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Chico Pintor

O poeta Francisco Eleutério, e grande escultor da cidade de Areial, me chamou a atenção para a escrita sobre Francisco Nicolau da Costa, o “Chico Pintor”. Dizia-me que “foi ele quem fez o Cristo de Areial e na parte de baixo do Cristo tem a inscrição dele; e sei que ele fez algumas estátuas para o Cemitério de Lagoa de Roça... o Senhor Morto da igreja também foi ele quem fez”. Comprometi-me em escrever algumas coisas. Eis o que sei. O artista morava na rua de baixo (rua Dr. Silvino Olavo), destacava-se pela sua criatividade, pois além de exímio desenhista, era também “santeiro” e responsável pela ornamentação dos altares e painéis artísticos da Igreja Matriz. Dele, nos dá conta Gemy Cândido em seu livro: “Seus painéis, inscritos no interior do templo, realçavam, em geral, uma majestade mística e arquitetural impressionante, em que o vermelho, o branco e o dourado, intercambiados, davam uma configuração multicolorida a paisagem sobrenaturais, quer quando estruturava cenas da via s...
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João Benedito: professor de cantoria

Jocelino Tomaz de Lima me surpreendeu esses dias com um texto sobre João Benedito (1860-1943), o cantador de Esperança referenciado por Câmara Cascudo (1898-1986) em sua obra [1] , e por Átila Almeida em seu Dicionário [2] , colocando-o entre os “grandes repentistas e preparadores [3] ”. Trouxe-me o material informações que confirmavam as que já conhecíamos, e acrescenta outros fatos que complementam a história do grande cantador. Disse-me que recorreu a um cidadão guarabirense, pesquisador da cultura popular, que lhe repassou o verbete em cópia. Jocelino Tomaz é memorialista e ativista cultural da cidade de Caiçara nesse Estado. Autor do livreto “100 Fatos dos 100 Anos de Jackson do Pandeiro”. Foi ele quem descobriu, no ano de 2019, uma música inédita do “Rei do Ritmo”. Coordenador da ONG Grupo Atitude, também profere palestras e possui um importante acervo pessoal. Segundo aquela narrativa, João Viana dos Santos – João Benedito – nasceu escravo, porém foi alforriado por seu se...

Casa antiga no Sítio Lagedão

Adiilson Cordeiro em seu canal no Youtube nos apresenta uma casa antiga no Sítio Lagedão, no município de Esperança. Ela seria uma das mais antigas da zona rural. A morada teria sido usada pelo Capitão Antônio Silvino em suas andanças pela região, na época em que os cangaceiros visitavam a nossa Banabuyé. O pé direito da casa tem quase quatro metros. A madeira usada na construção foi o cedro, talvez cortada do próprio matagal que existia na propriedade. Também possui um “caritó” onde se colocavam a luz de gás. No canto superior havia uma janela no alto com uma mureta, que servia para vigília. Diz-se que os “cabras” do “Rifle de Ouro” faziam guarda da polícia naquele recanto. Eles pernoitavam na residência e saiam ao raiar do dia. Existem ainda alguns potes centenários que serviam como reservatório de água. Estes eram muito comuns no tempo em que não existia filtro de barro. A água permanecia fria e evitava o contato com a poeira e insetos. O consumo se dava por uma jarra ou que...

Esperança e Sapé: as últimas vilas emancipadas completam 100 Anos de emancipação

Por Jocelino Tomaz *   Em 1º de dezembro de 1925 Sapé e Esperança foram elevadas à categoria de vilas. A primeira se separando de Espírito Santo e a segunda de Alagoa Nova. Até o fim do século dezessete a capitania da Paraíba tinha apenas um município, a cidade de Paraíba (cujo nome só mudou para João Pessoa em 1930). Ela já foi fundada como cidade em 1585 e tinha jurisdição sobre toda a capitania. Por volta de 1760 surgiram as primeiras vilas: Monte-Mor (Mamanguape), Baia da Traição, Pilar, Alhandra, Jococa (Conde) e Pombal. Podemos dizer que todas as atuais cidades da Paraíba já pertenceram a algum desses municípios. Desde o século dezoito até 1938 as vilas, assim como as cidades, tinham status de município. Tinham um território definido, autonomia administrativa e política. Durante a maior parte desse tempo tanto as vilas como as cidades eram governadas por vereadores ou conselheiros, o presidente da câmara ou do conselho exercia função semelhante ao prefeito, cargo que ...

