Criarumemail.com/

artigos

Prof. José Coêlho da Nóbrega
Hoje recebi este belo poema do Professor José Coêlho que todos conhecem. Professor de português da Escola “Irineu Jóffily” e também agrimensor, tendo se lançado candidato algumas vezes em nosso município disputado a vereança.
Poeta inspirado, compôs o hino do “Mequinha” de Esperança e também foi responsável pela edição d’O Gillette, jornal oficioso que circulava nas noites de festa.
Pois bem. Recebi este poema do amigo Paulinho, seu neto, que me enviou em uma rede social para o deleite dos seus conterrâneos:

DESESPERO 

Já ia bem alta a madrugada,
quando ele viu entrar em crise
com uma tremenda hemoptise,
sua companheira idolatrada,
sob suas pernas apoiada
tenta que o mal se harmonize,
no entanto a causa tem reprise
e em sangue morre sufocada,
e assim só dele acompanhada,
partia naquela fria madrugada,
aquela a quem tanto um homem quis,
feliz disse ele, é quem não ama,
pois não trás em si o duro drama,
de amar e julgar que é feliz.

Banabuyé, Prof. José Coêlho da Nóbrega

Zé Coêlho possuía uma memória invejável, contava histórias de aventuras e declamava poesias. Foi um dos intelectuais mais influentes de nossa cidade, destacando-se ainda por ser um grande animador de quadrilhas.


Rau Ferreira
A "Boneca de Lero"
Lero residia no Rio. Esperancense nato, não perdia um carnaval e vinha todos os anos participar os festejos de “Momo” em nossa cidade.
Foi ele quem criou a famosa “Boneca”. Não era bonita, segundo dizem, mas o engraçado era o gingado que Lero fazia, balançando aquele mamulengo agarrado no pescoço de um lado para o outro.
O bloco era acompanhado por uma centena de brincantes. Criaram até uma marchinha parodiando uma tradicional música nordestina:

“Acorda Maria Bonita,
Acorda para fazer café,
Que o dia está raiando
A Boneca de Léro, já tá de pé”.

Nos anos 70, salvo engano, Lero se envolveu numa briga e foi preso no sábado que antecedia o carnaval. De nada adiantou os pedidos dos amigos, a polícia parecia irredutível na decisão de só liberar após o carnaval.
Os mais chegados viam naquela prisão uma espécie de punição, talvez pelo fato da boneca mostrar sua irreverência no corredor da folia.
O fato é que Lero só foi solto na quarta-feira de cinzas, mas os seus amigos, entristecidos por ele ter perdido aquele festejo, resolveram fazer um outro carnaval, brincando até o raiar do dia seguinte. Em protesto, mudaram a letra da música da “Boneca”, que ficou assim:

Segura a Boneca Lero
Segura não deixa cair
Segura a Boneca Lero
Que a polícia vem aí.

Lero alegrou muitos carnavais, ao lado do “Zé Pereira” e do “Bumba-meu-boi” de Zé Marcolino. A tradição da “boneca” acabou com seu criador, que faleceu afogado em uma cachoeira no Rio.

Rau Ferreira


Referências:
- ANDRADE, Jailson. Família Andrade: um século de lutas, vitórias e conquistas. Ed. Revista e Ampliacad. José Fábio Barbosa Costa. 3ª Edição. Esperança/PB: 2009.

- SOUZA, Inácio Gonçalves. Memorial do Carnaval de Esperança. Edições Lyrio Verde. 1ª Ed. Esperança/PB: 2016.
Padre Zé Coutinho
O Padre Artur Costa foi colega de seminário de Padre Zé. É ele que nos traz um belo relato de sua vida, publicado n’A Cruz, órgão católico que circulou em meados do século passado.
Em 1914, no Seminário da Parahyba, encontravam-se os dois estudantes de filosofia. Padre Zé demonstrava sua predileção pela música: “Vivia sacudindo a cabeça e as mãos, num compasso que não tinha fim”.
A vocação musical dera então seus frutos: compôs os hinos de Santa Terezinha e de Nossa Senhora das Neves e do Bom Conselho; a Novena em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, além de diversas valsas, maxixes e dobrados.
No entanto, havia um chamado maior: servir aos pobres! Eis que fundou, em 1935, o Instituto São José “destinado a socorrer a população pobre da Paraíba”. É o relato de Padre Artur, que acrescenta:
“Eu dirigia então ‘A Imprensa’ e tinha que aturá-lo no jornal com todo o seu trabalho de propaganda. Cada semana, me trazia, escritas do seu punho, umas notas sobre o Instituto. Eu não sabia o que era pior nessas notas: se a redação ou a caligrafia. Mas o padre entrava nas oficinas, discutia com os tipógrafos, e as notas saiam na primeira página, com tipo gordo e em coluna aberta [...] e eu não podia fazer nada”.

