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Expedição holandesa na Lagoa de Pedra

Livro de Herckmans: Wikipédia

A Capitania da Paraíba apresentou forte resistência até ser conquistada pelos holandeses (1634-1654). Foram duas tentativas frustradas até alcançar o êxito. A Companhia das Índias Ocidentais havia se interessado pelo açúcar que aqui se produzia em abundância. A invasão neerlandesa garantia assim a exploração deste produto muito apreciado na Europa.

Apesar de ocupar o território por vinte anos, os holandeses não deixaram marcar deléveis. Não houve influência cultural e as crenças calvinistas foram substituídas pelo catolicismo após a retirada dos batavos. Juliana Cavalcanti – em artigo de jornal – escreve que “Um dos poucos traços da cultura holandesa no Nordeste lembrado pelos historiadores é o pão brote, cujo nome é derivado de “brute”, que era o pão holandês. E o termo “brote” foi incorporado ao vocabulário nordestino” (A União: 18/12/2022).

Porém, o que nos chama a atenção foi uma exploração (ou entrada) pelo interior da Parahyba, organizada por Elias Herckmann (1596-1644), com o objetivo descobrir ouro ou prata na Serra da Copaoba.

Gaspar Barléu (1584-1648), escreve sobre o audacioso projeto de Herckmann:

“Para provar à Companhia a sua fidelidade com uma façanha digna de memória, empreendeu, com o consenso e esperança de todos, uma entrada através de regiões ínvias e temerosas, no propósito de abrir caminho para si, onde pudesse, através de paragens ásperas e silvestres.

Enquanto outros franqueavam, com as armas e a guerra, estrada para o poderio de Holanda, esforçou-se ele, por diligente exploração das terras e estudos dos povos, para aumentar-lhe, pela sua atividade, o poder e a riqueza.” (O Brasil Holandês: 2005, p. 248).

O marujo, navegando pela margem esquerda do Mamanguape, escolheu o Araçaji (uma légua ao sul da hoje Guarabira) como itinerário de sua viagem. Em sua escalada pela serra, cruzou o brejo nos atuais municípios de Bananeiras e Pilões até alcançar os carrascais do agreste paraibano.

As dificuldades enfrentadas foram muitas. O medo do desconhecido acompanhava a expedição. Os soldados queixavam-se da viagem. Houve desistências. Alguns retornaram ou foram forçados a voltar para Frederica, assim denominada a capital paraibana.

A marcha prosseguiu, animando-se Elias apesar da relutância de seus companheiros até que “avistou-se a serra de Copaoba, mas distante nove ou dez léguas”, como nos indica Barléu.

Eles haviam chegado na Lagoa de Pedra, um dos pontos culminantes do nosso município de Esperança. A essa altura havia escassez de água potável e – prossegue Barléu em seu relato – “como estivessem todos mortos de sede e prontos para regressar”, consentiu Herckmans em abortar a missão, por essa razão o lugar ficou conhecido como “Monte do Retorno” (Steenem-Keerberg).

A bandeira exploradora restou frustrada. Nem ouro, nem prata. Era uma terra sáfara, sem recursos naturais cercada por bosques. Os pequenos animais de caça mal davam para alimentar os primitivos habitantes – os Índios Cariris da tribo Banabuyé – que após permanecerem um tempo, adiantaram-se em sua vida nômade.

Gaspar Barléu nos explica que “Durante a viagem toda, houve fartura de ratos, arganazes e cobras, mas nada de cabras ou da espécie suína. Apanharam-se apenas três ou quatro armadilhos. Durante esses dias, não se viram aves pelo ar” (Brasil Holandês: 2005, p. 257).

No regresso, observaram que no rio “Araçaí [Araçaji ou Araçagi] se erguiam árvores desde o fundo sobre a tona da água, em cujas franças aderiam algas e musgos. Daí inferiram, por raciocínio um lógico, crescer o rio até aquela altura”.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- A UNIÃO, Jornal. Paraíba holansesa, sim senhor? Texto de Juliana Cavalcanti. Edição de 18 de dezembro. João Pessoa/PB: 2022.

- BARLÉU, Gaspar. O Brasil Holandês sob o Conde Maurício de Nassau. Edições do Senado Federal. Volume nº 43. Tradução e notas de Cláudio Brandão. Brasília/DF: 2005.

- BRITO, Flávio Ramalho (de). Quando os holandeses tomaram conta da Paraíba. Disponível em: https://www.carlosromero.com.br/2023/04/quando-os-holandeses-tomaram-conta-da.html, acesso em 23/03/2026.

- BRITO, Flávio Ramalho (de). Um holandês a caminho da Serra da Copaoba. Disponível em: https://www.carlosromero.com.br/2023/05/um-holandes-caminho-da-serra-da-copaoba.html, acesso em 23/03/2026.

- CÂNDIDO, Gemy. Riachão de Banabuié. Org. Mary Ellen C. da M. Cândido. Ed. Martinho Sampaio. João Pessoa/PB: 2024.

- SALES, José Borges (de). Notícias sobre a trajetória de cearenses na Paraíba e paraibanos no Ceará. Expressão Gráfica e Editora. Fortaleza/CE: 2005.


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