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Ode à Esperança (poema de Graça Meira)

Graça Meira
Na data de meu natalício, fui agraciado com um belo poema de Graça Meira, esperancense de grande desenvoltura poética, que escreveu uma ode em homenagem ao nosso livro “Banaboé Cariá”.
Com prazer, publico estes versos que foram, inicialmente, postados em sua página social no Facebook:

ODE À HISTÓRIA DE ESPERANÇA
Autora: MARIA DAS GRAÇAS DUARTE MEIRA
Baseada no Livro “Banaboé Cariá” do escritor Rau Ferreira 

I
Quando Deus vos criou, esplêndida terra
Do resplendor do céu Ele imaginava
Os rios, riachos, as pedras e a Serra
Da Borborema, rica, fértil e sussurrava:
“Pedra serena, de lajedo e poços d’água
Vossos indígenas foram-se com mágoa
As vossas terras aguadas vão até
Outros açudes, outras serras, outras águas
Que com certeza encontrarão Banabuié.
Tomei-vos num puxão de Alagoa Nova
Pra serdes independente, bem viçosa
E vos soltei em meio às grotas verdejantes
Em meio a répteis, batráquios e avoantes
No meio de grutas, de buraco, até de cova!”
Assim Deus vos falou terra fagueira e mimosa
Quando Deus fala está falado e terminado
Tudo perfeito, consumado e acabado.

II

Voltando ao nome “Banabuié” que vós tivestes
Veio das tribos, das terras bem distantes
De um sítio descoberto em matas siltvestres
De florestas, de florações rupestres
Descerrado pelos tropeiros viajantes
Nos matagais dos primeiros habitantes.
E as plantações foram crescendo nas vazantes
Nos aquíferos, no vértice das sebes
Em verdade no intuito de vós serdes
A mais bela de todas, dos lírios verdes
O mimo precioso, a pérola, a gema
A joia rara, o “Lírio Verde da Borborema”.

III

Foi assim que o poeta vos denominou
Quando em Esperança vosso nome se transmudou
Pra ver o vosso nome bem repercutido
Dando adeus a Banabuié, que longe ficou
Na memória dos índios e dos tempos idos
Do passado remoto dos antepassados.
A borboleta verde então voou sozinha
Saiu do ninho, da lagarta e desmontou
As peles velhas pra vestir as novas vestes
De vila agreste, meio rústica, meio campestre
Cidade alegre com famílias principiando
A construção diuturna da vossa vida
Em meio à lida triunfal do dia a dia.

IV
Vós sois Esperança e o que importa agora
É a hora dos vossos homens e mulheres
O que vão construir eles, os seus misteres
O levantar de tijolos, barro e cimento
Das casas térreas, das ruas, do alojamento
Das pessoas, dos povoados, do vosso povo.

V
Cariris velhos, Curimataú e Brejo
Faziam parte da antiga Sesmaria
Que fora concedida à Parahyba
Num lugar chamado Lagoa de Pedra
E nessa Pedra foi que tudo começou:
Um lajeado voltado pro Planalto
Que despencava em ladeiras perigosas
Que escorria em riachos amarelos
E largava um frio brejeiro lá do alto
Forjava um clima montanhoso na frieza
Da terra úmida que prognosticava riqueza.

VI
E por lagoas, por riachos e sítios ermos
É que se começou a falar os sábios termos
Que ecoavam de boca em boca no coração:
Lagoa Verde, Lagoa do Sapo, Logradouro
Araçagi, Manguape, Riacho Amarelo
Timbaúba, Riacho Fundo, Lagoa do Açude
Lagoa Comprida, Lagoa do Mato e Lajedão
Formando propriedades rurais particulares
Das primitivas famílias os seus lares
Campo Formoso, Campo Santo, Beleza dos Campos
Bela Vista, Boa Vista, Junco, Cabeço
Lagoa dos Cavalos, Maniçoba, Meia Pataca
Velhacaria, Umburana, Cruz Queimada
Cacimba de Baixo, Chã da Barra, Caldeirão
Malhada, Pau Ferro, Pintado e Riachão
Araçá, Baixa Verde, Capeba e Cajueiro
Alto dos Pintos, Monte Santo, Covão, Caldeiro
Gravatazinho, Quebra-Pé, Quixaba e Punaré.

VII

Assim cresceu no Chapadão da Borborema
A velha Banabuié, cidade nova de Esperança
Que sacudiu o Planalto com sua herança geográfica
E nadou no Mamanguape, em sua bacia hidrográfica.
Saiu das moitas, dos vales, dos altos grotões
Alcançou a serra, o Serrote dos Cocos e os oitões
Limítrofes do território, os elementos corográficos
Desde Alagoa Nova, Lagoa de Roça, Areal, Montada
Até Pocinhos, Remígio, Areia, Algodão de Jandaíra 
Ficando então no Agreste os seus limites geográficos

VIII
E que dizer da vossa fauna explícita nas matas
Pequenos bichos, médios, mansos animais
Saguis, Lagartos, camaleões, teiús, tacacas
Guaxinins, tatus-peba, gatos maracajás
Lagartixas, calangos, cobras-de-duas cabeças
Preás, furões, timbus, raposas e gambás
Bichos virulentos, peçonhentos, outros não
Ratos-do-campo, ratos catitas, camundongos
Ratos -de-fava, baratas de chifre, marimbondos
Cigarras, cachorros-d’água, carochas, cavalos-do-cão
Baratas Cascudas, baratas-da-terrra, baratas-do-mato
Aracnídeos, esperanças, vespas, aranhas, borboletas
Joaninhas, piolhos-de-cobra, mosquitos, mangangás
Uruçus, formigas, tanajuras, embuás
Insetos de todo tipo, lacraias-da-terra, lacraus.
Mais escondidos no oculto das florestas
Ver-se-ão vultos de cobras venenosas
Cobra verde, corre-campo, cascavel
Cobra-de-veado, jiboia, cobra coral
Salamanta, cobra preta, cobra de cipó
Malha de cascavel, jararaca e cipó verde.

