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Sol no Juliano Ribeiro, por Jailson de Andrade

Jailson Andrade*



O amigo Jailson Andrade – do Blog Esperança de Ouro (http://www.esperancadeouro.com/) – publicou uma interessante postagem que tem por fonte um escrito de Leonel Coelho, que passamos a transcrever a seguir:
“O chamavam de ‘poeta’. Na verdade era um neurótico comum como qualquer um. Passou mais de vinte anos internado no hospital Juliano Moreira Era um pacificador, um pensador. Vinha educadamente, após o almoço, perguntar se já tínhamos lido os jornais da manhã; levava-os para ler e os devolvia no final da tarde, dobrados e sem faltar uma folha sequer. Estava sempre bem informado. Perguntamos se ele poderia transmitir as notícias que lia para outros pacientes que não tinham acesso às informações. Assentiu imediatamente e passou-a fazê-lo. Era comum ver-se o poeta rodeado de pacientes, explicando com calma interpretando o conteúdo das notícias. Era o orador e porta-voz dos pacientes nas solenidades do hospital, ajudava os funcionários da terapia ocupacional e produzia textos, poesias e discursos que eram lidos em voz alta por outro paciente que treinava para se tornar um grande orador e político. Ó poeta tinha uma visão particular e realista da vida hospitalar, percebia as mudanças que estavam em andamento no hospital e nos elogiava e estimulava nesse sentido. Tomava conta da velha biblioteca do hospital e, vez por outra, ganhava livros novos que eram comprados através da ‘caixinha’ do serviço social. Estava a par dos novos lançamentos literários e, através de empréstimos de colegas, conseguia lê-los. Com o passar do tempo fomos descobrindo outras habilidades dessa figura humana impressionante. Na realidade conhecia o hospital melhor do que muitos médicos e funcionários. Era um terapeuta inato, paciente, compreensivo, inteligente disponível para ajudar a quem precisasse. Nunca aceitou Tomar de boa vontade os  remédios do hospital porque tinha a segura convicção de que ‘as substâncias químicas só tem efeito sobre o Corpo e não atuam nas emoções’. Era o que falava sempre. Em poesia produziu um texto belíssimo falando sobre a exaltação a Bahia (...)”

Jailson Andrade*


(*) Blog Esperança de Ouro (http://www.esperancadeouro.com/), reprodução. Post de 08/07/2013.

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