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Postagens

Sobre poemas e Sol (comentários por José Mário da Silva Branco)

Imagem: httpdruzz.blogspot.com.br Há uns dias compartilhei alguns poemas da lavra de Silvino Olavo , poeta cuja Cadeira de número 35 devo ocupar na próxima semana (17/11), perante a Academia de Letras de Campina Grande. Não tenho como descrever a alegria de vê-los comentados, num grupo social, com toda a sua técnica, pelo Professor José Mário da Silva Branco , que confessou: “Poeta que estudei na Universidade Federal de Campina Grande, há alguns semestres, quando ministrei a disciplina Literatura Paraibana”. Escritor, crítico literário e imortal da Academia Paraibana de Letras, e já eleito para a Academia Campinense, o Dr. José Mário da Silva Branco é na atualidade o maior nome das letras em nosso Estado, com projeção nacional. Não bastassem esses predicados, é um homem de Deus, evangelizador que tem convertido muitas almas do pecado da morte. “Levei-o para a sala de aula e li vários poemas de autoria dele [Silvino], todos muito bem apreciados pelos alunos”, escreveu o A...

Minha vida

Para Helder Emanuel O menino é um mix De gato e cachorro E eu quase morro Com tanta estripolia Subindo na pedra fria Me grita: Olha, papai! (Ai meus ais). Mas a vida seria vazia, Sem esse rapaz! Rau Ferreira Madrugada de 29/10/2017, 1h42mim

Gritos da feira

Feira dos anos 30. Arte: Evaldo Brasil A feira é o ambiente mais cultural que existe, cujo evento se repete a cada semana. Nela encontramos figuras folclóricas, personagens deste teatro ao ar livre que muitas vezes passa despercebida do grande público. Nas mais variadas apresentações, cada um a seu modo faz o seu show angariando a atenção dos consumidores já tão acostumados com gírias, trejeitos e jargões populares. São os “gritos da feira” que de tão tradicionais hoje se tornam inaudíveis. Em nossa pesquisa antropológica recolhemos algumas dessas falas, com a cooperação do amigo Janilson Andrade que inclusive fez os versos que ilustram essa postagem. Mas não basta falar. As palavras soltas ao vento não produzem o alcance desejado. O objetivo do feirante voltar os olhos dos clientes para os seus produtos e isso exige uma entonação de voz característica de um canto orfeônico. Além disso, o seu conteúdo deve possuir um tom de anedota possui o tempero que alegra a freguesia. ...

Uma nova imagem da padroeira

Durante a comemoração da Assunção de Maria, mais precisamente no dia 20 de agosto de 1939, recebia a nossa cidade uma nova imagem de sua padroeira. A comunidade em festa se reuniu para a bênção da efigie alusiva à Nossa Senhora do Bom Conselho. “Festa magnífica que excedera a todas as anteriores, e que congregou quase todos os fiéis da paróquia e um cem números de outras paróquias, numa demonstração eloquente de fé católica e de amor à excelsa Mãe de Deus” – comentou o vigário da época, Padre João Honório de Melo. O entusiasmo cristão nunca antes visto sacudiu “todas as almas” em efusiva culminância com a sua chegada, cujo programa adiante se observa: Pela manhã missa com comunhão geral, celebrando-se a missa festiva às 09:30 horas com a presença do Sr. Prefeito Municipal, autoridades, escolas e associações. Às quatro da tarde, deu-se a entrada triunfal da imagem em carro especialmente preparado, acompanhada de um seguimento de trinta veículos na entrada da cidade. O gestor ...

Sabido, sábado, sabático (por Ana Débora Mascarenhas)

A pedagogia histórico crítica é um método pedagógico que favorece a aprendizagem a partir da problematização, é uma forma dialética de se trabalhar conteúdos. Saviani defende essa forma como sendo revolucionária e eficiente. Paulo Freire disse que a procura é o primeiro passo para a aprendizagem, pois não se pode aprender sem a curiosidade e o prazer da leitura. na Idade Média alguns pesquisadores tiravam um tempo para viajar, conhecer o mundo e registrar suas aventuras em livros didáticos, eram considerados anos sabáticos, sem o compromisso com nada se não pela descoberta das coisas. No meu tempo de colégio não lembro de ter sábados letivos como ultimamente, mas tive um professor que via o mundo meio como Saviani e Freire, ele buscava instigar nos alunos o prazer de aprender, descobrir os conteúdos brincando. Em suas aulas as vezes organizava dinâmicas como uma sabatina. Era o melhor do dia, de uma lado ficavam as meninas, do outro os meninos e o professor Zezé no meio da sala orqu...

