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Doninha Araújo

Enedina Araújo de Brito, Doninha Araújo como era mais conhecida, nasceu em Esperança no dia 17 de novembro de 1914. Era filha do casal João Rufino de Araújo e da Sra. Maria da Conceição. O seu pai era proprietário de uma casa de jogo e sua mãe de prendas domésticas. Eram ao todo oito filhos: Sebastião, José, Geraldo, Severina, Maria, Severino e Joséfa. Doninha, no entanto, se destacou por ser alfabetizada.

Iniciou seus estudos aos 14 anos. Através do Prefeito Joaquim Virgolino, conseguiu fazer um curso de treinamento primário na cidade de Sapé. Essa formação durou seis meses, tempo suficiente para ela aprender as lições básicas da educação.

Casou-se aos 19 anos com o Sr. Manoel Patrício de Brito, recebendo as bênçãos matrimoniais do Padre João Honório. Dessa união não houve prole. Manoel – segundo dizem – era estéril. Ele foi acometido de “papera” na infância. O casal não se deu por vencido. Eles criaram dois filhos e tiveram cinco netos. Manoel faleceu de enfarto na idade de 52 anos.

No início, Doninha assumiu a escola do Lagedão, atuando como professora. Depois abriu o seu próprio educandário, denominado Escola “Nossa Senhora de Fátima”, na rua Antenor Navarro (rua de Areia) nº 394. Ensinava da alfabetização até a 4ª série do ensino fundamental. Crescendo a turma, mudou-se para uma garagem de propriedade do Sr. Zuza Nogueira, até que reformou a sua casa para abrigar a escola.

Segundo seus ex-alunos, era um ensino rígido, com palmatória e caroço de milho como punição, também se colocava com o rosto virado para a parede para servir de exemplo aos demais. Desses, são lembrados Inácio Oliveira (Neno), Daniel Costa (Daniel de Nego Vermelho) e Manoel Pimenta. Para a sua felicidade, algumas de suas ex-alunas também abraçaram o magistério: Lúcia Nogueira, Tereza Nogueira e Antônia Nogueira.

Régia Curvelo, afilhada de dona Doninha, lembra um pouco dessa época:

“Muitos foram alfabetizados por ela.

Uma vez ouvi uns pais falando que o filho não queria nada com os estudos e aí ela daria jeito.

Ela falou: “deixa ele comigo, aqui ele aprende ou o rabo arranca”. [...]. E era verdade, saiam de lar cultos”.

 

Dona Doninha faleceu em 21 de fevereiro de 1977, na Casa de Saúde e Maternidade São Francisco de Assis, aos 82 anos de idade, acometida de um AVC.

A escola ainda permaneceu ativa por cinco anos, nas mãos de Tereza Nogueira.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes Historiográficos do Município de Esperança. A União. Esperança/PB: 2015.

- MEDEIROS, Jailton. História de Esperança.  Trabalho escolar. Produção do corpo docente. Esperança/PB: s/d.


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