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Padre Zé: cidadão pessoense

  O Monsenhor José da Silva Coutinho – Padre Zé – nasceu em Esperança, nesse Estado da Paraíba, tendo dedicado a sua vida em benefício de seus semelhantes da capital paraibana, em que pese o seu campo social não se limite aquela cidade, pois há notícias de sua atuação de Cabedelo a Cajazeiras, nos confins do sertão tabajara. Nasceu na rua do Sertão, hoje Solon de Lucena, aos 18 de março de 1897, quando o município era uma povoação. Filho do casal Júlio da Silva Coutinho e Eusébia de Carvalho Coutinho. Iniciou os estudos primários no Colégio Diocesano Pio X na capital, quando aquele educandário funcionava como anexo ao Seminário Arquidiocesano, depois matriculou-se no Colégio N. S. das Neves, naquela mesma cidade, quando ainda havia uma seção para estudantes do sexo masculino; depois retornou para o Pio X para fazer o curso secundário. Os tios Dom Santino e Monsenhor Odilon Coutinho foram muito importantes neste início de sua educação. Prosseguiu seus estudos superiores no S...

Renato Rocha: um grande artista

  Foto: União 05/12/2001 “A presença de autoridades, políticos e convidados marcou a abertura da exposição do artista plástico Renato Rocha, ocorrida no último final de semana, na Biblioteca Pública Dr. Silvino Olavo, na cidade de Esperança, Brejo paraibano. A primeira exposição de Renato Ribeiro marca o início da carreira do artista plástico de apenas 15 anos. Foram expostas 14 telas em óleo sobre tela, que também serão mostradas no shopping Iguatemi, CEF e Teatro Municipal de Campina Grande já agendadas para os próximos dias. A exposição individual teve o apoio da Prefeitura Municipal de Esperança através da Secretaria de Educação e Cultura, bem como da escritora Aparecida Pinto que projetou Renato Rocha no cenário artístico do Estado. Durante a abertura da Exposição em Esperança, o artista falou de sua emoção em ver os seus trabalhos sendo divulgados, já que desenha desde os nove anos de idade (...). A partir deste (...) Renato Ribeiro espera dar novos rumos aos seus projeto...

Epaminondas Câmara, por Hortênsio Ribeiro

  NO HISTORIADOR IRINEU JÓFFILY SE RESUMEM AS QUALIDADES CULMINANTES DA NOSSA APTIDÃO Hortênsio de Souza Ribeiro (Discurso pronunciado na Academia Paraibana de Letras, por ocasião da posse do Acadêmico Epaminondas Câmara no dia 21 de julho de 1945).   “Epaminondas Câmara nasceu na cidade de Esperança, a antiga vila de Banabuié, que tão belos espíritos, tem dado à Paraíba: um Silvino Olavo, um Samuel Duarte, por exemplo. Descendente da velha copa paraibana, foram seus pais: Horácio de Arruda Câmara e D. Idalgina Sobreira Câmara. A sua infância viveu Epaminondas em Esperança, donde se ausentou aos 10 anos para Batalhão ou Taperoá, permanecendo nesta cidade sertaneja dois lustros, quando se transladou definitivamente para Campina Grande em 1920. Nunca frequentou escolas nem colégios. Aprendeu noções de primeiras letras em Esperança com a professora D. Maria Sobreira, viúva de Juviniano Sobreira, e em Batalhão com o professor Minervino Lúcio de Vasconcelos Cavalcanti. Em...

O Turista Aprendiz e o Poeta dos Cysnes

  Silvino Olavo – ou simplesmente Sol – foi o poeta que recepcionou Mário de Andrade na Paraíba com outros intelectuais de renome quando o escritor de “Macunaíma” fazia a sua “viagem etnográfica” patrocinada pelo Diário Nacional, jornal paulista que circulou de 1927 a 1932. Ele ajudou o folclorista fazendo contatos locais na Capital e em passeios pelas cidades da Parahyba e Rio Grande do Norte. O “Turista Aprendiz”, como ele próprio se denominava em suas publicações, registrava em suas viagens as manifestações culturais. A visita ao nosso Estado foi assim descrita em suas anotações: “ Paraíba, 28 de janeiro, 3 da madrugada . Este primeiro dia de Paraíba tem de ser consagrado ao caso da aranha. Não é nada importante porém me preocupou demais e o turismo sempre foi manifestação egoística e individualista. Cheguei contente na Paraíba com os amigos José Américo de Almeida, Ademar Vidal, Silvino Olavo me abraçando. Ao chegar no quarto pra que meus olhos se lembraram de olhar pra...

