Silvino Olavo. Morou próximo da minha casa. Quase todos os dias, via-o caminhar pelas calçadas irregulares da minha rua contemplando as pessoas com um aceno de cabeça. Permanentemente bem vestido, metido em ternos elegantes quase sempre em tons cinza. Da praça Dom Adauto, saía no banco traseiro do seu Aero Willis dirigido por Toinho, casado com sua sobrinha, Maria Alice. Quase não se desgrudava de uma bengala de madeira com detalhes de metal. Seu caminhar passava a ideia de que não tinha compromisso com a vida. Também morou na companhia de sua irmã, Alice, casada com Valdemar Cavalcanti, na Fazenda Bela Vista, hoje bairro Bela Vista. Ficava na residência defronte a do casal. Ouvia, quando por vezes visitei o casal Valdemar/Alice, seus gritos que atravessavam os muros rompendo o silêncio do lugar. Era a sintomatologia da doença que o acometera. A dramática vida do poeta, alternando momentos de lucidez e alucinações, quando acometido da esquizofrenia, não o impediu de produzir aq...
Cidade. Esperança. Parahyba. Brasil.