, por Epaminondas Câmara

Por Epaminondas Câmara *   Epaminondas Câmara – o grande escritor esperancense – reúne em seu livro “Os Alicerces de Campina Grande” (Ed. Caravela: 1999) três contos de sua autoria, que desmistificam muitos mistérios. Segundo o autor, na maioria das vezes, vultos e assombrações não passam situações cuja verdade fora encoberta por algum outro fato. Nas suas palavras: “é a história real de muitos fantasmas”. Dividi o texto numa série de dois contos para não cansar o leitor e também porque a linguagem para blogs assim o exige. Assim, iniciemos essa trilogia “epaminodiana” com o texto...   Malassombro   O diabo naquele tempo era muito trabalhador e muito atrevido. Conta-se que, em certa casa grande, ele passou mais de dois meses em constante atividade. Os moradores recorreram a todos os meios para expulsá-lo, sem resultado. Ouviam a sua rouquenha voz na camarinha, na sala da frente, no copiar, no terreiro de café, no telhado, na casa de farinha. E, na sua fú...

O Zorro em Esperança

Por Eliomar Rodrigues de Farias*   No final dos anos 50, o Grupo Escolar Irineu Joffily, situado à rua Joviniano Sobreira, em Esperança, Paraíba, era todo murado com altura de aproximadamente 2 (dois) metros e possuía apenas uma entrada, na rua Joviniano Sobreira, através de um portão de ferro largo com 2 (dois) metros de altura. No prédio haviam corredores que dava acesso às salas de aulas. Ao lado balaustrada, que era uma fileira de pequenas colunas que sustentavam um corrimão ou peitoril, formando um parapeito ou grade decorativa, comum em escadarias, varandas e terraços para dar suporte e segurança. Pois bem, nesse espaço, quando não havia aulas, Eu (Cem de Tutu), Beinha do Sr. Dorgival, Elifas, Tida Tavera, Marcos de Tutu, João de Sr. Anisio, os filhos de D. Aderita: Jadailton, Gilson, Jaime, Janilton e outros colegas que não lembro no momento, todos moravam próximo ao Grupo Escolar, aproveitávamos esse horário sem aulas para jogar. Usávamos bolas de meias, por nós p...

Esperança e Sapé: as últimas vilas emancipadas completam 100 Anos de emancipação

Por Jocelino Tomaz *   Em 1º de dezembro de 1925 Sapé e Esperança foram elevadas à categoria de vilas. A primeira se separando de Espírito Santo e a segunda de Alagoa Nova. Até o fim do século dezessete a capitania da Paraíba tinha apenas um município, a cidade de Paraíba (cujo nome só mudou para João Pessoa em 1930). Ela já foi fundada como cidade em 1585 e tinha jurisdição sobre toda a capitania. Por volta de 1760 surgiram as primeiras vilas: Monte-Mor (Mamanguape), Baia da Traição, Pilar, Alhandra, Jococa (Conde) e Pombal. Podemos dizer que todas as atuais cidades da Paraíba já pertenceram a algum desses municípios. Desde o século dezoito até 1938 as vilas, assim como as cidades, tinham status de município. Tinham um território definido, autonomia administrativa e política. Durante a maior parte desse tempo tanto as vilas como as cidades eram governadas por vereadores ou conselheiros, o presidente da câmara ou do conselho exercia função semelhante ao prefeito, cargo que ...

Irineu Jóffily, por Hortênsio de Souza Ribeiro

NO HISTORIADOR IRINEU JÓFFILY SE RESUMEM  AS QUALIDADES CULMINANTES DA NOSSA APTIDÃO Hortênsio de Souza Ribeiro (Discurso pronunciado na Academia Paraibana de Letras, por ocasião da posse do Acadêmico Epaminondas Câmara no dia 21 de julho de 1945).   “[...]. falar de I. Jóffily é falar da inteligência paraibana. Nele se resumem, como num brilhante compêndio, as qualidades culminantes da nossa aptidão intelectual. Jóffily está para o domínio da nossa antro-geografia como Arruda Câmara está ara a nossa ciência botânica. Mais do que qualquer outro, ele nos revelou ao Brasil, sob o ponto de vista cultural. Historiógrafo, jornalista, e advogado, quer como homem político, quer como cidadão, Jóffily exercitou a sua inteligência em domínios dir-se-ia que inacessíveis à preparação de um advogado provinciano. À extensão do que era capaz o seu cérebro privilegiado, a profundeza do seu gênio, permitam-nos a expressão, poderão ser atestados, como o recipiendário já salientou, pelas...