Antiga Capela do Cemitério

A ampliação do cemitério público acontecida há alguns anos fez desaparecer a antiga capela que existia no centro deste Campo Santo. Muitos ainda se lembram daquele galpão dedicado as orações, onde se acendiam velas às almas. Não era muito grande, mas o suficiente para se encomendar o corpo com as exéquias. Ali se encerrava o cemitério, existindo poucas covas por trás daquele edifício e em sua volta, por onde se passava com dificuldades. Até 1930 a administração do cemitério era atribuição da igreja, por ter sido por esta construída, segundo a tradição, no final do Século XVII por obra do missionário Padre Ibiapina para enterrar as vítimas da cólera. Através do Ofício nº 70, de 17 de dezembro de 1930, em ordem ao Decreto Estadual nº 29 do mesmo mês e ano, que direcionava às prefeituras municipais todos os cemitérios existentes no Estado, solicitava o Vice-prefeito Inácio Rodrigues de Oliveira da autoridade eclesiástica local as chaves do cemitério. Foram entregues à edilidade n...

Sol: Aliança Liberal

Após a ruptura da à hegemonia da política do “Café com leite”, decantada pelo expressivo “Négo” do governador João Pessoa Cavalcante de Albuquerque, aderiu a “Paraíba, pequenina e doida” (parafraseando José Américo de Almeida) a chapa eleitoral encabeçada por Getúlio Vargas para disputar as eleições presidenciais de 1930. O poeta Silvino Olavo aparecia como articulador político daquela campanha. Não fora a primeira vez que ocupara esse espaço, pois já havia trabalhado em 1924 nas eleições de João Suassuna; e se empenhado na candidatura de João Pessoa no quadriênio seguinte. Vencedor nos dois escrutínios de que participara, foi nomeado 1º Promotor da Capital por Suassuna, integrando ainda o corpo do Conselho Penitenciário Estadual e, assumiu na gestão de Pessoa a chefia de gabinete. A campanha liberal foi lançada oficialmente com a publicação das “Razões do Négo Parahybano”, publicada na imprensa carioca pelo ilustre esperancense, em agosto de 1929, convocando a nação a contribui...

Ispaía Brazas

O “Ispaiá brasas” era um bloco carnavalesco que fazia a ronda na cidade visitando as casas. O primeiro carro usado foi um “aero willys”, depois veio o “Sinca” (Simca Chambord) e por fim usaram um “Dodge Dart”. As pessoas convidavam o bloco para visitar suas casas, a exemplo de Nelson da Farmácia, Mané Garcia, Otávio da Movelaria e Fernando Bezerra. A casa de Fernando eles tiveram receito, porque Fernando era muito sério. Mas foram bem recebidos. Seu Antônio Barbosa até então não participava. Mas gostava muito de música de carnaval e assistia a folia transmitida pela TV Borborema na Maciel Pinheiro. Certo dia, eles fizeram uma surpresa. Chegaram, entraram na casa de seu Antônio a pretexto de fazer uma visita e melaram toda a casa de pó, de dentro a fora. Depois disso não teve jeito, seu Antônio deixou a vergonha de lado e passou a participar do grupo. No Caobe tinha a matiné e o baile a noite, seu Antônio não perdia uma. O bloco tinha participação de Raimundo Barbosa, Zé Delg...

Esperança: Um município bem administrado (1945)

Esperança - Centro (1945) A Revista Carioca “Vamos Ler” publicava em seu destaque o Município de Esperança, que em 1945 se apresentava com um dos mais bem administrados da Paraíba. O gestor Sebastião Vital Duarte reassumia a prefeitura em 1944, após administrar a cidade de 1940 à 1942. Esperança ainda abrangia o povoado de Montadas, tendo como único distrito Ariús (Areial). A população da sede era estimada em 13.887 habitantes. Produzia batatinha, feijão, milho, algodão e agave. Possuía um Grupo Escolar, o “Irineu Jóffily”, inaugurado em 1932; um posto de saúde e uma Cooperativa de Crédito e Beneficiamento. Já naquela época, estavam previstas a construção de um ginásio e uma maternidade, empreendimentos estes que se tornariam realidade pelas mãos de Dom Palmeira quase duas décadas depois. Foi uma das mais profícuas administrações, apesar da interventoria, trabalhando em prol dos cidadãos esperancenses. Com projetos arrojados, alargou ruas, trouxe o sistema de abastecimento d...

Lembranças do grande astro

Antônio Marcos no CAOBE “Menina de trança...”. Esses foram os primeiros acordes do show beneficente acontecido no antigo Cine São José, na avenida Manoel Rodrigues de Oliveira. Há uma semana o cantor estava hospedado em Esperança, na rua do Cemitério. Alguns amigos me chamaram para conhecer o astro, que muitas vezes podia ser visto na calçada ou no basculante daquela residência. Não fui. Achei piegas demais. Na época não me dei conta da oportunidade que perdi de conhecer um dos maiores cantores brasileiros. No dia anterior, no Clube Campestre, ele jogou bola com alguns esperancenses, na quadra de futsal. Uma menina se aproximou do empresário Leosildo Honorato pois queria agendar um espetáculo para angariar fundos para uma cirurgia ortopédica. Ao ouvir de longe aquele pedido, o cantor logo se prontificou: Eu faço! É só você dizer quando. E assim foi marcado o show que lotou as dependências do cinema. A garota conseguiu o dinheiro para corrigir o seu problema na perna. Estão c...

