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América, 1954: Sporte Ilustrado, N. 846

Com a colaboração de Jônatas Rodrigues Pereira, pesquisador de primeira linha, encontramos uma foto rara do nosso “Mequinha”. Está na revista “Sport Ilustrado”.
O primeiro número deste magazine circulou no Rio em 07 de agosto de 1920. Era vendida a 400 réis e direcionada ao mundo esportivo. A última edição foi em 20 de fevereiro de 1956, com a notícia do Vasco campeão, já custando a cifra de Cr$ 5,00 (cinco cruzeiros) com três de acréscimos para envio por avião.
Era um fenômeno esportivo e suas capas estamparam os melhores atletas da época. Na matéria que fala do América de Esperança, o magazine ressalta a importância deste clube do interior paraibano. E apresenta uma breve trajetória da equipe até aquele ano de 1954.
Segundo a revista, foram 30 Jogos com os quadros locais, com os seguintes resultados: 18 vitórias, 8 empatas e 4 derrotas; e 45 intermunicipais, sendo 31 vitórias, 6 empates e 8 derrotas. Num total de 75 disputas, das quais o “Mequinha” sagrou-se vencedor em 49 vitórias.
A esquadra do américa tinha a seguinte formação, em pé: Michelo (massagista), Manoelzinho (goleiro), Moleque, Nêgo Zé, Edmilson Nicolau, Mafia, Nicinha e Basto. E agachados: Neide, Janduí, Gilvan, Noca, Zé de Zuca e Chico.
Está é uma boa recordação dos tempos áureos do nosso futebol!

Rau Ferreira

Fonte:

- REVISTA, Sport Ilustrado. Edição Nº 846, Rio de Janeiro/RJ: 1954.
A tradição

A tradição de uma filarmônica em Esperança é imemorial. Segundo consta, em tempos remotos denominava-se Música de Banabuyé e já existia em 1889 (Almanak Administrativo).

Aliás, aos 24 de janeiro daquele ano noticiava “A Gazeta do Sertão”, editado em Campina Grande por Jóffily e Retumba, que a filarmônica de Esperança havia sido convidada para tocar na vila de Alagoa Nova, onde ocorreu um desagradável evento. Um cidadão daquelas paragens resolveu perturbar o ensaio da música sendo preso pelo Delegado Paulino Rodrigues Pinto e encaminhado ao Juiz Municipal Joaquim Eloy Vasco de Toledo.

Há notícias de que esta banda tenha tocado também em Areia e Remígio. Assim informava um jornal da época:
“Terminou a primeira festa da Padroeira, Nossa Senhora do Patrocínio. A novena correu animadíssima, sobretudo nas últimas noites. No dia da festa houve missa cantada, e procissão à tardinha. Foi imenso o concurso de fieis. A excelente banda de música de Esperança, ali tocou, agradando geralmente” (O Democrata: 14/11/1894).

Banda de Esperança 1910. Regência Cidalino Pimenta
Pelo histórico concluímos que a sua organização se deve ao professor Joviniano Sobreira, que mantinha uma aula de música na cidade com alunos ilustres, a exemplo de Silvino Olavo e do próprio filho Elysio. Este cidadão faleceu em 1905, na cidade de Campina Grande. Mas pelo visto, a semente da música permaneceu no nosso município tanto que, em 1910, a banda era regida pelo maestro Cidalino Pimenta (foto), segundo o fascículo Música: orquestras e bandas da Paraíba, editado pelo jornal A União.
Filarmônica 1o. de Dezembro (1920)


A Filarmônica 1º de Dezembro

A Filarmônica 1º de Dezembro foi institucionaliza em 1925 com a nossa emancipação política, no então governo de Manuel Rodrigues de Oliveira. Reaparece em 1927 regida pelo maestro norte-rio-grandense Pedro Lúcio, apresentando-se em dias cívicos e festivos.

Esta banda, tão conhecida em nossa cidade, é composta por diversos integrantes que se apresentam nos dias festivos e cívicos da cidade. Ela também já funcionou como Escola de Música para jovens.

No ano de 1973, ela foi regulamentada pela Lei Municipal nº 274. E em de 1983, ganhou o primeiro lugar da Gincana Cultura “Descubra a Paraíba”, executando o hino popular da capital paraibana “Meu sublime torrão”, sob a regência do maestro José Alves Filho, major da Polícia Militar da Paraíba.

Fazem parte da sua história os músicos José Luiz e Joaquim Soldado.

No detalhe da foto vemos a Filarmônica 1º de Dezembro na calçada do Ginásio Diocesano, data provável década de 50.
 