Odaildo: remoendo histórias

Por esses dias Odaildo enviou-me mensagem por aplicativo de celular. Dizia-me da satisfação em ler o BlogHE. E o quanto essa leitura reavivara as suas memórias. É um bom amigo. De forma cordial, cita alguns das personagens esperancenses, que ele mesmo conheceu. Enfim, nesse contexto histórico reproduzo a sua mensagem: “ Dr Rau, acho mais bonito assim. Suas histórias da nossa Esperança me fazem gostosas lembranças que alegram meu coração e remove da minha mente a Esperança de outrora, tão interessante, tão pura o que hoje foi esquecida pelo materialismo que existe em nossa população. Mas, nunca é demais relembrar. Tem dias que fico remoendo minha história e vejo e agradeço a Deus ter vivido nesse tempo. Me lembro de Zé burra feia, me lembro de Pedro Pixaco, me lembro de Faustino andando na rua comendo um pão crioulo com figo aferventado, me lembro de Massilon, guarda noturno, dormindo com o apito na boca, na porta da igreja, me lembro de Garrancho com seu sapato Fox fazendo barulho ...

Salvação, poema de Rau Ferreira

  Salvação Eu era nada E nada me enchia Nada satisfazia O meu ego.   Eu era nada (nada ainda sou) Jesus me salvou! Disso não nego.   Hoje prego Pra você a salvação O reino eterno De amor e comunhão.   Quem crê, será salvo Quem não, está condenado; Creia e serás também Com Cristo uma união.   Banabuyé, 16/04/2025   Rau Ferreira   Comentário : Não há reparos a fazer, sobretudo na doutrina, os veros escolhe-se silabação distinta que é absolutamente normal, fica a critério do poeta; mas a doutrina e o ensino que está presente nos versos é absolutamente bíblica, porque fala a respeito da nossa condição, ao tempo que exalta a suficiência, a glória devida do nosso Salvador. Os versos do ponto de vista métrico têm quatro, cinco ou seis sílabas poéticas e isso é ao talante do poeta que vai construindo o seu poema. A doutrina é boa, é bíblica e saudável, poeticamente comunica aquilo que Cristo é e o que nós nos...

José Régis, por Martinho Júnior (1ª Parte)

Por Martinho Júnior   Dr. José Régis, ilustre filho de Esperança, marcou sua trajetória como exemplo de ascensão e realização no âmbito jurídico. Filho do respeitado Sr. Alfredo Régis, que dá nome a uma das ruas da cidade, José Régis galgou muitos degraus na carreira jurídica, consolidando-se como juiz e acumulando um currículo repleto de títulos e funções de destaque na área do direito. Homem de vasta cultura e vivências globais, viajou por mais de uma dezena de países, enriquecendo sua visão de mundo e sua bagagem intelectual. Retornando à sua terra natal, movido pelo desejo de retribuir à comunidade suas experiências e conhecimentos, decidiu candidatar-se a vereador, vislumbrando contribuir diretamente para o desenvolvimento local. Contudo, sua entrada no cenário político revelou-se um choque de realidades. Esperança, que poderia ter visto em sua candidatura um privilégio raro, mostrou-se indiferente ao valor de sua capacidade intelectual e boa vontade. Enfrentando inúmeras ...

Sol e sua atuação jornalística

Poeta, jornalista e escritor Silvino Olavo da Costa destacou-se em publicações na imprensa da Parahyba, Pernambuco e Rio de Janeiro. Silvino nasceu na Lagoa do Açude, muito distante da sede do município. O seu pai era fazendeiro. Naquele tempo, devido a distância e outros fatores, os proprietários "contratavam" professores para lecionarem aos seus filhos e filhos dos moradores. Esses mestres passavam a residir na propriedade e a sala da Casa Grande lhes servia de escola. É provável que isto tenha acontecido ao poeta. A educação "formal", por assim dizer, ele iniciou no Externato do casal Joviniano Sobreira e Maria Augusta, em Esperança (1915). Presume-se que já sabia ler, assim como fazer contas simples; não se exigia muito além da tabuada e algumas operações matemáticas. De maneira que o seu ingresso escolar, neste município, no meu entender foi para complementar a sua educação, pois ele só poderia prosseguir para o ginásio se passasse pelo ensino primário. ...

