Pular para o conteúdo principal

Esperança: Um município bem administrado (1945)

Esperança - Centro (1945)
A Revista Carioca “Vamos Ler” publicava em seu destaque o Município de Esperança, que em 1945 se apresentava com um dos mais bem administrados da Paraíba. O gestor Sebastião Vital Duarte reassumia a prefeitura em 1944, após administrar a cidade de 1940 à 1942.
Esperança ainda abrangia o povoado de Montadas, tendo como único distrito Ariús (Areial). A população da sede era estimada em 13.887 habitantes.
Produzia batatinha, feijão, milho, algodão e agave. Possuía um Grupo Escolar, o “Irineu Jóffily”, inaugurado em 1932; um posto de saúde e uma Cooperativa de Crédito e Beneficiamento. Já naquela época, estavam previstas a construção de um ginásio e uma maternidade, empreendimentos estes que se tornariam realidade pelas mãos de Dom Palmeira quase duas décadas depois.
Foi uma das mais profícuas administrações, apesar da interventoria, trabalhando em prol dos cidadãos esperancenses. Com projetos arrojados, alargou ruas, trouxe o sistema de abastecimento de luz através da Cia. Distribuidora do Brejo Paraibano – CODEBRO e fundou o extinto “Esperança Club”.
Em parceria com o Estado, construiu o reservatório “16 de Agosto”, que ficou conhecido como “Tanque do Governo”, no final da rua Manuel Henriques.
Na opinião do folhetim:
“A cidade tem uma fisionomia envolvente, apresentando-se geralmente limpa, com as suas praças e ruas bem cuidadas. É que o seu atual governo trabalha visando invariavelmente o progresso do Município.
Não se veem, ali, problemas em abandono.
Assim administrado, é claro que Esperança tende a desenvolver-se e prosperar, melhorando e fortalecendo a sua economia. E rasgando novas perspectivas para o futuro.
Sebastião Duarte ainda promoveu diversas iniciativas que colocaram a cidade no rumo certo. Á época o município possuía um orçamento de 130 contos e 18 mil habitantes.
Em 1945, o Município participou da campanha do “ferro velho” para angariar fundos após ingressar o Brasil na 2ª Guerra Munidial.
Esta postagem só foi possível graças ao envio do material que serviu de base para a sua escrita, através do ilustre amigo e escritor Quiel Tatagassú, a quem agradecemos a colaboração.

Rau Ferreira

Referências:
- A NOITE ILUSTRADA, Jornal. Edição de 12 de dezembro. Rio de Janeiro/RJ: 1941.
- ESPERANÇA 82 ANOS, Revista. JB Assessoria e Comunicação. Esperança/PB: 2007.
- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985.

- VAMOS LER, Revista. Edição de 24 de maio. Rio de Janeiro/RJ: 1945.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem foi Padre Zé?

  Padre Zé Coutinho nasceu em 18 de novembro de 1897, numa quinta-feira, às três horas da tarde, no povoado de Esperança. A sua casa ficava na esquina entre as ruas Manuel Rodrigues e Solon de Lucena. Essa residência foi derrubada nos anos 90 e hoje abriga uma loja de peças de automóveis. O seu pai era Conselheiro Imperial, cargo que exerceu até o início do Século passado, atuando em diversas cidades do Brejo paraibano, inclusive Esperança, onde o futuro padre nasceu. O seu tio, Monsenhor Odilon Coutinho, se destacou como educador e político; foi deputado estadual nos anos 20, e Cônego Honorário do Cabido Metropolitano, além de Monsenhor Camareiro Papal e membro do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba. Seus padrinhos deixaram tudo o que possuíam para o afilhado, sendo o principal bem a propriedade “Maris Preto” em Montadas, que foi vendida pelo vigário em 1927, quando este se dedicou à causa da pobreza, peço preço de sete contos de réis. Costumava confessar os pobres...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

A Lenda Caricé

Índios Tapuias (fonte: wikipedia.org) E sta lenda éreproduzida pelo Padre Luiz Santiago [1897/1989], que também foi arqueólogo,pesquisador e escritor, além de outras coisas. O religioso ouvira contada pelaescrava forra Gertrudes, na propriedade de Meia-pataca. A comoção popular deu àquele drama o nome de Caricé. A palavra vem dotupi-guarani, formada da junção de Caraiba e Cé . A primeira significando osábio, o santo. A segunda, o canto. O canto do sábio , por aglutinação. Dizem que dentre os moços do serviço de demarcação das Datas de Sesmarias[data provável 1778], havia um que costumava cantar, nas horas de folga, à modade endecha, ao som de um dolente violão, aos pés de uma cacimba pública, umatriste canção, tendo por acompanhantes os pássaros canoros e o murmúrio dosventos. Por quem uma jovem índia se apaixonou. O jovem encantador era conhecido por Morais, filho de João de MoraisValcácer, um dos donatários da região. Ela era da linhagem dos Banaboiés de Esperança, da Tribo Cari...

Matias Grangeiro

Matias Grangeiro nasceu no dia 20 de abril de 1941, filho do também comerciante Severino Grangeiro de Maria. Casado com a Sra. Luciene Honorato, era pai de cinco filhos: Fabiana (in memorian), Miguell, Renato, Fábio e Taiana; esta última, primeira dama de nosso Município. I niciou no comércio com uma torrefação de café - o Dona Branca -   em 1968, na Rua José Andrade da Silva. Após a extinção desta firma , devido a forte concorrência , ingressou na revenda de móveis e eletrodomésticos (1975), fundando a “Matias Grangeiro & Cia. Ltda” com o nome fantasia de DECORAMA . Esta chegou a ter 26 filiais no Estado (oão Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo, Guarabira, Mamanguape, Queimadas, Alagoa Grande, Solânea, Areia, Bananeiras, Cuité, Remígio, Picuí, Pocinhos, Barra de Santa Rosa, Soledade, Arara, Nova Floresta, etc.), com 220 funcionário e gerando cerca de 300 empregos diretos. Com o sucesso que obteve neste ramo , abriu filiais nas cidades de...

Controvérsia religiosa em Esperança: o desafio de Frei Damião

  A controvérsia religiosa entre Frei Damião de Bozano e o pastor evangélico Synésio Lyra se iniciou no Município de Esperança, quando o frade em uma de suas missões, realizada em março de 1935, incitou o povo a não manter “ transações comerciais ” com os protestantes. O número de evangélicos era bem pequeno, pois a semente do evangelho apenas se iniciou em 1922, quando dois missionários da Igreja Congregacional de Campina Grande se deslocaram até o Sítio Carrasco, fundando uma pequena comunidade, de onde surgiu a 1ª Igreja Congregacional de Esperança. À época os missionários andavam em lombos de burros-mulos, e os irmãos quando queriam participar da ceia do Senhor, enfrentavam à pé os 25 Km que separavam as duas cidades. Em praça pública, na última noite, Damião benzeu rosários, velas e medalhas dos fieis e, para garantir que eles obedecessem a ordem, fizeram juras “ solene à Santíssima Virgem ”. A multidão atendeu prontamente. Ninguém podia vender ou comprar bens dos protes...