Pular para o conteúdo principal

O Tronco, poema de Magna Celi.

E era o negro
e era o tronco,
e era o negro no tronco,
o tronco do negro no tronco.
E a seiva descia,
e o sangue corria,
o sangue do negro no tronco.
E o látego fustigava
a carne vegetal,
o tronco do negro no tronco.
E o tronco gemia
o lamento do negro no tronco.
E o tronco era o negro,
e o negro era o tronco,
o tronco do negro destroncado.
E o tronco sangrou...
E o tronco era o negro,
e o negro era o tronco,
o tronco do negro no tronco.
O tronco enegreceu,
e o negro fundiu seu tronco
no tronco,
e o sangue do negro gotejou o chão,
espirrou,
e escreveu
uma parte da História do Brasil.

Magna Celi de Souza

Fonte:
- Extraído do livro: "Sangue e Luz", João Pessoa, 1985.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Chico Pintor

O poeta Francisco Eleutério, e grande escultor da cidade de Areial, me chamou a atenção para a escrita sobre Francisco Nicolau da Costa, o “Chico Pintor”. Dizia-me que “foi ele quem fez o Cristo de Areial e na parte de baixo do Cristo tem a inscrição dele; e sei que ele fez algumas estátuas para o Cemitério de Lagoa de Roça... o Senhor Morto da igreja também foi ele quem fez”. Comprometi-me em escrever algumas coisas. Eis o que sei. O artista morava na rua de baixo (rua Dr. Silvino Olavo), destacava-se pela sua criatividade, pois além de exímio desenhista, era também “santeiro” e responsável pela ornamentação dos altares e painéis artísticos da Igreja Matriz. Dele, nos dá conta Gemy Cândido em seu livro: “Seus painéis, inscritos no interior do templo, realçavam, em geral, uma majestade mística e arquitetural impressionante, em que o vermelho, o branco e o dourado, intercambiados, davam uma configuração multicolorida a paisagem sobrenaturais, quer quando estruturava cenas da via s...

A menor capela do mundo fica em Esperança/PB

A Capelinha. Foto: Maria Júlia Oliveira A Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está erigida sob um imenso lajedo, denominado pelos indígenas de Araçá ou Araxá, que na língua tupi significa " lugar onde primeiro se avista o sol ". O local em tempos remotos foi morada dos Índios Banabuyés e o Marinheiro Barbosa construiu ali a primeira casa de que se tem notícia no município, ainda no Século XVIII. Diz a história que no final do século passado houve um grande surto de cólera causando uma verdadeira pandemia. Dona Esther (Niná) Rodrigues, esposa do Ex-prefeito Manuel Rodrigues de Oliveira (1925/29), teria feito uma promessa e preconizado o fim daquele mal. Alcançada a graça, fez construir aquele símbolo de religiosidade e devoção. Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, Bispo da Paraíba à época, reconheceu a graça e concedeu as bênçãos ao monumento que foi inaugurado pelo Padre José Borges em 1º de janeiro de 1925. A pequena capela está erigida no bairro da Bele...

Eleusio Freire e o algodão colorido

O algodão é de fibras brancas e somente 0,5% se constitui de fibras coloridas, o que nos resta uma questão: os algodões coloridos são transgênicos? A resposta é “não”, e quem nos informa é o agrônomo Dr. Eleusio Curvelo Freire, formado pela Universidade Federal da Paraíba, com mestrado em Fitotecnia pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade do Ceará. Possui o título de Doutorado em melhoramento de plantas pela Universidade de São Paulo – USP. No Brasil desde o seu descobrimento houve relato da existência de algodões cultivados pelos indígenas. Posteriormente estes algodões foram chamados de “rim de boi” (porque tinham sementes coladas) quebradinho (sementes descoladas) todos conhecidos genericamente como tipos arbóreos. No início do século XX surgiu um tipo de algodão arbóreo conhecido como algodão mocó porque tinha sementes semelhantes as fezes do roedor de mesmo nome. Este algodão foi selecionado por produtores do Seridó do Rio Grande do Norte e foi uma grande fonte de ren...

Ruas tradicionais de Esperança-PB

Silvino Olavo escreveu que Esperança tinha um “ beiral de casas brancas e baixinhas ” (Retorno: Cysne, 1924). Naquela época, a cidade se resumia a poucas ruas em torno do “ largo da matriz ”. Algumas delas, por tradição, ainda conservam seus nomes populares que o tempo não consegue apagar , saiba quais. A sabedoria popular batizou algumas ruas da nossa cidade e muitos dos nomes tem uma razão de ser. A título de curiosidade citemos: Rua do Sertão : rua Dr. Solon de Lucena, era o caminho para o Sertão. Rua Nova: rua Presidente João Pessoa, porque era mais nova que a Solon de Lucena. Rua do Boi: rua Senador Epitácio Pessoa, por ela passavam as boiadas para o brejo. Rua de Areia: rua Antenor Navarro, era caminho para a cidade de Areia. Rua Chã da Bala : Avenida Manuel Rodrigues de Oliveira, ali se registrou um grande tiroteio. Rua de Baixo : rua Silvino Olavo da Costa, por ter casas baixas, onde a residência de nº 60 ainda resiste ao tempo. Rua da Lagoa : rua Joaquim Santigao, devido ao...

Rua Matias Fernandes, antiga casa de seu Domingos F. Queiroz.