Esperancense é eleito para a ALCG

Compartilho com os amigos o texto do Secretário da Academia de Letras de Campina Grande, Acadêmico Bruno Gaudêncio, informando o resultado das Eleições da ALCG: “Na última sexta-feira, dia 15 de setembro, tivemos eleição para preenchimento de três cadeiras vagas na Academia de Letras de Campina Grande. Foram eleitos o professor e crítico literário José Mário da Silva para a cadeira de Ronaldo Cunha Lima e o pesquisador e biógrafo Rau Ferreira para a cadeira de Paulo Galvão . Como houve um empate técnico entre os escritores e historiadores Itamar Sales e Paulo Cavalcante, para a cadeira de José Laurentino, teremos um segundo turno no próximo mês. Em destaque alguns registros da eleição - Bruno Gaudêncio ”. A Academia de Letras de Campina Grande - ALCG, foi fundada em 1981 com a finalidade do estudo, pesquisa e divulgação de atividades litero-culturais na Paraíba; possui 40 cadeiras simbólicas cujos candidatos se submetem a um longo processo, desde a inscrição, homologação e, fi...

Pedro Pichaco e a venda garantida

Pedro Pichaco sempre aprontava das suas, conseguindo se desvencilhar graças a sua sagacidade. Esta é mais uma daquelas histórias que permeiam o imaginário popular, não obstante já tenha o mandrião consagrado grandes façanhas como “O homem que vira macaco”. Pois bem. Certa feita apareceu Pedro na feira de troca em Esperança, espaço conhecido pela comercialização de coisas usadas. Lá você encontra de tudo, de bicicleta a furadeira; de pneu de carroça a disco de vinil. Bem perto há uma barraca de cachaça, uns  meninos jogando peão e as “damas” chegadas da noite que vão em busca de velhos agricultores angariando algum tostão pobre. Nesse cenário chega Pedro com uma vitrola oferecendo-a a pouco réis. O produto era vistoso: rádio e toca-discos, armário de madeira, alto-falante de 12 polegadas, com tampa e tudo. Zé de Facheiro que frequentava o ambiente, logo se interessa pra fazer um agrado a mulher. Ajustado o preço, coloca Zé a radiola num carro de mão e vai prá casa todo satisf...

O Romance de Esthelyta

Esperança também é marcada por suas trágicas paixões. Ainda ecoam por essas ruas os cantares de Esthelyta, evocando o seu amado. Quando moça, perdeu a virgindade por acreditar numa falsa promessa. O casamento prometido nunca aconteceu, vangloriando-se o rapaz da sua conquista. Ela era a jovem mais bonita da cidade, de uma família tradicionalista. A mãe foi o tabernáculo sagrado daquela confissão, mas não demorou muito até que o pai ficasse sabendo de sua aventura pela boca miúda de alguns fofoqueiros. Interna-la em um convento seria uma opção, se o pai não fechasse os ouvidos aos conselhos da esposa, espancando e colocando a menina para fora de casa. Esthelyta então foi morar na capital, instalando-se em casa de uma parente que acolheu a pobre moça. A sua beleza encantava os homens da capital, chamando a atenção de um poderoso político. O cruel destino jogou-a em suas mãos, passando a residir em um apartamento alugado onde recebia o seu querido provedor. Vivia daquilo que ele lhe...

Ode à Esperança (poema de Graça Meira)

Graça Meira Na data de meu natalício, fui agraciado com um belo poema de Graça Meira, esperancense de grande desenvoltura poética, que escreveu uma ode em homenagem ao nosso livro “Banaboé Cariá”. Com prazer, publico estes versos que foram, inicialmente, postados em sua página social no Facebook: ODE À HISTÓRIA DE ESPERANÇA Autora: MARIA DAS GRAÇAS DUARTE MEIRA Baseada no Livro “Banaboé Cariá” do escritor  Rau Ferreira   I Quando Deus vos criou, esplêndida terra Do resplendor do céu Ele imaginava Os rios, riachos, as pedras e a Serra Da Borborema, rica, fértil e sussurrava: “Pedra serena, de lajedo e poços d’água Vossos indígenas foram-se com mágoa As vossas terras aguadas vão até Outros açudes, outras serras, outras águas Que com certeza encontrarão Banabuié. Tomei-vos num puxão de Alagoa Nova Pra serdes independente, bem viçosa E vos soltei em meio às grotas verdejantes Em meio a répteis, batráquios e avoantes No meio de grutas, de buraco, até...