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Epaminondas Câmara, por Cristino Pimentel

  Tracemos o perfil de Epaminondas Câmara na ótica de seu cunhado Cristino Pimentel. Cristino era literato e escritor, natural de Campina Grande-PB em 27/07/1897. Cristino era casado com Honorina nascida em Esperança-PB, filha de Horácio de Arruda Câmara e Idalgina Sobreira Câmara. “ Conheci Epaminondas Câmara, em 1916, em Taperoá ”, assim ele cita em seu livro “Mais um mergulho na história campinense”. Por essa época, Cristino trabalhava como cacheiro viajante do Bazar Comercial, do Coronel Joaquim Rodrigues Coura. Nascido em Esperança aos 04 de junho de 1900, Epaminondas era filho do casal Horácio de Arruda Câmara e Idalgisa Sobreira Câmara. Portanto, cunhado de Cristino! Seu pai um honrado lavrador, morador do Riacho Amarelo. O pai costumava leva-lo para o roçado, o que para ele era um sofrimento, pois não nascera para a árdua carreira da agricultura. Cumprida a missão, voltava aos livros, ao caderno e ao ditado. Segundo Cristino, Epaminondas “ não teve infância nem juvent...

Donatila e seu externato São José

  Por Pedro Dias   Conheci DONATILA LEMOS e sua privilegiada Escola particular com o seu rigor no aprendizado, antes mesmo do início da década de 60. O prédio no qual funcionava a Escola ficava na antiga Chã da Bala, do lado direito, sentido Colégio Diocesano, mais ou menos nas imediações ou entre as antigas residências de Vitória Coelho e Diogo Batista. À época, também existiam outras poucas e pequenas escolas para alfabetização, porém, sem muita expressão, a exemplo da escola onde fui alfabetizado antes de entrar para o Irineu Jóffily, cujas professoras eram duas irmãs já idosas, solteironas, bem religiosas, muito ligadas à Igreja Católica, cujos nomes eram Dona TICA e Dona BELA. Escola onde aprendi com certa facilidade o BÊ-A-BÁ… Eu morava na Praça Dom Adauto e minha irmã Laura Dias (Laura da Farmácia), conduzia-me para esta escola arrastando-me quase à força… Graças também a ela, ainda hoje posto-me a tentar escrever algumas poucas asneiras. Esta Escola ficav...

Abolição, Silvino Olavo

O Professor Charlinton Machado, em coautoria com Maria Lúcia da Silva Nunes e Daniella de Souza Barbosa, fez publicar na revista Interfaces Científicas, um importante artigo sobre o poeta esperancense Silvino Olavo da Costa, denominado “Escritos de solidão e silêncio”. De fato, os manuscritos que estão sob a responsabilidade do HISTEBR-GH/PB – Grupo de Estudos e Pesquisas, Sociedade e Educação do Brasil, em sua maior parte sem datação, mas com uma indicação de início em 1935, quando o vate estava relegado ao ostracismo, e encontrando-se internado para tratamento de sua esquizofrenia, foram produzidos após a sua interdição. São “rabiscos” produzidos em folhas esparsas de livros a que Silvino tinha acesso, pois apesar de estar longe das lides literárias, nunca deixou de produzir, sendo o prefácio do livro “Miséria”, de Leonel Coelho (1933) um bom exemplo. O artigo – segundo seus próprios autores – “s e propõe lançar luz sobre os manuscritos inéditos de Silvino Olavo da Costa, 50 an...

Sobrado de seu Lita: primeiro desenho

Neste edifício funcionou o Comercial Santa Terezinha, pertencente a seu Lita e que depois passou para o filho Didi. Vendia miudezas e perfumarias, era muito conhecido na cidade. Na lateral que abre para a Rua do Sertão (Dr. Solon de Lucena), onde hoje é uma farmácia, funcionou a Loja Brasil de Dogival Costa, revendia tecidos, chapéus, guarda-chuvas etc. Em cima, seu Dogival fazia funcionar um Clube Dançante que tinha até Jazz Band. Quando a feira funcionava na Rua Grande, os comerciantes armavam barracas na frente daquela loja. À época, a rua principal era bastante arborizada, funcionando não apenas o centro comercial, como também o centro político, já que o Paço Municipal (*4) ficava na esquina oposta, em frente à Igreja Matriz. Até o início da década de 30 era apenas um prédio simples, mas em 1935 o seu proprietário já havia construído o primeiro andar onde o piso é de taco (madeira), desde então. É hoje uma das edificações mais antigas da cidade, patrimônio histórico que ainda...

Onde está o ouro de Esperança?

  Quando menino, na casa de meu avô paterno, Dogival Costa, descobri um poço que ficava em baixo de uma videira. O meu desejo por um cacho de uvas despertou-me a curiosidade do foço em forma de anel, com tampa de madeira, onde minha avó Nevinha buscava água “para o gasto”, como se diz aqui no Nordeste, quando esse fluído é usado para qualquer coisa que não seja na alimentação. Aproximei-me da tampa e, nem bem a levantei, quando ouvi os gritos de minha avó, chamando-me a atenção: “Cuidado menino!”. Era um poço fundo, cavado há muitos anos, com uns oitenta centímetros de diâmetro, o suficiente para entrar uma lata de zinco, utensílio muito usado na minha terra para coletar água. Passado o susto, fiquei sabendo da construção daquela casa, do quanto meus avós se empenharam; seu Dogival puxando agave para construir a casa da Juviniano Sobreira nº 144, e minha vó Nevinha o ajudando nas feiras (pois ele também era comerciante de roupas) e fazendo artesanato. Foram dias difíceis, conta...