Filarmônica 1o. de Dezembro - década de 50
 Nos anos 70 foi regidas pelo maestro João Veríssimo. Natural de Pocinhos/PB, este músico fixou residência em Esperança, onde residiu até a sua morte. A imagem a seguir retrata esta fase:

Filarmônica 1o. de Dezembro - década de 70
Lembremos os músicos que atuaram nesta filarmônica: Zé Paulo, Mandarino, Carlos Dias, Epitácio, Tarcísio Torres, Tinil, Jó de Biu, Nego Rapa, Celso e tantos Outros

Nos dias atuais

Atualmente, também é chamada “Filarmônica Luiz Martins de Oliveira” (Lei Municipal nº 1.201 de 09 de novembro de 2006), em homenagem ao ex-prefeito responsável pela sua reestruturação. É composta por cerca de 30 componentes, em sua grande maioria do quadro efetivo da Prefeitura Municipal de Esperança.
A EMEF Olímpia Souto, toda terça-feira, recebe os músicos para ensaio a partir das 19h, aberto para os amantes dessa boa música. Sob a regência do Major José Alves, há mais de trinta anos afinando o grupo, a Filarmônica 1º de Dezembro “Luiz Martins de Oliveira” possui em seu repertório forrós, sambas, frevos e mpb que se juntam aos dobrados típicos de sua atuação.
A cada desfile cívico, novos títulos são acrescidos ao repertório, conforme os sucessos do momento, que sejam adaptáveis e atendam a demanda da população.
Na formação atual temos músicos como: Doca, Lanco, Moleque, Nino de Michelo, Nando Fernandes, Antônio Rafael e outros.

Filarmônica "Luiz Martins". Maestro José Alves, responsável Irene Leite

Rau Ferreira



Referências:
- CÂMARA, Epaminondas. Datas Campinenses. Ed. Departamento de Publicidade: 1947;
- CÂMARA. Epaminondas. Os alicerces de Campina Grande: esboço histórico-social do povoado e da vida, 1697-1864, 3ª Edição. Livraria Moderna;
- ENTREVISTAS: Antonio Raphael dos Santos Filho, percussionista. Evaldo Pedro, ativista cultural. Secretaria Municipal de Educação, em 29/08/16.
- ESPERANÇA, Livro do Município de. Ed. Unigraf: 1985;
- ESPERANÇA DE OURO, Blog. Editor: Jailson Andrade, acesso em 29/08/2016.
- O DEMOCRÁTA, Jornal. Areia, 14 de novembro. Parahyba do Norte: 1894;
- PARAHYBA, Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Estado da. Anno II. José Francisco Moura (Org.). Parahyba do Norte: 1899;
- REVIVENDO ESPERANÇA, Blog. Editor: João Batista Bastos, acesso em 29/08/2016.
- RIBEIRO, Domingos de Azevedo. Música: orquestras e bandas da Paraíba. Coleção História da Paraíba em Fascículos. A União Editora: 1997;
- SERTÃO, Gazeta do. Órgão democrático. Campina Grande, 31 de Janeiro. Parahyba do Norte: 1890;
- SILVA FILHO, Lino Gomes (da). Síntese histórica de Campina Grande, 1670-1963. Ed. Grafset: 2005;

- SOUZA, Inácio Gonçalves de. Esperança e sua gente.  Esperança/PB: 1994. 
Codebro/Anos 60
Por volta de 1918 o centro da cidade era iluminado à querosene. Haviam postes de ferros envidraçados nas esquinas que eram acendidos ao entardecer por Alfredo Leite, um funcionário da subprefeitura que retornava por volta das 22 horas apagando as chamas.
A energia sempre foi um grande atrativo comercial. A sua força impulsionava motores e gerava luz elétrica propiciando o funcionamento prolongado do comércio. Esperança por sua vocação primária há muito necessitava desta inovação.
A partir daquele ano homens foram contratados para realizar o “posteamento” com madeira de baraúna. Os postes não eram muito altos, mas o trabalho dos encarregados despertava a curiosidade das crianças. Tranquilino foi o eletricista responsável por estender os fios, colocar os isoladores e fazer as ligações domiciliares. Os candelabros foram substituídos por lâmpadas de tungstênio.
O fornecimento de energia começou a operar no início em 1919. O sistema era precário, resumindo-se apenas a algumas residências. Porém precedeu à própria Campina Grande, considerada o empório do sertão, onde a luz elétrica só chegou em 29 de setembro de 1920, através da firma H. Brito e Cia.
Seis anos depois (1925) José Barreto adquiriu um motor de luz mais eficiente, capaz de iluminar toda a rua principal. A empresa era particular, mas contava com uma subvenção da prefeitura para manter os seus gastos. Por essa época, a luz elétrica já devia chegar a rua da Urtiga conhecida por concentrar os prostíbulos ou manichula.
Foi na administração de Sebastião Vital Duarte (1940-1944) que veio para Esperança a Companhia Distribuidora de Eletricidade do Brejo Paraibano/Codebro. Esta empresa surgida nos anos 20 era turbinada com água do açude do Município de Borborema, a primeira usina hidroelétrica da Paraíba.
A Codebro ficou responsável pela distribuição de energia na cidade (que na época se resumia a quatro ou seis ruas). Os usuários adquiriam ações subscritas ao portador, além de contar com a subvenção ao serviço elétrico municipal. Na figura ao lado, observa-se a edificação que abrigava aquela concessionária. A esse respeito, colaciono o depoimento de Joacil Braga Brandão que nos informa:
Era um grande prédio, com muro circundando a frente e a lateral. O escritório de atendimento ao público era composto de três mesas, ocupadas por minha Tia Joadiva Brandão (Chefe do Escritório) e a Bebé de Abraão (funcionária e datilógrafa). Havia uma divisória de madeira separando o escritório da área interna, com uma porta de acesso.
Dentro se encontrava os grupos geradores de eletricidade. Dois em pleno funcionamento e um de reserva. Eram imensos e barulhentos. E alguns funcionários na manutenção. Os grupos geradores eram interligados por canos onde circulava água para a refrigeração. Mais ao fundo uma enorme cisterna de onde partiam os canos de metal.
Na área externa, no fundo do prédio, havia vários tanques de cimento cheios de água. Eram interligados por canos com a cisterna no interior do prédio. No pátio ficavam armazenados dezenas de tonéis de ferro de combustível”.

