Pular para o conteúdo principal

Solon, um homem expressivo

A imprensa oficial da Paraíba publicou em 1926 um livro dedicado a memória de Solon de Lucena, falecido naquele ano. Muitos foram os conterrâneos que escreveram suas notas ao ausente político e ex-governante deste Estado. Silvino Olavo naquela ocasião dedicou-lhe quatro emocionadas páginas.
Sob o título “Um homem expressivo”, considerou que aquele cidadão “foi mais do que um simples transeunte da vida”. Chegando a comentar que “A Paraíba recebeu com a vertigem de um Ícaro, cahindo de bruços na realidade, dir-se-ia que houve no mundo um pouco menos de de bruços na realidade, dir- se-ia que houve no mundo um pouco menos de bondade”.
Acentuou o poeta que a carreira do dr. Solon de Lucena foi curta, como também o foi a sua existência: “A sua vida quotidiana não teve contorsões equivocadas nem scenas de apotheoses. Foi uma harmonia continuada, sem monotonias cançativas nem exaltação das notas mais agudas”, escreveu.
Porém, enumerou uma a uma as suas qualidades, “que logo á primeira vista a todos inspirava”, um homem de expressão e caráter.

Rau Ferreira

Fonte:
-         In memoriam [Dr. Solon de Lucena]. Imprensa Official: 1926, p. 65/69.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Zé-Poema

  No último sábado, por volta das 20 horas, folheando um dos livros de José Bezerra Cavalcante (Baú de Lavras: 2009) me veio a inspiração para compor um poema. É simplório como a maioria dos que escrevo, porém cheio de emoção. O sentimento aflora nos meus versos. Peguei a caneta e me pus a compor. De início, seria uma homenagem àquele autor; mas no meio do caminho, foram três os homenageados: Padre Zé Coutinho, o escritor José Bezerra (Geração ’59) e José Américo (Sem me rir, sem chorar). E outros Zés que são uma raridade. Eis o poema que produzi naquela noite. Zé-Poema Há Zé pra todo lado (dizer me convém) Zé de cima, Zé de baixo, Zé do Prado...   Zé de Tica, Zé de Lica Zé de Licinho! Zé, de Pedro e Rita, Zé Coitinho!   Esse foi grande padre Falava mansinho: Uma esmola, esmola Para os meus filhinhos!   Bezerra foi outro Zé Poeta também; Como todo Zé Um entre cem.   Zé da velha geração Dos poetas de 59’ Esse “Z...

Versos da feira

Há algum tempo escrevi sobre os “Gritos da feira”, que podem ser acessadas no link a seguir ( https://historiaesperancense.blogspot.com/2017/10/gritos-da-feira.html ) e que diz respeito aqueles sons que frequentemente escutamos aos sábados. Hoje me deparei com os versos produzidos pelos feirantes, que igualmente me chamou a atenção por sua beleza e criatividade. Ávidos por venderem seus produtos, os comerciantes fazem de um tudo para chamar a tenção dos fregueses. Assim, coletei alguns destes versos que fazem o cancioneiro popular, neste sábado pós-carnaval (09/03) e início de Quaresma: Chega, chega... Bolacha “Suíça” é uma delícia! Ela é boa demais, Não engorda e satisfaz. ....................................................... Olha a verdura, freguesa. É só um real... Boa, enxuta e novinha; Na feira não tem igual. ....................................................... Boldo, cravo, sena... Matruz e alfazema!! ...........................................

A Capelinha, por Nino Pereira

Por Nino Pereira *   Em torno da cidade, encontramos um lindo penhasco onde em seu sopé existe o tanque do araçá. Local de fixação das antigas tribos de índios Cariris que iniciaram a colonização de Esperança. Da acrópole, temos uma linda visão panorâmica da cidade e encontramos o monumento cognominado de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Atualmente se encontra em bom estado de conservação, existindo no seu interior, uma imagem num altar e ao lado uma inscrição com as seguintes expressões na lápide: “01/01/1925 – MANUEL R. DE OLIVEIRA E SUA ESPOSA ESTHER F. DE OLIVEIRA MANDARAM CONSTRUIR ESTE MONUMENTO, COMO UM ACTO DE AGRADECIMENTO A VIRG. SS. DO PERPÉTUO SOCORRO POR MERCÊS POR ELLES ALCANÇADOS. MERECEU APROVAÇÃO E BÊNÇÃO DE SUA EXCIA. REVMA. D. ADAUCTO, ARCEBISPO DA PARAHYBA, E CONCURSO DO POVO E DO PE. JOSÉ BORGES QUE O INAUGUROU SOLENIMENTE”. Realizando-se pesquisas em arquivos da municipalidade e no livro do “tombo” da paróquia, nada encontramos sobre a data do iníc...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Barragem de Vaca Brava

Açude Vaca Brava, Canalização do Guari (Voz da Borborema: 1939) Tratamos deste assunto no tópico sobre a Cagepa, mais especificamente, sobre o problema d’água em Esperança, seus mananciais, os tanques do Governo e do Araçá, e sua importância. Pois bem, quanto ao abastecimento em nosso Município, é preciso igualmente mencionar a barragem de “Vaca Brava”, em Areia, de cujo líquido precioso somos tão dependentes. O regime de seca, em certos períodos do ano, justifica a construção de açudagem, para garantir o volume necessário de água potável. Nesse aspecto, a região do Brejo é favorecida não apenas pela hidrografia, mas também pela topografia que, no município de Areia, apresenta relevos que propiciam a acumulação das chuvas. O riacho “Vaca Brava”, embora torrencial, quase desaparece no verão. Para resolver o problema, o Governador Argemiro de Figueiredo (1935/1940) adquiriu, nos anos 30, dois terrenos de cinco engenhos, e mais alguns de pequenas propriedades, na bacia do açude, ...