Não media esforços, quando era pra divulgar o seu instituto de caridade, ou mesmo ajudar os pobres que acorriam aquele lugar com tantas necessidades, de vestuário à educação e saúde; e estava o Padre Zé em todo canto, para socorrer àqueles desafortunados.
Monsenhor Pedro Anísio tinha uma coluna naquele jornal, que quase sempre era prejudicada, reduzida ou “espremida”. E quando confrontado, o Padre Zé respondia sem titubear: “Você vai dizer-me, então, que um trabalho sobre pedagogia tem mais importância do que vestir um pobre velho ou matar a fome duma criança? ”.
E as “notas” eram publicadas, de um jeito ou de outro.
E o velho padre intensificava seu apostolado, apesar dos sapatos rotos e uma batina surrada. Mas ele nunca se descuidou de seu rebanho.
Já velho e gordo, recebeu da Esso a medalha de “Honra ao mérito” pelo seu trabalho de assistência social na Paraíba. A Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, anunciava aquela homenagem.
Na igreja assumiu alguns cargos: Vigário da Catedral, Redator-chefe d’A Imprensa, Ecônomo do Seminário e do  Colégio Diocesano; e um cargo público: Diretor do Serviço Social do Estado. Mas a sua preocupação, como lhe disse o colega de seminário, era apenas uma: fazer o bem, minorando o sofrimento alheio.
Hoje pouca gente lembra, mas no Vaticano ainda corre o seu processo de beatificação. O procedimento é longo e tem muitas exigências. Contudo, no quesito milagre o Monsenhor Coutinho já conta com pelo menos três.
Esperança – a sua terra mãe – talvez não se dê conta de quão importante seria este reconhecimento eclesiástico, já que o povo pobre da minha Parahyba lhe devota a santificação; também não fez qualquer esforço, a não ser ajuntar algumas assinaturas.
O empenho da sua cidade seria bem-vindo, mas quem será que levantará esta bandeira?

Rau Ferreira

Referências:
- COUTINHO, Graça. “100 Anos do Pe. Zé”. Folheto. Governo do Estado da Paraíba: 1997.
- ALVES, Camila. Padre Zé Coutinho pode ser o primeiro santo paraibano. Jornal da Paraíba. Ano 40. Nº 11.804. Edição de domingo, 26 de agosto. João Pessoa/PB: 2012.

- A CRUZ, Jornal. Edição de 27 de dezembro. Rio de Janeiro/RJ: 1953.
Poetisa Hyldeth Fávilla
Silvino Olavo conheceu Hyldeth Fávila em novembro de 1927, por ocasião do lançamento do livro “Quod Scritpt, scripsi” de Angelo Elyseu, no salão da “Liga de Defesa Nacional”, no Rio de Janeiro.
A sociedade estava representada pelo Cenáculo Fluminense, pela Escola Militar e o Centro Farias de Brito, além dos ilustres escritores Haroldo Daltro, o argentino Garcia Zuarro e o jornalista Amadeu de Beaurepaire Rohan.
O poeta havia sido convidado à declamação dos seus versos, já que os “Cysnes” ainda ecoavam na Capital da República. Ao lado de Pádua de Almeida e Mayrink engrossaram a coluna masculina daquele “soirée”, enquanto a ala feminina era composta por Hyldeth, Maria Sabina, Zilá Monteiro, Marina Pádua e Cândida Brito.
Hyldeth Jezzler Favilla nasceu em Salvador/BA em 1912. Graduada em letras, começou a publicar aos 16 anos. Há pouco estreara a sua “Dor Suave”. No Rio, promoveu alguns recitais e com Théo-Filho fez campanha para popularizar a praia de Copacabana para os veranistas.
Silvino ofertou-lhe com admiração, uma edição de Cysnes, para “o seu espírito aceso de poetisa”.
Não sabemos o destino daquela amizade, nascida sob os fluídos da literatura. Certo é, que naquele mesmo ano Olavo lançara “Sombra Iluminada” e, três anos depois, viria à lume a “Sarabanda Iluminada” de Fávila. Coincidências a parte, temos o volume de “Prosa ritmada de Sol”, de Hyldeth; e “Flora Macerada” de Silvino. O que mais posso dizer?

Rau Ferreira



Referências:
- ESCRITORAS BAIANAS, Site. Disponível em http://www.escritorasbaianas.ufba.br/favila/biotraj.html, acesso em 04/02/2017.
- O FLUMINENSE, Jornal. Edição L, Nº 13.622. Rio de Janeiro/RJ; 1927.

- THÉO-FILHO, O intelectual da Praia. Disponível em http://theo-filho-paulo-donadio.blogspot.com.br/2012/06/hyldeth-favilla-e-o-verao-carioca.html, acesso em 04/02/2017.