Nascido em 20 de setembro de 1901, na Fazenda Arara, localizada no município de Esperança, Estado da Paraíba, era filho de Manoel Virgolino da Silva e Maria Narcisa da Silva. Casou-se em 10 de novembro de 1928, com Nícia Maracajá Henriques. Ela nascida na Fazenda Nova Vista, no município de Gurjão, em 4 de agosto de 1913. Esse consórcio estendeu-se por quase 75 anos.
Dessa união descende
cinco filhos: Robério Maracajá Henriques, Níobe Maracajá Henriques, Parsival
Maracajá Henriques, Ceres Maracajá Henriques e Isis Maracajá Henriques.
João
Henriques iniciou seus estudos preliminares em sua cidade natal, Esperança, na
Paraíba. Em busca de aprofundamento, ingressou no Seminário Maior de João
Pessoa e, nos anos de 1919 e 1920, estudou no prestigiado Liceu Paraibano.
A
consolidação de sua formação técnica e científica ocorreu em Minas Gerais, onde
obteve o diploma pela Escola Mineira de Agronomia e Veterinária de Belo
Horizonte no ano de 1923.
Nesse mesmo
período, cumpriu com suas obrigações militares, tendo sido sorteado para o
Exército Brasileiro e incorporado em 11 de maio de 1923, em Belo Horizonte,
figurando na caderneta militar sob a Classe 1901, Primeira Linha, número 1966,
Série A, Quarta Divisão, Oitava Brigada de Infantaria, Décimo Segundo
Regimento, Segundo Batalhão, Sétima Companhia.
Em 13 de
outubro de 1925, foi nomeado Agente de Estatística do algodão no Estado da
Paraíba, vinculado ao Ministério da Agricultura. Seu primeiro desafio prático
como agrônomo consistiu na preparação de um campo experimental destinado ao
cultivo de algodão e feijão no município de Boqueirão, situado na várzea que, hoje,
abriga o açude Epitácio Pessoa.
Em 24 de maio
de 1926, recebeu indicação formal para administrar a Fazenda de Sementes de
Pendência, na Paraíba, instituição que posteriormente daria origem à Emepa.
Atuou como colaborador
do Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal da Secretaria da
Agricultura, Indústria e Comércio do Estado de São Paulo, a partir de 27 de
agosto de 1928. E no ano seguinte, em 2 de fevereiro de 1929, assumiu a
representação da Sociedade de Agricultura da Paraíba.
Em 16 de
julho de 1931, iniciou os estudos para a construção do açude público de
Soledade, na Paraíba, atuando em conjunto com a Inspetoria Federal de Obras
Contra as Secas.
Em 1º de
março de 1933, ascendeu na carreira federal ao ser nomeado Inspetor de Segunda
Classe da Primeira Seção Técnica da Diretoria de Plantas Têxteis do Ministério
da Agricultura. Meses depois, em 4 de julho de 1933, assumiu a direção do campo
de sementes de plantas têxteis do mesmo Ministério, localizado em Pendência, na
Paraíba.
Em 22 de
outubro de 1935, foi designado para o cargo de Subassistente da Diretoria do
Serviço de Plantas Têxteis, em Alagoinha, na Paraíba. Pouco tempo depois, em 12
de dezembro de 1935, ficou incumbido de chefiar a estação experimental daquela
mesma cidade, na seleção de variedades de algodão.
Em 15 de
julho de 1936, assumiu a direção do laboratório de sementes do Ministério da
Agricultura, sediado em João Pessoa. Nesse tempo, destacou-se pela produção
intelectual, contribuindo reiteradamente com artigos para o Boletim da
Diretoria de Fomento da Produção Vegetal e de Pesquisas Agronômicas, periódico
impresso pela Secretaria de Agricultura, Comércio, Viação e Obras Públicas.
O ano de 1937
marcou uma expansão interstadual de sua atuação. O governo de Pernambuco, por
intermédio do Ministério da Agricultura, solicitou oficialmente sua colaboração
técnica. Em 31 de maio daquele ano, foi formalmente designado para colaborar
com a administração pernambucana na execução de serviços relativos ao fomento
da produção vegetal, com ênfase no setor de plantas têxteis.
Desenvolveu ainda
pesquisas fundamentais sobre a flora nordestina, culminando na publicação, em
1938, de uma monografia ilustrada sobre o Caroá, editada pelo Departamento
Nacional de Produção Vegetal do Ministério da Agricultura. Este trabalho de
trinta e cinco páginas alcançou tamanha relevância científica que, em 4 de maio
de 1940, a Universidade de Harvard, por meio do Gray Herbarium, localizado em
Cambridge, Massachusetts, solicitou formalmente uma cópia do estudo ao
Ministério da Agricultura brasileiro.
O
reconhecimento consolidou-se em 12 de setembro de 1938, quando foi nomeado de
forma efetiva pelo então Interventor Federal do Estado da Paraíba, Argemiro de
Figueiredo, para exercer o cargo de Assistente-Chefe da Segunda Secção Técnica
da Diretoria do Fomento da Produção, bem como o cargo de Assistente Técnico da
mesma diretoria, funções que exerceu por nove anos consecutivos.
