Pular para o conteúdo principal

Sabido, sábado, sabático (por Ana Débora Mascarenhas)

A pedagogia histórico crítica é um método pedagógico que favorece a aprendizagem a partir da problematização, é uma forma dialética de se trabalhar conteúdos. Saviani defende essa forma como sendo revolucionária e eficiente. Paulo Freire disse que a procura é o primeiro passo para a aprendizagem, pois não se pode aprender sem a curiosidade e o prazer da leitura. na Idade Média alguns pesquisadores tiravam um tempo para viajar, conhecer o mundo e registrar suas aventuras em livros didáticos, eram considerados anos sabáticos, sem o compromisso com nada se não pela descoberta das coisas.
No meu tempo de colégio não lembro de ter sábados letivos como ultimamente, mas tive um professor que via o mundo meio como Saviani e Freire, ele buscava instigar nos alunos o prazer de aprender, descobrir os conteúdos brincando. Em suas aulas as vezes organizava dinâmicas como uma sabatina. Era o melhor do dia, de uma lado ficavam as meninas, do outro os meninos e o professor Zezé no meio da sala orquestrando as perguntas, cada acerto era uma festa.
Daquela turma, mantenho amizades ainda com um tanto de gente, e a agora a pouco dias soube que um daqueles sabatinados, hoje é um menino sabido que foi eleito para a Academia de Letras de Campina Grande, lá na terrinha e vai ocupar a cadeira cujo patrono é outro esperancense, o poeta Silvino Olavo. Eita, Rau Ferreira, parabéns, manda ver.
E nas voltas que o mundo dá, tivemos sorte em ter pessoas tão talentosas como Zezé que nem sei se ainda vive, assim como outros professores que já praticavam a pedagogia da autonomia, da afetividade e histórico-crítica sem nem mesmo essas terem sido desenvolvida e disseminada. Eram dias sabáticos, mas não eram sábados, porém, todos sabidos.

Ana Débora Mascarenhas

Comentei, no blog da amiga:

Minha gente, sonhar nunca é demais e todos somos capazes. Evaldo é o grande artista e intelectual que sempre quis ser (inveja boa essa); Aninha a escritora que almejo ser (inveja melhor ainda).
Se inveja matasse, já teria morrido por esses dois!
kkkkk a vida é uma festa boa, com amigos de verdade.
Parabéns Ana Débora pela homenagem. Parabéns Evaldo, por reviver em mim o sonho de Silvino.

Banabuyé, 12 de Aparecida (sentindo-me ainda criança) de 2017.

Rau Ferreira


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Zé-Poema

  No último sábado, por volta das 20 horas, folheando um dos livros de José Bezerra Cavalcante (Baú de Lavras: 2009) me veio a inspiração para compor um poema. É simplório como a maioria dos que escrevo, porém cheio de emoção. O sentimento aflora nos meus versos. Peguei a caneta e me pus a compor. De início, seria uma homenagem àquele autor; mas no meio do caminho, foram três os homenageados: Padre Zé Coutinho, o escritor José Bezerra (Geração ’59) e José Américo (Sem me rir, sem chorar). E outros Zés que são uma raridade. Eis o poema que produzi naquela noite. Zé-Poema Há Zé pra todo lado (dizer me convém) Zé de cima, Zé de baixo, Zé do Prado...   Zé de Tica, Zé de Lica Zé de Licinho! Zé, de Pedro e Rita, Zé Coitinho!   Esse foi grande padre Falava mansinho: Uma esmola, esmola Para os meus filhinhos!   Bezerra foi outro Zé Poeta também; Como todo Zé Um entre cem.   Zé da velha geração Dos poetas de 59’ Esse “Z...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

Versos da feira

Há algum tempo escrevi sobre os “Gritos da feira”, que podem ser acessadas no link a seguir ( https://historiaesperancense.blogspot.com/2017/10/gritos-da-feira.html ) e que diz respeito aqueles sons que frequentemente escutamos aos sábados. Hoje me deparei com os versos produzidos pelos feirantes, que igualmente me chamou a atenção por sua beleza e criatividade. Ávidos por venderem seus produtos, os comerciantes fazem de um tudo para chamar a tenção dos fregueses. Assim, coletei alguns destes versos que fazem o cancioneiro popular, neste sábado pós-carnaval (09/03) e início de Quaresma: Chega, chega... Bolacha “Suíça” é uma delícia! Ela é boa demais, Não engorda e satisfaz. ....................................................... Olha a verdura, freguesa. É só um real... Boa, enxuta e novinha; Na feira não tem igual. ....................................................... Boldo, cravo, sena... Matruz e alfazema!! ...........................................

Padre Luiz Santiago. Suas origens

Padre Luiz Santiago Onde nasceu o Padre Luiz Santiago? Antes, porém, precisamos responder quem foi este clérigo polêmico e ousado; filósofo, arqueólogo, historiador, escritor e piloto de avião, uma personalidade com ideias muito avançadas para o seu tempo. Os seus pais Delfim Izidro de Moura e Antonia de Andrade Santiago uniram-se em casamento no Sítio Lagoa Verde, em Esperança, a 18 de novembro de 1896, de onde seguiram para residir numa propriedade na Meia Pataca. Fruto desse enlace matrimonial, nasceu em 25 de agosto de 1897 um filho, a quem deram o nome de "Luiz". A “Meia Pataca” é uma comunidade rural na divisa de Esperança e Remígio, dividida por um acidente geográfico, ficando assim chamada de “Meia Pataca de Cima” e “Meia Pataca de Baixo”. A maior parte pertence a Esperança, terra agricultável para feijão e batatinha, sendo assim chamada, pela tradição, por ali ter sido encontrada uma moeda de valor. Uma áurea de mistério envolve o lugar. O menino cresceu o...