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A justiça na visão do poeta


Tem os artistas maior sensibilidade e os poetas mais ainda já que extraem do seu íntimo palavras que expressão a sua visão de mundo. Não poderia ser diferente com o nosso conterrâneo Silvino Olavo, que além de poeta de expressão nacional, participou dos governos de João Suassuna (1924/1928) e João Pessoa Cavalcanti (1928/1930) na Paraíba.
Com o pai de Ariano mantinha grande amizade, chegando a dedicar-lhe poemas e livros, viajando com ele para o interior do Estado, mais precisamente o município de Taperoá, onde a família mantinha uma fazenda. Por ele foi nomeado 1º Promotor da Capital e membro do Conselho Penitenciário, do qual também participava o escritor José Américo de Almeida.
Pois bem. Em uma de suas publicações, havida no jornal “A União”, Silvino escreve sobre a mensagem presidencial de Suassuna, comentando a justiça da época de seu governo. Dela podemos extrair algumas observações dignas de notas.
Inicia o vate com uma frase em latim retirada da Carta de Paulo aos Romanos, Capítulo 2, verso 6: “Reddet unicuique secundum opera sua”. Discorre que o magistrado deve ser imparcial, julgando apenas com a razão e deixando os sentimentos de lado, porquanto Pilatos apreciou com as boas graças do povo e do imperador e não com a razão e justiça, optando por crucificar a Cristo.
Reconhece o critério do governante na escolha de seus auxiliares e no tocante aos magistrados, assim considerados “homens de ilibado conceito, de ciência a mais reputada e de integridade a mais notória dos lugares vagos, por circunstâncias diversas e naturais, na Justiça do Estado”.
Acentua que o próprio governador era egresso da carreira jurídica devotando atenção para o tribunal e função ministerial pública as quais naquela época vinha assolando o Estado: eram os temíveis cangaceiros, que impunham medo a população paraibana.
Finaliza o poeta com o seguinte elogio à João Suassuna: “Não só procura impedir que o javali da selva lhe devaste a vinha; procura também plantar novas cepas e, por meio de mergulhas, com repetidas cavas, cuida de zelar-lhe a beleza e aumentar-lhe a produção”.
A Mensagem Presidencial encaminhada à Assembleia do Estado daquele ano (1925) registrava os seguintes números da justiça paraibana: 71 sessões ordinárias, com 197 julgamentos; e duas extraordinárias, com 46 decisões de mérito, ofertando o Procurador-Geral 218 pareceres.

Rau Ferreira

Referências:
- A UNIÃO, Jornal. Edição de 06 de outubro. Parahyba: 1925.
- SUASSUNA, João. Mensagem Presidencial à Assembleia Legislativa do Estado. Parahyba: 1925.

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