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SOL na literatura portuguesa


O texto a seguir faz parte da “Revista de Língua Portuguesa” e foi publicado em 1928, onde se lê um comentário aos “Cysnes” de Silvino Olavo.
O autor da Sombra Iluminada, Silvino Olavo, embora mais variado na inspiração de suas poesias, não tem nenhuma nota vibrante e forte. É igualmente um melancólico. Todo o seu livro se faz de meios tons de uma suavidade encantadora.
Num dos seus versos ele diz: “nao vibro nunca em som agudo”. Confissão verdadeira. Não é exatamente nem para a alegria, que não manifesta em nenhuma das suas composições, nem para a tristeza, que nunca chega ao desespero e à imprecação.

Sou apenas o eco de uma queixa
Imensa e vã que se perdeu no espaço
E, hoje, cantando esta suave endeixa,
Quase inaudível entre os homens passo.

Victor Hugo disse que a melancolia era a felicidade de ser triste. Em versos, pelo menos, Silvino Olavo não manifesta outro sentimento. É ele quem aconselha:


Compreende a alegria de ser triste
e ama serenamente essa tristeza.

A Legenda do Último Cysne, é uma poesia typica do modo do autor


Alma penada, alma que choras
Descansa a fronte em minha fronte:
As minhas lágrimas sonoras
São como as lágrimas da fonte...

Meu canto é o canto da Renúncia
- horto aromático de mágoa –
requer ternura na pronúncia,
tem sugestões de lua n’água...

O dó menor da minha dor;
Forro-me todo de velludo
Para meu íntimo esplendor.

... Cantando assim sem que me attenda
a multidão despercebida,
sou como um cisne de legenda
que se perdeu dentro da vida.

(Silvino Olavo)”


Concluímos que em sua primeira publicação (Cysnes, 1924) Silvino já revelava uma forte inclinação para o sucesso que o precedia. E lhe sobressaia a genialidade de um poeta que na nossa Paraíba mais soube representar o simbolismo tão bem. Ah! Não fosse os seus lampejos conheceríamos muito mais de sua potencial escrita.

Rau Ferreira

Fonte:
- Revista de língua portuguesa; Volume 9 - Edição 51, Ed. União Editora: 1928, p. 124.
Não vibro nunca em som agudo

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