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Velhos costumes

  Muita gente ao se referir ao modo grosso de algumas pessoas, dizem que “fulano é como papel de embrulhar prego”, não olvidando conhecer que tempos atrás o papel de embrulho era “pau pra toda obra”. Na verdade, ainda alcancei esse tempo em que ele era embalagem para tudo que se comprava nas vendas e bodegas de nossa cidade, sem qualquer escrúpulo ou ojeriza de hoje, quando as sacolas biodegradáveis dominam o mercado. Pois bem. Lendo o jornal “Correio de Esperança”, periódico que circulou em nossa cidade nos anos ’30 do Século passado, deparei-me com uma matéria que me chamou a atenção nesse aspecto, cujo título era “Velhos Costumes”. De interesse histórico, resolvi então reproduzi-lo nesse semanário: “ Dos velhos costumes de nossa terra, um dos que merecem a nossa reprovação é o de embrulhar em papel de jornal o pão, como a bolacha ou qualquer outro alimento dos quais nos servimos sem lavá-los previamente, ou sofre decocção. Referimo-nos ao pão, porque é o que mais comumente...

Rua Epaminondas Câmara

  A homenagem partiu do Prefeito campinense Elpídio Josué de Almeida em seu segundo mandato (1955/1959), através de mensagem ao legislativo mirim de 22 de julho de 1959. Epaminondas nasceu em Esperança-PB, no dia 04 de junho de 1900, onde viveu até os dez anos de idade, até que sua família se mudou para Taperoá-PB. Veio residir em Campina Grande-PB após o falecimento de seu pai, ocorrido em 14 de fevereiro de 1921. Em Campina, com algumas noções de contabilidade, passou a trabalhar no Banco Auxiliar, fazendo carreira por 21 anos. Casou-se com sua prima Isaura, mas não teve filhos. Era católico fervoroso e ajudou a fundar algumas paróquias e associação de moços. Na mensagem Elpídio acentuou o caráter e formação do esperancense: “ Fez por merecer esta modesta homenagem à sua memória. Não disputou cargos eletivos, não exerceu nenhum lugar na pública administração, não pertenceu a facções partidárias, mas prestou a Campina grande um relevante serviço, que exigiu anos seguidos de ...

Esperança em 1985

  Em nossa “máquina do tempo” seguiremos viagem ao longínquo ano de 1985, trazendo o aspecto da nossa cidade, o “lyrio verde da Borborema”. O município era administrado pela terceira vez pelo Sr. Luiz Martins de Oliveira, coletor público estadual, que enveredou pela política desde os idos de 1963. Para uma melhor compreensão, vamos categorizar os dados, de acordo com as fontes escritas daquele ano (1985), já que algumas classificações geográficas mudaram ao longo do tempo: 1. Aspectos históricos Os primeiros habitantes foram os índios Bultrins, da tribo Banabuyé. Não se sabe ao certo em que ano ou época os silvícolas ali levantaram aldeamento. A aproximação de colonos para servirem-se de água potável então existente em um reservatório no local, obrigou os indígenas a abandonarem o seu habitat rumando para o interior. O depósito de água recebeu o nome de Tanque do Araçá. Próximo a ele, o português Marinheiro Barbosa construiu uma casa que foi a primeira que se tem notícia. ...

João Benedito, por Orlando Tejo

  O texto a seguir foi transcrito de dois trabalhos do escritor Orlando Tejo, uma reportagem publicada no Correio Braziliense e uma passagem do seu antológico livro “Zé Limeira – poeta do absurdo”, que retrata o cantador esperancense João Viana dos Santos, ou João Benedito Viana. Eis o registro: “João Benedito Viana, outro iluminado, nasceu em Esperança, ali nos arredores de Campina Grande. Mulato franzino, retraído e grandioso. O coronel Eufrásio Câmara, numa venda de Alagoa Nova, entrega-lhe um copo de cachaça e ordena, de rebenque em riste: “É pra glosar de quinze a um”. E o poeta: É quinze, é quatorze, é treze, Doze, onde, dez e nove, Só faz lama quando chove, Corre água no Gramum, Pássaro preto é anum Que no bico traz um vinco, Oito, sete, seis e cinco, Quatro três e dois e um”.   O próprio Orlando Tejo registra o ressentimento de Zé Limeira porquanto já “botaro João Benedito” nos livros, enquanto que o “poeta do absurdo” era praticamente desconhecid...

