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Mortandade: História que não se contou!

Em se tratando de história de cunho macabro a exemplo de cemitério, velórios, caixões de defuntos e mortuárias, há inúmeros episódios a serem narrados por pessoas que viveram presentemente essas façanhas. Vivi numa época em que na cidade ou na zona rural muitos morriam e a família não podia comprar um ataúde. O esquife era uma surrada rede pendurada num caibro roliço apoiada em ombros de carregadores que se revezavam ao longo do trajeto fúnebre. Mas, havia para esses casos uma solução: No cemitério mantinha-se guardado um pequeno estoque de três ou quatro caixões rústicos, de madeira pesada, que eram emprestados para as famílias conduzirem os seus mortos. Chegando ao cemitério, à beira da cova, tiravam do caixão o cadáver o qual vinha envolto num surrado lençol e desciam o corpo à sepultura. Fatídico cenário! Em meio à sequência desta descrição, relato que na minha infância de menino pobre, depois de desistir como ajudante de sapateiro, viví a experiência de trabalhar também como apre…
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Visita Pastoral (1926)

Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques visitou a nossa paróquia de 07 à 11 de novembro de 1926. A caravana chegou pela manhã. Acompanhavam o presbítero: Monsenhor José Paulino Duarte, Frei Fabiano OFM, Cônego Manuel Cristiano, Padre Emiliano de Christo, filho de Esperança, Theodomiro Guimarães e Gentil de Barros. Aguardavam na entrada da cidade o vigário José Borges de Carvalho e os seminaristas Francisco Lima, José Mesquita e Pedro Serrão, além das associações da paróquia, uniformizadas e com seus estandartes. Acorriam ainda as classes sociais, famílias e grande número de pessoas acolhendo a todos com demonstração de carinho, respeito e amor filial. Após a recepção, foram conduzidas a uma residência para se abrigarem, antes de iniciar a procissão até a igreja matriz onde foi celebrada a santa missa. O oficiante se dirigiu ao povo declarando aberta a visita e pregando aos fiéis sobre a sua importância e seus fins; determinou-se o horário dos trabalhos e demais avisos. À noite a pregaçã…

Antiga fábrica de caixões

Houve um tempo que não existiam planos pós-morte e que o povo carente se enterrava com a própria rede. Ser conduzido em um ataúde para a morada eterna era um luxo para poucos. Os falecidos eram velados nas próprias residências de um dia para o outro. Servia-se café na cozinha, enquanto que os homens ficavam na sala contando histórias de “trancoso”. O município passou então a dar o artefato, mas dia sim e dia não tinha uma viúva batendo a porta da prefeitura, foi então que alguém resolveu instalar uma fábrica de caixões na rua Theotônio Tertuliano, por trás da Secretaria de Educação. O caixão fúnebre era construído dessas madeiras de caixa de batata, com alguns caibros para dar sustentação. Forrava-se com um plástico fino, de cor azul para homem ou roxo e rosa para mulheres. Na tampa se colocava um vidro para ver o ente querido. Era pequeno e, a depender do defunto, precisava fazer alguns ajustes. A prefeitura também dava a mortalha, que era um camisão, enquanto que as flores ficaram a …

Desagravo (1923)

A Comunidade Católica em nosso município ainda engatinhava. A Paróquia recém-criada por ato de Dom Aurélio Miranda (1908), lutava para adornar o seu templo, adquirindo imagens dos santos venerados. Há muito custo havia construído a Casa Paroquial (1916), mas em 1923 encomendara uma réplica do “Senhor Morto”. A relíquia lembra o corpo de Jesus pós-crucificação, mencionada nos evangelhos. O Padre José Borges de Carvalho, vigário paroquial de 1922 à 1929, convidou os esperancenses a irem até Campina Grande, para receberem a imagem, trazendo-a em procissão para Esperança. O povo logo acorreu a solicitação, somando-se cerca de três mil católicos. Padre Zé Borges era forte opositor da doutrina protestante, para quem dirigia fortes críticas. Ao tomarem conhecimento da recente aquisição para a igreja, dois evangélicos campinenses afrontaram aquela multidão, insultando o vigário e pretendendo falar à porta da Igreja de N. S. da Conceição. Populares, indignados com aquela situação, vieram em def…

Pousada Banabuyé

A Pousada Banabuyé – na rua Dr. Silvino Olavo – é uma boa opção de estadia em nossa cidade. Não fosse o requinte desta hospedaria cinco estrelas, esta vem promovendo o embelezamento da cidade. Enquanto muitos destroem a três por quatro, a pousada reconstrói em linhas clássicas coloniais uma fachada que dá gosto de ver. O solar possui uma varanda em armação de ferro artisticamente desenhada, uma porta central de entrada e cinco janelões. No térreo há também uma garagem com portão de madeira. Uma foto do interior do estabelecimento, coletada em sua rede social, mostra também esse estilo rústico com decoração regional muito apreciado por aqueles que preferem um ambiente diferenciado.
Nele podemos ver um pilão antigo, mesa e cadeiras em madeira pura, e prateleira em ferro desenhado, que sustentam vasilhas de barro. O moderno também se faz presente, conforme se observa na fotografia. Ao proprietário externo a minha satisfação por ver que no Município de Esperança ainda se preserva o belo e a…