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Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte III, por Joacil Braga Brandão)

Joacil Braga Brandão Amigos Rau Ferreira, Evaldo Brasil, Pedro Dias do Nascimento, Martinho Júnior Corretor, Pedro Paulo de Medeiros. A Minha Memória No início da segunda metade da década de 60 foi instalada uma célula do Partido Comunista, oficialmente extinto, em Esperança. Os seus integrantes apoiavam nas eleições o antigo PSD. As reuniões eram realizadas na oficina/sapataria de Jaime Pedão, localizada na Rua Nova, sempre à noite e de portas fechadas; as vezes se estendia até quase à meia noite. Dela participavam, além de Papai, o Jaime Pedão, o Simião, o Sr. Milton do IBGE, o Nicinho do Correio, e esporadicamente, o Sr. Chico Pitiu, o Fernando do Correio e um Odontólogo muito amigo do meu pai, que posteriormente se tornou compadre, mas cujo nome não estou recordando. O consultório odontológico funcionava numa sala no Grupo Escolar “Irineu Joffily”, e morava numa casa vizinha a Panificadora do Sr. Otávio. Nas reuniões eram tratados assuntos de como angariar simpatizante...

Esperança sob o golpe militar do AI-5 (Parte II)

Após a nossa publicação em uma rede social sobre o tema surgiram alguns comentários de pessoas amigas, como Pedro Dias do Nascimento, Joacil Braga Brandão, Martinho Júnior e Pedro Paulo de Medeiros. Nesta segunda parte está a síntese dessas contribuições. Boa leitura! Em meados de ‘63, Zezinho Bezerra expunha a sua ideologia política em palestras realizadas no bar de seu Dedé. Os estudantes eram convidados, Pedro Dias e Beinha estavam na vanguarda. Este último classificado, em público como “humanista”, e em segredo um “ardoroso revolucionário”. Se expor representava um risco de prisão eminente, e não sabemos quais implicações seria a prisão do filho do presidente da Câmara Municipal. Tempos depois, Zezinho passou a ser procurado pelos milicianos. Segundo o historiador João de Deus Melo, o seu tio Samuel Duarte lhe ajudou a sair do país. Nesse aspecto, nos informa Martinho Júnior que: “ embora [ele] não fosse ideologicamente defensor do clero, teria obtido ajuda de um Padre quand...

Esperança sob o golpe do AI-5 (Parte I)

O AI-5 (Ato Institucional nº 5) foi o mais duro golpe da Ditadura no Brasil. Baixado pelo em 13 de dezembro de 1968, impôs uma série de restrições aos direitos individuais, conferindo carta branca para ações arbitrárias do governo. Muitos cidadãos foram perseguidos, presos, cassados, torturados e até mortos em nome do ultranacionalismo. As consequências deste nefasto ato chegaram a nossa pequenina Esperança, onde o Centro Estudantal que funcionava perto do calçadão teve suas portas arrombadas e toda a documentação espalhada pelo chão. De certo que os autores deste delito procuravam alguma prova que pudesse incriminar os estudantes, contudo nada encontraram. Um dos líderes estudantis por presságio ou algum sentido apurado, na manhã daquele dia retirou de lá panfletos e manuscritos que poderiam ser taxados de subversivos pelos militares. À noite quando o crime foi cometido encontraram apenas material escolar sem qualquer implicação. Em nossa cidade foram poucos os que ousaram se opo...

APPTA e suas conquistas

Os agricultores da associação do Sítio Timbaúba em Esperança conseguiram melhorar de vida e inclusive resolver o problema da moradia por meio do associativismo. A associação dos Pequenos Produtores de Timbaúba e Araras (APPTA) foi fundada em 14 de dezembro de l990, para dar apoio aos pequenos produtores rurais, com abrangência nas localidades de Timbaúba, Araras e adjacência. A sede fica no Sítio Timbaúba. Ela mantém um blog informativo acerca de suas atividades (http://associacaodetimbaubapb.blogspot.com.br/). Com participação ativa na vida da comunidade, realiza e participa dos principais festejos (padroeiro, dia dos pais, das mães, das crianças e etc) e desenvolve diversos projetos, a exemplo do “Timbaúba Verde” cujo objetivo é “Contribuir com o reflorestamento da nossa região, produzindo mudas nativas, frutíferas, medicinais e ornamentais”. Através de projetos e reivindicações conseguiram comprar um carro para a associação, construir uma igreja, a sede própria e até a co...

