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Sol e sua vida judiciária

  Transcrevo a seguir a coluna “Vida Judiciária” que se publicava no Jornal “A União”, órgão oficial do Estado da Paraíba, nos anos 20 do Século passado. O destaque fica por conta da participação de Silvino Olavo no Conselho Penitenciário. Este órgão era composto por intelectuais e representantes dos governos estadual e municipal. Conforme destacou o Presidente João Suassuna, em mensagem à Assembleia Legislativa para o ano de 1926, eram membros: “[...] os srs. Drs. José Américo de Almeida, consultor jurídico do Estado; Adhemar Vidal, procurador da República; Silvino Olavo, 1º Promotor da capital, ora substituindo o dr. Manuel Paiva, procurador geral do Estado; Irineu Jóffily, advogado; Newton Lacerda e Joaquim de Sá e Benevides. O Dr. Arthur Urano, diretor da Cadeia, funciona como secretário” (MSAL: 1926, pp. 58/59). A Dra. Fátima Saionara Leandro de Brito, em sua tese de doutorado para a Universidade Federal de Minas Gerais, ao tratar das “Vidas errantes entre a loucura e a cr...

Jóffily e a feira de Banabuyé

  Irineu Jóffily, de quem não desconhecemos a sua origem – que o diga o seu neto Geraldo, que afirma a sua naturalidade esperancense, inclusive indicando-lhe o local de nascimento – tinha um apreço especial por essa terra. Ele sempre vinha a Esperança, pois aqui residia o seu cunhado, Bento Olímpio Torres, chegando a pernoitar algumas vezes naquele casarão, o qual em seu frontispício tinha o brasão da família “Brasil”. O certo é que a sua família costumava passar “os invernos em um pequeno sítio à sombra de imensa rocha, que guarda um pouco de umidade para os terrenos do nascente. O local era conhecido por Banabuié”. É o próprio Jóffily, historiador responsável pelos contornos da Parahyba, que nos informa que “Esperança [...] era simplesmente uma fazenda de criação, [...]” onde “As gameleiras que a rua principal estava arborizada foram estacas dos currais da fazenda” (Notas sobre a Parahyba: 1892, p. 10). De fato, a boa localização fez com que essa paragem fosse escolhida p...

Sol: a rosa da minha vida

  Silvino Olavo – o poeta dos Cysnes –, publicava em muitas revistas e jornais, encontrando-se, em alguns versos, algumas diferenças, não se sabe ao certo se em razão da transcrição ou mesmo do esmero do próprio autor, em face de eventual revisão de seus escritos. Assim é que encontramos “vivenda” ao invés de “casinha” no poema Retorno, e algumas poucas mudanças, tal qual a que nos deparamos ao ler a “Revista da Cidade”, que se publicava no Recife dos anos 20 do Século passado. Nela há o magistral poema “A rosa da minha vida” escrita para aquela revista, como se registra no mesmo periódico: “Silvino Olavo é um dos expoentes do modernismo paraibano. Artista de emoção rara, fina, foi para a Revista da Cidade que ele escreveu estes lindos versos” (Revista da Cidade, Ano II, Nº 53). A dúvida seria se o poeta teria escrito, de forma exclusiva, o poema em questão para a revista ou, como era de seu costume, o teria enviado para que se publicasse. Prefiro a segunda hipótese, por co...

Ilusória beleza, poema de Pedro Dias do Nascimento

  Serenamente a desfilar sozinha Num galanteio esnobe de princesa, Durante um tempo andaste tu, mocinha, Envaidecida com tua beleza.   E nesse tempo eu convivi na minha Ilusória visão da tua nobreza, Vi sim, também, da tua ação mesquinha Nascer velado o drama da incerteza...   Confesso lamentar essa conduta À época em que foste absoluta Na ilusória beleza que passou.   O tempo já se foi a toda a brida E hoje és mais uma nesta vida A exibir da face o que restou.   João Pessoa-PB, maio de 2005.   Pedro Dias do Nascimento  

