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Mostrando postagens com o rótulo Biografias

Severiano Pereira da Costa

Severiano Pereira da Costa foi um dos grandes comerciantes locais, proprietário de uma casa de estivas. Ligado ao PSD, foi prefeito de Esperança (1942-1944), vereador e presidente da Câmara (1951-1955). Na vida social, participava do “Esperança Clube”, sendo presidente desta associação, sendo também dirigente da agremiação “São Cristóvão Esporte Clube”, criada em 12 de setembro de 1945. O título de cidadão esperancense, lhe foi concedido pelo prefeito Arlindo Carolino Delgado, por iniciativa do edil Antônio José do Nascimento, que em sua justificativa, esclarece a homenagem: “ Severiano Pereira da Costa é um esperancense de coração já consagrado pelo povo que o acolheu Prefeito e Vereador. É um homem absolutamente voltado ao progresso de Esperança, tendo, inúmeras vezes, demonstrado ser um apaixonado de nossa causa. Homem do trabalho, da paz e da concórdia. Durante esse largo período que vive ao nosso lado, sofrendo e chorando as dores do povo esperancense, tem participado, efeti...

Irineu Jóffily na historiografia local

Irineu Ceciliano Pereira Jóffily A região da Borborema onde Esperança se localiza começou a ser repartida a partir do século XVII e XVIII para colonos portugueses e luso-brasileiros que subiam a serra.   Os registros detalhados por Jóffily em seu livro “Synopsis das Sesmarias da Capitania da Parahyba” (1894) apontam que as concessões naquelas imediações visavam, prioritariamente, a criação de gadum vacum , alargando as fronteiras de pastagem do interior. Ele descendia dos Oliveira Lêdo, uma das famílias responsáveis pela ocupação dos sertões paraibanos — incluindo áreas próximas ao atual município de Esperança. Joffily é considerado um dos primeiros historiadores a escrever sobre a Paraíba, rompendo com a dependência de historiadores pernambucanos. O que se tinha antes, em nosso Estado, eram relatos orais e crônicas influenciados pelos escritos do Século XIX. Ao resgatar as fontes primárias de terras coloniais, transformou a pesquisa no alicerce da historiografia. O “cronis...

João Benedito: trajetória e legado

A trajetória de João Viana dos Santos (1860 - 1943) constitui um dos capítulos mais expressivos da poesia popular nordestina. Conhecido pelo pseudônimo de João Benedito , este cantador era respeitado pela sua habilidade de criar versos e seu jeito irreverente. Nasceu escravo, na antiga vila de Banabuyé (atual Município de Esperança), porém foi alforriado por seu senhor que lhe ensinou a ler. Dizia-se ter boa memória e “peito fino” e glosava abertamente. O historiador e folclorista Luiz da Câmara Cascudo cita-o em seu livro (CASCUDO: 1939, p. 153) e reproduz um desafio que o poeta popular manteve com Antônio Correia Bastos. José Alves Sobrinho reforça sua importância regional, colocando-o entre os grandes cantadores do brejo paraibano, ao lado de Antônio Ferreira da Cruz e Romano Elias da Paz. O Dicionário Literário da Paraíba (SANTOS: 1994) registra que ele cantou com figuras como Zé Duda, Antônio Lamparina Cabeceira, Claudino Pimenteiro, João Melchíades e Josué da Cruz . Su...

