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Irineu Jóffily na historiografia local

Irineu Ceciliano Pereira Jóffily

A região da Borborema onde Esperança se localiza começou a ser repartida a partir do século XVII e XVIII para colonos portugueses e luso-brasileiros que subiam a serra.

 Os registros detalhados por Jóffily em seu livro “Synopsis das Sesmarias da Capitania da Parahyba” (1894) apontam que as concessões naquelas imediações visavam, prioritariamente, a criação de gadum vacum, alargando as fronteiras de pastagem do interior.

Ele descendia dos Oliveira Lêdo, uma das famílias responsáveis pela ocupação dos sertões paraibanos — incluindo áreas próximas ao atual município de Esperança. Joffily é considerado um dos primeiros historiadores a escrever sobre a Paraíba, rompendo com a dependência de historiadores pernambucanos.

O que se tinha antes, em nosso Estado, eram relatos orais e crônicas influenciados pelos escritos do Século XIX. Ao resgatar as fontes primárias de terras coloniais, transformou a pesquisa no alicerce da historiografia.

O “cronista dos sertões” registrou usos e costumes do nosso povo a partir de suas longas travessias a cavalo, como a “pega do boi”, a fundação de povoados e os achados paleontológicos. De fato, ele percorreu todos os marcos deste Estado, por isso a Paraíba deve o seu contorno geográfico a este incansável pesquisador.

Hortênsio de Souza Ribeiro, em seu discurso na Academia Paraibana de Letras, por ocasião da posse do Acadêmico Epaminondas Câmara, disse que “Jóffily está para o domínio da nossa antro-geografia como Arruda Câmara está ara a nossa ciência botânica. Mais do que qualquer outro, ele nos revelou ao Brasil, sob o ponto de vista cultural” (A União: 23/07/1945).

O seu livro Notas sobre a Parahyba (1892) é considerado uma obra pioneira e científica, pois traça os contornos da Paraíba até então desconhecidos. Ele não se limitou a narrar fatos políticos, integrou a história à geografia, tratando de assuntos como economia e estatística, além de contos e lendas locais.

Podemos encontrar ainda, nos seus escritos, a sua busca por Branca Dias, judia martirizada, muito retratada em livros, e acontecimentos como o “Quebra-Quilos”.

Os jornais que fundou – O Acadêmico Paraibano e Gazeta do Sertão – funcionaram como espaço de debate político e cultural, este último foi referência para denunciar os desmandos e crimes praticados pelos coronéis.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- A UNIÃO, Jornal. Ano LIII, Nº 163. Edição de 23 de julho. João Pessoa/PB: 1945.

- ALMEIDA, Antonio Pereira (de). Os Oliveira Ledo e a Genealogia de Santa Rosa: 27 anos de Pesquisa Genealógica. 2º. Editora Gráfica Universal. Volume. João Pessoa: 1987.

- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes Historiográficos do Município de Esperança. A União. Esperança/PB: 2015.

- JOFFILY, Irineu. Notas sobre a Parahyba: fac-símile da primeira edição publicada no Rio de Janeiro, em 1892, com prefácio de Capistrano de Abreu. Vol. 1-2. Thesaurus Editora: 1977.

- JOFFILY, Irineu. Synopsis das Sesmarias da Parahyba. Typ. e Lith. A vaor – Manoel Henriques. Parahyba: 1894.

- TAVARES, João de Lyra, Apontamentos para a história territorial da Parahyba. Vol. 1. Imp. Official: 1910;

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