Algumas histórias de Esperança, por Odaildo Taveira

“Existia em Esperança – uma coisa muito interessante, pra juventude tomar conhecimento – aqui em frente, onde havia uma loja, morava seu Joaquim Soldado; ele tem um filho que é seu Zé Soldado, ele tá com 95 anos. E seu Joaquim tinha um jumento, e ele ia sempre aqui para o Cabeço, no nosso município, vizinho a Pocinhos, e seu Joaquim vendia pão, vendia aliado, que eram uns biscoitos grandes assim, que as padarias não vendem mais, e seu Joaquim vendia um bocado de coias. Ele chegava nos trabalhadores do sítio e aí encostava a jumenta e os cabras só comendo, os trabalhadores, comendo, comendo e daí a pouco um pedaço, na hora de pagar, aí seu Joaquim, calado perguntou: - Tu comeu, quanto? E o cabra respondeu: - Eu comi dois. - E você? Dizendo com outro. - Eu só comi um, respondeu. Aí seu Joaquim escutava tudinho e puxava um crucifico assim de uns 40 cm e dizia: tu jura? Tu jura? Eu sei que eles tinham que dizer a verdade. São algumas figuras folclóricas da cidade de Esperan...

As festas de S. João (1933)

  Jornal “A União”   Constituíram um verdadeiro acontecimento as festas sanjoanescas nessa florescente vila serrana. O programa das mesmas, que foram realizadas em benefício da Caixa Escolar “Joviniano Sobreira”, ficou a cargo de 3 comissões, assim distribuídas: Comissão Central: Drs. Sebastião Araújo, Samuel Duarte, Heleno Henriques, Luiz de Gonzaga Nobrega, Manuel Cabral, Srs. Júlio Ribeiro, Theotônio Costa, Manuel Rodrigues, José Souto, Severino Diniz, Theotônio Rocha e Pedro Torres, Sras. Esther Fernandes, Firmina Coelho Nobrega, Virgínia Cunha, Elvira Lima, professora Lydia Fernandes e Severina Sobreira; comissão de organização – Srs. José Carolino Delgado, José Brandão, Sebastião Rocha, José Rocha, Antônio Coêlho, Fausto Bastos, José Passos Pimentel, Miguel Felix, João Santiago Ulisses Coelho, Francisco Bezerra, Claudino Rogério, Francisco Soares; comissão de ornamentação – senhoritas Noemia Rodrigues, Marieta Coelho, Dulce Paiva, Hilda Rocha, Oneide de Luna Freire...

A Exposição de Helle Bessa

  Por Ângelo Emílio da Silva Pessoa*   Nessa Quinta-feira (12/06/25), na Galeria Lavandeira (CCTA-UFPB), tive a honra e o prazer de comparecer à abertura da Exposição "Impressões Contra o Fim", da artista plástica Helle Henriques Bessa (1926-2013), natural de Esperança (PB) e que tornou-se Freira Franciscana de Dillingen, com o nome de Irmã Margarida. Durante anos foi professora de artes nos Colégios Santa Rita (Areia) e João XXIII (João Pessoa). Helle Bessa era prima da minha mãe Violeta Pessoa e por décadas convivemos com aquela prima dotada de uma simpatia contagiante. Todos sabiam de seu talento e que ela havia participado de exposições internacionais, mas sua discrição e modéstia talvez tenham feito com que sua arte não tenha ganho todo o reconhecimento que merecia em vida. Anos após seu falecimento, as Freiras Franciscanas doaram seu acervo para a UFPB e foi possível avaliar melhor a dimensão de seu talento. As falas na abertura destacaram seu talento, versatilida...

Dica de Leitura: Badiva, por José Mário da Silva Branco

  Por José Mário da Silva Branco   A nossa dica de leitura de hoje vai para este livro, Badiva, voltado para a poesia deste grande nome, Silvino Olavo. Silvino Olavo, um mais ilustre, representante da intelectualidade, particularmente da poesia da cidade de Esperança, que ele, num rasgo de muita sensibilidade, classificou como o Lírio Verde da Borborema. Silvino Olavo, sendo da cidade de esperança, produziu uma poesia que transcendeu os limites da sua cidade, do seu Estado, da região e se tornou um poeta com ressonância nacional, o mais autêntico representante da poética simbolista entre nós. Forças Eternas, poema de Silvino Olavo. Quando, pelas ruas da cidade, aprendi a flor das águas e a leve, a imponderável canção branca de neve, o teu nome nasceu sem nenhuma maldade, uma imensa montanha de saudade e uma rasgada nuvem muito breve desfez em meus versos que ninguém escreve com a vontade escrava em plena liberdade. Silvino Olavo foi um poeta em cuja travessia textual...