Dedé da Mulatinha na ótica de um repórter espanhol

  Muitos são os folcloristas que se dedicam ao estudo da nossa literatura de cordel, seus cantadores e repentistas; desde Câmara Cascudo a Átila Almeida, passando por pesquisadores da nossa cultura popular, como José Alves Sobrinho. Uns poucos jornalistas se enveredam por essa trilha, caminho esse que lhes é desconhecido, considerada as peculiaridades do povo nordestino. Para nossa surpresa nos deparamos com uma matéria de um repórter espanhol, que visitando a Paraíba, registrou as suas impressões em um veículo de comunicação conhecido por “Brecha”. O autor inicia o seu trabalho descrevendo o cotidiano da feira de Campina Grande e sua miscigenação. Em frente ao Cassino Eldorado, depara-se com um cantador. É José (Dedé) Patrício de Souza, quem lhe chama a atenção: “ Dedê da Mulatinha. Un vendedor de raíces de unos ochenta años. Raíces para el corazón. Para el estómago. Para un sexo sin límites. Una española picarona compra estas últimas. Dedê es poeta. Canta sus versos y los v...

Passeio no varal, de Magna Celi (por José Mário da Silva Branco)

  Passeio no Varal integra o espólio poético que Magna Celi, já há algum tempo, vem escrevendo e esculpindo nos horizontes das paisagens literárias da Paraíba. Salvo engano de minha memória, essa cidade das traições, no dizer do genial Machado de Assis, ou espelho partido, conforme a sentença proferida, por José Saramago, em seus Cadernos de Lanzarote, eu conheci a professora Celi numa das edições dos monumentais Congressos Internacionais de Teoria e Crítica Literária, que, ao longo de vários anos, sob a regência da professora Elizabeth Marinheiro, transformava a cidade de Campina Grande, numa mágica semana de setembro, na capital mundial da reflexão literária, das abalizadas discussões engendradas pelo labiríntico universo da teoria e da crítica literária, com a multiplicidade das suas correntes e tendências. Nesses memoráveis e inesquecíveis conclaves, Campina Grande sempre se fez presente com os seus renovados valores literários, com o seu ouro da casa, em todas as modalidades...

Sol: visita à penitenciária modelo

  Transcrevo a seguir reportagem especial do jornal "O Imparcial", publicado na então capital federal do país (Rio) em 09 de de junho de 1923, acerca da visita da Turma de Direito à Penitenciária de S. Paulo, com destaque para o nosso poeta Silvino Olavo: "Conforme noticiamos regressou, anteontem, a embaixada acadêmica carioca, que fora a São Paulo em excursão de estudos. A respeito do que viram e aprenderam nessa viagem os estudantes da Universidade, teve a gentileza de nos conceder a entrevista abaixo o distinto acadêmico Silvino Olavo, que fez parte, como orador, da turma itinerante. “Trago de S. Paulo uma impressão inextinguível de progresso e de beleza. Nunca, na minha vida acadêmica, me foi dado ensejo de recolher em minha alma mais avultada soma de júbilo, como durante esses dias de festividade, e fortes emoções na capital paulista e na cidade de Santos. A cativante gentileza dos nossos colegas do tradicional “Centro Onze de Agosto” – um dos poucos que tem ver...

A parceria de Zé Alves e João Benedito

José Alves Sobrinho José Alves Sobrinho (1921/2011) nasceu José Clementino de Souto na Fazenda Pedro Paulo pertencente a seus pais, no Município de Picuí, que hoje pertence a Pedra Lavrada, no Estado da Paraíba. Adotou o nome artístico por imposição de seu pai, pois cantador de viola à época não era bem quisto, e assim o fez para evitar constrangimentos. Iniciou na cantoria aos 13 anos, mas aos 38 perdeu a voz, dedicando-se ao estudo e a pesquisa da poesia popular. João Benedito (1860-1943), cantador popular, nasceu João Viana dos Santos, no Município de Esperança, nesse mesmo Estado. Não chegou a ser escravo, pois já nasceu livre. Trabalhava nas feiras livres, onde muitas vezes declamou seus versos. Fazia “garrafadas” e remédios homeopáticos. Para muitos era a “alma dos cantadores”, e foi professor de muitos poetas. É o próprio Zé Alves que nos dá notícia dessa parceria em seu livro “Cantadores com quem cantei” (Bagagem: 2009). Disse tê-lo conhecido na cidade de Cuité, quando este...