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A Batatinha de Esperança


Esperança alcançou os maiores índices de produtividade de Batatinha, destacando-se no cenário nacional. O produto era muito requisitado no Sul do país, sua aceitação era tal que praticamente toda a produção era exportada.

A partir das primeiras sementes (1910) buscou-se uma seleção natural para o plantio. Os agricultores locais adaptavam às condições do solo e ao clima, melhorando assim a qualidade do tubérculo.

Com o fomento da cultura em nosso Estado, houve a necessidade de se implantar um campo experimental de batata, cebola e trigo, o que foi registrado pela Sociedade Nacional de Agricultura, presidida pelo Dr. Miguel Calmon:

 

[...] tendo o sr. Lima Mindello comunicado haver sido inaugurado em Esperança, na Parahyba, o campo modelo de culturas do Estado, em regiões cujas condições mesológicas são mafnívias” (O Imparcial/RJ: 10/04/1918).

 

A inauguração em nossa cidade contou com a participação de Orris Soares, comissário do delegado executivo da Produção Nacional, do agrônomo Lopes Ribeiro e do engenheiro Matheus de Oliveira.

O primeiro a falar sobre este tubérculo foi o ex-ministro e governador da Paraíba José Américo de Almeida. Em seu livro “A Parahyba e seus problemas”, publicado em 1923, destacava o escritor que:

As terras de menor grau de umidade do distrito de Esperança, faixa de transição do agreste, são incomparáveis para a cultura da batata inglesa, iniciada há poucos anos e desenvolvida, a ponto de abastecer grande parte do Estado e já ser exportada para Recife e Natal” (Almeida: 1923).

 


Dois anos depois, o governo federal buscava a razão entre a circulação de mercadorias e o custo de vida, concluindo que “que hoje com as batatas de Esperança abastece mercados vizinhos, entre os quais avultam os do Rio Grande do, teve seus preços elevados de 37% no triênio, atingindo os aumentos de 75% a 80% nos mercados paulistas, alagoanos, norte-rio-grandenses e pernambucanos” (Imprensa Nacional: 1925).

A batata inglesa foi objeto de estudo do inspetor agrícola Diógenes Caldas, que elaborou um importante relatório tratando da solanácea esperancense sob o título “O Inquérito da Batatinha”. Destacou o engenheiro que a produção era recente, de sorte que era possível declinar o nome do primeiro cultivador.

Tudo começou em 1906 com um campo experimental produzido pelo Sr. Delfino Gonçalves de Almeida. As sementes foram adquiridas na própria feira e plantadas na terra fofa e arenosa do Sítio Pintado. Acrescenta Clodomiro de Albuquerque (1934) que muitos agricultores ganharam os seus “cobres” plantando macassinha e batata.

A macassinha tinha o poder de fortificar as terras fracas e trazer textura permeável ao solo, condições requeridas pela batata. O método de plantão era unicamente os leirões, sem qualquer preparo especial. De maneira que o homem simples do campo, com pouca técnica, podia produzir a batatinha garantindo a sua renda durante quase o ano todo.

Edmundo Huet Bacellar, agrônomo, em seu artigo para o “Boletim da Diretoria de Produção” (Edições nº 10 a 12 – Tomo I de 1935), afirmava que a batatinha era “originária da América do Sul, onde é ainda encontrada em estado silvestre”.

Esperança produzia em 1918 a cifra de 150.000 quilos, que era vendida a 100 réis o quilo. Celso Mariz (1939) nos informa os índices de produção deste produto nos anos seguintes:

- 1934: 600.000 quilos;

- 1935: 1.375.000 quilos

- 1936: 380.000 quilos.

 

As oscilações eram devido ao empenho dos agricultores e a “conflagração europeia dando lugar, primeiro à escassez e depois a ausência completa da batatinha nos mercados nacionais” (Boletim MA: 1927).

No governo de Argemiro de Figueiredo procurou-se racionalizar a cultura em todo o Estado, por considerar que “Esse produto era, até bem pouco, de reduzido consumo e restrita área de plantio” (A União: 06/11/1935). O melhoramento da solanácea partiu de sementes adubadas e controle da colheita, tendo em vista o aumento do consumo.