Além disso,
em 4 de abril de 1939, assumiu a função docente, sendo designado professor da
cadeira de Defesa Sanitária do Algodão e Estatística no curso de Classificação
de Algodão no estado da Paraíba.
Em 20 de maio
de 1940, sua trajetória de dedicação ao serviço público foi laureada com a
Medalha de Prata comemorativa do Cinquentenário da República, conferida pelo
Presidente da República, acompanhada de diploma alusivo rubricado pelo
Chanceler e Presidente dos Conselhos das Ordens Nacionais do Cruzeiro do Sul,
do Mérito Naval e do Mérito Militar.
Em 4 de
setembro de 1940, foi designado Diretor de Fomento da Produção com a missão de
inspecionar os serviços de cooperativismo e classificação do algodão no
interior da Paraíba.
Em 11 de
dezembro de 1941, quando, na qualidade de Diretor da Diretoria de Fomento da
Produção, passou a responder pelo expediente integral da Secretaria de
Agricultura, Viação e Obras Públicas do Estado da Paraíba, sob a interventoria
de Ruy Carneiro, função para a qual foi novamente designado em 23 de fevereiro
de 1942, durante a gestão interina de Samuel Duarte.
Durante a
Segunda Guerra Mundial, sua capacidade de gestão estratégica foi requisitada
pelo governo federal. Em 15 de maio de 1945, assumiu a relevante posição de
Assistente da Comissão de Controle dos Acordos de Washington para o Estado da
Paraíba. Nessa função crítica, detinha poderes para exercer o controle do
comércio e da indústria de artefatos de borracha e executar as rigorosas
instruções ministradas pela comissão central no Rio de Janeiro.
No cenário
pós-guerra, continuou a liderar projetos de modernização agrícola. Em 28 de
dezembro de 1945, foi designado para reorganizar o Horto Simões Lopes e atuar
como promotor do estudo das variedades de coqueiro cultivadas na Paraíba.
Em 8 de abril
de 1947, durante o governo de Osvaldo Trigueiro, foi nomeado Diretor do
Departamento de Classificação de Produtos Agropecuários da Paraíba. No ano
seguinte, em 28 de julho de 1948, integrou a comissão técnica encarregada da
organização e execução do plano de fomento da produção algodoeira do estado.
Em 17 de
setembro de 1949, passou a integrar a Comissão do Vale do São Francisco,
representando a Paraíba e liderando o setor de terras e colonização, mandato
que foi posteriormente prorrogado.
Em 15 de
abril de 1950, assumiu a chefia da Granja São Rafael, em João Pessoa, fixando
residência nessa fazenda experimental. Poucos meses depois, atuou como membro
da banca examinadora do concurso de títulos para o provimento de cargos da
classe inicial da carreira de Agrônomo do quadro único do estado da Paraíba.
Nessa mesma
década (1950) foi convocado ao Rio de Janeiro para chefiar um departamento no
Ministério da Agricultura, juntamente com o Dr. Oscar Guedes.
De volta à
Paraíba, foi designado chefe da Segunda Zona Agrícola, com sede em Campina
Grande, em 16 de março de 1951. E em 17 de setembro de 1952, durante a gestão
do governador José Américo de Almeida, foi nomeado Diretor do Departamento de
Produção do Estado.
No ano
seguinte, em 6 de fevereiro de 1953, foi escolhido como representante do
Governo do Estado para constituir a Comissão Permanente de Defesa do Algodão.
A carreira
formal como servidor do Estado da Paraíba encerrou-se em 12 de fevereiro de
1954, quando obteve sua aposentadoria ocupando o cargo de Agrônomo, classe
"Q", do quadro permanente, lotado no Departamento da Produção.
No entanto, em
1958, a convite de um antigo colega, transferiu-se para a iniciativa privada no
Estado de Alagoas, passando a trabalhar na Companhia de Progresso Rural,
localizada na comunidade de Pindorama, município de Coruripe.
Essa mudança
geográfica marcou o início de uma nova e frutífera fase de sua carreira, focada
no desenvolvimento do Baixo São Francisco.
Em 8 de
agosto de 1959, retornou ao serviço público federal ao ser designado
encarregado da Patrulha Motomecanizada na Residência Agrícola de Penedo, em
Alagoas, sob a égide da Comissão do Vale do São Francisco, passando a responder
pelo expediente completo dessa residência agrícola poucos dias depois.
As décadas
de 1960 e 1970 consolidaram João Henriques da Silva como o grande pioneiro e
estruturador da orizicultura na região do Baixo São Francisco. Operando a
partir da cidade de Penedo, em Alagoas, manteve vínculos contínuos com a
Superintendência do Vale do São Francisco (SUVALE), exercendo diversas funções
de coordenação e direção em residências agrícolas locais e fazendas escolas,
como a de Porto Real do Colégio.
Em 21 de
março de 1969, assumiu a coordenação do serviço de experimentação na área da
Sexta Agência Regional da SUVALE, com foco direto no fitomelhoramento, na
refertilização dos solos e no melhoramento genético da rizicultura regional.