Excelência aos mortos (P. S. de Dória)

Quando criança, ainda pelos idos de 1951/52 levaram-me como companhia, a um certo velório no sítio Cinzas, comunidade pertencente ao município da cidade de Esperança-PB. Saímos de casa à tarde, caminhamos por mais de uma hora e já era tardinha, quase noite, quando lá chegamos. Tratava-se de uma anciã rezadeira bem conhecida na região cuja idade dizia-se ser acima dos 70 anos, que morava sozinha e que havia morrido “de repente”, denominação que se usava quando alguém “infartava” naqueles tempos, fulminantemente. A falecida era vizinha de uma minha irmã, a mais velha, Ovídia, casada havia poucos anos e que hoje com quase 93 anos, encontra-se acometida de Alzheimer. A casinha da falecida era pequena, de taipa, coberta com um misto de folhas de coqueiro e sapé, e o piso de chão batido. Entramos, e para minha curiosidade de criança amedrontada, a defunta jazia deitada sobre um tablado à meia altura, suspenso por dois cavaletes de paus verdes cortados, e, recentemente improvisado. As visi...

América, 1954: inédito

América, 1954: Sporte Ilustrado, N. 846 Com a colaboração de Jônatas Rodrigues Pereira , pesquisador de primeira linha, encontramos uma foto rara do nosso “Mequinha”. Está na revista “Sport Ilustrado”. O primeiro número deste magazine circulou no Rio em 07 de agosto de 1920. Era vendida a 400 réis e direcionada ao mundo esportivo. A última edição foi em 20 de fevereiro de 1956, com a notícia do Vasco campeão, já custando a cifra de Cr$ 5,00 (cinco cruzeiros) com três de acréscimos para envio por avião. Era um fenômeno esportivo e suas capas estamparam os melhores atletas da época. Na matéria que fala do América de Esperança, o magazine ressalta a importância deste clube do interior paraibano. E apresenta uma breve trajetória da equipe até aquele ano de 1954. Segundo a revista, foram 30 Jogos com os quadros locais, com os seguintes resultados: 18 vitórias, 8 empatas e 4 derrotas; e 45 intermunicipais, sendo 31 vitórias, 6 empates e 8 derrotas. Num total de 75 disputas, das ...

Banda de Música/Filarmônica de Esperança

A tradição A tradição de uma filarmônica em Esperança é imemorial. Segundo consta, em tempos remotos denominava-se Música de Banabuyé e já existia em 1889 (Almanak Administrativo). Aliás, aos 24 de janeiro daquele ano noticiava “A Gazeta do Sertão”, editado em Campina Grande por Jóffily e Retumba, que a filarmônica de Esperança havia sido convidada para tocar na vila de Alagoa Nova, onde ocorreu um desagradável evento. Um cidadão daquelas paragens resolveu perturbar o ensaio da música sendo preso pelo Delegado Paulino Rodrigues Pinto e encaminhado ao Juiz Municipal Joaquim Eloy Vasco de Toledo. Há notícias de que esta banda tenha tocado também em Areia e Remígio. Assim informava um jornal da época: “Terminou a primeira festa da Padroeira, Nossa Senhora do Patrocínio. A novena correu animadíssima, sobretudo nas últimas noites. No dia da festa houve missa cantada, e procissão à tardinha. Foi imenso o concurso de fieis. A excelente banda de música de Esperança, ali tocou, a...

A Codebro e suas histórias

Codebro/Anos 60 Por volta de 1918 o centro da cidade era iluminado à querosene. Haviam postes de ferros envidraçados nas esquinas que eram acendidos ao entardecer por Alfredo Leite, um funcionário da subprefeitura que retornava por volta das 22 horas apagando as chamas. A energia sempre foi um grande atrativo comercial. A sua força impulsionava motores e gerava luz elétrica propiciando o funcionamento prolongado do comércio. Esperança por sua vocação primária há muito necessitava desta inovação. A partir daquele ano homens foram contratados para realizar o “ posteamento ” com madeira de baraúna. Os postes não eram muito altos, mas o trabalho dos encarregados despertava a curiosidade das crianças. Tranquilino foi o eletricista responsável por estender os fios, colocar os isoladores e fazer as ligações domiciliares. Os candelabros foram substituídos por lâmpadas de tungstênio. O fornecimento de energia começou a operar no início em 1919. O sistema era precário, resumindo-se ...

Josias Barbeiro

Josias e família Há uns dias recebi um comentário (via Email)   da Sra. Arlete sobre o seu tio Josias que oficiou como barbeiro neste município de Esperança. Pois bem. complementando a série dos “Barbeiros Esperancenses”, passo a apresentar mais esta personagem da nossa história com o texto informado pela sua parente. Josias, seu irmão José e o filho Ademilton “ Josias Nicolau da Costa viveu muitos anos em Esperança e trabalhou como barbeiro. Seu salão se situava ao lado da igreja matriz onde depois funcionou como Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Ele era um dos barbeiros mais procurados, devido ao seu carisma em tratar bem as pessoas além do bom serviço profissional. Anos depois ele foi morar com a família no Rio de Janeiro, onde viveu até sua morte. Um dos seus filhos chama-se Ademildo Nicolau, que, há alguns anos, esteve em uma festa para os filhos ilustres de Esperança, na nossa querida cidade. Na primeira foto ele é o primeiro da direita para a esquerda ...

