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A arquitetura do Irineu Jóffily

Lateral da Escola Irineu Jóffiliy (1932)

Nos anos 30, do Século passado, houve muitas reformas estruturais administrativas, que se refletiram na própria arquitetura escolar, impulsionadas por figuras como Anísio Teixeira. O aspecto físico deveria expressar ordem, higiene, disciplina e eficiência. Estas ideias estavam associadas à modernização do Estado e à democratização do ensino.

A planta se insere em um momento de reorganização do “Estado Novo”, marcado pela Revolução de 1930. Getúlio Vargas, em sua ascensão ao poder, deu novos contornos à educação, que passou a ser vista como instrumento de modernização nacional.

Seguindo esta tendência, os governos estaduais passaram a adotar “projetos-tipos” que podiam ser replicados em várias cidades.

O estilo predominante era o funcionalismo com sua simplicidade volumétrica e racionalidade espacial. Valorizava-se a iluminação e ventilação natural, com o uso de materiais convencionais.

O edifício da Escola “Irineu Jóffily” foi concebido a partir destes princípios, sendo projetado para seis salas de aula e organizado de forma simétrica e funcional. Observa-se, ainda, em sua estrutura, resquícios do neocolonialismo (simetria rígida) e do ecletismo (composição equilibrada).

O desenho mostra um pavilhão térreo com disposição linear e acesso central, dividido em três partes principais: corredor central, salas de aula (seis) e vestíbulo (área de transição) com acesso ao pátio coberto.

A fachada principal aparenta um único pavimento, com telhado de quatro águas e janelas regulares, refletindo a simplicidade e o equilíbrio do ambiente. A estrutura do telhado é tradicional e o pé direito alto.

O pavilhão, além de servir de área para “brincadeiras”, também promovia a ginástica. Nele se realizavam as festividades da sociedade local, com ênfase para o S. João de onde saiam as quadrilhas, conforme depoimento de Pedro Dias, ex-aluno da instituição:

“Os festejos juninos eram a grande atração e as quadrilhas da sociedade naquela época aconteciam naquelas datas e, como era de praxe, sempre no recinto do pavilhão de recreio do “Irineu Jófilly”, onde iniciei e concluí o meu curso primário”

O espaço era maior do que é hoje, já que ao longo do tempo, foi desmembrado para a construção de outros equipamentos, a exemplo da prefeitura municipal (atual delegacia), como relata Pedro Dias:

“As muralhas laterais que se angulavam com a linha de fechamento dos fundos, área interna onde também se plantavam milho ou outra monocultura naqueles meses de chuvas, se estendia, aos meus olhos de adolescente, por mais ou menos noventa ou cem metros de comprimento e limitava-se com o sítio do Sr. Lecínio Curvelo, nas proximidades da Rua da Floresta”.

A escola mantém até hoje o modelo arquitetônico inicial, apesar de algumas reformas na sua estrutura interna. Este prédio é um dos mais antigos da cidade, passível de tombamento pelos poderes públicos.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- DIAS, Pedro. Coisas do passado: S. João do Irineu. História Esperancense. Disponível em: https://historiaesperancense.blogspot.com/2014/06/coisas-do-passado-s-joao-do-irineu.html, acesso em 09/04/2026.

- LIRA, José Tavares Correia de. A construção do território nacional: arquitetura e urbanismo no Estado Novo. São Paulo: Edusp, 2011.

- TEIXEIRA, Anísio. Educação para a democracia: introdução à administração educacional. Rio de Janeiro: UFRJ, 1936.

Comentários

  1. Em 78 cheguei por lá para terminar o primário... em 90 noticiava problemas na estrutura no semanário A Folha... em 99 chegava lá como professor... saí em 2013. Fiquei frequentando ocasionalmente. Vi pequenas e acompanhei a grande reforma recente. Ano passado voltei para lançar o cordel Esperança triCentenária. Apesar de seu terreno encolher e de um certo inchaço interno, mantem-se bem preservado.

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