Pular para o conteúdo principal

Uma nova imagem da padroeira

Durante a comemoração da Assunção de Maria, mais precisamente no dia 20 de agosto de 1939, recebia a nossa cidade uma nova imagem de sua padroeira. A comunidade em festa se reuniu para a bênção da efigie alusiva à Nossa Senhora do Bom Conselho.
“Festa magnífica que excedera a todas as anteriores, e que congregou quase todos os fiéis da paróquia e um cem números de outras paróquias, numa demonstração eloquente de fé católica e de amor à excelsa Mãe de Deus” – comentou o vigário da época, Padre João Honório de Melo.
O entusiasmo cristão nunca antes visto sacudiu “todas as almas” em efusiva culminância com a sua chegada, cujo programa adiante se observa:
Pela manhã missa com comunhão geral, celebrando-se a missa festiva às 09:30 horas com a presença do Sr. Prefeito Municipal, autoridades, escolas e associações.
Às quatro da tarde, deu-se a entrada triunfal da imagem em carro especialmente preparado, acompanhada de um seguimento de trinta veículos na entrada da cidade.
O gestor fez a entrega simbólica do Município à excelsa padroeira, representado pelo orador Cônego José da Silva Coutinho, filho desta terra.
Em frente à Matriz, em altar levantado no seu largo, teve lugar a solene bênção da imagem e de dois anjos adoradores encomendados para o altar-mor.
O Padre José Trigueiro de Brito ficou responsável por essa celebração eucarística, cujos coadjutores foram Padre Antônio Costa - que pregou o evangelho - e Padre José Delgado que foi orador no ato da bênção. Padre Zé Coutinho, fundador do Instituto São José em João Pessoa, participou igualmente fazendo a entrega da imagem ao Município.
À noite houve a consagração da paróquia à nossa padroeira e bênção do Santíssimo Sacramento com participação dos Padres José Borges de Carvalho e José da Silva Galvão.

Desde os primórdios da Paróquia a “Madonna del Buon Consiglio” tem sido venerada graças a generosidade dos antepassados que foram os elementos plasmadores da antiga aldeia de Banabuyé.
A cada ano a fé ardorosa se renova para a alegria dos cristãos católicos, que mantém acesa a chama desse amor na Mãe Conselheira.

Rau Ferreira

Referências:
- BUONANNO, Raffaele. Memorie Storiche della Immagine de Maria, SS. Del Buon Consiglio Che si venera in Genezzano. Tipografia dell'Immacolata. 20ª ed. Napoles: 1880.
- ORGIO, Frei Angelo Maria De. Istoriche de Maria Santissima del Buon Consiglio, nela Chiesa de'Padri Agostoniani di Genazzano. Roma: 1748.

TOMBO, Livro de. Paróquia N. S. do Bom Conselho, Nº 01. Esperança/PB: 1908.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Matias Grangeiro

Matias Grangeiro nasceu no dia 20 de abril de 1941, filho do também comerciante Severino Grangeiro de Maria. Casado com a Sra. Luciene Honorato, era pai de cinco filhos: Fabiana (in memorian), Miguell, Renato, Fábio e Taiana; esta última, primeira dama de nosso Município. I niciou no comércio com uma torrefação de café - o Dona Branca -   em 1968, na Rua José Andrade da Silva. Após a extinção desta firma , devido a forte concorrência , ingressou na revenda de móveis e eletrodomésticos (1975), fundando a “Matias Grangeiro & Cia. Ltda” com o nome fantasia de DECORAMA . Esta chegou a ter 26 filiais no Estado (oão Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo, Guarabira, Mamanguape, Queimadas, Alagoa Grande, Solânea, Areia, Bananeiras, Cuité, Remígio, Picuí, Pocinhos, Barra de Santa Rosa, Soledade, Arara, Nova Floresta, etc.), com 220 funcionário e gerando cerca de 300 empregos diretos. Com o sucesso que obteve neste ramo , abriu filiais nas cidades de...

Os Oliveira Ledo e o Município de Esperança

A família Oliveira Lêdo foi uma das primeiras a se estabelecer no interior da Paraíba. A partir de concessões de Sesmarias pela Coroa Portuguesa, nos Séculos XVII e XVIII, eles abriram caminhos e fundaram aldeias que permitiram o avanço da pecuária e o povoamento do Cariri Velho e Agreste. A ocupação da área onde hoje fica Esperança começou com o casal Marinha Pereira de Araújo e João da Rocha Pinto, que eram descendentes diretos do patriarca Custódio de Oliveira Lêdo. O casal estabeleceu currais nessa região por volta do século XIX, além de fundar a Fazenda Banabuyé. Essa fazenda de gado ocupava as terras que atualmente constituem o território urbano e rural do Município, servindo como o primeiro ponto de habitação colonial. Conforme inventário e registros genealógicos, citados no livro “Os Oliveira Ledo e a Genealogia de Santa Rosa” (1978), o casal deixou filhos que se espalharam e se casaram com outras famílias tradicionais da elite agrária, fracionando a terra através de hera...

Padre Luiz Santiago. Suas origens

Padre Luiz Santiago Onde nasceu o Padre Luiz Santiago? Antes, porém, precisamos responder quem foi este clérigo polêmico e ousado; filósofo, arqueólogo, historiador, escritor e piloto de avião, uma personalidade com ideias muito avançadas para o seu tempo. Os seus pais Delfim Izidro de Moura e Antonia de Andrade Santiago uniram-se em casamento no Sítio Lagoa Verde, em Esperança, a 18 de novembro de 1896, de onde seguiram para residir numa propriedade na Meia Pataca. Fruto desse enlace matrimonial, nasceu em 25 de agosto de 1897 um filho, a quem deram o nome de "Luiz". A “Meia Pataca” é uma comunidade rural na divisa de Esperança e Remígio, dividida por um acidente geográfico, ficando assim chamada de “Meia Pataca de Cima” e “Meia Pataca de Baixo”. A maior parte pertence a Esperança, terra agricultável para feijão e batatinha, sendo assim chamada, pela tradição, por ali ter sido encontrada uma moeda de valor. Uma áurea de mistério envolve o lugar. O menino cresceu o...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

Amelinha Theorga

Amélia Theorga Ayres, Amelinha, nasceu em Mamanguape em 29 de julho de 1907, filha do casal José Theorga e Eutália de Assis Theorga. Destacou-se na pintura, como uma das primeiras mulheres desta arte milenar, na década de vinte do Século passado. Era figura recorrente da Revista “Era Nova”, na qual o nosso vate Silvino Olavo participava, ora publicando sob o nome próprio ou, com o pseudônimo de “João da Retreta”. O Jornal “A União”, organizara em 07 de novembro de 1925, em seu salão principal, uma exposição para mostrar os seus trabalhos de arte, que ganhou forte adesão dos intelectuais da época, contando com o apoio do Presidente João Suassuna que adquiriu, para o patrimônio estadual, as obras “Reconto de Selva” e “Soluço das vagas”, e para si, o quadro “Horas de oiro”. Quatro dias depois, Silvino fizera publicar, no mesmo periódico, um artigo que exaltava a artista, o qual reproduzimos a seguir: “ Há entre os artistas da paisagem dois grupos: um que vê exação na naturez...