A minha infância, por Glória Ferreira

Nasci numa fazenda (Cabeço), casa boa, curral ao lado; lembro-me de ao levantar - eu e minha irmã Marizé -, ficávamos no paredão do curral olhando o meu pai e o vaqueiro Zacarias tirar o leite das vacas. Depois de beber o leite tomávamos banho na Lagoa de Nana. Ao lado tinham treze tanques, lembro de alguns: tanque da chave, do café etc. E uma cachoeira formada pelo rio do Cabeço, sempre bonito, que nas cheias tomava-se banho. A caieira onde brincávamos, perto de casa, também tinha um tanque onde eu, Chico e Marizé costumávamos tomar banho, perto de uma baraúna. O roçado quando o inverno era bom garantia a fartura. Tudo era a vontade, muito leite, queijo, milho, tudo em quantidade. Minha mãe criava muito peru, galinha, porco, cabra, ovelha. Quanto fazia uma festa matava um boi, bode para os moradores. Havia muitos umbuzeiros. Subia no galho mais alto, fazia apostas com os meninos. Andava de cabalo, de burro. Marizé andava numa vaca (Negrinha) que era muito mansinha. Quando ...

Coisas da minha terra, por Maria Violeta

  Novas lembranças, publicado no jornal “O Norte ”. Texto cedido por Ângelo Emílio , neto da autora.   É lá na Esperança, onde os homens que acreditam em Deus se firmam na esperança dos que alimentam a fé pisando na terra firme e abençoada que lhe serviu de berço, concentrando suas vidas, seus sonhos, alegrias e esperanças dos que vivem na Esperança. Quantas gratas recordações da minha terra. Dona Teté Rodrigues em sua beleza angelical era um exemplo de fé e dignidade. Dedicou toda a sua vida à religião, trabalhando para Igreja, ensinando catecismo as crianças e jovens. Dona Júlia Santiago era outra pessoa ligada à Igreja, ornamentando jarros, ensinando religião e com sua mão de fada pintando lindas coisas com arte e dedicação. E dona Celina Coelho? Esta era demais para mim, pois eu adorava e assimilava feliz todas as aulas de catecismo que ela ministrava além de admirar as lindas flores feitas pelas suas mãos que revelavam a arte. Esta e outras pessoas serviam a comun...

A saída do Padre João Honório

O Monsenhor João Honório de Melo administrou a Paróquia de N. S. do Bom Conselho de 01/01/1937 à 20/01/1951, sendo responsável por grandes reformas na Igreja Matriz, fundação do Ginásio Diocesano de Esperança e criação da Irmandade do Santíssimo. O Dr. João Batista Bastos , em seu blog “Revivendo Esperança”, coloca-o como “ Austero, de voz retumbante, severo nas pregações, enérgico nas suas decisões ”, porém elogiando a sua atuação paroquial: “ Com a chegada do Padre João Honório de Melo, a Igreja de Esperança começou a ter novo impulso e sinais de renovação, quanto à sua estrutura física e aumento de sua capacidade de acolhimento dos fiéis. Sinal, também, de desenvolvimento, não apenas material, mas espiritual, sob a orientação do novo administrador paroquial ”. O também blogueiro Jailson Andrade , que escreve para o “Esperança de Ouro”, publicou um texto em que resume a personalidade do Monsenhor João Honório: “ Sacerdote de formação   ultramontana de forte personalidade e ...

Gemy Cândido

Gemy era filho de seu Severino e dona Francisca, mais conhecida por “Chiu”. O seu pai era barbeiro e sua mãe feirante. Ele foi o terceiro de nove irmãos, nascido em Esperança, no dia 26 de agosto de 1943. Escritor e crítico literário, verbete da Biblioteca do Congresso Americano, era também sociólogo, bibliófilo e historiador. Foi o primeiro a receber por um produto literário na Paraíba. Exibia com orgulho o cheque emitido pela União Companhia Editora de Cr$ 475,00 em razão de um conto e três comentários publicados no Correio das Artes, mencionados na crônica de Gonzaga Rodrigues: “Do gênero essencialmente literário, laborando o conto ou o bosquejo crítico, esse foi, sem dúvida, o seu primeiro ganho. Não o ganho de Gemy, fazendo jus a algum esforço de redação, mas o ganho do produto [...]” (O Norte, 19/11/1975). E complementa Luiz Augusto Crispim: “ Ninguém escreveu com mais sinceridade sobre criação paraibana do que Gemy Cândido. Até mesmo nas injustiças que comete ” (O Norte: 13/0319...