Arte Déco no Município de Esperança

O Art Déco é um estilo arquitetônico surgido na Europa nos anos 20 do Século passado caracterizado pelo uso de formas geométricas, ornamento e design abstrato. Ele possui linhas retas e poucas curvas, com exclusão de entalhes e motivos orgânicos. As cidades de Campina Grande (PB) e Goiânia (GO) possui um rico acervo destas construções. No município de Esperança, poucos quilômetros da “Rainha da Borborema”, não poderia ser diferente, devido a uma forte influência exercida por aquela cidade, a exemplo da imagem coletada por Evaldo Brasil (Blog Reeditadas) de um imóvel situado na rua Barão do Rio Branco, como ele mesmo dispôs na legenda: “traço arquitetônico típico dos pontos comerciais do centro da cidade, nos anos 70 do Século passado”.   Rau Ferreira   Fonte: - BRASIL, Evaldo. Reeditadas . Post: Arquitetura – Art Déco Poular – BBC. Blog disponível em: https://www.xn--esperanareeditada-gsb.com/ , acesso em 17/09/2025. - ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna . Editora ...

Maria Emília de Christo

Maria Emília de Christo nasceu em 25 de agosto de 1896, em Alagoa Nova (PB). Era filha de José de Christo Pereira da Costa e Emiliana Maria Collaço. Era irmã do Cônego Emiliano de Christo. Casou-se com Joaquim Virgolino da Silva em 9 de julho de 1928. Eles tiveram pelo menos 2 filhos e 1 filha (Herênio, Herder Paulo e Maria Violeta). Esta senhora, conforme pesquisas do Prof. Radamés Rocha, foi uma das primeiras a lecionarem na Escola “Irineu Jòffily”, nomeada juntamente com o decreto de criação daquele grupo (Decreto nº 288/1932). O quadro deste educandário, para o ano de 1941, estava assim constituído: Professores Esdras Urbano da Silva, Severina Souto, Cecília Sobreira Cavalcanti, Severina Sobreira Cavalcanti, Adiles Urbano da Silva, Hosana Lopes Martins, Maria Emília de Cristo, Lídia Fernandes da Rocha e Celina Coelho de Carvalho (Escola Noturna Feminina). Em seu dinamismo, dona Emília organizava os alunos para encenarem peças dramáticas juntamente com as professoras Maria H...

Irineu Jóffily, por Hortênsio de Souza Ribeiro

NO HISTORIADOR IRINEU JÓFFILY SE RESUMEM  AS QUALIDADES CULMINANTES DA NOSSA APTIDÃO Hortênsio de Souza Ribeiro (Discurso pronunciado na Academia Paraibana de Letras, por ocasião da posse do Acadêmico Epaminondas Câmara no dia 21 de julho de 1945).   “[...]. falar de I. Jóffily é falar da inteligência paraibana. Nele se resumem, como num brilhante compêndio, as qualidades culminantes da nossa aptidão intelectual. Jóffily está para o domínio da nossa antro-geografia como Arruda Câmara está ara a nossa ciência botânica. Mais do que qualquer outro, ele nos revelou ao Brasil, sob o ponto de vista cultural. Historiógrafo, jornalista, e advogado, quer como homem político, quer como cidadão, Jóffily exercitou a sua inteligência em domínios dir-se-ia que inacessíveis à preparação de um advogado provinciano. À extensão do que era capaz o seu cérebro privilegiado, a profundeza do seu gênio, permitam-nos a expressão, poderão ser atestados, como o recipiendário já salientou, pelas...

Sol: comentário elegante

Na minha última publicação, nesse centenário jornal “A União”, em 25 de setembro do corrente ano, escrevi sobre Silvino Olavo da Costa (1897-1969), poeta paraibano, maior representante do Simbolismo em nosso Estado, o qual é patrono da Cadeira nº 35 da Academia de Letras de Campina Grande (além de outros sodalícios), e da qual me ocupo atualmente, tendo recebido do confrade José Mário da Silva Branco um elogio no mínimo elegante (pra não dizer elogioso). Disse o ilustre professor da Universidade Federal de Campina Grande, que também é sócio da Academia Paraibana de Letras, na cadeira que tem por patrono Raul Campelo Machado (1891-1954): “Aplausos para a sua contribuição, mais uma, sobre a exponencial figura do poeta Silvino Olavo”. Ao que lhe respondi: “Agradeço as palavras de elogio do confrade José Mário da Silva Branco, tenho primado pela defesa do poeta, patrono da Cadeira que ocupo neste sodalício”. E ele em réplica ponderou: “Gesto em tudo coadunável com uma das noss...

