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Dia de feira ao tempo de Pedro Pichaco |
Hoje deparei-me na feira com
uma situação inusitada que me fez lembrar o Pedro Pichaco: um cidadão que
levava nas mãos um toca CDs e seu controle remoto anunciando: É dois por um
real!!
O aparelho já muito usado
não chamava a atenção de comprador algum, salvo pela propaganda que parecia ser
vantajoso: dois produtos por apenas dois reais.
Tal qual o velho mandrião
que no passado aprontou das suas, a exemplo do “homem que vira macaco”, “entrando
numa garrafa de vinho” e “o homem que aparece e desaparece” aquele vendedor
usava do jogo de palavras, incutindo o desejo de levar vantagem, em detrimento
do prejuízo alheio.
O esperto, quando alguém se
interessava, desconversava: Olha, é dois por um. Você me dá dois reais e lhe
devolvo um real.
O desavisado cliente
ficava a pensar, encabulado com aquela jogada satírica: mas você não queria vender
o player por dois reais? E quem era bobo de perguntar! Dá-se um sorriso meio
amarelo e sai de fininho, rindo de si mesmo e de sua inocência; enquanto o
negociante vira para o outro lado, repetindo o anúncio: é dois por um real!
O final dessa história
não sei lhe dizer. Terminei minhas compras, observei por um tempo aquele
malfadado golpe, que apenas nos faz refletir quanto o nosso povo é inventivo e
sagaz.
Até aonde a minha vista
alcançou, ele continuou agora já em direção à feira de troca, que fica no final
do Estádio do América, na rua José Ramalho.
A minha conclusão é que
Pedro Pichado ainda vive, ou pelo menos esse espírito de gozação e alegria que
faz da feira um lugar atípico.
Rau Ferreira
E dois!
ResponderExcluirÉ dois!
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