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Banabuyé, Capítulo de Romance (Silvino Olavo)


Dentre os materiais que Carlos Bezerra recebeu do cunhado de Silvino – Waldemar Cavalcante – pouco tempo após a morte do poeta, encontra-se um capítulo do romance “Banabuyé”. A documentação foi doada pelo engenheiro ao Grupo de Estudos e Pesquisas do HISTEBR-GT/PB, capitaneado pelo Prof. Charlinton Machado.

Escrito na segunda metade do Século XX no período de reclusão, quando esta padecia de crises esquizofrênicas, “em pleno contexto do ostracismo vivido por Silvino Olavo da Costa, após o retorno definitivo para cidade de Esperança, interior da Paraíba”, como bem pontuou a equipe de pesquisadores, no trabalho “Silvino Olavo da Costa: Escritos de Solidão e Silêncio”.

Irineu Jóffily – em suas “Notas sobre a Parahyba” (1892) – nos diz que Banabuyé foi sempre o nome deste lugar, e assim deveria ter permanecido, por mais auspicioso que fosse “Esperança”. O romance, de certo,

A seguir, a reprodução do mencionado capítulo deste romance:

“É este governo do povo, constituído pela habilidade de alguns, com a aquiescência da maioria, que se chama democracia... Pela necessidade de organização e habilidade dos políticos, há um grupo diminuto que faz e desfaz em nome da soberania popular...

- Temos motivos de estarmos nós de parabéns, gritou o Quincas, sexagenário de hábitos simples, que não estimulava muito as forças do trabalho, e – homem de abalados conhecimentos, reconsiderava em tom de dignidade o sentido, o verdadeiro sentido da palavra trabalho!

- Trabalho! – digo, não foi em vão que colocamos o Dia do Trabalho no dia 1º de maio! É um ponto de partida, e é, muitas vezes a restauração do Calvário!

Para este jovem batalhador não havia problemas; havia, sim, a complicação dos problemas. Sempre que se lhe apresentava um caso de ponto-de-rua, redobrava de atividade e reduzia as marmeladas a um grau de reconhecimento que obrigada os boateiros das esquinas a se declararem do seu lado – armando-se com uma frase que revelava em tudo a sua coragem e a sua decisão:

- Aqui – é... crescer!

Foi a sua primeira aterrisagem! entregou-se, – para logo, cantarolando – entregou-se de bom grado, a um panteísmo wagneriano que resumia o acordo dessa orquestra de filósofos com o seguinte e incomparável dístico do seu regente:

Entre o bem completo e o mal absoluto,

A verdade dos fatos não altera a produto!

Panteísmo wagneriano!

Panteísmo de castanha do Pará!”.

 

A narrativa reflete sobre a política, trabalho e a conduta da personagem. O autor sugere que devido à necessidade de organização, um grupo pequeno acaba detendo o poder de decisão em nome da soberania popular. Para ele este é o conceito de democracia.

Quincas – um home sexagenário de hábitos simples – é quem introduz a exaltação do trabalho, como algo que exige sacrifício e renovação. Apesar de não ser alguém que estimule as forças produtivas pessoalmente, ele busca resgatar o “verdadeiro sentido” e a dignidade do trabalho.

Observa-se, ainda, o foco sobre um jovem que lida com a política de rua (ponto-de-rua) de forma astuta. Ele não vê problemas, mas complicação daqueles e consegue transformar as confusões ou trapaças (marmeladas) em reconhecimento, trazendo até os boateiros das esquinas para o seu partido. Para o jovem, tudo é fator de crescimento.

O termo “panteísmo wagneriano” é usado para descrever uma harmonia orquestrada de ideias, enquanto o dístico moral se adapta à ética social.

Por fim, o autor conecta esta filosofia grandiosa à realidade brasileira (panteísmo de castanha do Pará), conferindo-lhe uma identidade regional.

Não sabemos se esta obra é autobiográfica ou fictícia nem mesmo o seu objetivo, posto que até o momento apenas conhecemos o presente capítulo.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes Historiográficos do Município de Esperança. A União. Esperança/PB: 2015.

- NUNES, Maria Lúcia da Silva. MACHADO, Charlinton José dos Santos. BARBOSA, Daniella de Souza. SILVINO OLAVO DA COSTA: ESCRITOS DE SOLIDÃO E SILÊNCIO. Interfaces Científicas. Educação – Vol. 11, Nº 3. Editora Universitária Tiradentes. ISSN Digital 2316-3828. Aracajú/SE: 2022.

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