A sua grande contribuição
técnica na agronomia ocorreu em 13 de janeiro de 1970, quando logrou êxito na
criação da variedade de arroz denominada "Suvale I 70". Essa inovação
científica obteve notório destaque em todo o território nacional, passando a
ser cultivada em noventa e cinco por cento das áreas de várzea dos estados de
Sergipe e Alagoas, revolucionando a economia agrícola local.
O profundo
conhecimento acumulado sobre o tema resultou na publicação, em 1º de março de
1973, de um extenso boletim de cento e dezessete páginas intitulado "O
Arroz no Baixo São Francisco", editado pelo Departamento de Valorização
Rural da SUVALE. A expertise do agrônomo tornou-se referência, motivando
constantes convites para cursos, encontros de pesquisa e extensão, incluindo
atuações na EMBRAPA e na SUDENE.
A par de suas
atividades de campo e pesquisa, dedicou-se ao magistério superior. Entre os
anos de 1977 e 1982, atuou como professor na Faculdade de Formação de
Professores de Primeiro Grau de Penedo, instituição vinculada à Fundação
Educacional do Baixo São Francisco.
Com a
transição institucional da SUVALE para a Companhia de Desenvolvimento do Vale
do São Francisco (CODEVASF), assumiu novas responsabilidades diretivas. Em 7 de
novembro de 1977, foi designado presidente da comissão encarregada da avaliação
das áreas das várzeas de Boacica, Marituba, Brejo Grande, Cotinguiba e Pindoba.
Nos anos
iniciais da década de 1980, coordenou atividades relativas à produção e
beneficiamento de sementes e mudas na Quarta Diretoria Regional da CODEVASF,
integrando comissões estaduais em Alagoas e Sergipe.
Em dezembro
de 1982, atuou como coordenador do grupo para a elaboração do plano agrícola
para a área de irrigação do projeto Cotinguiba/Pindoba, em Sergipe, em parceria
com a FAO. O encerramento definitivo de seu vínculo empregatício com a CODEVASF
ocorreu apenas em 24 de outubro de 1983, quando contava com oitenta e dois anos
de idade.
Três anos
após o término formal de suas funções, em 26 de setembro de 1986, recebeu em
Brasília a Medalha do Mérito da Irrigação e Drenagem “José Augusto Trindade”,
outorgada pela Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID),
chancelando sua imensa contribuição para a infraestrutura agrícola do país.
Além de sua
vasta carreira no setor agronômico, João Henriques construiu uma sólida
presença na vida cultural, associativa e literária das regiões em que residiu.
Desde a
juventude, engajou-se no associativismo civil. Em 24 de abril de 1927,
tornou-se sócio benemérito do Vera Cruz Foot-Ball Club, em Esperança.
Posteriormente, consolidou sua liderança social integrando o Rotary Clube de
Penedo em 1966 e, mais tarde, associando-se ao Lions Clube da mesma cidade no
final de 1970.
Seu
compromisso cívico também se refletia na frequente atuação perante a Justiça
Eleitoral, tendo sido reiteradamente nomeado para compor juntas de apuração
eleitoral nas décadas de 1970, na jurisdição de Penedo.
No campo da
preservação da memória e do estudo regional, manteve estreitos vínculos com
instituições históricas. Foi aceito como sócio efetivo do Instituto Histórico e
Geográfico Paraibano em 1941, atuou como sócio correspondente do Instituto
Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e, de forma póstuma, em 8 de
dezembro de 2005, foi homenageado como Patrono da Cadeira número 87 do
Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano. Em 2004, seu nome figurou
em pleito para designar um novo edifício da CODEVASF em Penedo, demonstrando o
respeito de seus pares institucionais.
Deixou um
extenso acervo de literatura de ficção, incluindo cento e setenta e seis contos
e dois romances inéditos, intitulados “Gracinha a menina dos olhos verdes” e “Paraíba
nossa terra nossa gente”. A difusão do conhecimento, contudo, não se limitou à
literatura; foi um pioneiro na extensão e comunicação rural, apresentando
programas de perguntas e respostas sobre agricultura em diversas emissoras de
rádio de Campina Grande e de Penedo, bem como redigindo assiduamente artigos
para o jornal oficial "A União", do Estado da Paraíba.
Essa
integração multifacetada entre a técnica agronômica, a gestão pública e a
difusão cultural sedimenta o perfil de um intelectual cujo legado permanece
indissociável do desenvolvimento agrário brasileiro no século vinte.
João
Henriques da Silva faleceu em 16 de abril de 2003, na cidade de Maceió, Alagoas,
aos cento e um anos, sete meses e quatro dias de idade, mantendo-se lúcido até
os seus últimos momentos. Sua esposa faleceu no mesmo ano, poucos meses depois,
em 11 de novembro de 2003, também na capital alagoana.
Rau
Ferreira
Fonte: http://wwwcontandohistorias-historiador.blogspot.com.br/2015/04/aniversario-de-morte-de-joao-henriques.html,
em 10/04/2015. Também visitado em 29/11/2024.

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