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Postagens

Odaildo: remoendo histórias

Por esses dias Odaildo enviou-me mensagem por aplicativo de celular. Dizia-me da satisfação em ler o BlogHE. E o quanto essa leitura reavivara as suas memórias. É um bom amigo. De forma cordial, cita alguns das personagens esperancenses, que ele mesmo conheceu. Enfim, nesse contexto histórico reproduzo a sua mensagem: “ Dr Rau, acho mais bonito assim. Suas histórias da nossa Esperança me fazem gostosas lembranças que alegram meu coração e remove da minha mente a Esperança de outrora, tão interessante, tão pura o que hoje foi esquecida pelo materialismo que existe em nossa população. Mas, nunca é demais relembrar. Tem dias que fico remoendo minha história e vejo e agradeço a Deus ter vivido nesse tempo. Me lembro de Zé burra feia, me lembro de Pedro Pixaco, me lembro de Faustino andando na rua comendo um pão crioulo com figo aferventado, me lembro de Massilon, guarda noturno, dormindo com o apito na boca, na porta da igreja, me lembro de Garrancho com seu sapato Fox fazendo barulho ...

Salvação, poema de Rau Ferreira

  Salvação Eu era nada E nada me enchia Nada satisfazia O meu ego.   Eu era nada (nada ainda sou) Jesus me salvou! Disso não nego.   Hoje prego Pra você a salvação O reino eterno De amor e comunhão.   Quem crê, será salvo Quem não, está condenado; Creia e serás também Com Cristo uma união.   Banabuyé, 16/04/2025   Rau Ferreira   Comentário : Não há reparos a fazer, sobretudo na doutrina, os veros escolhe-se silabação distinta que é absolutamente normal, fica a critério do poeta; mas a doutrina e o ensino que está presente nos versos é absolutamente bíblica, porque fala a respeito da nossa condição, ao tempo que exalta a suficiência, a glória devida do nosso Salvador. Os versos do ponto de vista métrico têm quatro, cinco ou seis sílabas poéticas e isso é ao talante do poeta que vai construindo o seu poema. A doutrina é boa, é bíblica e saudável, poeticamente comunica aquilo que Cristo é e o que nós nos...

José Régis, por Martinho Júnior (1ª Parte)

Por Martinho Júnior   Dr. José Régis, ilustre filho de Esperança, marcou sua trajetória como exemplo de ascensão e realização no âmbito jurídico. Filho do respeitado Sr. Alfredo Régis, que dá nome a uma das ruas da cidade, José Régis galgou muitos degraus na carreira jurídica, consolidando-se como juiz e acumulando um currículo repleto de títulos e funções de destaque na área do direito. Homem de vasta cultura e vivências globais, viajou por mais de uma dezena de países, enriquecendo sua visão de mundo e sua bagagem intelectual. Retornando à sua terra natal, movido pelo desejo de retribuir à comunidade suas experiências e conhecimentos, decidiu candidatar-se a vereador, vislumbrando contribuir diretamente para o desenvolvimento local. Contudo, sua entrada no cenário político revelou-se um choque de realidades. Esperança, que poderia ter visto em sua candidatura um privilégio raro, mostrou-se indiferente ao valor de sua capacidade intelectual e boa vontade. Enfrentando inúmeras ...

Sol e sua atuação jornalística

Poeta, jornalista e escritor Silvino Olavo da Costa destacou-se em publicações na imprensa da Parahyba, Pernambuco e Rio de Janeiro. Silvino nasceu na Lagoa do Açude, muito distante da sede do município. O seu pai era fazendeiro. Naquele tempo, devido a distância e outros fatores, os proprietários "contratavam" professores para lecionarem aos seus filhos e filhos dos moradores. Esses mestres passavam a residir na propriedade e a sala da Casa Grande lhes servia de escola. É provável que isto tenha acontecido ao poeta. A educação "formal", por assim dizer, ele iniciou no Externato do casal Joviniano Sobreira e Maria Augusta, em Esperança (1915). Presume-se que já sabia ler, assim como fazer contas simples; não se exigia muito além da tabuada e algumas operações matemáticas. De maneira que o seu ingresso escolar, neste município, no meu entender foi para complementar a sua educação, pois ele só poderia prosseguir para o ginásio se passasse pelo ensino primário. ...

