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Postagens

Um poema, de Rau Ferreira

Os teus lábios de mel me beijaram Senti um fulgor virginal!... Beijaram-me e foram embora Como no tríduo de carnaval E era chegada a boa-hora Pela qual eles me saciaram. * *     * Os teus olhos idílios me olharam Senti um transpassar n'alma Olharam-me e foram embora Para nunca mais voltar E era chegada a boa-hora Pela qual eles me saciaram. * *     * As tuas mãos me palmilharam Senti uma força que acalma Tocaram-me circundando o corpo Provocando-me um desejo E hoje estou quase-morto: As mãos, os olhos e o beijo!... O que vem depois? Banabuyé, 02 de março de 2017. Rau Ferreira

Pedro Fernandes (Lero)

Pedro Fernandes "Lero" Em uma publicação, esses dias, sobre o carnaval de Esperança, veio à tona a figura de “Lero”, famoso por sua irreverente “Boneca” que desfilava no corredor da folia. Em contato com o seu sobrinho Moacy, consegui algumas informações que compartilho com os seguidores deste blog. Pedro Fernandes Pimenta – o Lero – era filho de João Fernandes Pimenta e Severina Silva Monteiro (Dona Tintinha). Tinha cinco irmãos: Lourdes de Luís Bento, mãe de Bacaninha do transporte alternativo; Lia, mãe de Romualdo e Jacinta de São Miguel; Bia, primeira esposa do saudoso Zé Carloata; Antônio Ajato, antigo sapateiro de Esperança; e Maria Bertezena, a Zena mãe de Moacy. Moacy dispensa qualquer apresentação, era o fã Nº 1 da “Banda Grafith”. Prá vocês terem uma ideia, o Grafith foi uma das maiores bandas dos anos 80, fez muito sucesso no Rio Grande do Norte e Paraíba e, em Esperança, animava as domingueiras do CAOBE. E onde o Grafith estava, também estava o Moacy ...

O Boi de Marcolino

Bloco do Boi, de João Marcollino Foi Evaldo Brasil que me instigou a pesquisa, quando questiona em seu poema: “O que matou meu boi? O de João Marcolino/ Boi dos meus carnavais quando eu era menino" (Noção Planetária). Pinçando aqui e acolá reconstruí parte desta história, cujo complemento fica a cargo dos nossos leitores em seus comentários. Conta a lenda que uma escrava desejou comer a língua do boi do seu senhor, que o marido sacrificou para saciar a sua vontade. O animal era muito querido e por essa razão curandeiros foram chamados para ressuscitá-lo. A festa em si é a celebração quando o boi volta à vida. Em muitos Estados se observa esta tradição, mas em Esperança na Paraíba a representação acontece no período de carnaval. O Bumba-meu-boi ou Boi-bumbá esperancense se tornou mais conhecido a partir do bloco fundado por João Marcolino dos Santos em 02 de fevereiro de 1962. Apesar de existir em manifestações anteriores, este foi o mais original e duradouro bumbá de Es...

Desespero, poema de Zé Coêlho

Prof. José Coêlho da Nóbrega Hoje recebi este belo poema do Professor José Coêlho que todos conhecem. Professor de português da Escola “Irineu Jóffily” e também agrimensor, tendo se lançado candidato algumas vezes em nosso município disputado a vereança. Poeta inspirado, compôs o hino do “Mequinha” de Esperança e também foi responsável pela edição d’O Gillette, jornal oficioso que circulava nas noites de festa. Pois bem. Recebi este poema do amigo Paulinho, seu neto, que me enviou em uma rede social para o deleite dos seus conterrâneos: DESESPERO   Já ia bem alta a madrugada, quando ele viu entrar em crise com uma tremenda hemoptise, sua companheira idolatrada, sob suas pernas apoiada tenta que o mal se harmonize, no entanto a causa tem reprise e em sangue morre sufocada, e assim só dele acompanhada, partia naquela fria madrugada, aquela a quem tanto um homem quis, feliz disse ele, é quem não ama, pois não trás em si o duro drama, de amar e julgar que é ...

