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B-A-D-I-V-A (por Graça Meira)


Capa do livro BADIVA, de Sol
É preciso ler muitas vezes os belíssimos versos, porque são de uma subjetividade à toda prova.
Mas dá vontade de ler e reler. Dá vontade de descobrir o porquê das palavras contidas nos versos, que, acredito, são fruto de incontida catarse poética, as mais das vezes ininteligível dada a profunda subjetividade, esta, por sua vez, eivada de perturbações intelectivas e espirituais sufocantes.
Os versos de BADIVA são de difícil compreensão, porém de rara beleza intelectual, mesmo que de uma expressividade esdrúxula.
Quase não se sabe qual é a conexão entre o título e o poema. Mas sabe-se que há alguma mensagem subliminar.
Enfim, conhecendo como conhecemos a loucura do grande e amado poeta, há que considerar que, verdadeiramente, existe uma morbidez intelectual nesses versos.
Bem diferentes dos versos de CISNES/SOMBRA ILUMINADA, onde a gente encontra objetividade nas palavras e ligação lógica e léxica entre o título e o desenrolar do poema.
É o meu comentário neste momento. Pode ser que, mais tarde, depois de muito degustar BADIVA, eu tenha outra opinião.
Lendo e relendo com amor.

                                    B  A D I V A*

Estudar teus versos loucos para mim é um mergulho
Na imensidão do teu intelecto puro e sombrio
E faço-o eu com fé aguda, infectada de orgulho
De ver-me diante desse descomunal desafio.

Quem poderá achar o fio dessa línea meada
Que se entrelaçou nos fios desses lívidos mantos
Quem ousará chegar bem perto dessa lírica alçada
Ficar junto de ti, chorar contigo os teus prantos?

Seria eu a perscrutadora desses mui místicos cânticos
A tatear o esmalte desses difíceis contextos cêntricos
Onde vejo docemente emoldurados os teus escritos?

As minhas noites insones me mostrarão os entremeios
Embrenhar-me-ei nos cafundós dos teus rodeios
Até que não mais me falte a redescoberta dos teus mitos.

BADIVA. Eis o sonho irrealizável de qualquer poeta
Ou escritor voltário que lhe atribua conjecturas
Um nome feito de volúpia, de coração, de amarguras
Ver-se-á de antemão que nenhum deles lhe atingiu a meta.

Eu prefiro enveredar por teus mistérios, BADIVA
E pensar profundamente nas noites fálicas, furtivas
Dentro de becos chuvosos, pecadores, inspiradores
Onde o poeta imaginava a posse fantasiosa de sua Diva.

E, num átimo de saudade e veloz prazer, balbuciara ele
A expressão léxica, BAH, de espanto, gozo e luxurioso alívio
Em meio à água da chuva e ao jorro volátil de branca neve

Lembrando sem maldade a musa inspiradora, a amada, a Diva
O poeta aglutinara os dois nomes num só, com a alma rediviva
Nascendo assim o nome que o completava, que lhe urgia a vida: BADIVA
                                                                                                                     

Graça Meira

* Inspirado no poema Forças Eternas, de Silvino Olavo Cândido Martins da Costa.


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