Epaminondas Câmara, por Hortênsio Ribeiro

  NO HISTORIADOR IRINEU JÓFFILY SE RESUMEM AS QUALIDADES CULMINANTES DA NOSSA APTIDÃO Hortênsio de Souza Ribeiro (Discurso pronunciado na Academia Paraibana de Letras, por ocasião da posse do Acadêmico Epaminondas Câmara no dia 21 de julho de 1945).   “Epaminondas Câmara nasceu na cidade de Esperança, a antiga vila de Banabuié, que tão belos espíritos, tem dado à Paraíba: um Silvino Olavo, um Samuel Duarte, por exemplo. Descendente da velha copa paraibana, foram seus pais: Horácio de Arruda Câmara e D. Idalgina Sobreira Câmara. A sua infância viveu Epaminondas em Esperança, donde se ausentou aos 10 anos para Batalhão ou Taperoá, permanecendo nesta cidade sertaneja dois lustros, quando se transladou definitivamente para Campina Grande em 1920. Nunca frequentou escolas nem colégios. Aprendeu noções de primeiras letras em Esperança com a professora D. Maria Sobreira, viúva de Juviniano Sobreira, e em Batalhão com o professor Minervino Lúcio de Vasconcelos Cavalcanti. Em...

Odaildo: remoendo histórias

Por esses dias Odaildo enviou-me mensagem por aplicativo de celular. Dizia-me da satisfação em ler o BlogHE. E o quanto essa leitura reavivara as suas memórias. É um bom amigo. De forma cordial, cita alguns das personagens esperancenses, que ele mesmo conheceu. Enfim, nesse contexto histórico reproduzo a sua mensagem: “ Dr Rau, acho mais bonito assim. Suas histórias da nossa Esperança me fazem gostosas lembranças que alegram meu coração e remove da minha mente a Esperança de outrora, tão interessante, tão pura o que hoje foi esquecida pelo materialismo que existe em nossa população. Mas, nunca é demais relembrar. Tem dias que fico remoendo minha história e vejo e agradeço a Deus ter vivido nesse tempo. Me lembro de Zé burra feia, me lembro de Pedro Pixaco, me lembro de Faustino andando na rua comendo um pão crioulo com figo aferventado, me lembro de Massilon, guarda noturno, dormindo com o apito na boca, na porta da igreja, me lembro de Garrancho com seu sapato Fox fazendo barulho ...

José Régis, por Martinho Júnior (1ª Parte)

Por Martinho Júnior   Dr. José Régis, ilustre filho de Esperança, marcou sua trajetória como exemplo de ascensão e realização no âmbito jurídico. Filho do respeitado Sr. Alfredo Régis, que dá nome a uma das ruas da cidade, José Régis galgou muitos degraus na carreira jurídica, consolidando-se como juiz e acumulando um currículo repleto de títulos e funções de destaque na área do direito. Homem de vasta cultura e vivências globais, viajou por mais de uma dezena de países, enriquecendo sua visão de mundo e sua bagagem intelectual. Retornando à sua terra natal, movido pelo desejo de retribuir à comunidade suas experiências e conhecimentos, decidiu candidatar-se a vereador, vislumbrando contribuir diretamente para o desenvolvimento local. Contudo, sua entrada no cenário político revelou-se um choque de realidades. Esperança, que poderia ter visto em sua candidatura um privilégio raro, mostrou-se indiferente ao valor de sua capacidade intelectual e boa vontade. Enfrentando inúmeras ...

Coisas da minha terra, por Maria Violeta

  Novas lembranças, publicado no jornal “O Norte ”. Texto cedido por Ângelo Emílio , neto da autora.   É lá na Esperança, onde os homens que acreditam em Deus se firmam na esperança dos que alimentam a fé pisando na terra firme e abençoada que lhe serviu de berço, concentrando suas vidas, seus sonhos, alegrias e esperanças dos que vivem na Esperança. Quantas gratas recordações da minha terra. Dona Teté Rodrigues em sua beleza angelical era um exemplo de fé e dignidade. Dedicou toda a sua vida à religião, trabalhando para Igreja, ensinando catecismo as crianças e jovens. Dona Júlia Santiago era outra pessoa ligada à Igreja, ornamentando jarros, ensinando religião e com sua mão de fada pintando lindas coisas com arte e dedicação. E dona Celina Coelho? Esta era demais para mim, pois eu adorava e assimilava feliz todas as aulas de catecismo que ela ministrava além de admirar as lindas flores feitas pelas suas mãos que revelavam a arte. Esta e outras pessoas serviam a comun...