Pular para o conteúdo principal

Donatila Lemos e o Externato São José

 

Donatila Lemos Pereira de Melo nasceu no Engenho Olho d’Água de Areia-PB, no dia 30 de julho de 1912. Era filha de Manoel Felix Pereira de Melo e Toinha Lemos (Dona Finfa). Querelas políticas fizeram com que seus pais deixassem a terra natal, vindo residir em Esperança em janeiro de 1939, quando passou a lecionar na Escola “Irineu Jóffily”.

Possuía uma didática rígida, fazia uso da palmatória e exigia que seus alunos apresentassem boa compostura, obedecessem a moral e os bons costumes. A sua base educacional era a religião cristã e o conservadorismo que aprenderam com a professora Lídia Fernandes nessa cidade, e dona Amália Veiga Pessoa Soares em Areia-PB.

Fundou, dirigiu e ensinou no Externato São José que funcionava na sua residência, na rua Manoel Rodrigues de Oliveira (Chã da Bala).

As lições tinham início na Cartilha do ABC, seguido de textos de autores diversos para compreensão da língua materna, como a didática da Antologia Nacional de coautoria de Fausto Barreto e Carlos Laet.

Dona Finfa ensinava as orações, enquanto sua filha adotiva Inah ajudava os alunos com Geografia e História do Brasil, copiando as lições nos cadernos, suprindo assim a falta de livros didáticos.

Magna Celi em seu livro de memórias traça o perfil: “Nossa mestra Donatila era uma pessoa de personalidade forte, muito estudiosa e realmente sábia, que dedicou sua vida inteira ao magistério”.

Além de Magna, foram seus alunos Matias Grangeiro e o casal Eliete e Odaildo Taveira.

Atuou ainda como folclorista, sendo a primeira pessoa que se tem registro a realizar teatro na escola a partir de 1953. Ela selecionava entre alunos os mais desenvoltos, de melhor dicção e expressividade para, com eles, montar textos didático-instrutivo de sua autoria, destacando-se dessa época: Hebe Bessa, Hermergarda, Lourdinha Lima e Mariângela Souto. As suas principais peças encenadas foram: “Os Livros”, “A princesa herdeira” e “As estações do ano”, tendo como palco principal o Cine S. Francisco de Titico Celestino.

Também dirigiu e coordenou o Curso Primário do Colégio Arquidiocesano Pio XII, na época do professor Afonso de Liguori, permanecendo nesse educandário até os 60 anos. Donatila é autora do hino desta instituição.

Em depoimento, a professora Donatila reafirmou o seu amor por Esperança e pela educação que sempre primou: “Esperança foi como um oásis na minha vida. Eu dei a minha vida pelo ensino. Ser professora, dignificou a minha vida”.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- BRASIL, Evaldo. Histórico de Esperança (Hope City). Manuscrito. Esperança/PB: s/d.

- CELI, Magna. Saudade, um lugar dentro de mim (memórias). Mídia Gráfica e Editora. João Pessoa/PB: 2018.

- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá - Recortes da Historiografia do Município de Esperança. Rau Ferreira - 1ª ed. Esperança/PB: 2015.

- MEDEIROS, Jailton. História de Esperança. Trabalho escolar. Produção do corpo docente. Esperança/PB: s/d.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dom Manuel Palmeira da Rocha

Dom Palmeira. Foto: Esperança de Ouro Dom Manuel Palmeira da Rocha foi o padre que mais tempo permaneceu em nossa paróquia (29 anos). Um homem dinâmico e inquieto, preocupado com as questões sociais. Como grande empreendedor que era, sua administração não se resumiu as questões meramente paroquianas, excedendo em muito as suas tarefas espirituais para atender os mais pobres de nossa terra. Dono de uma personalidade forte e marcante, comenta-se que era uma pessoa bastante fechada. Nesta foto ao lado, uma rara oportunidade de vê-lo sorrindo. “Fiz ciente a paróquia que vim a serviço da obediência” (Padre Palmeira, Livro Tombo I, p. 130), enfatizou ele em seu discurso de posse. Nascido aos 02 de março de 1919, filho de Luiz José da Rocha e Ana Palmeira da Rocha, o padre Manuel Palmeira da Rocha assumiu a Paróquia em 25 de fevereiro de 1951, em substituição ao Monsenhor João Honório de Melo, e permaneceu até julho de 1980. A sua administração paroquial foi marcada por uma intensa at...