Este pequeno ciclo se encerrou com a chegada da energia elétrica proveniente da Estação de Paulo Afonso/BA, inaugurada no dia 10 de fevereiro de 1958, da sacada da Farmácia “Santos Gondim”.
O fornecimento de energia através de geradores a combustão não mais atendia aos reclamos municipais, a exigir uma demanda e logística na distribuição de energia que somente a SAELPA poderia atender. O mesmo não se pode dizer das instalações da antiga CODEBRO, que durante algum tempo serviu de escritório de representação.
Naquele terreno existia um poço e uma cisterna que eram abertos ao público nos períodos de estiagem. Como a cidade sempre apresentou dificuldade no abastecimento d’água, esta foi uma das soluções adotadas, conforme declara Joacil: “Na lateral do prédio se destacava a caixa d'água. Que por diversos momentos de falta de água em Esperança era utilizada para distribuição à população, que chegava com barris de madeira em jumentos e carrinhos de mão”.
As pessoas se aglomeravam com carros de mão e carroças à espera do líquido precioso, que era entregue pela manhã para servir às necessidades domésticas. Era comum os serviços de carregadores de água nos domicílios, a ganho de alguns trocados a exemplo de Adauto Pichaco.
A Codebro/Saelpa distribuía aos funcionários cartelas de ingressos tanto para as festividades da padroeira como para os circos que eram armados nas proximidades do Campo do América. Assim relembra Joacil: “Tive grandes momentos de brincadeira com amigos da infância no pátio interno do prédio. Amigos como o Ronaldo Borges, Expedito de Manuel Tambor, Francisquinho de Sr. Assis Mecânico, Daniel das Bicicletas e Mozart do Sapateiro. (...) entre os amigos que frequentava a CODEBRO o Raminho de Gato era o mais brincalhão”.
Anos depois o prédio da antiga Codebro que ficava entre as ruas José Andrade e Tomaz Rodrigues veio à baixo por falta de reparos e manutenção; o local depois serviu de depósito para os postes de alvenaria que a Saelpa reservava para instalação. Quando criança brinquei muito naquele terreno, tomando cuidado para não cair no velho poço que ainda existia, vizinho a casa do amigo Janilson Andrade. Este nos conta que o buraco era muito fundo e uma vez um garoto caiu ali, sendo resgatado por um adulto que passava naquele momento. Anos mais tarde, a Saelpa construiu a sua sede naquele lugar.

Rau Ferreira

Fontes:
- CULTURA POPULAR, Blog. Disponível em http://culturapopular2.blogspot.com.br/2010/03/os-primeiros-do-estado.html, acesso em 13/08/2016.
- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes da Historiografia do Município de Esperança. A União. Esperança/PB: 2016.

- PEREIRA, João Thomaz. Memórias de uma Infância Nordestina. Assis/SP: 2000.
Josias e família
Há uns dias recebi um comentário (via Email)  da Sra. Arlete sobre o seu tio Josias que oficiou como barbeiro neste município de Esperança. Pois bem. complementando a série dos “Barbeiros Esperancenses”, passo a apresentar mais esta personagem da nossa história com o texto informado pela sua parente.
Josias, seu irmão José e o filho Ademilton

Josias Nicolau da Costa viveu muitos anos em Esperança e trabalhou como barbeiro. Seu salão se situava ao lado da igreja matriz onde depois funcionou como Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Ele era um dos barbeiros mais procurados, devido ao seu carisma em tratar bem as pessoas além do bom serviço profissional.
Anos depois ele foi morar com a família no Rio de Janeiro, onde viveu até sua morte.
Um dos seus filhos chama-se Ademildo Nicolau, que, há alguns anos, esteve em uma festa para os filhos ilustres de Esperança, na nossa querida cidade.
Na primeira foto ele é o primeiro da direita para a esquerda (Padrinho de casamento de meus pais). No lado esquerdo está seu irmão Josué (sapateiro em Remígio). Na segunda foto ele está de camisa branca, junto ao seu filho Ademildo e meu pai Janjão”.

Agradeço a colaboração da nossa leitura Arlete que nos propiciou contar mais um pouco sobre esta profissão, hoje já em extinção. É com grande satisfação que prestamos esta singela homenagem a seu Josias, um esperancense que tanto nos orgulha.
Pesquisando neste blog você irá encontrar as nossas postagens sobre os barbeiros esperancenses.


Rau Ferreira