Pular para o conteúdo principal

Esperança: registro do S. João

O São João é a festa de maior expressividade nordestina. Comidas e danças típicas são ensaiadas e preparadas com antecedência, e durante todo o mês de junho as pessoas brincam e se divertem em torno da fogueira.
Esperança manteve acesa esta tradição através de suas quadrilhas de ruas e festejos promovidos por populares.
No passado tínhamos as quadrilhas marcadas por Benício Nóbrega, Antônio Coêlho, Theotônio Rocha, Matias Virgolino e Ascendino Portela, o mais conhecido de todos e que faleceu recentemente.
Na “Chã da Bala” (rua Manoel Rodrigues), a quadrilha mais famosa era organizada pelos familiares de Inácio Pereira (Goteira).
O “Casamento Matuto” também marcou época em nossa cidade. Carroças de boi eram efeitadas e percorriam as ruas da cidade com os noivos em seus trajes típicos. Segundo consta do Livro de Esperança, o cortejo saia da residência do Sr. Dogival Costa.
E danças como xote, xaxado, baião e muito forró podiam ser ouvidos por toda a cidade.
O Santo Antônio e São Pedro são comemorados com igual empolgação, as moças fazem advinhas, rezas e orações; e na igreja os ritos litúrgicos acompanham os festejos juninos em geral.
Os principais sanfoneiros da cidade Manoel Tambor e Chico de Pepê.
Durante a administração do Prefeito José Lêdo Vieira Nóbrega (1989/1992), a festa passou a ser organizada pela prefeitura municipal com especial destaque. Foi organizado o “Arraial da Esperança”, com barracas, ilhas de forró e um palco principal a que deram seguimento as administrações posteriores.
A partir de 2009 passou a denominar “São João de Todos”, segundo o lema municipal da atual administração, onde foram criadas algumas casas que representam a antiga “Banabuyê” de outrora. Trata-se de uma pequena vila com capela, delegacia e bodega. Nesse mesmo ano foi homenageado o popular “Zé Belo”, um dos bodegueiros mais antigos da cidade.
Em 2010 a edilidade municipal já deu início aos preparativos para as comemorações de S. João, com a construção da “Vila Banabuyê” e palco onde se apresentarão as principais atrações. Este ano está previsto shows com as bandas “Mulher Chorona”, “Forró Pegado”, “Louro & Victor Santos”, “Forró Feitiço”, “Colo de Menina” e muito mais.
Nos detalhes das fotos observamos o “Arraial da Esperança” 1994 e 2006; a rua direita do São João de Todos 2009, o interior da capela e o portal principal da festa (2009).

Rau Ferreira

Referência:
-         Livro do Município de Esperança, Ed. Unigraf: 1985, p. 67/68;
-         Revista da Esperança, Ano I – Nº 03, Jun/Agosto 1997, p. 23;

-         Fotos: Acervo Evaldo Brasil.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Casamentos de escravos (1760)

O pesquisador e genealogista Ismaell Bento descobriu dois interessantes registros de casamento entre pessoas escravizadas realizados em 1760, sob a responsabilidade do vigário Antônio Rodrigues Pires. Os nubentes eram residentes nas Fazendas Horyá (Arial) e Bona-boyê (Banabuyé). As cerimônias seguiram os ritos da Igreja Católica com a presença de testemunhas e do vigário que presidiu o ato religioso. A seguir a transcrição destes dois documentos:   “Aos 22/10/1760 às 11 horas do dia, feitas as denunciações na forma do SCT, onde são os nubentes moradores, sem se descobrir impedimento, em minha presença, estando presentes por testemunhas Sebastião Gomes Correia, casado e morador na Fazenda do Aoryá, e Bartolomeu Gomes, solteiro e morador na Fazenda de Bonabuyé, e outras pessoas muito conhecidas, na Fazenda das Lages, se casaram de palavras de presente, Manuel Angola com Quitéria crioula, escravos do Capitão Aires Gomes Correia, e logo lhe dei as bençãos, conforma os ritos e cer...

Capelinha N. S. do Perpétuo Socorro

Capelinha (2012) Um dos lugares mais belos e importantes do nosso município é a “Capelinha” dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro. Este obelisco fica sob um imenso lagedo de pedras, localizado no bairro “Beleza dos Campos”, cuja entrada se dá pela Rua Barão do Rio Branco. A pequena capela está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa “ lugar onde primeiro se avista o sol ”. O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Consta que na década de 20 houve um grande surto de cólera, causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira, teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal.  Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à ...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

Controvérsia religiosa em Esperança: o desafio de Frei Damião

  A controvérsia religiosa entre Frei Damião de Bozano e o pastor evangélico Synésio Lyra se iniciou no Município de Esperança, quando o frade em uma de suas missões, realizada em março de 1935, incitou o povo a não manter “ transações comerciais ” com os protestantes. O número de evangélicos era bem pequeno, pois a semente do evangelho apenas se iniciou em 1922, quando dois missionários da Igreja Congregacional de Campina Grande se deslocaram até o Sítio Carrasco, fundando uma pequena comunidade, de onde surgiu a 1ª Igreja Congregacional de Esperança. À época os missionários andavam em lombos de burros-mulos, e os irmãos quando queriam participar da ceia do Senhor, enfrentavam à pé os 25 Km que separavam as duas cidades. Em praça pública, na última noite, Damião benzeu rosários, velas e medalhas dos fieis e, para garantir que eles obedecessem a ordem, fizeram juras “ solene à Santíssima Virgem ”. A multidão atendeu prontamente. Ninguém podia vender ou comprar bens dos protes...

História de Massabielle

Capela de Massabiele Massabielle fica a cerca de 12 Km do centro de Esperança, sendo uma das comunidades mais afastadas da nossa zona urbana. Na sua história há duas pessoas de suma importância: José Vieira e Padre Palmeira. José Vieira foi um dos primeiros moradores a residir na localidade e durante muitos anos constituiu a força política da região. Vereador por seis legislaturas (1963, 1968, 1972, 1976, 1982 e 1988) e duas suplências, foi ele quem cedeu um terreno para a construção da Capela de Nossa Senhora de Lourdes. Padre Palmeira dispensa qualquer apresentação. Foi o vigário que administrou por mais tempo a nossa paróquia (1951-1980), sendo responsável pela construção de escolas, capelas, conclusão dos trabalhos do Ginásio Diocesano e fundação da Maternidade, além de diversas obras sociais. Conta a tradição que Monsenhor Palmeira celebrou uma missa campal no Sítio Benefício, com a colaboração de seu Zé Vieira, que era Irmão do Santíssimo. O encontro religioso reuniu muitas...