IX
Anfíbios, peixes, crustáceos e batráquios
Vamos achá-los nos reservatórios d’água
Camarão d’água doce, chupa-pedra, pitu
Cobra-cega, peixe-gato, piaba, curimatã,
Cascudo, caçote, peixe-cobra, muçu
Sapo-boi, rã, perereca, jia, sapo, cururu

X
De aves e avoantes, vamos agora sonhar
Com passarada e passaredo a nos encantar
Beij-flor, bem-te-vi, bigode, arribaçã
Pomba-branca, tiziu, graúna, jaçanã
Anu preto, galo-de-campina, caboclinho
Coruja-buraqueira, bacurau, bigodinho,
Garça-branca, pombo, codorniz, rouxinol
Sabiá-do-campo, socó, gavião-carijó
Seriema, papa-capim, sabiá-laranjeira
Rola, rolinha, andorinha-do-campo, lavandeira
Tico-tico, tetéu, pavão, pardal, lagarteiro
Golado, quero-quero, sanhaçu, urubu
Galináceos, pato, ganso, paturi, nambu.
São vistos ainda em ação no agreste
O pintassilgo-do- nordeste e o carão
Algumas espécies de perdizes e canários
Que por causa da constante depredação
Já são considerados animais em extinção.

XI
Da vossa flora verdejante há espécimes variados
Raras vezes de vegetação pouca, minguada
Um verdear de arbustos, de árvores copadas
De cajueiro, ipê, castanhola, bananeira
Pitombeira, mangueira, tamarindeira
Jabuticabeira, juazeiro, pitangueira
Barriguda, coqueiro, ariticum e avelós
Cardo, cardeiro, cacto, canafístula
Coco-catolé, jurema branca, eucalipto
Espinheiro, xique-xique, mandacaru
Macambira, coroa-de-frade, mulungu.

XII
Da vossa pecuária e vossa agricultura
É bom falar de gado, carne-seca e de fartura
De galináceos , caprinos, ovinos e equinos
De suínos, bovinos e vacas ordenhadas
De leite abundante em todas as estradas
Estradas de tropeiros que vinham para a feira
Vossa famosa feira de milho, feijão e farinha
Da terra conhecida como Terra da Batatinha
Das fazendas de plantações dessa riqueza
Da produção e da cultura da Batata Inglesa. 

XIII
E o vosso clima, Esperança, clima de montanha
Frio fustigante que nos fica nas entranhas
Aquele frio que eu quero sempre lá viver
Lençol de amor cogitando um bem-querer
O frio corredor da serra e de além serra
Chamando um cobertor nas noites frias da terra.
Cobertor de orelhas que fica em cima da gente
Fustigado pelo desejo sórdido e pelo frio
Na febre mórbida, conforme animais no cio.

Um cobertor de orelhas que tanto me seduz
Um edredon de amor que amo e me conduz
Do lusco-fusco do crepúsculo do fim de tarde
Ao apagar fantástico daquela luz que arde
Conduz-me à escuridão de noites silenciosas
Ao frio libidinoso de corpos pecaminosos
Liberta-me do calor frívolo das fantasias a sós
E leva-me pro frio a dois debaixo dos vossos lençóis.

XIV
Vós tivestes algodão, sisal, a SANBRA e o Açude
Tivestes Loja de Automóveis e Fábrica de Redes
Tivestes dois Cinemas de grande e social efeito
Tivestes a Casa neo-clássica do Primeiro Prefeito
Tivestes o Clube Campestre e o Esperança Clube
Tivestes o Banco do Comércio e a mimosa Pracinha
Tendes ainda o Serrote dos Cocos e A Capelinha
Do morro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Tendes a Igreja Matriz e as jazidas de calcáreo
E na Beleza dos Campos tendes ainda A Casa
Que merece ser tombada em desagravo
Da memória do nosso Poeta Silvino Olavo.

XV
De dia um tépido sol, com um sol cheio de bonança
De noite um gélido frio, com lua cheia de esperança
O amanhecer, o entardecer, o Deslumbramento
A noite abençoando o dia na Eucaristia
Uma noite escura, a escuridão
Um dia claro, o clarão
Um Claro-Escuro sem fim dentro de mim
Um esvoaçar como de Cisnes brancos
Aos trancos, na minha terra amada
Esperança, minha Sombra Iluminada!

Graça Meira


Comentários

  1. Excelente !!!!! um trabalho de pesquisa, agregação conceitual e...amor integral . Parabéns Graça Meira e Rau.

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