Pular para o conteúdo principal

Protestantismo em Esperança

 

Há notícias de que a primeira instalação da Igreja Congregacional teria sido em 1922, no Sítio Carrasco, em casa de Antônio Rodrigues. Conta-se que dois missionários iniciaram esse trabalho, deslocando-se de Campina Grande para o sítio em lombo de burros mulos; também se comenta que, após um culto dominical noturno, dois irmãos foram espancados por professarem a sua fé.

Depois veio se instalar na Rua de Areia (Rua Antenor Navarro), com assistência do Reverendo Mathews, mudando-se tempos depois para a Rua Nova (Rua João Pessoa), com a cooperação do Pastor Júlio Leitão de Melo.

O protestantismo foi, de certa forma, combatido pelos antigos padres. Os primeiros evangélicos sofreram algum tipo de exclusão social, a exemplo de Maximiniano Pedro, que fora alvo de atitudes de repúdio. Não era permitido fazer “transações comerciais” com os crentes, ninguém podia vender ou comprar; de maneira que o evangélico pedia a terceiros para realizar as suas compras. Monsenhor Severiano foi um grande combatente da doutrina evangélica.

No final da primeira metade do Século passado, foi construído o templo evangélico congregacional na rua Matias Fernandes, que foi inaugurado em 18 de novembro de 1949. À época, a congregação contava com 30 membros e 25 crianças estudando a palavra de Deus.

As ministrações eram realizadas pelo Pastor João Clímaco Ximenes, sendo oficiais Severino de Araújo (Presbítero), José Venâncio e Domingos Florêncio Queiros (Diáconos). Era secretário José Quirino.

Em 1985, a Igreja Congregacional era dirigida pelo Pastor Guimarim Toledo Sales, e auxiliada pelo Pastor Fábio Barreto Mota.

A Igreja Batista surgiu em Esperança por volta de 1950, enquanto que a Assembleia de Deus foi fundada em 29 de novembro de 1961, inaugurando sua sede em 1973.

Há cerca de nove anos o Diácono Ivanildo Alves retomou esse trabalho de evangelização no Sítio Carrasco. No início, os cultos eram realizados na casa de sua mãe com a presença de alguns vizinhos; depois mudou para a garagem da residência do irmão Ivanildo e, de uns três anos para cá, deu-se a construção da capela com a participação de alguns irmãos que colaboraram com essa obra, a exemplo do Presbítero André Anísio que muito ajudou na sua edificação; e do próprio Diácono Ivanildo que trabalhou como mestre de obras e doou além dos seus serviços o material necessário.

Essa é uma obra que tem crescido bastante e alguns frutos já podem ser observados, como a conversão de uma irmã do Diácono Ivanildo, e da irmã Romilda que tem sido uma bênção para todos nós.

A capela do Carrasco deverá ser inaugurada em breve, através de um culto solene com a participação do Pastor Weber Firmino Alves e dos irmãos de nossa congregação.

Atualmente a comunidade evangélica conta com vários adeptos e denominações na condução dos fiéis e convertidos que se dedicam aos estudos doutrinários e da sagrada escritura.

 

Rau Ferreira

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf. Esperança/PB: 1985.

- HELGEN, Erika. Religious Conflict in Brazil: Protestants, Catholics, and the Rise of Religious Pluralism in the Early Twentieth Century. Yale University: 2020.

- SYLVESTRE, Josué. Fatos e Personagens de Perseguições a Evangélicos: Antes que as Marcas se Apaguem. 1ª ed. Curitiba – PR: 2014.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Zorro em Esperança

