Pular para o conteúdo principal

Visita Pastoral (1926)

Dom Adauto de Miranda Henriques
Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques visitou a nossa paróquia de 07 à 11 de novembro de 1926.
A caravana chegou pela manhã. Acompanhavam o presbítero: Monsenhor José Paulino Duarte, Frei Fabiano OFM, Cônego Manuel Cristiano, Padre Emiliano de Christo, filho de Esperança, Theodomiro Guimarães e Gentil de Barros.
Aguardavam na entrada da cidade o vigário José Borges de Carvalho e os seminaristas Francisco Lima, José Mesquita e Pedro Serrão, além das associações da paróquia, uniformizadas e com seus estandartes. Acorriam ainda as classes sociais, famílias e grande número de pessoas acolhendo a todos com demonstração de carinho, respeito e amor filial.
Após a recepção, foram conduzidas a uma residência para se abrigarem, antes de iniciar a procissão até a igreja matriz onde foi celebrada a santa missa.
O oficiante se dirigiu ao povo declarando aberta a visita e pregando aos fiéis sobre a sua importância e seus fins; determinou-se o horário dos trabalhos e demais avisos.
À noite a pregação do evangelho ficou a cargo de Frei Fabiano.
Nos dias que se seguiram, foram acolhidos os alunos e seus professores, Apostolado da Oração, Congregação dos Moços, Círculo Operário, Irmandade do S. S. Sacramento, Ordem Terceira Franciscana, representantes do comércio.
Por essa ocasião, assinalou o Bispo: “Porquanto, tendo eles a devida compreensão de que o progresso moral é o vínculo e a segurança dos demais, consideram altamente a autoridade do seu vigário com quem mantém a mais perfeita união”.
O Conselho Municipal e autoridades civis que prestaram suas homenagens. E em retribuição, a comitiva visitou os conselheiros, apresentando votos cordiais pela continuidade do “progresso moral e material desta florescente vila”.
Na oportunidade, os paroquianos “levados pelo amor filial e gratidão a nossa pessoa pela elevação de sua terra à categoria de paróquia”, solicitaram que ficasse esta pertencente a Arquidiocese, quando desmembrada de Campina Grande.
A Visita Pastoral rendeu muitos frutos espirituais, foram dispensadas 3865 comunhões, 2.719 Crismas, e quinze casamentos de “pessoas unidas ilicitamente”.
Nos trabalhos internos, foram vistoriados a pia batismal e os departamentos da igreja; examinados os arquivos e lançado o visto nos diversos livros.
“Tudo foi encontrado na melhor ordem, pelo que, cumpre-nos deixar aqui os nossos aplausos ao revmo. Pe. José Borges de Carvalho pelo cuidado e dedicação em que trabalha em seu ministério paroquial e pelo zelo tem manifestado no bem espiritual e moral de sua paróquia” – disse o Bispo, ressaltando o asseio da matriz e sua remodelação, transformando-o em belo templo, que lhe tem custado alguma soma de réis.
Os trabalhos foram encerrados no dia 11, pela manhã, quando então partiram em direção a outras dioceses. A ata desta visita foi lida na estação da missa dominical, com a benção pastoral aos paroquianos.
Dom Adauto foi Arcebispo da Paraíba de 1914 à 1935. Seu lema era “Iter para Tutum” (Prepara o caminho seguro). Esperança lhe rendeu homenagem, denominando uma das praças com o seu nome.

Rau Ferreira

Referências:
- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes da Historiografia do Município de Esperança. Esperança/PB: 2015.
- PARÓQUIA, Livro Tombo (da). Nossa Senhora do Bom Conselho. Edição Nº 01/1929 em diante. Esperança/PB: 1908.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Matias Grangeiro

Matias Grangeiro nasceu no dia 20 de abril de 1941, filho do também comerciante Severino Grangeiro de Maria. Casado com a Sra. Luciene Honorato, era pai de cinco filhos: Fabiana (in memorian), Miguell, Renato, Fábio e Taiana; esta última, primeira dama de nosso Município. I niciou no comércio com uma torrefação de café - o Dona Branca -   em 1968, na Rua José Andrade da Silva. Após a extinção desta firma , devido a forte concorrência , ingressou na revenda de móveis e eletrodomésticos (1975), fundando a “Matias Grangeiro & Cia. Ltda” com o nome fantasia de DECORAMA . Esta chegou a ter 26 filiais no Estado (oão Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo, Guarabira, Mamanguape, Queimadas, Alagoa Grande, Solânea, Areia, Bananeiras, Cuité, Remígio, Picuí, Pocinhos, Barra de Santa Rosa, Soledade, Arara, Nova Floresta, etc.), com 220 funcionário e gerando cerca de 300 empregos diretos. Com o sucesso que obteve neste ramo , abriu filiais nas cidades de...

Os Oliveira Ledo e o Município de Esperança

A família Oliveira Lêdo foi uma das primeiras a se estabelecer no interior da Paraíba. A partir de concessões de Sesmarias pela Coroa Portuguesa, nos Séculos XVII e XVIII, eles abriram caminhos e fundaram aldeias que permitiram o avanço da pecuária e o povoamento do Cariri Velho e Agreste. A ocupação da área onde hoje fica Esperança começou com o casal Marinha Pereira de Araújo e João da Rocha Pinto, que eram descendentes diretos do patriarca Custódio de Oliveira Lêdo. O casal estabeleceu currais nessa região por volta do século XIX, além de fundar a Fazenda Banabuyé. Essa fazenda de gado ocupava as terras que atualmente constituem o território urbano e rural do Município, servindo como o primeiro ponto de habitação colonial. Conforme inventário e registros genealógicos, citados no livro “Os Oliveira Ledo e a Genealogia de Santa Rosa” (1978), o casal deixou filhos que se espalharam e se casaram com outras famílias tradicionais da elite agrária, fracionando a terra através de hera...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Padre Luiz Santiago. Suas origens

Padre Luiz Santiago Onde nasceu o Padre Luiz Santiago? Antes, porém, precisamos responder quem foi este clérigo polêmico e ousado; filósofo, arqueólogo, historiador, escritor e piloto de avião, uma personalidade com ideias muito avançadas para o seu tempo. Os seus pais Delfim Izidro de Moura e Antonia de Andrade Santiago uniram-se em casamento no Sítio Lagoa Verde, em Esperança, a 18 de novembro de 1896, de onde seguiram para residir numa propriedade na Meia Pataca. Fruto desse enlace matrimonial, nasceu em 25 de agosto de 1897 um filho, a quem deram o nome de "Luiz". A “Meia Pataca” é uma comunidade rural na divisa de Esperança e Remígio, dividida por um acidente geográfico, ficando assim chamada de “Meia Pataca de Cima” e “Meia Pataca de Baixo”. A maior parte pertence a Esperança, terra agricultável para feijão e batatinha, sendo assim chamada, pela tradição, por ali ter sido encontrada uma moeda de valor. Uma áurea de mistério envolve o lugar. O menino cresceu o...