Pular para o conteúdo principal

Postagens

Cysnes, por Samuel Duarte

  De muito conheço o filósofo, o sonhador dos "Cysnes". Sob o mesmo céu bebemos o encanto de uma natureza que Ihe deu o vigor inicial de sua encantadora poesia. Os mesmos aspectos da vida nos foram familiares em começo, e as luzes primeiras do estudo se repartiram conosco na comunhão do pensamento, na eucaristia da ideia que lhe fortaleceu a nascente vocação para o sacerdócio do ritmo. Cedo a admiração e o aplauso dos amigos rodearam-no como a um ídolo vivo, sem que a modéstia se lhe fugisse e o incenso dos elogios o desviasse para as satisfações, tão humanas e efêmeras, da vaidade deleitada. E não as procurava. As grandes cóleras, nunca as teve. As ruidosas alegrias, se as sentiu, revelou-as com sobriedade. Algumas vezes, talvez as ocultasse, para saboreá-las sozinho, longe da importunação de um mundo que a todo prazer ajunta o veneno de sua maldade. Sempre foi um sereno, na reserva dos gestos, na simplicidade das palavras. Acostumou-se a ver o mundo, mantendo-...

Egídio Lima e a Revista Ariús

  Egídio de Oliveira Lima nasceu em Esperança em 04 de junho de 1904. Poeta popular, jornalista e autodidata, destacou-se ainda como folclorista e escritor de cordéis cuja maior parte fazem parte do acervo da Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro. Sua principal obra foi “Os Folhetos de Cordel”, uma antologia que reúne diversos versos produzida pela Editora Universitária em 1978. No ano de 1937, foi residir em Campina Grande-PB, participando ativamente da vida literária daquela cidade, juntamente com os intelectuais de sua época, a exemplo de Lino Gomes que “ reunia diariamente os vultos políticos e as inteligências salientes nas discussões de uns e nos elogios de outros assuntos ” (LIMA, 1949, p. 15). Foi redator e colaborador das revistas “Ariús” (Campina Grande) e “Manaíra” (João Pessoa), além de dirigir a revista “As fogueiras de São João” (1941). A respeito da “Revista Ariús” da qual também foi diretor, nos informa o jorna O Norte em seu expediente “Jornais e Revistas” q...

A tradição do "branco" em Esperança

  Há muito que os fiéis de Esperança adotaram as roupas brancas nas solenidades da Paróquia do “Bom Conselho”. Essa é uma tradição imemorial: meninos e meninas se batizam de branco, fazem seus primeiros votos e os confirmam na adolescente. Também os noivos se casam com a cor que representa paz, inocência, virgindade e pureza. O branco tem sido a preferência nessa terra adusta de clima tropical. O Monsenhor José Coutinho em um de seus artigos comenta que de fato essa é uma tradição muito antiga e que deveria ser preservada, inclusive recomendando ao Padre Palmeira que assim o fizesse. Em artigo para o jornal O Norte, que reproduzimos a seguir um pequeno enxerto, o Padre Zé comenta quais eram as principais vestimentas que lhe eram conhecidas desde criança: “ Na Paróquia de Esperança existe uma tradição muito interessante, que o Revdmo. Vigário, Padre Manuel Palmeira, deseja continuar e eu acho q deve ser generalizada, por todo Nordeste, seco e adusto – os fiéis, homens e senhor...

Professor José Gomes Coelho e o ensino da Parahyba

  Não se discute a importância dos professores primários na vida dos estudantes. São eles quem nos ensinam as primeiras letras, e nos encaminham para uma vida de estudos sem fim; poucos sabem ser gratos a esses mestres do saber, muitas vezes esquecendo-se daqueles que pegaram conosco o lápis e fizeram os contornos das garatujas incompreensíveis até para nós mesmos. Entre tantos destaca-se o Professor José Gomes Coelho no ensino paraibano, por ser um dos mais participativos e que empreendeu inovações nessa área pouco conhecidas de sua gente. Nascido em Esperança aos 13 de abril de 1898, filho de Eusébio Joaquim da Silva Coelho e Débora Clotilde Gomes Coelho. Formou-se pela Escola Normal (1908) e passo a lecionar em Campina Grande-PB, onde fundou (1913) com Lino Fernandes, na rua da Independência, o Gabinete de Leitura “7 de Setembro”, centro literário que contava com 30 membros, que possuía um jornal, biblioteca e escola pública gratuita. Não demorou muito até ser convocado pa...

