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Repentistas esperancenses - 2ª Parte

Numa primeira postagem escrevemos sobre os poetas populares e repentistas de Esperança (http://historiaesperancense.blogspot.com/2010/10/poetas-e-repentistas-esperancenses.html) , destacando os principais representantes desta arte: João Benedito, Egídio de Oliveira Lima, Toinho e Dedé da Mulatinha – do passado – e Evaldo Brasil e os performáticos Marinalva e Fernando, que incorporam os personagens “Macambira & Querindina” – do presente.
Agora trazemos do passado o cantador Campo Alegre, citado na carta de Ferino de Gois Jurema a Romano. Ao citar o nosso torrão os versos lembram o velho repentista:

Cheguei na Boa Esperança,
Encontrei o Campo Alegre,
Esse me disse: Seu mal
Estou com medo que me pegue,
Se você já vem mordido,
Por caridade não negue...

Este teria vivido no Século XVIII na antiga vila de Boa Esperança, tanto que seu autor faz questão de corrigir: “Deve ter sido equívoco de Ferino, a cidade é Esperança-PB, e não Boa Esperança”. Mas sabemos nós que este foi um antigo topônimo do nosso município.
Quanto aos irmãos Pichaco, eram repentistas de improviso e faziam cantorias na cidade. Naquele tempo ouvir os cantadores de viola era uma das únicas diversões que haviam, então a rapaziada se reunia para ouvir os reis da viola: Pedro e Adauto Pichaco.
Dizem também que Josué da Cruz (1904/1968) morou por uns tempos em Esperança. É este que nos falou de João Benedito, citando como um dos “temíveis” cantadores de sua época.
Em conversas com João de Patrício a cerca dos cantadores e poetas populares, este confidenciou que seu pai – o comerciante Patrício Firmino Bastos – vendeu muita corda de viola para os cantadores que, vez por outra, adentravam a sua loja.
Hoje a tradição anda meio esquecida e dificilmente vemos repentistas, cantadores e emboladores de coco nas feiras. A modernidade e outras facilidades afastarem esses artistas do nosso convívio ao passo que a falta de incentivo talvez tenha sido o maior inimigo da cantoria popular.

Rau Ferreira

Fonte:
-         ALMEIDA, Átila Augusto F. SOBRINHO, José Alves. Dicionário bio-bibliográfico de repentistas e poetas de bancada, Volumes 1-2. Ed. Universitária: 1978, p. 56;
-         CASCUDO, Luiz da Câmara. Vaqueiros e cantadores: folclore poético do sertão de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará Vol. 6. Ed. Globo: 1939, p. 153.

Comentários

  1. Que maravilha a força que você tem dado a nossa cultura! Parabéns.

    Seus amigos e admiradores

    Macambira e Querindina

    ResponderExcluir
  2. Parabéns pelo seu trabalho.

    Macambira e Querindina

    ResponderExcluir
  3. Parabéns pelo seu trabalho.

    Macambira e Querindina

    ResponderExcluir

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