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Esperança - Estrada Carroçável (1922)


Define-se “estada carroçável” o caminho rústico, não pavimentado, destinado a circulação de carroças, charretes e carros de boi. Era muito comum nos anos 20 do Século passado a abertura de vias de acesso entre as cidades e vilas para melhoria da circulação de pessoas e mercadorias. As obras eram realizadas pelo IFOCS – Instituto Federal de Obras contra as Secas. A construção e reparação estavam a cargo do 4º Distrito, segundo informes do Ministério da Viação e Obras.

Por essa época, foi iniciada a construção de uma estrada que viria a beneficiar Esperança. Os estudos foram iniciados em 17 de novembro de 1920, e concluídos a 13 de fevereiro de 1921. O trecho seria: Alagoa Grande - Areia – Esperança. O seu ponto terminal seria a Lagoa Salgada, que hoje pertence ao Município de Montadas, mas à época era território esperancense.

Segundo consta no IFOCS:

O ponto terminal desta estrada é Esperança – povoado no município de Alagôa Nova. O terreno deste município divide-se em brejos e caatigas. É regado o território deste município pelos rios Mamanguape e Riachão. Há diversas lagoas, e muitos açuces. Os seus habitantes cultivam em grande escala a mandioca, o milho e o feijão” (Estradas de Rodagens: IFOCS, 1919-1925).

No traçado foram projetadas “curvas de raio mínimo de 60 metros e rampa de 3 a 4%, com excepção do Kilômetro 20, onde existem rampas de 10 a 15% chega ao local Lagoa Salgada, situado na estrada carroçável de Pocinhos a Esperança, distante da povoação de Pocinhos 11 Kilômetros e da cidade de Campina Grande, sede do município do mesmo nome, cerca de 32 Kilômetros(Estradas de Rodagens: IFOCS, 1919-1925).

Este seria o segundo trecho da estrada, sendo o primeiro trecho Alagoa Grande -Areia. Além desta via principal, havia uma série de ramificações que interligavam a sede do Município de Esperança (PB) aos seus distritos e povoados, os quais estavam a cargo da prefeitura municipal de Alagoa Nova e, após a emancipação (1925), foram empreendidas uma série de implementos nos governos que se seguiram. Os estudos de pavimentação apenas foram viabilizados na metade do século passado.

No livro “Motor Roads in Latim America” consta que a estrada Alagoa Grande a Areia e Esperança tinha a largura de seis metros e 8,5% de rampa, com 30 metros de curva de raio em alguns pontos. O estudo do Departamento de Comércio Americano também registrava que 14 Km eram transitáveis o ano todo e que o resto precisava melhorar.

A Lagoa Salgada é considerada “uma das maiores reservas fósseis da Paraíba” (NERY: 2015), onde foram descobertos primitivas ossadas de preguiça e tatu gigantes e até mesmo um mastodonte a pouco menos de 70 cm, em uma área do tamanho de um campo de futebol.

Não sabemos se o traçado da estrada carroçável é o mesmo em que foi feita a pavimentação, já que pode ter havido alguma modificação ao longo dos anos, como a BR 104, no trecho do Riacho Amarelo, em que foi abandonado a antiga estrada vicinal, para se adotar aquela que conhecemos hoje.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- CURRAN, Frank B. Motor Roads in Latim America. Trade Promotion Series nº 18. Department of Commerce. Washington/DC: 1925.

- DNOCS, Relatório: 1924. Exemplares 60/61. Rio de Janeiro/RJ: 1924.

- IFOCS, Estradas de rodagem e carroçáveis construídas no Nordeste brasileiro: 1919 a 1925. Imprensa Oficial. Exemplar 61. Rio de Janeiro/RJ: 1927.

- NERY, Janiele França. Paleontologia na Paraíba: potencialidades e perspectivas. 1ª Edição. Jonvile/SC: 2015.

- VIAÇÃO, Ministério (da). Relatório: 1921. Imprensa Oficial. Rio de Janeiro/RJ: 1922.


Comentários

  1. Ontem e hoje. Muito bom. Pena que o aspecto paleontológico não foi potencializado por nenhum dos município aos quais se vincula.

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