A Boneca de Lero

A "Boneca de Lero" Lero residia no Rio. Esperancense nato, não perdia um carnaval e vinha todos os anos participar os festejos de “Momo” em nossa cidade. Foi ele quem criou a famosa “Boneca”. Não era bonita, segundo dizem, mas o engraçado era o gingado que Lero fazia, balançando aquele mamulengo agarrado no pescoço de um lado para o outro. O bloco era acompanhado por uma centena de brincantes. Criaram até uma marchinha parodiando uma tradicional música nordestina: “Acorda Maria Bonita, Acorda para fazer café, Que o dia está raiando A Boneca de Léro, já tá de pé”. Nos anos 70, salvo engano, Lero se envolveu numa briga e foi preso no sábado que antecedia o carnaval. De nada adiantou os pedidos dos amigos, a polícia parecia irredutível na decisão de só liberar após o carnaval. Os mais chegados viam naquela prisão uma espécie de punição, talvez pelo fato da boneca mostrar sua irreverência no corredor da folia. O fato é que Lero só foi solto na quarta-fe...

Padre Zé, um relato

Padre Zé Coutinho O Padre Artur Costa foi colega de seminário de Padre Zé. É ele que nos traz um belo relato de sua vida, publicado n’A Cruz, órgão católico que circulou em meados do século passado. Em 1914, no Seminário da Parahyba, encontravam-se os dois estudantes de filosofia. Padre Zé demonstrava sua predileção pela música: “Vivia sacudindo a cabeça e as mãos, num compasso que não tinha fim”. A vocação musical dera então seus frutos: compôs os hinos de Santa Terezinha e de Nossa Senhora das Neves e do Bom Conselho; a Novena em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, além de diversas valsas, maxixes e dobrados. No entanto, havia um chamado maior: servir aos pobres! Eis que fundou, em 1935, o Instituto São José “destinado a socorrer a população pobre da Paraíba”. É o relato de Padre Artur, que acrescenta: “Eu dirigia então ‘A Imprensa’ e tinha que aturá-lo no jornal com todo o seu trabalho de propaganda. Cada semana, me trazia, escritas do seu punho, umas notas sobre o Inst...

Silvino e Hyldeth

Poetisa Hyldeth Fávilla Silvino Olavo conheceu Hyldeth Fávila em novembro de 1927, por ocasião do lançamento do livro “Quod Scritpt, scripsi” de Angelo Elyseu, no salão da “Liga de Defesa Nacional”, no Rio de Janeiro. A sociedade estava representada pelo Cenáculo Fluminense, pela Escola Militar e o Centro Farias de Brito, além dos ilustres escritores Haroldo Daltro, o argentino Garcia Zuarro e o jornalista Amadeu de Beaurepaire Rohan. O poeta havia sido convidado à declamação dos seus versos, já que os “Cysnes” ainda ecoavam na Capital da República. Ao lado de Pádua de Almeida e Mayrink engrossaram a coluna masculina daquele “soirée”, enquanto a ala feminina era composta por Hyldeth, Maria Sabina, Zilá Monteiro, Marina Pádua e Cândida Brito. Hyldeth Jezzler Favilla nasceu em Salvador/BA em 1912. Graduada em letras, começou a publicar aos 16 anos. Há pouco estreara a sua “Dor Suave”. No Rio, promoveu alguns recitais e com Théo-Filho fez campanha para popularizar a praia de Co...