Hermínia Fernandes Bonavides

Herminia Bonavides (1884–1974) Hermínia Fernandes Bonavides nasceu em Esperança, no dia 25 de outubro de 1884. Filha de Mathias Francisco Fernandes, um próspero comerciante, dono de loja de tecidos, e Maria Joaquina Gomes Pereira. Foi aluna da conceituada professora Ana Carolina de Paiva Lima, em Alagoa Nova-PB. Com muita vivacidade, despertou para o mundo das letras, tendo adquirido bons conhecimentos com aquela preceptora. Casou-se com Fenelon Fernandes Bonavides (1872-1933) em 17 de abril de 1906. Ele natural de Areia, filho de Gervázio Fernandes Bonavides e Maria Sidalina de Medeiros. O casal teve cinco filhos, entre eles, destaca-se Paulo Bonavides (1925–2020), nascido em Patos (PB), que se tornou um dos maiores nomes do Direito Constitucional no Brasil e professor catedrático da Universidade Federal do Ceará. E Aníbal Fernandes Bonavides (1918-1993), jornalista e advogado, que se tornou deputado (1963-64) naquele estado. Nomeada para o quadro de extranumerários do Telégra...

Homenagem a Mergulhão em Campina

O Cantador negro José Virgulino de Souza (1908-1939), ficou mais conhecido com o nome de José Mergulhão. Dizia ter nascido em “Boa Esperança”, na Paraíba, no ano de 1908; e faleceu no Ceará vítima de tuberculose, nos idos de 1939. Assim consta da Revista do Instituto Histórico de Alagoas: “ José Mergulhão de Sousa, o desventurado cantador negro que morreu tuberculoso em 1939, com trinta e dois anos de idade. Ele era de Paraíba, da localidade Boa Esperança e morreu em longínquo município do Ceará” (R.IHGA: 1947 e 1949).   Este era o antigo nome do Município de Esperança, citado na Carta de Ferino de Góis à Romano: “Cheguei em Boa Esperança Encontrei o Campo Alegre, Esse me disse: - Seu mal, Estou com medo que me pegue, Se você já vem mordido, Por caridade não negue...”   Átila Almeida (ALMEIDA, p. 56) é quem comenta: “Deve ter sido equívoco de Ferino – a cidade é Esperança/Pb, e não Boa Esperança”. O certo é que esta cidade foi assim conhecida (Boa Esper...

Dr. José Targino da Silva

Dr. José Targino (site da Prefeitura de Campina) José Targino da Silva (1934-2026) era filho de Antônio Targino, ambos naturais de Esperança. O pai faleceu quando ele tinha 17 anos de idade, em decorrência de um acidente automobilístico. O veículo (caminhão) pertencente ao Sr. Antônio foi adquirido por meu avô, após o fatídico desastre. Este evento impulsionou José ainda jovem a estudar medicina no Recife, se especializando em ortopedia, como nos noticia a Câmara Municipal de Campina:   “[...] especializou-se em ortopedia com o intuito de atender vítimas de traumas, já que perdeu seu pai quando ainda era jovem em decorrência de um acidente automobilístico” (Projeto de Lei – denomina rua Dr. José Targino).   Após estudar medicina na Universidade Federal de Pernambuco (1962), foi médico residente no Hospital das Clínicas em São Paulo (1963-64). Na época da graduação, já demonstrava visão empreendedora voltado para Campina, ao perceber que só existia um serviço de pronto-...

João Benedito e a literatura de cordel

João Benedito (1860-1943) foi um dos maiorais do repente. O poeta esperancense era temido pelo seus adversários, muitos dos quais deitaram a viola, dando-se por vencido na peleja, em sinal de respeito ao velho cantor esperancense. Josué Alves da Cruz – um dos grandes artistas paraibanos – dizia que ele tinha “boa memória e peito fino”. Egídio de Oliveira Lima menciona (Os Folhetos de Cordel: 1978, p. 217) que João possuía uma memória prodigiosa e que costumava declamar alguns cordéis nas feiras livres, sítios e fazendas que frequentava. Ele que de escravo chegou a ser professor de cantoria, tendo José Alves Sobrinho como célebre aluno. Do velho cantor não se tem muita coisa escrita de sua produção, mesmo porque a maioria dos estudiosos afirmam que ele era cantador, de onde se supõe que os versos eram feitos de improviso ou de “repente”, como se diz no Nordeste. Porém, dos poucos registros de que dispomos, observamos a grandiosidade da sua rima. Eis uma sextilha reproduzida por F. C...