O nome (dela)

A morte tem nome de mulher Cada um escolhe o que quer Dos Arianos, Caetana; Dos Cabraus, Severina. Mas tudo é nome de mulher Cada qual figura a tal sina Só não vá perder a sua fé Ser beato sem batina Que quando ela vier Vai levar de roupa fina Vai de Caetana à Severina Prá’quele salão lá no alto Que toma conta o Barnabé Àquela ave de rapina Que abre as portas do “ Soleil ” Ou fecha o porão da Cafetina Segundo o que se destina. Esta ave banca e tosca Do mundo de junto-pés; Aquela figura meio barroca Que te aguarda no final deste convés Que se chama Vida!... A morte tem nome de mulher Tu escolhes a que tu queres. Banabuyé, 10/08/2016. Rau Ferreira

As encenações de Dona Hosana

Encenação: Aos pés da cruz A professora Hosana Lopes Martins foi responsável por momentos marcantes e apresentações no antigo Cine S. Francisco. As suas peças quase sempre tinham como pano de fundo a Bíblia, quando não enalteciam o caráter religioso ou altruísta – a exemplo da encenação “Aparição de Na. Sra. de Fátima”. As pequenas estrelas em geral eram suas alunas, as quais ensaiavam incansavelmente os textos, citemos desta época: Ângela Souto, Benigna Consolato, Dalvina Ferreira, Elba, Magna e Norma Coelho, Fátima e Paula Fracinete Meira, Herbert Spencer, José R. F. Filho (Zezito), Lourdinha e Leda Mateus, Lúcia Luna, Moema Nóbrega, Neusa Caetano, Rosany Araes, Socorro Acioli e Socorro Pequeno. Com a colaboração de Lourdinha Vasconcelos (Lourdinha Mateus), através de seus comentários no grupo criado por Cida Galdino (Esperança - terra mãe!) podemos recompor alguns aspectos de suas apresentações da a velha mestra: “O martírio do dever” e “Aos pés da cruz”. O enredo da p...

Banaboé: Comentário de Graça Duarte

Capa do livro Banaboé Caríssimos, publico aqui um comentário da amiga   Maria Das Graças Duarte Meira   sobre o livro BANABOÉ CARIÁ. O registro é importante não apenas pela sua origem, como pelo carinho acerca deste nosso trabalho. Peço que leiam com atenção: " Acabei de ler o livro de Rau Ferreira, BANABOÉ CARIÁ e tenho uma recomendação a fazer: Atenção todo os esperancenses; estejam onde estiverem, procurem adquirir esse livro porque ele é um livro didático e cheio de conteúdo sobre a nossa terra, a   nossa cidade de Esperança, antiga Banabuié. Confesso que, durante toda a minha escolaridade eu realmente necessitei de um livro assim. Com a história dos primórdios da terra, sua origem remota, sua hidrografia, sua geografia, seus limites, seus lugares, sua independência. A história da nossa gente, a política, os primeiros políticos. Nossa famosa feira, os tropeiros e o comércio de antão. Cada um de nós, ao ler esse livro vai encontrar um pedaço de si ali dentro; se...

Esperança nos anos 40

Da séria “Esperança ao longo dos anos”, apresentamos agora, o aspecto sócio-econômico do Município de Esperança pelos anos 40, constante do Dicionário Corográfico de Coriolano de Medeiros. Com extensão de 351 km 2 registrava (1940) 1.266 prédios urbanos, 235 suburbanos e 740 rurais; com uma população de 4.106 (urbana), 1.064 (suburbana) e 1.064 (rural) compreendida a sede (Esperança) e os distritos (Areial e Montadas). O prefeito Sebastião Vital Duarte (1940-1942) havia sido nomeado pelo interventor, auxiliado por 13 funcionários efetivos. A Comarca era de 1ª entrância, com um magistrado e dois suplentes. O primeiro juiz de direito foi Ademar Lafayete. A segurança pública competia a um delegado de polícia e subdelegados na vila. Haviam 80 casos de contravenção e 14 crimes, mas nenhum de homicídio. Esperança destacava-se como município agrícola, com zona para criação de animais. Os seus terrenos produziam batata, mandioca, batatinha, milho, algodão e gergelim com a seguinte prod...