SOL: Encontro inusitado

Silvino Olavo Eudes Barros (1905-1977) foi poeta, jornalista e romancista natural de Alagoa Nova, deste Estado. Com Silvino, Amarílo de Albuquerque, Américo Falcão e Peryllo D’Oliveira formavam o “Grupo dos Novos”, que faziam telúricas na capital parahybana. Argemiro de Figueiredo, político campinense, havia lhe falado da Colônia “Juliano Moreira” que, sob a administração de Gonçalves Fernandes, fazia grandes progressos no tratamento da psiquiatria, surgindo no repórter um desejo de conhecer a tal “casa de alienados”. Em 1935 este ramo da medicina desenvolvia-se a passos de tartaruga. Ao chegar naquele edifício, deparou-se logo com uma figura alta e esguia, ar sarcástico e de fisionomia trágica – que lembrava Mefistófeles – surgiu no liminar: Era Silvino! Ali, parado, como se o esperava. O poeta havia sido internado, após uma série de crises nervosas, para tratamento; e há cerca de um ano fora interditado, nomeando-se a esposa Carmélia sua curadora. O visitante – em artigo...

O destino de um Sol, poema de Rau Ferreira

Esfingie santa, a tua sombra me enleva Tua voz decanta, no alto da serra Um peregrinar lúgubre... Com suas mãos frias, feito guelras Põe para dormir o homem que erra Quem eras? Já  nao serás mais. O homem não passa de relva!... Pasto, para onde a terra leva. E quando os relógios (ah! os relógios) - Como diria dos Anjos - Pararem à meia noite, já não serás Mais aquele que eras, serás então... Pobre mendigo, apenas pasto e relva. Banabuyé, 25 de janeiro de 2017. Rau Ferreira

Esperança, formação territorial (Excerto de uma palestra)

Banabuyé, 08 de janeiro de 2016 " Esperança foi grande, quando era pequenina " (Silvino Olavo) Esperança - vista aérea 1970 Saudação à mesa, agradecer o convite da comissão do 2º Encontro de Ex-Alunos do Ginásio Diocesano de Esperança e C.E.E. (Milene, Josemi, Joseane, Carlos Ferreira, Cida Galdino, Laura Neuma e Vera Taveira), e dizer que é uma honra e grande satisfação estar aqui hoje com vocês para divulgar este trabalho. Esta palestra foi desenvolvida em duas etapas. Num primeiro momento, irei falar sobre a formação do Município de Esperança, a partir da sua ocupação territorial, com a concessão de terras, até a emancipação política. Num segundo instante, apresentarei o livro João Benedito: Mestre da Cantoria , personagem que biografei e que foi um dos precursores desta literatura que chamamos de cordel. Quero dizer pra vocês que desde 2009 venho realizando o resgate histórico do nosso município, cujas pesquisas tem sido publicadas no site História Es...

II Encontro dos Ex-Alunos do Ginásio Diocesano e Escola Estadual de Esperança

Participantes do II Encontro do Ex-Alunos do Diocesano e Estadual Domingo passado (08/01) aconteceu o II Encontro dos Ex-alunos do Ginásio Diocesano e Escola Estadual, promovido pela Comissão organizadora, evento este que reúne alunos e professores daquele educandário. A comissão é formada por Milene Magnane, Josemi e Joseane Pereira, Carlos Magno Ferreira, Cida Galdino, Laura Neuma e Vera Taveira. Abrindo a festividade, o Diácono Ednaldo esteve presente ressaltando a importância da amizade na formação do ser humano, e concedendo as bençãos para aquele encontro. A Filarmônica “1º de Dezembro” compareceu, entoando os hinos do Brasil, de Esperança e da Paraíba, e ainda tocando alguns frevos num primeiro grito festivo de carnaval. Formada a mesa, a Professora Letinha falou em nome dos ex-professores, enquanto Carlos Magno usou da palavra representando os ex-alunos. Na oportunidade, a Professora Mirian Carlos Freire lançou o seu livro “Colégio Diocesano de Esperança”, que foi mu...

