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José Régis, por Martinho Júnior (1ª Parte)

Por Martinho Júnior

 Dr. José Régis, ilustre filho de Esperança, marcou sua trajetória como exemplo de ascensão e realização no âmbito jurídico. Filho do respeitado Sr. Alfredo Régis, que dá nome a uma das ruas da cidade, José Régis galgou muitos degraus na carreira jurídica, consolidando-se como juiz e acumulando um currículo repleto de títulos e funções de destaque na área do direito. Homem de vasta cultura e vivências globais, viajou por mais de uma dezena de países, enriquecendo sua visão de mundo e sua bagagem intelectual.

Retornando à sua terra natal, movido pelo desejo de retribuir à comunidade suas experiências e conhecimentos, decidiu candidatar-se a vereador, vislumbrando contribuir diretamente para o desenvolvimento local. Contudo, sua entrada no cenário político revelou-se um choque de realidades. Esperança, que poderia ter visto em sua candidatura um privilégio raro, mostrou-se indiferente ao valor de sua capacidade intelectual e boa vontade. Enfrentando inúmeras dificuldades, sua candidatura enfrentou obstáculos desde o registro até a campanha. Ele percebeu que o cenário político local não valorizava suas credenciais ou ideias, mas priorizava interesses imediatistas e vantagens pessoais.

A história de Dr. José Régis é um convite à reflexão sobre a importância de reconhecer e valorizar talentos que podem fazer a diferença em nossa sociedade. Sua trajetória, marcada por êxito e dedicação, é um legado que merece ser lembrado e serve como alerta para que comunidades como a de Esperança aprendam a acolher e aproveitar oportunidades de progresso que figuras como ele representam.

Dr. José Régis, além de sua notável carreira jurídica, dedicou-se também a um projeto literário que buscava preservar as memórias e histórias de sua terra natal, Esperança. Ele entrevistava amigos de juventude e moradores da cidade, registrando relatos históricos e episódios do cotidiano que eram divertidos, curiosos e cheios de encanto. Datilografou inúmeros textos, misturando “histórias com H” – de caráter factual – e “Estórias com E” – crônicas leves e bem-humoradas.

O livro, ainda em fase de construção, gerava grande expectativa entre os conhecidos, que brincavam sobre a demora de sua conclusão, ansiosos para ver o resultado de seu esforço. No entanto, com o falecimento de Dr. José Régis, a obra permaneceu inacabada e nunca foi lançada. Sua companheira, na época era Laurita, natural do Recife, compartilhou com ele os últimos anos de sua vida.

Hoje, permanece a dúvida se os textos datilografados foram preservados ou se se perderam com o tempo. Esses registros, caso ainda existam, são preciosos fragmentos da história e do espírito de Esperança, guardando um retrato único da cidade através do olhar atento de Dr. José Régis. A ausência do livro publicado deixa uma saudade de seu autor e também uma reflexão: será que ainda há tempo para resgatar e dar vida às memórias que ele tanto se esforçou para perpetuar?

 

Martinho Júnior*

 

(*) Martinho Júnior é Historiador e Correto de Imóveis. Enviado via WhatsApp em 02/12/2024.


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