Por Eliomar Rodrigues de Farias*   No final dos anos 50, o Grupo Escolar Irineu Joffily, situado à rua Joviniano Sobreira, em Esperança, Paraíba, era todo murado com altura de aproximadamente 2 (dois) metros e possuía apenas uma entrada, na rua Joviniano Sobreira, através de um portão de ferro largo com 2 (dois) metros de altura. No prédio haviam corredores que dava acesso às salas de aulas. Ao lado balaustrada, que era uma fileira de pequenas colunas que sustentavam um corrimão ou peitoril, formando um parapeito ou grade decorativa, comum em escadarias, varandas e terraços para dar suporte e segurança. Pois bem, nesse espaço, quando não havia aulas, Eu (Cem de Tutu), Beinha do Sr. Dorgival, Elifas, Tida Tavera, Marcos de Tutu, João de Sr. Anisio, os filhos de D. Aderita: Jadailton, Gilson, Jaime, Janilton e outros colegas que não lembro no momento, todos moravam próximo ao Grupo Escolar, aproveitávamos esse horário sem aulas para jogar. Usávamos bolas de meias, por nós p...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

A Pedra do Caboclo Bravo

Há quatro quilômetros do município de Algodão de Jandaira, na extrema da cidade de Esperança, encontra-se uma formação rochosa conhecida como “ Pedra ou Furna do Caboclo ” que guarda resquícios de uma civilização extinta. A afloração de laminas de arenito chega a medir 80 metros. E n o seu alto encontra-se uma gruta em formato retangular que tem sido objeto de pesquisas por anos a fio. Para se chegar ao lugar é preciso escalar um espigão de serra de difícil acesso, caminhar pelas escarpas da pedra quase a prumo até o limiar da entrada. A gruta mede aproximadamente 12 metros de largura por quatro de altura e abaixo do seu nível há um segundo pavimento onde se vê um vasto salão forrado por um areal de pequenos grãos claros. A história narra que alguns índios foram acuados por capitães do mato para o local onde haveriam sucumbido de fome e sede. A s várias camadas de areia fina separada por capas mais grossas cobriam ossadas humanas, revelando que ali fora um antigo cemitério dos pr...

Eliazar Patrício da Silva

  Eleazar Patrício da Silva nasceu em Esperança, na Paraíba, no dia 1º de dezembro de 1919. Filho de Antônio Patrício da Silva e Maria Helena da Silva. Era casado com Hermengarda Bauduíno Patrício. Filhos: Ana Beatriz e Norma Lúcia. Começou a trabalhar aos 12 anos, plantando milho e arroz em sua terra natal. Nos anos 40 do Século passado, Eliazar foi um dos editores d’O Boato, jornalzinho que circulou em nosso município, em parceria com João de Andrade. Formado em Direito, notabilizou-se em nossa cidade pelos seus discursos, conforme escreve Gemy Cândido em seu livro Riachão de Banabuyé, que assim resume a sua carreira: “Chegou a Secretário de Finanças de São Paulo no Governo de Jânio Quadros, advogado da Cinzano e das Organizações Sílvio Santos”. Estudou no Liceu Paraibano e no Ginásio de Pernambuco. Inicou o seu bacharelado em Direito pela Faculdade do Recife, tendo concluído na Faculdade de Goías (1944). Especialista em Administração Tributária, atuou como professor de R...

Dom Manuel Palmeira da Rocha

Dom Palmeira. Foto: Esperança de Ouro Dom Manuel Palmeira da Rocha foi o padre que mais tempo permaneceu em nossa paróquia (29 anos). Um homem dinâmico e inquieto, preocupado com as questões sociais. Como grande empreendedor que era, sua administração não se resumiu as questões meramente paroquianas, excedendo em muito as suas tarefas espirituais para atender os mais pobres de nossa terra. Dono de uma personalidade forte e marcante, comenta-se que era uma pessoa bastante fechada. Nesta foto ao lado, uma rara oportunidade de vê-lo sorrindo. “Fiz ciente a paróquia que vim a serviço da obediência” (Padre Palmeira, Livro Tombo I, p. 130), enfatizou ele em seu discurso de posse. Nascido aos 02 de março de 1919, filho de Luiz José da Rocha e Ana Palmeira da Rocha, o padre Manuel Palmeira da Rocha assumiu a Paróquia em 25 de fevereiro de 1951, em substituição ao Monsenhor João Honório de Melo, e permaneceu até julho de 1980. A sua administração paroquial foi marcada por uma intensa at...