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Cordelando


Foi ao tempo do primeiro
E um perfume de mulher;
Um jovem por derradeiro
Desfolhava bem-me-quer.

Era d'um jovem lanceiro
Rapaz como outro qualquer
Mas sem contar dinheiro
Apaixonara por uma mulher.

Não conhecera o viveiro
D'uma noite no Cabaré
Ela e seu jeito faceiro
Vissicitudes de mulher.

Não foi ele o primeiro
A dar-lhe os ares de M'azé
Tão pouco o derradeiro
De uma noite qualquer.

E um punhal certeiro
Cortava a carne de Mindé
Ah não fosse guerreiro
Fugindo da tal mulher.

Fugiu o dia inteiro
Mas caiu o Garnizé
Nos encantos matreiros
De uma donzela-mulher.

Ah o destino traiçoeiro
Ah a ilusão da fé...
Ah o velho tropeiro
Onde repousa o Canidé.

Não fostes tu o primeiro
Puritano daquela mulher
Tão pouco o derradeiro
A derramar lágrimas de fel.

Bate o coração maneiro
Agora que estais de pé
Vive o santo-guerreiro
Nos prazeres de tua mulher.

Vai bate o banzeiro
Batendo assim o que é?
É saudade-padroeiro
De uma virgem qualquer.

Acende o candeeiro
A luz eterna da fé
Que'inda saz ciumeiro
Da louca de tremembé.

Dança o velho faxeiro
Sem lhe arredar o pé
Temendo deixar aceiro
De um cheiro de mulher.

Venda-lhe o olheiro
Vendo assim, quem é?
É um pobre, mendigueiro;
De cuida e cafuné!!

Quem não, cuidadeiro
Boa gente não é!!
Ou bota a gente o eiro
Ou a beira do chapé.

Caso não verdadeiro
Escrevo versos qualquer
Quem quiser conhecê-lo
Passe lá em Santa-fé.

Que é dele o terreiro
E dela o bem-me-quer
De antes ser o primeiro
Das astúcias de mulher.

Me custou o cerebelo
Essa narrativa em cordé
Prá cantar-se aventureiro
Para se ler o papé.

E terminando o recreio
Neste meu sarapaté
Creia-me não é verdadeiro
Nada disse do cancioneiro.

Fiz-me de justiceiro
Que justiça é rapé
Enrola e lhe sai o cheiro
De uma vida qualquer.

Quem achar o trapaceiro
Diga-lhe o que quiser
Nada mais lhe odeio
Sem arrodeio, o fim agora é.

Assim esperanceio
Os anceios de Banabuyé
10 de junho, não fevereiro!
2018 a data é que é.

Rau Ferreira

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