Ginásio Diocesano de Esperança

Ginásio Diocesano de Esperança (PB) O Ginásio Diocesano de Esperança, pertencente à Paróquia, teve sua pedra inaugural lançada em 1945 na administração do Padre João Honório, mas somente foi concluído em 1953 pelo então pároco Manuel Palmeira da Rocha. As aulas iniciaram no ano letivo de 1958, com os Cursos Primário e Ginasial.  E a primeira turma, com 52 alunos, formou-se no dia dia 10 de dezembro de 1961 . Os estatutos da nova escola que funcionaria no sistema de semi-internato, foram publicados no Diário Oficial de junho de 1952, passando a funcionar efetivamente em 1957. O curso ginasial seria de quatro classes e o ensino particular. Padre Palmeira dirigiu a escola paroquial ao longo de duas décadas, auxiliado por João de Deus Melo, José Nivaldo e o professor Manuel Vieira, que foram vice-diretores. A austera professora Hosana Lopes também participou da direção e ministrou aulas naquela unidade durante muito tempo. A Escola Dom Palmeira é um patrimônio histórico. No pas...

Versos da feira

Há algum tempo escrevi sobre os “Gritos da feira”, que podem ser acessadas no link a seguir ( https://historiaesperancense.blogspot.com/2017/10/gritos-da-feira.html ) e que diz respeito aqueles sons que frequentemente escutamos aos sábados. Hoje me deparei com os versos produzidos pelos feirantes, que igualmente me chamou a atenção por sua beleza e criatividade. Ávidos por venderem seus produtos, os comerciantes fazem de um tudo para chamar a tenção dos fregueses. Assim, coletei alguns destes versos que fazem o cancioneiro popular, neste sábado pós-carnaval (09/03) e início de Quaresma: Chega, chega... Bolacha “Suíça” é uma delícia! Ela é boa demais, Não engorda e satisfaz. ....................................................... Olha a verdura, freguesa. É só um real... Boa, enxuta e novinha; Na feira não tem igual. ....................................................... Boldo, cravo, sena... Matruz e alfazema!! ...........................................

As Eleições de 1930

Nos anos 30, do Século passado, o processo eleitoral ainda era regido pela legislação da Primeira República. O Município de Esperança, apesar de emancipado (1925), permanecia vinculado à Comarca de Areia. No entanto, a nossa cidade possuía suas próprias seções eleitorais. A criação da “Zona Eleitoral” só aconteceu a partir da descentralização (1934), após a instalação da própria Justiça que lhe dá nome na Paraíba (1932). As “Turmas Apuradoras” seriam organizadas em número de seis, consoante sessão ordinária do Tribunal de Justiça da Paraíba, publicada n’A União de 13/10/1934. Esperança por essa época, pertenceria à 6ª Zona, compreendendo os municípios de Areia, Esperança e Serraria. As eleições de 1930 em nosso Estado foram marcados pela polarização extrema. O rompimento decisivo de João Pessoa com o Presidente Washington Luís deu origem à Aliança Liberal formada por Minas, Paraíba e Rio Grande do Sul. O candidato liberal (Getúlio Vargas) fez oposição ao governo federal (Júlio Pres...

Esperança: Sítios e Fazendas

Pequena relação dos Sítios e Fazendas do nosso Município. Caso o leitor tenha alguma correção a fazer, por favor utilize a nossa caixa de comentários . Sítios, fazendas e propriedades rurais do município Alto dos Pintos Arara Arara Baixa Verde Barra do Camará Benefício Boa Vista Boa Vista Cabeça Cacimba de Baixo Cacimba de baixo Caeira Cajueiro Caldeirão Caldeiro Caldeiro Campo Formoso Campo Santo Capeba Capeba Carrasco Cinzas Coeiro Covão Cruz Queimada Furnas Granja Korivitu Gravatazinho Jacinto José Lopes Junco Lages Lagoa Comprida Lagoa da Marcela Lagoa de Cinza Lagoa de Pedra Lagoa do Sapo Lagoa dos Cavalos Lagoa Verde Lagoa Verde Lagoinha das Pedras Logradouro Malhada da Serra Manguape Maniçoba Massabielle Meia Pataca Monte Santo Mulatinha Pau Ferro Pedra Pintada Pedrinha D'água Pintado Punaré Quebra Pé Quixaba Riachão Riacho Am...