A minha infância, por Glória Ferreira

Nasci numa fazenda (Cabeço), casa boa, curral ao lado; lembro-me de ao levantar - eu e minha irmã Marizé -, ficávamos no paredão do curral olhando o meu pai e o vaqueiro Zacarias tirar o leite das vacas. Depois de beber o leite tomávamos banho na Lagoa de Nana. Ao lado tinham treze tanques, lembro de alguns: tanque da chave, do café etc. E uma cachoeira formada pelo rio do Cabeço, sempre bonito, que nas cheias tomava-se banho. A caieira onde brincávamos, perto de casa, também tinha um tanque onde eu, Chico e Marizé costumávamos tomar banho, perto de uma baraúna. O roçado quando o inverno era bom garantia a fartura. Tudo era a vontade, muito leite, queijo, milho, tudo em quantidade. Minha mãe criava muito peru, galinha, porco, cabra, ovelha. Quanto fazia uma festa matava um boi, bode para os moradores. Havia muitos umbuzeiros. Subia no galho mais alto, fazia apostas com os meninos. Andava de cabalo, de burro. Marizé andava numa vaca (Negrinha) que era muito mansinha. Quando ...

Coisas da minha terra, por Maria Violeta

  Novas lembranças, publicado no jornal “O Norte ”. Texto cedido por Ângelo Emílio , neto da autora.   É lá na Esperança, onde os homens que acreditam em Deus se firmam na esperança dos que alimentam a fé pisando na terra firme e abençoada que lhe serviu de berço, concentrando suas vidas, seus sonhos, alegrias e esperanças dos que vivem na Esperança. Quantas gratas recordações da minha terra. Dona Teté Rodrigues em sua beleza angelical era um exemplo de fé e dignidade. Dedicou toda a sua vida à religião, trabalhando para Igreja, ensinando catecismo as crianças e jovens. Dona Júlia Santiago era outra pessoa ligada à Igreja, ornamentando jarros, ensinando religião e com sua mão de fada pintando lindas coisas com arte e dedicação. E dona Celina Coelho? Esta era demais para mim, pois eu adorava e assimilava feliz todas as aulas de catecismo que ela ministrava além de admirar as lindas flores feitas pelas suas mãos que revelavam a arte. Esta e outras pessoas serviam a comun...

A saída do Padre João Honório

O Monsenhor João Honório de Melo administrou a Paróquia de N. S. do Bom Conselho de 01/01/1937 à 20/01/1951, sendo responsável por grandes reformas na Igreja Matriz, fundação do Ginásio Diocesano de Esperança e criação da Irmandade do Santíssimo. O Dr. João Batista Bastos , em seu blog “Revivendo Esperança”, coloca-o como “ Austero, de voz retumbante, severo nas pregações, enérgico nas suas decisões ”, porém elogiando a sua atuação paroquial: “ Com a chegada do Padre João Honório de Melo, a Igreja de Esperança começou a ter novo impulso e sinais de renovação, quanto à sua estrutura física e aumento de sua capacidade de acolhimento dos fiéis. Sinal, também, de desenvolvimento, não apenas material, mas espiritual, sob a orientação do novo administrador paroquial ”. O também blogueiro Jailson Andrade , que escreve para o “Esperança de Ouro”, publicou um texto em que resume a personalidade do Monsenhor João Honório: “ Sacerdote de formação   ultramontana de forte personalidade e ...

Gemy Cândido

Gemy era filho de seu Severino e dona Francisca, mais conhecida por “Chiu”. O seu pai era barbeiro e sua mãe feirante. Ele foi o terceiro de nove irmãos, nascido em Esperança, no dia 26 de agosto de 1943. Escritor e crítico literário, verbete da Biblioteca do Congresso Americano, era também sociólogo, bibliófilo e historiador. Foi o primeiro a receber por um produto literário na Paraíba. Exibia com orgulho o cheque emitido pela União Companhia Editora de Cr$ 475,00 em razão de um conto e três comentários publicados no Correio das Artes, mencionados na crônica de Gonzaga Rodrigues: “Do gênero essencialmente literário, laborando o conto ou o bosquejo crítico, esse foi, sem dúvida, o seu primeiro ganho. Não o ganho de Gemy, fazendo jus a algum esforço de redação, mas o ganho do produto [...]” (O Norte, 19/11/1975). E complementa Luiz Augusto Crispim: “ Ninguém escreveu com mais sinceridade sobre criação paraibana do que Gemy Cândido. Até mesmo nas injustiças que comete ” (O Norte: 13/0319...