Dizia-se que, antes daquela administração, o seu plantio era “a esmo. Irracionalmente. Ou melhor, não se sabia plantá-lo, até mesmo na sua área apropriada, que é Esperança, onde, pelas condições privilegiadas de temperatura, que, mais de que qualquer outras, resistem à ação do “mosaico”, há maiores possibilidade de desenvolvimento que em S. Paulo” (A União: 06/11/1935).

Assim, foram importadas batatinhas da Holanda, “onde há estabelecimento especializados na sua seleção e dirigidos pelos mais reputados técnicos de batatinha, do mundo”, noticiava A União naquele ano (1935). Passou-se, assim, a adotar a espécie “Bintje”.

Além disso, foram introduzidas máquinas agrícolas e, para dar suporte a esta cultura, com o apoio dos governos federal e estadual, foi instalada em nosso Município a “Cooperativa de Crédito Agrícola de Esperança” (Decreto nº 831, de 19 de maio de 1936) que concedia não apenas crédito, como classificava as sementes e distribuía para o mercado interno. Os principais fomentadores desta inciativa foram Antônio Patrício, Joaquim Virgolino e Heleno Henriques.

Implantou-se, então, um campo experimental, onde se faziam experiências de variedades de adubação, de época de plantio e de conservação. Como se não bastasse, o governo estadual “criou um serviço de classificação e uma legislação que proibia a colheita do mesmo não amadurecido e determina o modo de transporte e acondicionamento dos tubérculos” (A União: 06/11/1935).

O agrônomo Pimentel Gomes, responsável pela Diretoria de Produção do Estado, estimava que, a partir deste incentivo, a safra de batatinha passaria de 700 para 1.500 tonelada, fazendo o seguinte prospecto:

 

Como a animação é intensa, é possível que se colham 3.000.000 de kilos no próximo ano, se não faltarem as chuvas. Como prova da crescente melhoria do produto, o agricultor que vendia, o ano passado, em Esperança por 1$000 15 kilos de batatinha, obtém, hoje 6$000 pela mesma quantidade. Por meio de adubação e emprego de máquinas, conseguiu-se elevar a safra por hectare de 2.000 para 13.000 kilos. Esperança tem possibilidade de produzir 30.000.000 de kilos. Mas ainda é cedo para este recorde. Espero, ainda no corrente ano, mais de 1.500.000 kilos. Já exportamos 1.250.000 kilos. Semanalmente saem para o Recife 30.000 kilos” (A União: 06/11/1935).

 

Os regimes de secas aliados aos baixos preços e a ocorrência de pragas diminuíram o plantio da batatinha na região polarizada por Esperança. Muitos agricultores foram obrigados a investir nas roças de feijão e milho.

A batata inglesa atualmente está um pouco esquecida, merecendo o seu incremento agrícola em nosso Município, por ser uma alternativa agricultável para os pequenos produtores.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- A NOITE, Jornal. Edição de 03 de outubro. Rio de Janeiro/RJ: 1918.

- A NOITE, Jornal. Edição de 09 de abril. Rio de Janeiro/RJ: 1918.

- A NOITE, Jornal. Edição de 13 de novembro. Rio de Janeiro/RJ: 1934.

- A UNIÃO, Jornal. Edição de 06 de novembro. João Pessoa/PB: 1935.

- ALMEIDA, José Américo de. A Parahyba e seus problemas. Imprensa Official: 1923.

- MA, Boletim. Volume XVI. 2ª Edição. Ministério da Agricultura. Rio de Janeiro/RJ: 1927.

- MA, Relatório. Circulação dos produtos agrícolas e custo de vida: em relação dos artigos de alimentação no Brasil (1921-1923). Diretoria de Inspeção e Fomento Agrícolas. Imprensa Nacional: 1925.

- MARIZ, Celso. Evolução Econômica na Paraíba. A União Editora. João Pessoa/PB: 1939.

- O IMPARCIAL, Jornal. Edição de 10 de abril. Rio de Janeiro/RJ: 1918.

- PARAHYBA, Anuário da. Volumes I-III. Imprensa Official: 1934.

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