Dona Anjinha, 105 Anos de vida (por João de Patrício)

Dona Anjinha aos 105 Anos de idade Em homenagem a Dona Anjinha, no auge de seus 105 anos de vida, republicamos um texto* de autoria de João de Patrício, quando esta completara 102 anos, com pequenas adaptações para este 2017. A imagem que ilustra esta postagem encontra-se no perfil de sua neta Fernanda Almeida: “ Dona Ângela Maria da Silva nasceu no Sitio Ribeiro do Município de Alagoa Nova, deste Estado, no dia 07 de janeiro de 1.912. Isso significa dizer que Dona Anjinha, como é familiarmente chamada, comemorou sua vinda ao mundo por 105 vezes. Casou com Joaquim Batista da Silva, cuja celebração matrimonial foi presidida por um dos Juízes desta Comarca de Esperança, o mais respeitado e severo Magistrado da época, Dr. Adelmar Lafayete Bezerra, precisamente no final da década 40 para o início da década de 50.  A cerimônia civil foi testemunhada por uma das figuras mais importantes da sociedade esperancense, o Sr. Manoel Luiz Pereira, que viria, mais tarde, a ser o vice-p...

Esperança contra Canudos

Antônio Conselheiro. Imagem: Wikipédia Você já ouviu falar em Canudos? Esse movimento libertário, liderado por Antônio Conselheiro, no interior da Bahia, prometia uma revolução social, com distribuição de terras e socialização dos haveres, numa região dominada pelo polígono da seca; também conhecido “movimento separatista”, chamou a atenção do governo federal, que deslocou tropas do exército para combater os revoltosos nos anos de 1896 e 1897. Após saírem vencidas, as tropas nacionais, em três expedições, com o apoio de fazendeiros e da igreja, sob forte pressão, conseguiram aplacar aquela comunidade em um verdadeiro massacre, com a morte de 20 mil sertanejos e destruição total do arraial. Antônio Conselheiro ainda hoje é mistificado no sertão, cuja figura icônica é lembrada em documentários, novelas e filmes como um religioso que antevê o futuro e profere sentenças como: “o sertão vai virar mar, e o mar vai virar sertão”. Pois bem. Em nossas pesquisas encontramos um telegra...

Maria da Paz Ribeiro Dantas

Maria da Paz Ribeiro Dantas. Fonte: http://www.substantivoplural.com.br/ A poetisa e ensaísta Maria da Paz Ribeiro Dantas nasceu em Esperança, no dia 25 de janeiro de 1940. Filha de Francisco Ribeiro dos Santos e d. Severina Ribeiro Dantas. Concluiu o ensino primário em Campina Grande/PB. O gosto pela natureza adquiriu na Fazenda São Domingos, no Cariri paraibano. Aos 14 anos teve pólio, doença que lhe deixou certa dificuldade de locomoção. No entanto, a sede de superar barreiras lhe foi peculiar. A poesia entrou na sua vida aos 21 anos, quando colaborava em programas de rádio e jornais campinenses. Seu primeiro poema foi publicado em 1962, no Jornal do Comércio, em Pernambuco. Dois anos depois, um de seus poemas foi parar nas páginas da Revista Leitura e, no período de 1967 à 1972, escreveu resenhas para a revista cultural “Vozes”. Radicada em Recife desde 1963, participou do movimento editorial pernambucano “Edições Pirata”, lançado alguns livros por este selo. No...

Silvino Olavo, o outro lado da música

SILVINO OLAVO, O OUTRO LADO DA MÚSICA Foto/divulgação da época  O salão de festas do “Diário de Pernambuco” estava ornado para a grande conferência literária promovida por Silvino Olavo da Costa. O intrigante tema, escolhido pelo beletrista, possuía íntima relação com a sua alma de poeta: “O outro lado da música”. O jovem prosador já havia realizado telúricas no Rio de Janeiro, onde também promovia recitais. Na Paraíba, após concluir o curso de direito (1925), fundara o “Grupo dos Novos”, juntamente com Amarílio de Albuquerque, Eudes Barros, Américo Falcão e  Peryllo D'Oliveira, realizando sarais em residências pessoenses, das quais participara, também, a poetisa Anayde Beiriz. No vizinho Estado de Pernambuco, ensaiara a sua musa, em concorridas conferências. A imprensa do Recife anunciara, com grande galhardia, a realização desta palestra, que contaria com a presença de prestigiosos elementos dos círculos sociais e artísticos. O aguardado evento foi noticiado dia...