Esperança, de outrora (Pedro Dias)

Retratando um texto de Violeta Pessoa (Esperança), escreve Pedro Dias : “ Imagino que o Pichaco em referência era o pai dos pichacos que conheci: Honório, Adauto (doido), Zé Luís da sorda e Pedro Pichaco (o mandrião). Quanto ao Chico Pintor, era um baixinho de excelente qualidade em pintura e que também era um baita de um Artesão, como mostra alguns dos seus trabalhos. A Elvira em referência era "Elvira Doida" uma pedinte que vivia rua acima, rua abaixo. De Celestino, não lembro. O Messias citado (por Violeta), era o "Garrancho" do qual já falei dele noutro texto. Sobre os cartazes dos filmes a passar, também lembro. O sr. ZUCA era o ZUCA Ferreira, pai de Zé de Zuca que tinha uma concertina (um fole) que era chamado para tocar nos bailes dos sítios e na cidade... Borboleta não é ave, borboleta ave é, borboleta só é ave na cabeça da mulher. Na época, o Sr. Benício já marcava as quadrilhas. Seu titico com o seu violino era uma atração em festas e no coral ...

Luiz Pichaco

Por esses dias publiquei um texto de Maria Violeta Pessoa que me foi enviado por seu neto Ângelo Emílio. A cronista se esmerou por escrever as suas memórias, de um tempo em que o nosso município “ onde o amanhecer era uma festa e o anoitecer uma esperança ”. Lembrou de muitas figuras do passado, de Pichaco e seu tabuleiro: “vendia guloseimas” – escreve – “tinha uma voz bonita e cantava nas festas da igreja, outro era proprietário de um carro de aluguel. Família numerosa, voz de ébano.”. Pedro Dias fez o seguinte comentário: imagino que o Pichaco em referência era o pai dos “Pichacos” que conheci. Honório, Adauto (o doido), Zé Luís da sorda e Pedro Pichaco (o mandrião). Lembrei-me do livro de João Thomas Pereira (Memórias de uma infância) onde há um capítulo inteiro dedicado aos “Pichacos”. Vamos aos fatos! Luiz era um retirante. Veio do Sertão carregado de filhos, rapazes e garotinhas de tenra idade. Aportou em Esperança, como muitos que fugiam das agruras da seca. Tratou de co...

Francisco Tancredo Torres

Francisco Tancredo Torres   Francisco Tancredo Torres nasceu no município de Esperança, Estado da Paraíba, no dia 17 de abril de 1928, embora conste em seu registro o dia 18 como sendo o seu natalício. Era filho único do casal Joaquim Vitório Torres (seu Quincas) e Leonélia de Gouveia Torres (dona Nely). Foram seus padrinhos Antônio D’Ávila e Yayá, sua tia paterna. O seu pai era proprietário de uma fazenda na Lagoa de Pedra até que, em meados de 1913, foi nomeado Guarda Civil e, em 1918, foi trabalhar em uma estrada que estava sendo construída entre Soledade e Santa Luzia do Sabugi. Retorna nos anos 20 do Século passado para a Lagoa do Remígio, se estabelecendo no comércio de tecidos e miudezas em geral, com a loja “Flor da Serra”. Mas devido a violência, transfere-a para Esperança. É o próprio Dr. Tancredo quem relata: “Não teve vida longa, foi efêmera a sua existência. Germinou em Remígio, transplantou-se para Esperança [...]. Era uma das mais destacadas casas comerciais da f...

Esperança, por Maria Violeta Silva Pessoa

  Por Maria Violeta da Silva Pessoa O texto a seguir me foi encaminhado pelo Professor Ângelo Emílio da Silva Pessoa, que guarda com muito carinho a publicação, escrita pela Sra. Maria Violeta. É o próprio neto – Ângelo Emílio – quem escreve uns poucos dados biográfico sobre a esperancense: “ Maria Violeta da Silva Pessoa (Professora), nascida em Esperança, em 18/07/1930 e falecida em João Pessoa, em 25/10/2019. Era filha de Joaquim Virgolino da Silva (Comerciante e político) e Maria Emília Christo da Silva (Professora). Casou com o comerciante Jayme Pessoa (1924-2014), se radicando em João Pessoa, onde teve 5 filhos (Maria de Fátima, Joaquim Neto, Jayme Filho, Ângelo Emílio e Salvina Helena). Após à aposentadoria, tornou-se Comerciante e Artesã. Nos anos 90 publicou uma série de artigos e crônicas na imprensa paraibana, parte das quais abordando a sua memória dos tempos de infância e juventude em e Esperança ” (via WhatsApp em 17/01/2025). Devido a importância histór...