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Antonio Silvino em Esperança (Parte III)

O sítio Cabeça do Boi ou simplesmente Cabeço faz extrema com os municípios de Esperança e Pocinhos. Esta propriedade possui uma grande extensão, servindo a criação de gado vacum e caprino. Ali o cangaceiro Antonio Silvino encontrava abrigo certo e seguro, longe da perseguição da volante. Um fato porém, havido naquela localidade, marcou para sempre a vida do cangaceiro.

Em 1914, de passagem pelo Cabeço, Silvino e seu bando encontraram pelo caminho um boi bravio que logo investiu contra o bando. O capitão deu-lhe um tiro no meio da testa deixando o animal a sua sorte.
À noite, quando os homens estavam acampados, ouviram os mugidos tristes do animal que, segundo consta, perseguia os seus executores. Dizem que o boi se aproximou do cangaceiro esvaindo-se em sangue e pondo-se a urrar, nesse momento o seu algoz puxou do rifle que lhe negou fogo. Percebendo que isto era um sinal, Silvino não deixou que nenhuns dos companheiros atirassem no bicho e seguiram viagem.
Antonio Silvino, que era um homem muito supersticioso, decretou naquele momento que a sua sorte havia acabado. De fato, pouco tempo depois desse episódio o famoso “Rifle de ouro” era baleado e preso em Pernambuco.
Submetido a julgamento naquele Estado, foi condenado por seus delitos. Em 1921. O Jornal “A União” estampava esta notícia:
Tendo sido condenado pelo júri de Olinda a 30 anos de prisão por crimes cometidos em Bom Jardim, regressou ontem à Casa de Detenção desta cidade o célebre bandoleiro Antonio Silvino, cujo verdadeiro nome é: Antonio Batista de Morais”.

A história é verídica. Além de encontrarmos esses elementos no livro de Bismark Martins [vide fonte], o fato sempre foi relatado em família pelo meu avô materno Antonio Ferreira, que ouvia do seu pai, Neco Ferreira, os quais foram proprietários do Cabeço por mais de 40 anos.
Antonio Ferreira – também conhecido por Antonio Guiné – dizia ainda ter visitado o cangaceiro na prisão, onde insistiu para que este se arrependesse de seus atos. Mas o “Leão do Norte” teria dito naquela oportunidade:
- Antonio, eu sei o que fiz!
Anos mais tarde Antonio Silvino converteu-se ao evangelho terminando seus dias de vida na cidade de Campina Grande.

Rau Ferreira


Leia também: Parte I, Parte II, Parte IV
Fonte:
-         ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Mobral. Esperança/PB. Ed. Unigraf: 1985;
-         OLIVEIRA, Bismark Martins de. Cangaceirismo no Nordeste. Senado Federal. Brasília/DF: 1988;
-         A UNIÃO, Jornal. Órgão do Governo do Estado da Paraíba. João Pessoa/PB. Edição de 16/06/1921;
-         Blog Retalhos Históricos de Campina Grande [http://cgretalhos.blogspot.com/].

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