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Esperança na literatura de cordel

Que Esperança é terra de grandes cordelistas ninguém duvida. Lembremos Toinho e Dedé da Mulatinha, consagrados poetas populares; Egídio de Oliveira Lima, folclorista, escritor e patrono da Cadeira nº 22 da Academia de Letras e Artes do Nordeste; João Benedito, cujos versos sobre o tempo foram eternizados por Câmara Cascudo, e no passado exitiu os irmãos Pichaco que tinham o dom do improviso.
Em um antigo cordel (1904) que narra a saga do “Herói do Norte”, a altura da estrofe de nº 31, o poeta Francisco Batista das Chagas, descrevendo as proezas de Antonio Silvino, cita o nosso pequeno torrão:



E entrei, no dia seguinte,
Na povoação de Esperança.

Na povoação de Esperança
Dois macacos eu prendi,

Como êles não se opposeram
Soltei-os, não os offendi;

Então dos negociantes
Os impostos recebi.

Que exigi somma guardada
Do commercio ninguém pense:
Recebi só os impostos
Porque isto a mim pertence,
Até que um dia o governo
De perseguir me dispen-e.

De Esperança dingi me
A' villa de Soledade,
Ahi, de José do Coito,
(Com quem tenho inimizade)

Eis o registro da nossa pequena Vila, que tanto apraz o cantador.
Nos dias atuais, Macambira & Querindina são os maiores representanes do cordel local. Estes dois ativistas culturais representaram a cidade na Flip de Parati/RJ e em outros cantos do nosso Brasil.

Rau Ferreira
Fonte:
ALMEIDA, ÁTILA Augusto F. (de). SOBRINHO, José Alves. Dicionário bio-bibliográfico de repentistas e poetas de bancada, Volumes 1-2. Ed. universitária: 1978, p. 158;
LIMA, Egídio de Oliveira. Os Folhetos de Cordel. Ed. Universitária/UFPb: 1978;
BATISTA, Francisco das Chagas. Literatura popular em verso. Casa de Rui Barbosa: 1977, p. 83/84;
http://www.casaruibarbosa.gov.br: poeta Francisco das Chagas Batista, acesso em 29/09/2010.

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