A Lenda Cariry

  No tempo em que toda essa região era mata nativa e que havia pequenas concessões de terras doadas pela coroa portuguesa denominada de Sesmarias; quando os índios Carirys – povo nômade que habitou a Parahyba oitocentista – vagava “ demorando-se em um sítio, ora em outro ”, como disse Herckman (1886), aconteceu um fato que ficou registrado na memória popular, e que com o tempo ganhou ares de “lenda”, que passo a narrar. Viviam os silvícolas da caça e pesca, não praticavam agricultura e diziam ter vindo “ de um grande lago ”. Eles ocupavam os lugares mais afastados da Capitania, conhecidos também pelo epiteto de “Gentios Bravos”. Eram primatas ferozes. Andavam nus e só se vestiam para os dias de festa, prendendo o homem o membro viril com um “atilho”. Usavam armas e costumavam guerrear, sendo por isso chamado de “Tapuias”, ou seja, “inimigos” na sua língua-materna. As mulheres eram indistintamente mais baixas que os homens, tinham cabelos negros e compridos e andam igualmente ...

Silvino, na pena de Lélis

  Dos escritores que ousaram escrever sobre a literatura paraibana, construindo uma história como colcha de retalhos, mas com a vivência de quem viveu e conviveu com os escrivinhadores, foi de fato João Lélis quem mais se evidenciou no seu labor, tanto que é citado quando o tema é esse: a escrita na pequenina Paraíba, desde os primórdios. Nascido em Alagoa Nova, o filho de Lélis de Luna Freire e d. Elvira Fernandes de Luna Freire, casou-se com d. Maria de Lourdes Costa Luna Freire, e teve exponencial carreira. Iniciando nas prensas em 1929, como diretor do Diário do Povo, foi redator e diretor d’A União, participando, ativamente, da Revolução de ’30, como oficial do 29º Batalha de Caçadores, chegando a lutar no sertão baiano, e sendo correspondente voluntário de guerra, ocasião em que fez a cobertura jornalística dos fatos. Integrou a Academia Paraibana de Letras como fundador da Cadeira nº 25 que tinha por patrono Peryllo de Oliveira, e foram seus sucessores José Rafael e A...

Elysio Sobreira no combate à Coluna Prestes

  Durante dois anos e meio um grupo de Oficiais do Exército, da Força Pública de São Paulo e alguns civis percorreram o país motivado pelo sonho de transformar a nação. Esses dignos e honrados revolucionários engrossaram as fileiras da chamada “ Coluna Prestes ” numa das mais extraordinárias marchas armadas do país. Havia certa expectação de sua chegada à Paraíba, assim como já se manifestava de forma contrária, a propaganda governamental, convocando a população das vilas e cidades a aderirem ao combate contra os “revoltosos”. Tratava-se de um embate de resistência não apenas aos ideais daquele levante, mas a própria política que estava envolvida naquelas questões. A Paraíba sob a batuta do Presidente João Suassuna (1924/1928) preparava os ânimos contra o “banditismo”, e reforçando o destacamento da Força Policial, convocava o Coronel Elysio Sobreira para juntos elaborarem o plano de defesa: “Prevendo de muito esse desfecho, o governo do Estado deixara de mandar forças para o...

Pedro Pichaco, o balaio e seu Luiz

  A história a seguir me foi repassada por Ary Dantas, o nosso cantor esperancense, que disse ter conhecido os Pichaco Adauto, Honório e Pedro que “ vivia fora, vivia de jogo e de contar prosa; era muito sabido, era o mais velho ”. A narrativa é bem interessante e mostra a irreverência do mandrião, que tantas aprontou pela Paraíba: Um dia eu cheguei em Cepilho, na companhia de Maurício (irmão de Lola) e Biu do ônibus. Assim que desci ouvi uma voz forte, que de pronto reconheci: - Biu, essa voz é de Pedro Pichaco. Biu falou é mesmo. Saí e fui ver, Pedro estava num barzinho contando prosa, assim que me viu disse: - Tas fazendo o que aqui? Tem cantado muito? Tem dinheiro aí? Peguei cinco cruzeiro e dei a ele. Ele sorriu e disse: ‘tô rico’. Virando para o dono do bar falei: - Esse preto dá nó em pingo d'água, não sabe ler mais conhece os mandamentos como ninguém. Havia um rapaz bonito com um relógio de ouro no braço e um revólver na cintura ostensivo, sentado numa mesa tomando cerv...