Um poeta esquizofrênico

  Não nos consta que até meados de 1929 tivesse Silvino Olavo qualquer inclinação à loucura. Essa também foi a conclusão da pesquisadora Helmara Gicceli em sua tese de Doutorado em História apresentada à Universidade Federal de Pernambuco: “ Não consta na documentação compulsada que, naquele momento, Silvino sofresse de qualquer tipo de doença mental ” (UFPE: 2016, p. 385). Em julho daquele mesmo ano convalescera, permanecendo uma semana no Pilar onde residia sua noiva Carmélia Veloso Borges (A Vida Dramática. Unigraf: 1992, p. 125), conforme notícias publicadas na imprensa nacional: “ DR. SILVINO OLAVO - Acha-se enfermo o conhecido homem de letras dr. Silvino Olavo, oficial de gabinete do sr. Presidente do Estado ” (Diário de Pernambuco: 07/07/1929). “ Atacado de ligeiro incômodo esteve acamado, na cidade do Pilar, o Sr. Silvino Olavo, oficial de gabinete da Presidência do Estado ” (O Jornal-RJ: 14/07/1929). João Pessoa em carta à Epitacinho datada de 1º de julho de 1929...

A Educação popular na Parahyba

  Preocupado com a educação de jovens e adultos, o Professor José Gomes Coelho (1898/1954) ajudou a fundar a Escola “D. Ulrico” para adultos que oferecia ensino gratuito noturno à população pobres da Capital. Para ressaltar a importância deste educandário, publicou o lente extenso texto no jornal “O Norte”, tratando de fazer um paralelo entre o progresso de sua época e o analfabetismo que parecia ser o grande mal, pois de todo impedia o cidadão de participar da política e das decisões importantes para o país. “ O analfabetismo não pode ser rapidamente extirpado da sociedade ”, escrevia o professor Gomes Coelho, acrescendo que não de tomavam medidas sérias para combate-lo, “ antes a incúria dos poderes públicos depois da consolidação da República, tem grandemente concorrido para mais fundas raízes lance ele no nosso Estado ”, e ainda completa: “ É, infelizmente, o analfabetismo um desses males que somente a pouco e pouco podem ser expelidos do organismo social, mediante ação c...

Elysio Sobreira (prefácio da 2ª edição)

  Na primeira edição deste livro esforcei-me para traçar em linhas gerais a importância do Coronel Elysio Augusto Sobreira de Carvalho, patrono da PMPB, discorrendo sobre a sua carreira militar e chefia política que exerceu na Parahyba no livro desenvolvido por Inácio Gonçalves . Tal tarefa me foi confiada, também, nesse segundo volume da obra, revista e atualizada pelo seu autor, com os cuidados que lhe são peculiares, resultado de sua incansável pesquisa. Inácio Gonçalves de Souza é escritor, desportista, cordelista e historiador. Nascido no Sítio Timbaúba (Esperança/PB), é graduado em história pela Universidade Estadual do Vale do Acaraú – UVA e pós-graduado em História da Paraíba e do Brasil pela Faculdade Integrada de Patos – FIP. Sócio do Instituto Histórico do Cariry Paraibano e do Instituto Histórico e Geográfico de Esperança, tem publicado os livros: Esperança e sua gente (1994); Esperança em verso e prosa (1998); América Futebol Clube – Patrimônio histórico de Espe...

João Benedito: alguns versos

  João Benedito Viana – ou simplesmente João Benedito –, pertencia à terceira geração de cantadores, tendo como companheiro de trovas o poeta Antônio Lamparina, da cidade de Areia (PB). José Alves Sobrinho disse ter cantado com Benedito, sendo este “ Cantador de muito talento com quem cantei e dele recebi grandes lições de vida ” (Cantadores, Repentistas e Poetas Populares. Bagagem. Campina Grande/PB: 2003, p. 69). Certa feita num desafio com Manoel Serrador, que se chamava Manoel Regino, disse em cantoria: “ Você anda bem vestido De gravata meia e liga Não pense que eu tenho inveja, E é até bom que lhe diga, O hábito não faz o monge Nem paletó é cantiga”.   Com Josué da Cruz, que também residiu em Esperança e era repentista inspirado, cantando com João Benedito disse a seguinte estrofe: “ Vejo o mundo dividido Entre o plebeu e o nobre, Um é perto e outro é branco Um rico e outro é pobre, Deus é o Senhor de tudo: E o Céu a todos cobre”.  ...