Barbeiro, uma das profissões em extinção (por João de Patrício)

  A modernidade faz desaparecer fatos, coisas, transforma atividades informais e apaga certas imagens que vivemos no passado, não existem mais como fato concreto, nem na nossa lembrança. As fotos resgatam esses fatos, nos levam ao passado, mas é preciso preservar como documentos, não apenas como lembranças. A foto acima é uma das milhares escondidas nos baús de muita gente. Era a década de 60, ainda não havia chegado à nossa sociedade salões de beleza, requintados, movidos à internet, aos utensílios eletrônicos, ao ar condicionado e às ornamentações exóticas que são chamadas de modernas. A imagem que vemos retrata a época romântica do uso de barbearia, em que só os homens frequentavam para fazer a barba, cortar o cabelo e ajeitar o bigode. O barbeiro não recebia o nome de cabeleireiro. Usava-se a espuma de barba, a loção pós-barba, a tesoura apropriada para barbeiro, a navalha era importada, de preferência da marca alemã. O barbeiro era bem vestido, usava roupa esporte fino, gr...

Donatila Lemos e o Externato São José

  Donatila Lemos Pereira de Melo nasceu no Engenho Olho d’Água de Areia-PB, no dia 30 de julho de 1912. Era filha de Manoel Felix Pereira de Melo e Toinha Lemos (Dona Finfa). Querelas políticas fizeram com que seus pais deixassem a terra natal, vindo residir em Esperança em janeiro de 1939, quando passou a lecionar na Escola “Irineu Jóffily”. Possuía uma didática rígida, fazia uso da palmatória e exigia que seus alunos apresentassem boa compostura, obedecessem a moral e os bons costumes. A sua base educacional era a religião cristã e o conservadorismo que aprenderam com a professora Lídia Fernandes nessa cidade, e dona Amália Veiga Pessoa Soares em Areia-PB. Fundou, dirigiu e ensinou no Externato São José que funcionava na sua residência, na rua Manoel Rodrigues de Oliveira (Chã da Bala). As lições tinham início na Cartilha do ABC, seguido de textos de autores diversos para compreensão da língua materna, como a didática da Antologia Nacional de coautoria de Fausto Barreto e C...

Novel acadêmico: Rau Ferreira, Silvino Olavo (por Ailton Eliziário)

Reproduzo a seguir texto do professor e membro da Academia de Letras de Campina Grande – ALCG, Ailton Eliziário, publicado no “paraibaonline” que antecedeu a minha posse na Cadeira nº 35 que tem como patrono o poeta Silvino Olavo da Costa. Na ocasião, havia concorrido à vaga deixada pelo falecimento de Paulo Gustavo Galvão. Eleito, tomei posse no dia 17 de novembro de 2017, no auditório da Associação Comercial de Campina Grande – Paraíba.   Novel acadêmico, Por Ailton Elisiário (*) Nesta próxima sexta-feira 18 a Academia de Letras de Campina Grande estará empossando mais um acadêmico. Trata-se de Rau Ferreira, que foi eleito para ocupar a vaga de Paulo Galvão, na Cadeira n. 35 cujo patrono é Silvino Olavo. Silvino Olavo era poeta e nasceu em 27.04 1897, na Fazenda Lagoa do Açude, em Esperança. Em 1921 foi para o Rio de Janeiro, onde lá se formou em Direito e escreveu para alguns periódicos. Em 1924 publicou Estética do Direito e Cysnes, seu primeiro livro de poesias. R...

Padres de Campina (Epaminondas Câmara)

Em artigo para o jornal “O Rebate” responde o esperancense Epaminondas Câmara a pergunta “Quantos padres nasceram em Campina Grande”, isso considerado à época da publicação, e sua pesquisa nos idos de 1957. Ao início do artigo, nos chama a atenção por ser a cidade rainha a que mais conta com filhos titulados nas escolas superiores. De fato, Campina possui centros universitários, e não era de se estranhar, que esse Município se destacasse no seio acadêmico. E prossegue fazendo um contraponto com o seu objetivo: “ Seria enfadonho se fossemos nomeá-los. Se é grande o número de doutores, é pequeno o de padres e frades ”. Lembra o articulista que nos tempos do Império ordenava-se um ou dois membros de cada família abastarda, “ em cuja casa grande havia capela e sacerdotes para os ofícios divinos; hoje não há mais tal demonstração de fé que tanto brilho emprestou ao culto público ”. Durante a monarquia, o Seminário de Olinda, o único no gênero até 1854, conferia as ordens maiores a inúme...

Esperança: como era em 1973

  O texto a seguir é um apanhado do “Almanaque da Paraíba”, e apresenta o nosso Município em seu contexto no ano de 1973. Algumas informações estão, por óbvio, desatualizadas em sua historiografia, e outras equivocadas, de acordo com nossas pesquisas, que podem ser consultadas nesse blog. Categoricamente, apresentamos o quadro municipal na sequência que é posta pela revista. Vejamos: 1. Histórico Em épocas muito remotas a região do atual município de Esperança foi habitada pelos Cariris. Com a chegada de civilizados esses indígenas foram “empurrados” para o interior. Mais tarde, os irmãos Diniz construíram três casas de taipa, uma das quais foi celebrada uma missa pelo Frei Venâncio, primeiro missionário da região. Por volta de 1860 foi construída a Capela de N. S. do Bom Conselho, a partir da qual nasceu um povoado que, em 1908 passava a contar com freguesia própria. Em 1925 foi elevado a categoria de Município, quando se desmembrou de Alagoa Nova. Seu primeiro prefeito nome...