Correios: análise arquitetônica

O prédio dos Correios e Telégrafos do Município de Esperança foi construído na década de 50 do Século passado e sua inauguração aconteceu no dia 25 de junho de 1950, quando era Diretor-geral o Dr. José Régis. A sua arquitetura é moderna, também chamada de “Protomoderna”, deriva da Escola de Bauhaus. A “Staatliches Bauhaus” (1919-1933) foi uma influente escola alemã de artes, arquitetura e design , que revolucionou o pensamento arquitetônico e estético do Século XX. Ela valorizava a funcionalidade e simplicidade, tendo como característica principal a ausência de ornamentos. Os seus projetos eram focados nas linhas e formas geométricas com o uso de materiais que refletiam a era industrial (aço, vidro e concreto). Não obstante, enfatizava a criação de modelos que pudessem ser reproduzidos em massa. O icônico edifício da Bauhaus em Dessau (1926) é um exemplo germinal desta arquitetura moderna que incorpora os princípios deste movimento, a partir do projeto de Walter Gropius. Tanto es...

O prédio da Secretaria de Educação

O prédio da atual (2025) Secretaria Municipal de Educação foi construído por Theotônio Tertuliano da Costa (1876-1959). Este cidadão se estabeleceu em Esperança por volta de 1898, tendo fundado a “Loja das Noivas” neste ano. O empório fornecia aviamento para sapateiros e negociava com miudezas, chapéus e tecidos. Também era correspondente do Banco do Brasil. A arquitetura do prédio, com suas características ornamentais, janelas altas com persianas de madeira e detalhes artísticos, sugere uma construção de estilo eclético ou neocolonial, muito popular no Brasil entre o final do século XIX e meados do século XX. Essas linhas arquitetônicas foram adotadas no Brasil como fruto da imigração europeia que trouxe para o país um aspecto de modernidade e progresso que eram difundidos na Europa. Era o panteão burguês da época que traduzia não apenas um estilo de vida como o poder econômico de sua época. O ecletismo também impactou a construção em si, pois muitos de seus elementos eram pré-m...

Magna Celi, por ela mesma

Nasci na cidade de Esperança, brejo paraibano, de clima frio, chamada, no princípio de sua fundação, de Banabuié. Aconteceu na rua da Areia, nº 70. Fui batizada pelo Padre João Honório, na Igreja Nossa Senhora do Bom Conselho, recebendo, na pia batismal, o nome de Miriam Celi. Meu pai queria colocar Magna Celi, como ele já havia registrado, mas o padre não aceitou. E assim fiquei com dois nomes, sendo que o do registro é o que acompanha até hoje. Somente, na ocasião do meu matrimônio, o padre me chamou de Miriam Coeli. Para os estudos iniciais, meu pai me matriculou no Externato São José, cuja diretora e proprietária era a professora renomada Donatila Melo, de didática rígida, usando a palmatória para que os alunos apresentassem sempre os deveres feitos, além de aprenderem a obedecer aos mais velhos e a respeitá-los. [...] Meu pai, José Meira Barbosa, era comerciante de classe média, com loja de tecido colchões, chapéus, sombrinhas, capotes (capas grosseiras de chuva) e roupas de...

Silvino Olavo e Mário de Andrade no interior da Paraíba (1929)

“O Turista Aprendiz” é um dos mais importantes livros de Mário de Andrade, há muito esgotado e reeditado em 2015, através do Projeto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan. Os relatos de viagens registram manifestações culturais e religiosas coletadas pelo folclorista em todo o Brasil. Este “diário” escrito com humor elevado e recurso prosaico narra as inusitadas visitas de Mário ao Nordeste brasileiro. O seu iter inclui Estados como Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco e Paraíba. Mário havia deixado o Rio em 3 dezembro de 1928. Embarcou no vapor “Manaus”, com destino ao Recife, onde permaneceu dois dias; e dali seguiu de trem para o Rio Grande do Norte, chegando dia 14 ao Tirol, bairro onde residia Câmara Cascudo (1898-1986), que foi um de seus companheiros de viagem nesse Estado, junto com o jornalista, poeta e crítico de arte Antônio Bento de Araújo Lima (1902-1988). O Álbum de Fotografias (Viagem ao Nordeste Brasileiro 1928-29), pertencen...