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Reminiscências (Pedro Dias)


REMINISCÊNCIAS
“Uma homenagem aos saudosos personagens (in memoriam), festejos e carnavais da cidade de Esperança-PB, da década de 60.”

Revivo aqui, mais uma vez, silente,
Reminiscências d’épocas antigas:
Dos pastoris, pastoras e cantigas,
Nas noites frias de luar crescente.

Revivo aqui à noite a seresta,
Improvisada de forma simplista:
Um violão, uma voz, mais nada à vista
Pulsavam corações, fazendo a festa.

Revivo aqui, os blocos coloridos
Dos carnavais... - o “bel” bloco de “Novo”-
Zé Bilingué” fazendo brinde ao povo,
Com evolução de passos incontidos.

Batutas do Samba”, escola afamada,
Pela coreografia e som de “agito”,
Com “Zé Cadôbra” entoando o apito,
E mestre “Danda” atento à batucada.

E “Domingos”, travestido de donzela:
Saia curta, de batom, que irreverência!
Que passando mui gentil, e com decência,
Divertia a quem assistia da janela. 

São mais lembranças! No momento, espero,
Ter resgatado “um pouco” da cidade,
E terminar lembrando, com saudade,
Da marcha-rancho de “A Boneca Léro”.

                                Rio de Janeiro, Fevereiro de 1977.

Pedro Dias
                                  
Nota01: O Bloco de "Novo" ou "Bom porquê pode" era um animadíssimo e multicolorido bloco de frevos. A maioria dos integrantes eram sapateiros: João Augusto, Michelo, Arara, Lochico, Mafia, Novo, Zé Bilingué, Lita, Zé Pereira, Pedro Pereira, Moleque, Mafia, os irmãos Babiu e Sònia de Arara (que num desses anos foram, também, porta-bandeiras), Futrica, João Marcolino, Antônio Aprígio, Cosmo Padeiro, Manoel Cebolinha e outros.

Nota02: “Bom porquê pode”, de Novo Pereira e Manoel Gonçalo.

Comentários:
João Delfino: Marcou uma época. Muito aguardado nos Carnavais. Época de corso, lança perfume, confete, serpentina, pó (talco), fantasia, orquestra e muita animação. As famílias se sentiam honradas em receber os blocos. Até Dom Palmeira recebia alguns, sempre regado a suco de uva, muita comida, descontração.


Odaildo Taveira: Que saudade do nosso amigo João Marcolino. Era a alegria do nosso carnaval, não esquecendo o nosso querido Canindé, que era o Urubu esperando a morte do Boi pra fazer sua refeição. Kkkk

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