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O Açougue Público (por Pedro Dias do Nascimento)

  Em Esperança-PB, na Avenida Manoel Rodrigues de Oliveira, precisamente bem em frente ao antigo bar e sorveteria de seu Dedé, havia um dos mais antigos prédios da cidade, com fachada estilo neoclássica, com duas portas laterais de grades de ferro fixas, e uma central, para acesso. Fachada esta, com linhas paralelas e traçados outros, dando uma nítida demonstração de que deveria se perpetuar no tempo por ser de propriedade pública, arquitetura diferenciada e conhecido por todos como "O AÇOUGUE PÚBLICO". Esse prédio, que era vazado com saída para a rua onde hoje encontramos o mercado público, assemelhava-se a uma galeria com boxes e "tarimbas" laterais para suspensão de carnes, com corredor central, e dividia-se ao longo do seu comprimento em duas partes como se fossem dois grandes vagões de trem. Havia na parte mediana pequenos boxes onde eram servidos o café da manhã com bolos de milho, de mandioca, de macaxeira e "pé de moleque" aos açougueiros e fre...

Ary Dantas lembra versos de José Coelho

  Interessante história me foi passada pelo conterrâneo Ary Dantas, que me autorizou a publicação, lembrando um verso do Professor José Coelho da Nóbrega. Ary havia chegado de Natal e, mal havia desembarcando do seu carro, quando avistou o Professor José Coelho, iniciando uma amistosa conversa: - Oi rapaz, está chegando de onde? - Oi professor, estou chegando de Natal. Perguntei-lhe: o senhor vai pra onde? - Eu vou ali na bodega de seu Anízio tomar uma alargada de conhaque de alcatrão com limão e mel, tô com a guria seca deve ser começo de gripe – disse o professor. Vai me acompanhar? - Sim professor, vou tomar uma cana com limão. E foram os dois pra bodega de seu Anízio. Sempre em tom educado, perguntou o bodegueiro sobre a mudança par o Rio Grande do Norte: - Está morando em Natal? - Sim, seu Anízio estou morando lá. Era dia das mães de 1968. Seu Anízio serviu os drinques e Ary antes de beber, pediu ao velho mestre que fizesse um verso em homenagem ao dia das ...

As parcerias e desafiantes de João Benedito

  João Benedito Viana foi cantador afamado, muito conhecido na região, que tinha como marco de defesa o brejo paraibano, não obstante buscasse desafios no litoral e sertão. Começou na cantoria, como todo bom repentista, cantando sozinho, aprendendo as rimas e a versejar; cantando os romances que se decorava dos folhetos para ganhar uns tostões baratos na feira. Porém, a sua métrica desenvolveu-se a ponto de ser considerado o “professor” dos cantadores, e sua reputação se espalhou como “temível” na viola. Em suas andanças, aceitou desafios com grandes mestres do repente, como Romano da MãeD’água; Nicandro, da Cangalha e seu irmão Hugolino do Sabugi; José Patrício, discípulo de Romano; Silvino Pirauá Lima também discípulo de Romano, Claudino Roseira, natural de Soledade, Paraíba; Zé Duda, mestre de cantoria de grande renome. Também cantou com Josué da Cruz (1904/1968), a despeito de quem “ quase perde a ribeira ”; e Manoel Serrador Regino (1906/1996), o qual fazendo pouco de su...

Elysio Sobreira na música

  O Coronel Elysio Sobreira sempre teve uma forte inclinação para a música. Aliás, essa foi a sua porta de entrada na Polícia Militar da Paraíba, quando ainda muito jovem. A sua vocação, porém, já era percebida pelo Professor Juviniano Sobreira, o seu progenitor que possuía um externato em Esperança com “uma aula de música”, da qual também fora aluno o poeta Silvino Olavo da Costa. O escritor Inácio Gonçalves nos informa que ele “tinha a música como um dom e exemplo de abnegação e louvável sapiência. O Coronel Elísio Sobreira, antes mesmo de incorporar-se na nossa então Força Policial, como Alfares, já tinha exercido o cargo de Mestre de Música, das Filarmônicas de Alagoa Grande e de Campina Grande” (Inácio Gonçalves). A prática habitual deste dom lhe valera o ingresso ainda jovem na carreira militar, por volta de 1907. Elysio Sobreira não apenas demonstrava talento musical, como também organizava e dirigia conjuntos em Campina Grande e, aproveitando-se a passagem do profes...

Indicadores Comerciais (1930)

  O pujante comércio de Esperança sempre teve destaque na região e foi muito concorrido. O Município, por sua posição geográfica, atraíra para a sua urbe grandes casas comerciais com variedade e preço. A seguir, reproduzimos o indicador comercial do jornal “Correio de Esperança”, publicado em 1º de agosto e de dezembro de 1930, com a síntese das principais empresas sediadas no município de Esperança. Note-se o estilo peculiar da propaganda da época: Pharmacia Oswaldo Cruz – de José de Andrade Melo: Variado sortimento de produtos nacionais e estrangeiros. Manipulação escrupulosa. Única farmácia que distribui brindes aos seus fregueses. Preços sem competência. Rua Dr. Solon de Luccena, 26 – Esperança – Parahyba. Dentista Sebastião Lima – executa com perfeição usando os processos mais modernos. Bridge worck, incrustação e restauração a ouro, platina e erolite. Especialista em extrações e obturações de coroas. Consulta de 9 às 11 e de 13 às 17. Av. Epitácio Pessoa – Esperança –...

