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O jurista Silvino Olavo

Silvino Olavo foi – na expressão de Samuel Duarte – um dos maiores juristas de sua época; não por acaso, sua tese (Estética do Direito) foi recepcionada pelos acadêmicos, seus pares, quando de sua oratória por ocasião da formatura em seu bacharelado de Direito, sendo referendada em diversos trabalhos. Como advogado, mantinha escritório na rua 05 de agosto nº 55, na Capital parahybana, atuando em causas cíveis, criminais e em inventários. Nessa condição, participou do jantar íntimo oferecido pelos bacharéis e amigos do Desembargador Flodoardo da Silveira, no Hotel Globo em João Pessoa, por motivo de sua nomeação para a mais alta Corte Paraibana. João Lyra, revisitando suas memórias, destaca que Silvino participara da Academia de Letras e Ciências Jurídicas, organizada sob os moldes da Academia Brasileira de Letras, participando do corpo congregado até 1924. Com o retorno à Parahyba, desfilou-se daquele corpo congregado e, em seu Estado natal, fora nomeado 1º Promotor da Capital, pelo emin…
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Registros pelo assassinato de João Pessoa

João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque governou a Parahyba de 1928 à 1930, dois de seus auxiliares eram esperancenses: Silvino Olavo e Elysio sobreira. Esperança havia lhe dedicado o título de cidadão, quando de sua vinda a esta cidade, por ocasião da campanha pela Aliança Liberal. Recepcionado pelo Prefeito Manuel Rodrigues e seu vice Theotônio Costa, foi saudado pelo advogado Severino Irineu Diniz quando da outorga daquela cidadania. O malogrado presidente do nosso Estado foi assassinado em 26 de julho de 1930, na Confeitaria Glória. Os fatos que antecederam a esta tragédia já foram por muito debatido, dispensando deste escritor qualquer comentário. Após aquele episódio, tornou-se natural as homenagens prestadas, destacando-se, dentre elas a do Juízo Municipal do Termo de Esperança. O judiciário local estava assim organizado: Dr. Orlando de Castro Pereira Tejo, Juiz Municipal; João Clementino Farias Leite, escrivão; e Manuel Jesuíno de Lima, porteiro dos auditórios. Pois bem. Aos quatro …

SOL comenta "A Voz da Terra" de Peryllo D'Oliveira

Severino Peryllo D’Oliveira foi um grande poeta. O mulato filho de Araruna/PB saiu de casa aos 15 anos, atraído por uma atriz italiana dirigente de uma companhia de teatro. Depois de experimentar os palcos, voltou à Parahyba com o também poeta Silvino Olavo. A sua obra passeia pelo lírico e modernismo. Depois de publicar “Canções que a vida me ensinou” (1925) e “Caminho cheio de sol” (1928), trazia à lume “A voz da terra” (1930) a propósito do qual fazia o amigo Silvino belíssimo ensaio. O livro – apesar de melancólico – trazia a “brasilidade” tão esperada por aqueles jovens, que acabaram de conhecer Mário de Andrade quando de sua visita à Parahyba, sendo esta “o embrião de uma alegria sui generis”. Dizia Olavo encontrarem-se os dois agora no mesmo plano poético, num “changuez admirável!” e acrescenta: “essa filosofia melancólica, que é o segredo da sua harmonia anterior, nem a nota desse otimismo que não chega a ser idealismo”.
De fato, se compararmos as poesias “Conselho” de Perylo e …

Afrescos da Igreja Matriz

A Igreja Matriz de Esperança passou por diversas reformas. Há muito a aparência da antiga capela se apagou no tempo, restando apenas na memória de alguns poucos, e em fotos antigas do município, o templo de duas torres. Não raro encontramos textos que se referiam a essa construção como sendo “a melhor da freguesia” (Notas: Irineo Joffily, 1892), constituindo “um moderno e vasto templo” (A Parahyba, 1909), e considerada uma “bem construída igreja de N. S. do Bom Conselho” (Diccionario Chorográfico: Coriolano de Medeiros, 1950). Através do amigo Emmanuel Souza, do blog Retalhos Históricos de Campina Grande, ficamos sabendo que o pároco à época encomendara ao artista J. Santos, radicado em Campina, a pintura de alguns afrescos. Sobre essa gravura já havia me falado seu Pedro Sacristão, dizendo que, quando de uma das reformas da igreja, executada por Padre Alexandre Moreira, após remover o forro, e remover os resíduos, descobriram-se algumas pinturas que depois foram sobrepostas por tinta …

Um inédito DÓ

Antonio Fasanaro, em artigo de jornal, traz à lume um inédito “Dó”, livro de Silvino Olavo. Dividido em quatro partes, segundo aquele estudo, a obra traduz tristezas e alegrias. A primeira parte (Os poemas do meu irmão) denota o pesar que há nos versos que abrem o livro:  “Alma penada, alma que choras descansa a fronte em minha fronte, as minhas lágrimas sonoras são como as lágrimas da fonte ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... .....”
Reflete que Silvino chora calado aquela dor, “sem rumores, envolto no traje sombrio do silêncio”. Mas sofre, piedosamente, a dor dos outros, a dor alheia: “Pranto calado de quem sofre a dor alheia como a sua e faz do coração um cofre onde recolhe a dor da rua ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... .....”
A segunda parte – Novo Mundo – demonstra a “brasilidade” do poeta, revelando o seu poder de expressão e, confessando um crime bárbaro: ser poeta! Neste ponto, acrescenta Fasanaro: “Belo crime, esse de nascer poeta”. E parafraseando o próprio vate…