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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

O Lobisomem, Epaminondas Câmara

Por Epaminondas Câmara *   Dando continuidade à série de contos de Epaminondas Câmara, extraída do seu livro “Os Alicerces de Campina Grande” (Ed. Caravela: 1999) com o seguinte texto...   O Lobisomem   A mentalidade popular absorve-se de imaginações confusas e de fantasmagorias horripilantes. A mula de padre era a consequência, segundo diziam, de amores ilícitos. Toda concubina de pai se transformava numa burra, para correr durante certas horas da madrugada. A pobre Rameira, depois da meia noite, metamorfoseava-se no animal e carregando argolas, chocalhos, guizos» peças de couro, brida e ginete, desembestava pelas estradas afora até percorrer sete províncias (localidades) Houve quem as visse pelas ruas de Campina, vindo, talvez, dalguma povoação vizinha. Diziam que o lobisomem tinha pés de quenga, roupa escura talar, forma símio-humana, capacidade de percurso meia légua em cinco minutos, corpo intangível etc. Quando se faiava no seu aparecimento em cert...

Doninha Araújo

Enedina Araújo de Brito, Doninha Araújo como era mais conhecida, nasceu em Esperança no dia 17 de novembro de 1914. Era filha do casal João Rufino de Araújo e da Sra. Maria da Conceição. O seu pai era proprietário de uma casa de jogo e sua mãe de prendas domésticas. Eram ao todo oito filhos: Sebastião, José, Geraldo, Severina, Maria, Severino e Joséfa. Doninha, no entanto, se destacou por ser alfabetizada. Iniciou seus estudos aos 14 anos. Através do Prefeito Joaquim Virgolino, conseguiu fazer um curso de treinamento primário na cidade de Sapé. Essa formação durou seis meses, tempo suficiente para ela aprender as lições básicas da educação. Casou-se aos 19 anos com o Sr. Manoel Patrício de Brito, recebendo as bênçãos matrimoniais do Padre João Honório. Dessa união não houve prole. Manoel – segundo dizem – era estéril. Ele foi acometido de “papera” na infância. O casal não se deu por vencido. Eles criaram dois filhos e tiveram cinco netos. Manoel faleceu de enfarto na idade de 52 an...

Malassombro, por Epaminondas Câmara

Por Epaminondas Câmara *   Epaminondas Câmara – o grande escritor esperancense – reúne em seu livro “Os Alicerces de Campina Grande” (Ed. Caravela: 1999) três contos de sua autoria, que desmistificam muitos mistérios. Segundo o autor, na maioria das vezes, vultos e assombrações não passam situações cuja verdade fora encoberta por algum outro fato. Nas suas palavras: “é a história real de muitos fantasmas”. Dividi o texto numa série de dois contos para não cansar o leitor e também porque a linguagem para blogs assim o exige. Assim, iniciemos essa trilogia “epaminodiana” com o texto...   Malassombro   O diabo naquele tempo era muito trabalhador e muito atrevido. Conta-se que, em certa casa grande, ele passou mais de dois meses em constante atividade. Os moradores recorreram a todos os meios para expulsá-lo, sem resultado. Ouviam a sua rouquenha voz na camarinha, na sala da frente, no copiar, no terreiro de café, no telhado, na casa de farinha. E, na sua fú...

Está escrito

Não me custou nada escrever. Estava escrito. Nenhum esforço além do que a rotina me impôs. Publicar foi um pouco mais difícil; vende-los se tornou a tarefa mais árdua que encontrei. A minha geração não compreende a grandiosidade deste resgate histórico-cultural. Não há qualquer mérito agora em mantê-los. Deixo às traças do tempo. Mas não é o fim, senão uma reanálise de tudo o que já foi feito. Daqueles que iniciaram comigo, como blogueiros, quer jornalistas, quer aventureiros, apenas este velho aqui continua, não sei até quando (até quando puder manter o site). Enfim, eles seguiram – um a um – o seu caminho de sucesso, enquanto fiquei aqui na “terrinha” contando histórias. Vale a pena. Não se a alma não é pequena. A minha, não sei o seu tamanho (Deus o sabe). Queria que fosse diferente, mas as coisas são assim mesmo: sem mérito ou demérito, um vazio qualquer no cenário cultural. Pode ou não ser, o que será o amanhã (já dizia o poeta).   Rau Ferreira