A lenda do Zorro em Esperança

  Há muitas lendas no Município de Esperança que permeiam o imaginário popular: o homem nú, a porca, a noiva de branco e tantas outras conhecidas, porém o que poucos sabem é que nos anos cinquenta do século passado existiu um personagem invulgar da nossa história: o Zorro. O Zorro – ou raposa em espanhol – é um mito da ficção científica criado em 1919 por Johnston CCulley, que se constituía num vigilante mascarado, defensor dos plebeus e povos indígenas. O seu traje peculiar incluía capa, sombreiro e máscara pretos; usava espada e chicotes como armas de defesa. O sinal para aterrorizar os inimigos era o “Z”, marcado em alguma parede ou objeto que permitisse a sua assinatura. Na vida cotidiana o Zorro era um rapaz da aristocracia (Don Alejandro de la Vega), insatisfeito com a injustiça e desigualdades sociais, lutando para libertar o seu povo das amarras ditatoriais do governo espanhol. Esperança – pequeno vilarejo à época –, tão declamada pelos poetas, tinha uma vida pacata, ...

Sol: Antologia de Eduardo Martins

  O “Correio das Artes” – suplemento de cultura do jornal A União, inaugurou a partir do número 18, uma Antologia de Poetas Paraibanos, organizada por Eduardo Martins, e que tinha por objetivo “ dar um nítido panorama de toda a poesia paraibana desde o século XVIII, acrescido ainda mais, de notas bio-bibliográficas [...]. Tem, portanto, o CORREIO DAS ARTES, o ensejo de apresentar aos seus leitores, em primeira mão, esse magnífico trabalho ”. Doze poetas haviam sido escolhidos para compor essa plêiade, em ordem cronológica, com parte da obra de cada um deles. Dentre os nomes da poesia estadual, coube a Eduardo Martins escrever sobre Silvino Olavo da Costa. O escritor, em síntese, traça-lhe o perfil biográfico: “ Silvino Olavo Cândido Martins da Costa nasceu em 1896, em Esperança, sendo filho de Manuel Joaquim Cândido Maria e d. Josefa Martins da Costa. Fez seus estudos primários em sua cidade natal até 1904. Bacharelou-se, em 1928, pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. ...

No túmulo de um amigo, poema de Egídio Lima

  No túmulo de um amigo, poema de Egídio Lima     Reproduzimos a seguir um poema do conterrâneo esperancense Egídio de Oliveira Lima:   Sobre o leito onde dormes solitário Deponho a minha lágrima sentida Foi-te o destino traiçoeiro e vario Roubando-te tão cedo, à mãe querida!   A alma de teus papás – puro sacrário De virtudes sem par – sangra ferida, A lembrança do drama extraordinário Em que – infeliz ator – perdeste a vida.   “De lá, do etério trono, aonde voastes” Vês, com certeza, qão pnjgente é a dor Desses queridos entes que deixaste.   A Deus por eles roga! Num momento, Deus – que é uma fonte de perene amor, Há-de lhes minorar o sofrimento!...   Egídio de Oliveira Lima   Egídio de Oliveira Lima era filho de Francisco Jesuíno de Lima e Rita Etelvina de Oliveira Lima. Nasceu em Esperança no dia 04 de junho de 1904 e faleceu na capital paraibana a 23 de fevereiro de 1965, vítima de Ca de p...

O que sei de Padre João Honório (por Pedro Dias)

  Meu caríssimo Rau Ferreira, O que sei a respeito do saudoso Pe. João Honório é praticamente uma pequena fração do que você conhece muito bem. Assim, para não postar duas ou três palavras como resposta à sua pergunta, resolvi relatar o máximo do que sei. Então, vejamos: Segundo sabemos a sua chegada para o apostolado na igreja de Esperança se deu no ano de 1935. A sua saída, no ano de em que fui por ele batizado em dezembro de 1944 e depois de sete anos ele foi transferido para Monteiro, o pouco que relato aqui e agora, afora as vagas lembranças, terá sido informações de terceiros. “ A lembrança que tenho dele é pouca, mas era uma pessoa de estatura baixa, gorda, parecendo ser meio brabo nas suas proposições .” Eu e outros meninos, lembro vagamente, na hora do seu sermão, chegamos a ouvir dele pedido de silêncio por estarmos conversando na igreja. Mas, depois da sua saída, ao longo do tempo, os comentários eram de que ele era um Padre conservador, austero, de críticas duras ...