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Lyrio Verde da Borborema


O movimento emancipador, trouxe para essas paragens a presença do Dr. João Suassuna, à época governador da Paraíba, a pretexto de inaugurar o serviço de luz. Naquela oportunidade, o poeta declamou o seu intenso discurso, cuja paráfrase - “Esperança - Lírio verde da Borborema” – foi inserida no hino municipal, de autoria de Vitóriarégia Coelho.
Esta afirmativa também se encontra na Lei Municipal nº 457/85, através do lírio e das cores verde e branco que, longe de ser uma simples afirmação, esconde um grande simbolismo.
Esperança se encontra nos píncaros da Borborema, a cerca de 640 metros de altura do nível do mar, com posição estratégica e fluxo privilegiado, ligando sertão, brejo e litoral. As suas cores – verde e branco - elevam os mais altos sentimentos: paz e prosperidade.
Irineu Jóffily nos lembra que a povoação era bem arborizada (1892), situação que perdurou até 1933, segundo José de Cerqueira Rocha. De fato, pelas fotos mais antigas do centro da cidade se pode observar fileiras de arvores plantada no meio da rua.
Também relatos de pessoas mais longevas, lembram que não apenas castanholas, mas fruteiras estavam espalhadas por todos os cantos, fazendo a alegria da meninada nos tempos de safra. E o que dizer da “Beleza dos Campos”, onde até bem pouco a Fazenda Bela Vista confrontava a zona rural.
Essa paisagem era bastante comum, não apenas na rua Manoel Rodrigues, como também na rua do Sertão. A construção perene de casas mudou toda essa realidade.
Ressalta o branco nas cores municipais, que elevam ao sentimento de paz. O grito emancipador, apesar das divergências e, sobretudo, da oposição política, foi liberto favorecendo a comunidade através da renda tributária que a partir daquele instante era toda revertida em benefício dos esperancenses.
A cor alva nos lembra a pacificação e busca pela solução amigável dos problemas.
A figura do lírio também evoca a religiosidade do nosso povo.
Segundo NOBREGA este se confunde com o culto a Nossa Senhora das Neves, sendo ainda sinônimo de pureza e inocência (Linha D’água, p. 81/92).
Não é à toa que o nosso vate antevendo esta nossa vocação religiosa, que tem na imagem da Virgem - aqui reverenciada pelo nome de Nossa Senhora do Bom Conselho – adicionou em seu discurso tão belo paradigma.
Em um de seus mais belos poemas, nos diz:

“Minha felicidade – ó Musa – nem descreves
No dia em que eu tiver uma esposa amorosa
E pura, assim com um ar de Senhora-das-Neves,
Como esse que há de vir, serena e luminosa!”
(Felicidade, Sombra Iluminada: 1927)

Lembra-nos ainda em seu primoroso discurso a juventude heroica que se representa neste verde e a mocidade deste torrão que despontava no seio da Borborema uma posição de destaque.
Eis a razão de ser do “Lyrio Verde”.

Rau Ferreira

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