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Barbeiro, uma das profissões em extinção (por João de Patrício)

 


A modernidade faz desaparecer fatos, coisas, transforma atividades informais e apaga certas imagens que vivemos no passado, não existem mais como fato concreto, nem na nossa lembrança.

As fotos resgatam esses fatos, nos levam ao passado, mas é preciso preservar como documentos, não apenas como lembranças. A foto acima é uma das milhares escondidas nos baús de muita gente. Era a década de 60, ainda não havia chegado à nossa sociedade salões de beleza, requintados, movidos à internet, aos utensílios eletrônicos, ao ar condicionado e às ornamentações exóticas que são chamadas de modernas.

A imagem que vemos retrata a época romântica do uso de barbearia, em que só os homens frequentavam para fazer a barba, cortar o cabelo e ajeitar o bigode. O barbeiro não recebia o nome de cabeleireiro. Usava-se a espuma de barba, a loção pós-barba, a tesoura apropriada para barbeiro, a navalha era importada, de preferência da marca alemã. O barbeiro era bem vestido, usava roupa esporte fino, gravata e, ele, também, era perfumado, bem penteado, sem esquecer que se usava brilhantina, enquanto que, hoje, usa-se creme de pentear das mais diversas marcas e finalidades.

Havia, nessa época, em Esperança, várias barbearias e nenhum salão de beleza feminino. Havia os barbeiros mais conhecidos e mais famosos em que elite frequentava. Entre esses mais famosos posso citar alguns: Zé Costa (o da foto), Josias, Luiz Barbeiro, Severino de dona "Chiu".

Cada pessoa tinha o seu barbeiro preferido. Chico Braga era cliente de Zé Costa, como vemos na foto. Um fato interessante é que o barbeiro já sabia que tipo de corte de cabelo cada cliente gostava.

O barbeiro Zé Costa tinha um cliente especialíssimo. Ia cortar o cabelo do padre na casa paroquial. O padre daquela época era Manoel Palmeira da Rocha. Que privilégio! Outros cortavam o cabelo do Juiz de Direito, a exemplo de Josias barbeiro. Esse é um dos fatos ou um dos detalhes da história de Esperança que poucas pessoas podem contar.

 

João Batista Bastos

 

Referências:

- REVIVENDO ESPERANÇA, Blog. Editor João Batista Bastos (João de Patrício). Disponível em: http://revivendoesperancapb.blogspot.com/, publicado em 14 de outubro de 2015.

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