Vizinho
a casa que Tutu construiu, na praça Dom Adauto, à direita de quem vai para a
maternidade, existia uma cocheira e uma casinha de taipa. Nela morava uma
senhora com o filho, que todos chamavam de “Toinho da Cocheira”. O nome da mãe
dele era dona Lambú, uma velha rezadeira.
Certa
feita, ela rezou por mais de mês o meu pé inchado de uma queda que sofri da
cisterna da Escola Irineu Jóffily, brincando com “Cem de Tutu”. Um correndo
atrás do outro. Me arrebentei todo dessa queda.
Lembro-me
como se fosse hoje. Com um pedaço de pano sobre o meu pé e uma agulha cosendo o
pano, ela dizia:
-
Que cozo?
Eu
respondia: Carne triada! Isso, por muitas vezes, todo o dia, por mais de mês.
Toinho
da Cocheira era um molecão de 17 pra 18 anos que guardava os jumentos dos
outros sitiantes nos tocos de paus por ali existentes, na cachoeira, enquanto
eles iam fazer a feira, para ganhar alguns mil réis!
Pedro
Dias do Nascimento
Poeta
e escritor
Então. Ali sempre correu um riacho, formado das águas das chuvas e de quando os açudes "sangravam". Setor de caçadas e pescarias na infância, mais de um vez pude me ver ilhado, esperando uma carona que me levasse até depois do Irineu. Eu ainda tenho sonhos que resgatam essas aventuras, quase sempre mais intensos que os fatos.
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